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Fique acordado, meu príncipe.

Summary:

Quando Damian Wayne desaparece durante uma patrulha, a Batfam inicia uma busca desesperada por Gotham.
Ferido, sozinho e sofrendo os efeitos de uma concussão, Damian luta para permanecer consciente enquanto uma voz familiar o acompanha pela noite.
A única questão é:
Talia realmente está falando com ele...
ou aquilo é apenas mais um sintoma da lesão

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

Damian tinha um problema.

 

Ele estava perdido.

 

Completamente perdido.

 

Damian Wayne odiava admitir aquilo, mas depois de quase vinte minutos percorrendo telhados desconhecidos, até ele teve que aceitar a realidade.

Não fazia ideia de onde estava.

 

Tudo começou com um grito.

Ou pelo menos ele achava que tinha sido um grito.

Agora, olhando para os prédios ao seu redor, Damian já não tinha tanta certeza de nada.

 

Irritado, levou a mão até a orelha.

— Batman, eu...

As palavras morreram em sua garganta.

Seus dedos encontraram apenas pele.

Damian congelou.

O comunicador não estava lá.

 

Damian olhou em volta de si para ver se encontrava o bendito aparelho. Mas a única coisa que via era lixo e mais lixo, nenhum sinal do comunicador. Damian soltou um suspiro e tentou se acalmar e lembrar o que tinha acontecido.

 

Ele lembrava do grito.

 

Lembrava de entrar no beco.

 

Lembrava do cheiro horrível.

 

Então…

 

Sua cabeça latejou.

Uma dor aguda atravessou sua têmpora.

Instintivamente, levou a mão até o local.

Seus dedos tocaram algo úmido.

Sangue.

 

Como se fosse uma piada, assim que percebeu que sangrava, suas pernas enfraqueceram, fazendo-o cair no chão como um peso morto. As coisas à sua volta pareciam girar. Damian fechou os olhos com força para tentar se livrar da tontura e da sonolência que pareciam se apossar de suas pálpebras.

 

— Levantar, eu tenho que me levantar — ele repetiu enquanto tentava se apoiar na parede em que estava encostado.

 

Com dificuldade, Damian se levanta. Ele fica encostado na parede enquanto tenta recuperar o fôlego. Ele sente seu estômago se contorcer e um suor gelado surgir em sua testa, então, sem aviso, ele vomita.

 

Pelo que parece horas, Damian finalmente consegue parar de vomitar tudo que havia comido no jantar. Desnorteado, ele tenta se comunicar com os outros.

 

— Batman…

 

Damian cerrou os olhos quando os dedos tocaram o vazio.

 

— Tt.

 

Claro.

 

Porque perder o comunicador não era humilhante o suficiente da primeira vez.

 

Ele soltou um suspiro e forçou o próprio corpo a continuar andando. Cada passo fazia sua cabeça latejar, mas permanecer parado era ainda pior. Alvos imóveis eram mais fáceis de encontrar.

 

 

Batman pousou sobre um dos telhados de Gotham.

A patrulha havia sido tranquila até então.

 

Tranquila demais.

 

Foi então que Batman percebeu que algo estava errado quando fez a chamada de rotina.

 

— Relatório.

 

As respostas vieram rapidamente.

 

— Asa Noturna.

 

— Capuz Vermelho.

 

— Robin Vermelho.

 

— Spoiler.

 

— Signal.

 

— Orphan.

 

 

Bruce esperou.

 

Cinco segundos.

 

Dez.

 

Quinze.

 

Nada.

 

— Robin?

 

— Provavelmente ignorando o comunicador de propósito — murmurou Jason.

 

— Não. Ele sempre responde em patrulha. — Tim franziu a testa.

 

— Ei, mini Batman, você está me ouvindo?

...

— Damian?

...

— Pequeno D?

...

— Damian, isso não tem graça.

...

— Robin, responda ao comunicador.

 

Seu comunicador continuou em silêncio, o que fez Dick sentir um arrepio na espinha. O frio em seu estômago já começava a se fazer presente. Damian podia ser ranzinza, mas nunca deixava de responder em patrulha, ainda mais vindo direto do próprio Batman.

 

— Oráculo, veja a localização do Robin — a voz de Batman foi ouvida pelo comunicador. Mesmo em tom sério, ainda dava para ouvir a preocupação nela.

 

— Localizei o último sinal do seu comunicador — Oráculo respondeu depois de um tempo.

 

— Onde? — Batman perguntou.

 

— Foi em um beco.

 

O silêncio que se seguiu foi pior do que qualquer resposta.

 

 

Damian já não sabia para onde ir ou onde estava. Não que soubesse antes.

 

Em algum momento de sua caminhada, suas pernas voltaram a ceder.

 

Agora estava deitado de barriga para cima no asfalto frio. Depois de conseguir se virar, aquilo era o máximo que seu corpo permitia.

 

Seus olhos se voltaram para o céu de Gotham.

 

As luzes da cidade escondiam as estrelas.

 

Ele sentia falta delas.

 

Quando morava com sua mãe, havia noites em que Talia o levava para um dos telhados da base. Ela se deitava ao seu lado e apontava as constelações acima deles.

 

Eram noites raras.

 

Noites em que Damian se sentia mais uma criança do que um guerreiro.

Sua mãe passava os dedos por seus cabelos enquanto contava histórias sobre as estrelas e sobre como, um dia, ele seria um herdeiro digno.

 

Damian não sentia falta da Liga.

 

Mas sentia falta daqueles momentos.

 

Daquele silêncio.

 

Daquela sensação de que existiam apenas ele, sua mãe e a vastidão do universo acima deles.

 

"Levante-se, meu príncipe."

 

A voz de sua mãe parecia tão real que, por um instante, Damian quase acreditou que ela estava ali.

 

"Nenhum rei permanece no trono após cair."

 

Uma pausa.

 

"Levante-se, habibi.”

 

Damian abriu os olhos.

 

A voz de sua mãe já havia desaparecido.

 

Restavam apenas a dor pulsando em sua cabeça e o frio do asfalto sob suas costas.

 

Ele franziu a testa.

 

Não se lembrava de quando havia fechado os olhos.

 

Aquilo deveria preocupá-lo.

 

Mas não tinha tempo para se preocupar.

 

Com um suspiro cansado, forçou os braços contra o chão e se ergueu. O mundo girou por um instante, fazendo seu estômago se revirar, mas ele permaneceu de pé.

 

O que importava era continuar se movendo.

 

Damian deu mais um passo.

 

Depois outro.

 

Ignorando a dor, ignorando a tontura, ignorando o gosto amargo que ainda permanecia em sua boca.

 

Ele precisava continuar andando.

 

 

O beco estava vazio.

 

Bruce observou o local pela terceira vez.

 

Não havia sinal de Damian.

 

Apenas um comunicador quebrado próximo a uma caçamba.

 

Dick sentiu o estômago afundar.

 

— Isso não faz sentido.

 

Jason cruzou os braços.

 

— Se alguém o atacou, onde está o corpo?

 

— Jason. — Dick lançou-lhe um olhar.

 

— O quê? Estou sendo realista.

 

Bruce se agachou ao lado do comunicador.

 

O aparelho estava quebrado.

 

Pequenas manchas escuras marcavam o concreto alguns metros adiante.

 

Sangue.

 

Pouco.

 

Mas ainda sangue.

 

O suficiente.

 

O silêncio que caiu sobre o grupo foi sufocante.

 

Dick desviou os olhos.

 

Ele não gostava daquilo.

 

Não gostava nem um pouco.

 

Damian podia ser muitas coisas, mas não abandonaria seu comunicador voluntariamente.

 

Especialmente durante uma patrulha.

 

Bruce fechou a mão ao redor do aparelho.

 

— Oráculo.

 

O canal abriu imediatamente.

 

— Estou aqui.

 

— Câmeras.

 

— Já estou verificando.

 

Alguns segundos se passaram.

 

Então:

 

— Tenho um problema.

 

Todos congelaram.

 

— As câmeras próximas ficaram fora do ar por aproximadamente dez minutos.

 

Jason soltou um palavrão.

 

— Claro que ficaram.

 

— Estou tentando recuperar os arquivos, mas vai levar tempo.

 

Bruce se levantou.

 

Dick conhecia aquele olhar.

 

Conhecia bem demais.

 

Era o olhar que Bruce tinha quando estava assustado e tentando não demonstrar.

 

— Expandam a área de busca.

 

— B. — Dick hesitou. — Nós vamos encontrá-lo.

 

Bruce não respondeu imediatamente.

 

Seus olhos permaneceram fixos na pequena mancha de sangue.

 

— Eu sei.

 

Mas a voz saiu baixa demais para convencer qualquer um deles.

 

— Dividam-se.

 

A ordem de Bruce foi simples.

 

Ninguém discutiu.

 

Dick saltou para o telhado mais próximo.

 

Jason seguiu na direção oposta.

 

Cass desapareceu antes mesmo que alguém a visse partir.

 

Steph e Duke assumiram setores mais afastados.

 

Tim permaneceu conectado à Batcaverna, auxiliando Oráculo.

 

Em poucos segundos, o beco ficou vazio.

 

Exceto por Bruce.

 

O Cavaleiro das Trevas permaneceu imóvel por mais um instante.

 

Seu olhar percorreu novamente o local.

 

A caçamba.

 

O muro.

 

O chão.

 

O sangue.

 

Pouco.

 

Mas o suficiente para lhe dizer que Damian estava ferido.

 

Bruce conhecia os rastros de seus filhos melhor do que gostaria.

 

Robin não havia deixado sangue por acidente.

 

Aquilo significava um ferimento na cabeça.

 

Ou no rosto.

 

Algo que sangrava muito.

 

Algo que podia explicar por que Damian não estava respondendo.

 

Seu maxilar se contraiu.

 

Então desapareceu na noite.

 

 

— Oráculo.

 

A voz de Tim surgiu pelo comunicador.

 

— Consegui recuperar parte das imagens.

 

Todos pararam.

 

— Mostre.

 

— Estou enviando agora.

 

A gravação apareceu nos visores.

 

Baixa qualidade.

 

Cheia de interferências.

 

Mas era Damian.

 

Sozinho.

 

Entrando no beco.

 

Dick soltou o ar que nem percebeu estar prendendo.

 

Pelo menos tinham alguma coisa.

 

Então a gravação avançou.

 

Um borrão.

 

Movimento.

 

Uma figura correndo.

 

Damian avançando.

 

E então...

 

A imagem travou.

 

Quando voltou, Robin já não estava mais visível.

 

Apenas um vulto desaparecendo para fora do alcance da câmera.

 

— Essa é a última imagem? — perguntou Bruce.

 

— Sim.

 

— Merda. — murmurou Jason.

 

— Espera. — Tim interrompeu.

 

A gravação retrocedeu alguns segundos.

 

Ele ampliou a imagem.

 

Mais.

 

E mais.

 

Até que uma parte da tela ficou visível.

 

Dick sentiu o coração afundar.

 

Porque agora conseguia ver.

 

Damian estava cambaleando.

 

Apenas um pouco.

 

Mas estava.

 

— Ele está ferido. — disse Dick.

 

— Concussão. — respondeu Bruce imediatamente.

 

Ninguém precisou perguntar como ele sabia.

 

Todos viram.

 

Todos entenderam.

 

E todos chegaram à mesma conclusão.

 

Se Damian estava com uma concussão...

 

Então talvez ele nem soubesse que estava perdido.

 

O silêncio que seguiu foi pesado.

 

Até que a voz de Tim o quebrou.

 

— B...

 

— O quê?

 

— Se ele está desorientado...

 

Tim não terminou a frase.

 

Não precisou.

 

Bruce já havia entendido.

 

Porque uma criança perdida em Gotham era preocupante.

 

Robin, o ajudante do Batman perdido em Gotham, ferido e sem comunicador, era um pesadelo.

 

E cada minuto que passava tornava a situação pior.

 

 

Gotham parecia mais fria, não como inverno quando chega à cidade, mas como se qualquer canto fosse perigoso, os prédios pareciam maiores e as ruas pareciam muito mais silenciosas. Damian não conseguia saber se a rua estava realmente deserta ou se em algum momento só não conseguia mais saber o que estava ao seu redor. Era algo deplorável para si. Ele era o Robin, filho do morcego e de Talia, herdeiro do manto e da cabeça do demônio. Como ele podia estar assim, tão perdido e indefeso. Aquilo não era digno de um Al Ghul.

 

Nem de um Robin.

 

“Oh, meu príncipe, você está tão perto... você só precisa continuar.”

 

Damian ouvia a voz de sua mãe como uma canção de ninar. Ele queria tanto que ela tivesse ali. Para abraçar ele. Mas ele sabia que isso não era possível. Sua mãe só o abraçava, em momentos raros, esse não seria um deles. Não quando ele estava tão humilhante e perdido, não quando não conseguia nem saber se tinha pessoas à sua volta. Sua mãe ficaria decepcionada pelo tanto que ele decaiu.

 

“Se mantenha, meu príncipe. Você só precisa continuar, eles estão tão perto, você só precisa continuar a se mover”

 

— M... Mãe... eu não... consigo — Sua voz saiu arrastada e tão baixa, que nem parece ter saído de suas cordas vocais. As sombras da cidade e dos prédios, pareciam engolir Damian cada vez mais para o abismo. Em algum momento, as primeiras gotas de chuva se fizeram presentes, fazendo seu uniforme de Robin ficar cada vez mais encharcado. O vento de Gotham fazia seus pelos se arrepiarem. Damian estava deitado no chão. A água da chuva fazia o sangue seco amolecer. O asfalto começava a criar uma coloração avermelhada. Damian se perguntou por um momento se era só sua cabeça que estava machucada, já que suas pernas começaram a doer e ficaram pesadas.

 

Ele via Talia encarando seus olhos com uma expressão que Damian poderia teorizar ser dor ou angústia, ele se perguntava se ela também tinha se machucado. Ela se aproxima dele, tão elegante quanto ele se lembrava. Aproxima-se de seu corpo caído, e ele sente sua mão passar em seu cabelo como se tivesse tentando tranquilizar uma criança com seu carinho maternal. Ele se permite fechar os olhos para absorver o máximo de conforto possível, só para ser acordado pela sua mãe.

 

“Você não pode dormir, Damian. Eles estão chegando, você só precisa aguentar só mais um pouco”

 

“Você faria isso por mim, certo? Você aguentaria só mais um pouco, não é, meu príncipe?”

 

Damian não tinha mais forças para falar, mas não podia deixar sua mãe sem uma resposta. Então, com dificuldade, ele balançou a cabeça enquanto fazia um som estranho com a garganta. Ele só podia esperar que sua mãe entendesse.

 

“Muito bem. Eu ficarei com você até eles chegarem, enquanto isso, só se mantenha acordado e respirando. Você está indo muito bem, meu Damian”.

 

 

— Damian!

 

A voz pareceu atravessar a chuva.

 

Distante.

 

Abafada.

 

Damian demorou alguns segundos para perceber que a tinha ouvido.

 

Ou talvez tivesse demorado minutos.

 

Já não conseguia distinguir.

 

— Damian!

 

A voz veio novamente.

 

Mais próxima.

 

Mais urgente.

 

Ele conhecia aquela voz.

 

Mas o dono dela parecia distante em sua mente.

 

Por um instante, Damian acreditou que fosse outra alucinação.

 

Afinal, já tinha ouvido sua mãe a noite inteira.

 

O que o impediria de ser mais uma de suas alucinações também?

 

Então vieram os passos.

 

O som de alguém correndo.

 

Depois outro.

 

E outro.

 

Botas atingiram o asfalto molhado.

 

Muitas delas.

 

Damian tentou abrir os olhos.

 

Apenas um deles obedeceu.

 

Luzes borradas dançaram em sua visão.

 

Sombras se moveram acima dele.

 

— Aqui!

 

A voz estava perto agora.

 

Muito perto.

 

— Eu o encontrei!

 

Alguém caiu de joelhos ao seu lado.

 

Mãos tocaram seus ombros.

 

Firmes.

 

Cuidadosas.

 

Familiares.

 

Seu corpo foi movido apenas o suficiente para afastá-lo da poça de água que se formava sob ele.

 

O mundo girou imediatamente.

 

Damian soltou um som baixo de dor.

 

— Ei, ei, tranquilo.

 

Dick.

 

Era Dick.

 

Damian tentou focar a visão.

 

O rosto acima dele continuava borrado pela chuva e pelas lágrimas que seus olhos insistiam em produzir.

 

Lágrimas.

 

Que humilhante.

 

Uma mão segurou cuidadosamente a lateral de sua cabeça.

 

Outra afastou os cabelos grudados em sua testa.

 

— Estou com você, pequeno D.

 

Damian queria responder.

 

Queria dizer que estava perfeitamente bem.

 

Que aquilo não era nada.

 

Que não precisava de ajuda.

 

Em vez disso, sua boca se moveu antes que pudesse impedir.

 

— Você... demorou.

 

A frase saiu arrastada.

 

Fraca.

 

Quase irreconhecível.

 

Mas Dick sorriu.

 

Um sorriso que Damian conseguiu reconhecer mesmo através da visão embaçada.

 

— É, eu sei.

 

Algo na voz dele parecia quebrado.

 

— Desculpa por isso.

 

Damian sentiu outra mão tocar seu ombro.

 

Depois outra.

 

Vozes familiares ecoaram ao redor.

 

Jason.

 

Tim.

 

Cass.

 

Steph.

 

Duke.

 

Seu pai.

 

Todos estavam ali.

 

Finalmente.

 

Por algum motivo, aquilo fez o peso em seu peito diminuir.

 

A última coisa que ouviu antes de seus olhos voltarem a fechar foi a voz de Dick.

 

— Tudo bem agora.

 

Nós encontramos você.

Notes:

Esta é a minha primeira fanfic sobre Damian Wayne, então peço desculpas se ela não estiver muito boa. Estarei sempre tentando melhorar minha escrita e minhas histórias.
Espero que gostem! Se tiverem alguma ideia de história, por favor, deixem um comentário e me contem. Eu adoraria ouvir suas sugestões.

Eu não escrevo Damian/Dick nem Damian com qualquer outro membro da Batfamília. Também não escrevo histórias que sexualizem menores de idade ou que vão contra meus valores pessoais.

E, por favor, não se esqueçam de deixar um comentário dizendo o que acharam da história! Eu adoraria saber. 🥰