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A Luz Sob a Pedra.

Summary:

Vincent acreditava que sua vida era normal.
Mesmo sendo mais distante.
Mesmo sendo alvo de provocações.
Mesmo guardando sentimentos que nunca permitia a si mesmo demonstrar.
Foi o que aprendeu.
Suportar.
Aceitar.
Seguir em frente.
Então uma viagem escolar termina em sangue.
após um acidente que deveria tê-lo matado, Vincent desperta nas profundezas com uma perda inestimável e sem qualquer esperança de resgate.
Mas sobreviver é apenas o primeiro desafio.
Entre monstros, fome, ruínas esquecidas, ele encontra algo inesperado: uma chance de reconstruir a si mesmo.
Corpo.
Armas.
Uma nova identidade.
Enquanto luta para escapar das profundezas se agarra a um único pensamento:
Voltar.
Não para provar que estava certo.
Não para destruir aqueles que o feriram.
Mas para mostrar que não foi destruído.
Porque algumas coisas se recusam a morrer.
Raiva.
Esperança.
E a vontade de continuar vivendo.

Chapter 1: Promessas e o Peso do Silêncio

Chapter Text

— Um dia você vai acabar quebrando alguma coisa importante, Vincent.
— Eu não quero nada, Nera.
— Ainda.
— "Ainda" não conta.
— Conta sim, quando se trata de você.
Vincent revirou os olhos sem levantar a cabeça da bancada improvisada no quintal. Peças de metal, engrenagens enferrujadas e parafusos gastos estavam espalhados diante dele. A maioria das pessoas da cidade via aquilo como lixo; num lugar onde quase todos sonhavam em estudar magia, perdendo tempo desmontando máquinas velhas pareciam ridículas. Para Vincent, porém, aquilo fazia sentido. As peças sempre obedeceram a alguma lógica. As pessoas não.
— Você passa mais tempo conversando com parafusos do que com crianças da sua idade — comentou Nera, sentada sobre a cerca.
— Os parafusos são mais simples.
— Isso foi triste.
— Foi verdade.
Nera soltou uma risada, mas antes que pudesse responder, vozes se aproximaram pela rua. Três garotas da vizinhança apareceram junto à cerca, olhando o garoto com desdém.
— Ele ainda está brincando com sucata? — Disse uma delas, pulando a cerca e caminhando até a bancada antes que ele pudesse reagir. Ela pegou uma pequena peça de bronze.
— Não é sucata. Devolve — respondeu Vincent, levantando-se imediatamente.
— Relaxa. Estou só olhando. — As amigas riram atrás dela. — Talvez ele esteja construindo um amigo mecânico. Faz sentido, já que ninguém de verdade quer ficar perto dele.
O rosto de Vincent esquentou. Nera imediatamente perdeu o sorriso e desceu da cerca. — Já chega. Devolvem uma peça.
— Nossa, estamos brincando. — A garota superou a peça acima da cabeça, desafiando. — O que foi, Vincent? Vai chorar?
— Eu devolvo.
— Ou o quê?
O silêncio que veio depois foi estranho. Vincent sentiu algo apertar dentro do peito: raiva, pura e simples. Seus olhos começaram a brilhar em um tom alaranjado vibrante. Num estelo, uma peça de bronze foi arrancada da mão da garota por uma força invisível.
Mas não parou ali. As ferramentas espalhadas sobre a bancada passaram a vibrar, os parafusos saltaram do chão e as engrenagens giraram sozinhas. As tábuas da cerca rangeram sob uma pressão invisível. As risadas desapareceram instantaneamente.
A garota arregalou os olhos. Uma peça de bronze flutuosa na frente de Vincent. Depois do outro. E mais outra. Em poucos segundos, meia dúzia de objetos emparelhavam ao redor dele. O ar parece estranho, assustador, como se algo estivesse prestes a acontecer.
— Vincent... — a voz de Nera surgiu tensa.
Ele mal ouviu. Um zumbido preenchia seus ouvidos e a raiva queimava dentro do peito. A garota tentou dar um passo para trás, e nesse momento seus pés deixaram o chão. Não mais do que alguns centímetros, mas foi o suficiente. Ela soltou um grito. As outras duas garotas se recuperaram imediatamente, e uma delas começou a chorar.
O medo estampado nos rostos das três atingiu Vincent como um golpe. Elas não estavam olhando para ele como alguém olha para um colega, nem para um garoto estranho. Estavam olhando para ele como se, de repente, ele tivesse se tornado algo estranho
— Vincent! —Contra Nera. Ela correu até ele e segurou seu rosto com as duas mãos. — Olha para mim!
Os olhos alaranjados vacilaram. O brilho contido. As ferramentas despencaram no chão, as engrenagens pararam de girar e a garota voltou ao solo, cambaleando para trás. Por alguns segundos ninguém se moveu. Então as três meninas fugiram correndo, sem dizer uma única palavra ou olhar para trás.
Vicente oferece imóvel. Confuso, assustado, sem entender completamente o que tinha acabado de acontecer. Então examine os olhos para Nera e, pela primeira vez na vida, viu medo no rosto dela. Não era medo dele; Era medo de que aquele poder pudesse se tornar. Mas Vincent tinha apenas dez anos e não conseguiu perceber a diferença. Aquilo doeu mais do que qualquer provocação.
Mais tarde, quando os dois estavam sozinhos no canto do quintal, Nera falou com uma calma que parecia claramente restrita:
— Você entende o que aconteceu?
Vincent balançou a cabeça, deprimido. — Eu fiquei bravo.
— Eu sei.
— Eu não queria machucar ela.
— Eu sei disso também. — Ela suspirou, acariciando os cabelos dele. — Nossa mãe costumava dizer que as pessoas com essa habilidade precisam ter cuidado com as emoções. Quando você perde o controle, Vincent, não é só você quem sofre as consequências.
Ele observou com as próprias mãos, trêmulas. — Eu sou perigoso?
A pergunta fez Nera congelar. Depois de alguns segundos que pareceram uma eternidade, ela balançou a cabeça. — Não. — Mas a resposta demorou demais. — Você não é perigoso — repetiu ela. — Mas seu poder pode ser. — Ela se ajoelhou diante dele, segurando seus ombros. — Você vai crescer. Vai ficar mais forte.
— Igual a mamãe?
— Talvéz.
— Então isso é bom, não é?
Nera hesitou. — Só se você aprender a controlar sua raiva.
Mas Vincent não entendeu a verdade. Nera estava tentando ensinar responsabilidade, mas cansado após usar sua habilidade e meio desnorteado o que ele pegou foi outra coisa: *Quando fiquei com raiva, alguém quase se machucou. Quando perdeu o controle, Nera ficou com medo de mim. O problema é a raiva. Pessoas como eu não devem senti-la. preciso segurar tudo .* Naquela tarde, uma ideia sombria começou a criar raízes dentro dele, uma regra que o acompanharia por muitos anos: *Não posso sentir raiva. Preciso suportar.*
Naquela mesma noite, a chuva batia pesadamente contra as janelas do quarto. Vincent estava deitado sob as cobertas quando pegou uma porta ranger.
— Não — reclamou ele, antecipando o que vinha.
— Sim — desconto Nera, entrando com uma vela acesa.
— Nera...
— Não adianta pedir consentimento.
As sombras dançavam pelas paredes enquanto ela se sentava na beirada da cama. Vincent soltou um longo suspiro. — Eu já tenho dez anos.
— E continua sendo meu irmãozinho.
— Isso não é justo.
— A vida não é justa.
— Você fala igual a uma velhinha.
— E você fala igual a alguém que deve estar dormindo.
Antes que ele pudesse responder, Nera estende a vela entre os dois, e o sorriso brincalhão afastado de seu rosto. — Era uma vez um homem chamado Velmor...
— Ah não, essa história de novo?
— Fique quieto.
Vincent afundou o rosto no travesseiro, mas continuou ouvindo. Sempre continuava.
— Dizem que Velmor atravessou sozinho as cavernas mais profundas de Neruvah — prosseguiu Nera, enquanto a chama da vela tremulava. — Dizem que ele caminhou por lugares onde ninguém mais conseguiria sobreviver.
— Isso já é mentira — murmurou Vincent contra o travesseiro.
— Não interrompa a narradora.
— Eu sou o público.
— E o público não tem direitos.
Vincent bufou, e Nera grávida, vitoriosa. — Ninguém sabe exatamente quem ele era. Alguns dizem que foi um aventureiro; outros, que era apenas um homem comum. Dizem que ninguém jamais viu seu rosto, apenas dois olhos brilhando no escuro... E dizem que ele observava crianças teimosas que não queriam dormir!
Ela mudou a vela do rosto dele, e Vincent manteve-se coberto até o nariz. — Isso não funciona mais. Nem um pouco. Só... deixa a vela acesa.
Nera caiu na gargalhada, e depois de alguns segundos, Vincent acabou rindo também. Aquela risada demorou um pouco o peso do que aconteceu durante a tarde, fazendo-o esquecer temporariamente a telecinesia e o medo nos olhos da irmã. Quando o quarto voltou a ficar silencioso, ele perguntou em um sussurro:
— Por que você gosta tanto dessa história?
Nera ficou pensativa, observando a chama. — Porque ninguém sabe o final dela. Significa que ele continua andando. E enquanto alguém continua andando, a história ainda não acabou.
Vicente não respondeu. Na época, aquelas palavras não fizeram muita coisa. Anos depois, ele se lembraria delas. Palavra por palavra.
O tempo passou mais rápido do que Vincent gostaria. Ao completar treze anos, Nera partiu com algumas companheiras para formar um pequeno grupo de exploração conhecido como Setas de Prata. No começo, parecia algo temporário. Uma viagem, depois outra, depois mais uma. Ela sempre voltava, trazia histórias novas, bagunçava a casa e implicava com ele. Vicente acreditava que aquilo nunca mudaria.
Então mudou. As viagens ficaram mais longas, e as cartas chegaram a substituir as visitas. No início, chegavam com frequência; depois, demoraram semanas, meses, até que pararam completamente. Vincent continua esperando. No começo, marcava os dias no calendário; depois, passou a marcar as semanas, os meses, até que parou de marcar qualquer coisa. Mas nunca deixei de esperar.
Aos quinze anos, Vincent passou a maior parte do tempo na escola — ou, mais especificamente, em um pequeno escritório abandonado nos fundos dela. Era um lugar apertado, cheio de poeira e ferramentas antigas, e por isso era perfeito. Enquanto outros alunos treinavam magia ou combate, Vincent passava horas desmontando fechaduras e reparando equipamentos velhos. Era o único lugar onde fazia sentido existir.
Em uma tarde cinzenta, ele estava olhando pela janela da salinha de ferramentas e viu os alunos treinando combate no pátio. No meio deles, Sara exibia sua habilidade com uma lâmina curta presa ao antebraço. Ela girou rápido e acertou os alvos com precisão. Vincent ficou observando, pensando em como o movimento dela era eficiente, sem desperdiçar força. Ela era realmente habilidosa, mesmo sendo insuportável.
Ele desviou os olhos da janela e voltou ao trabalho quando escolheu passos.
— Você realmente gosta disso? — Vincent extraiu os olhos e viu Sara parada na porta.
— Não.
Ela arqueou uma sobrancelha. — Não?
— Eu adoro.
— Que estranho.
— Obrigado.
— Não foi um elogio.
— Eu sei.
Seraya entrou sem ser convidada, como sempre. Ela era exatamente o tipo de pessoa que entrava onde queria e falava o que pensava. O que mais irritava Vincent era que ela parecia ter decidido implicar com ele anos atrás, sem motivo aparente. Nos corredores ela o empurrava, nas aulas faziam comentários, sempre encontrando uma forma de incomodá-lo.
— Ainda discutindo em ferro velho? — ela provocou.
— Ainda me incomodando?
– Sim.
— Que dedicação.
— Obrigada.
Vincent suspirou. Anos atrás eu teria discutido ou brigado, mas não fiz mais isso. A raiva era perigosa. Em consequência, ele engoliu e apoiou. Era mais seguro assim. Ou pelo menos era o que acreditava.
Os dias seguiram seguindo o mesmo padrão: aulas, oficina, casa e silêncio. Vicente preferia assim; era mais fácil lidar com parafusos emperrados do que com pessoas imprevisíveis.
Numa tarde particularmente quente, ele cruzou um dos corredores da escola carregando uma caixa de ferramentas quando alguém bateu especificamente em seu ombro. A caixa quase caiu.
— Olha por onde você — disse a voz familiar de Sara.
Vincent segue para instalar uma chave inglesa que havia rolada pelo chão. — Você esbarrou em mim.
— Tem certeza? Eu não sinto nada.
Alguns alunos próximos riram. Vincent acabou de colocar a ferramenta de volta na caixa, respirou fundo e disse: — Tenha um bom dia, Sara.
— Nossa. — Ela pareceu genuinamente surpresa, cruzando os braços. — Nem vai responder? Alguma coisa?
Vincent ignorou e continuou andando. Atrás dele, ouvi um estalo irritado da língua dela. Por algum motivo, sua falta de evidência pareceu incomodá-la mais do que uma discussão inflamada.
Do outro lado do corredor, a professora Talia comentou a cena com uma postura rígida e os braços cruzados. Ela soltou um suspiro de pura impaciência e chamou:
— Sara.
A garota congelou. — Sim, professora?
— Minha sala. Agora.
Seraya fez uma careta, resmungando: — Eu nem fiz nada.
— Exatamente por isso estou preocupado.
Talia passou por Vincent logo em seguida. Por um breve instante, seus olhos encontraram os dele — um olhar frio, quase incomodado pela presença do garoto, antes de passar direto sem dizer uma única palavra de apoio. Como sempre, para Talia, Vincent era apenas uma distração irrelevante na rotina da academia.
Mais tarde, naquele mesmo dia, Vincent encontra-se sozinho no escritório. O som das ferramentas era seu único refúgio até que a porta se abrisse novamente. Ele nem precisa olhar para saber quem era.
— O que você quer agora?
— Isso foi rude — disse Sara, puxando uma cadeira e sentando-se ao contrário. — Estava pensando numa coisa.
— Péssimo sinal.
– Concórdia. — Ela se inclinou para a frente. — Assim que a escola acabar, você entrará nas Setas de Prata.
A mão de Vincent travou na engrenagem por um único segundo. – Entendido.
— Vou viajar pelo mundo, fazer expedições... — ela continua, observando a ocorrência dele. — E provavelmente está passando bastante tempo com a sua irmã.
O silêncio que se silêncio fez a oficina parecer congelar. Vincent começou a mexer na engrenagem, forçando seus movimentos a serem lentos e perfeitamente controlados. - Jurídico.
Sara comentou o perfil dele, e pela primeira vez, não parecia estar provocando. Havia uma curiosidade quase desconfortável em seu tom: — Você sente falta dela?
A pergunta atingiu Vincent como um soco no estômago. Ele abriu uma ferramenta com tanta força que os nós de seus dedos permanecem brancos. Raiva, tristeza e mágoa subiram como uma maré, mas ele empurrou tudo para baixo, bem fundo.
— Não importa.
— Claro que importa.
— Não. Ela escolheu a partir — as palavras de Vincent saíram mais frias e cortantes do que ele pretendia. — E eu fiquei.
Por alguns segundos, o silêncio foi sufocante. Seraya finalmente descobriu o erro e a gravidade do que havia sido tocado. — Eu não quis dizer...
— Eu sei.
— Não, você não entende.
— Está tudo bem.
Mas não estava, e os dois sabiam disso. Desconfortável como nunca estive antes, Sara se pronunciou e caminhou até a porta. Parou por um instante, olhando para trás. — Você é irritante.
— Você também.
Um sorriso mínimo e quase imperceptível surgiu no rosto dela antes de desaparecer, e ela finalmente o deixou sozinha.
Quando a oficina ficou vazia novamente, Vincent soltou lentamente o ar preso nos pulmões. Só então veja que a engrenagem em sua mão estava completamente torta, amassada pela força de seus dedos. Ele observou o metal deformado com amargura e, num impulso de frustração, arremessou uma peça contra a parede. Ela bateu no chão com um estalo seco. Raiva. Sempre a mesma coisa, sempre escondida e esperando para escapar. Ele fechou os olhos, contorno até dez e, quando os abriram, o brilho alaranjado que ameaçava surgir já havia sumido. Ninguém podia ver aquilo. Especialmente ele mesmo.
— Dia difícil, Vincent? — uma chamada de voz perto da porta. Era um dos zeladores da escola, um homem mais velho que às vezes passava para deixar ferramentas quebradas.
— Não — Vincent respondeu, recuperando a respiração.
– Entendido. Então você sempre joga as coisas na parede quando está calmo?
— Só as peças que não cooperam.
O homem soltou um riso curto, mas logo ficou sério, olhando para o garoto de quinze anos. — A escola vai fechar daqui um pouco, rapaz. Você sabe que pode conversar se tiver alguma coisa que te incomoda, não sabe?
— Eu sei.
— E mesmo assim prefiro ficar trancado aqui sozinho.
— É mais fácil assim.
O homem balançou a cabeça, caminhou até a saída, mas parou antes de cruzar a porta. — Só tome cuidado para não se acostumar demais com a solidão, rapaz.
Vicente não respondeu, porque no fundo, ele já não sabia mais a diferença.
Na semana seguinte, a escola inteira só falou sobre uma coisa: a viagem para as Cavernas de Arkova. Até mesmo Vincent sentiu um vislumbre de animação. Arkova era famosa por suas formações cristalinas, ruínas antigas e, principalmente, pelo temido Grande Abismo de Velmora. Ele havia lido todos os livros que não conseguia encontrar lugar.
Enquanto organizava seus pertences na sala de aula vazia, a professora Talia parou ao lado de sua mesa com uma prancheta em mãos, avaliando-o com seu habitual olhar distante.
— Você está sorrindo? — Disse ela, o tom formal e desprovido de qualquer calor.
— Estou? — Vincent desviou o olhar.
—Está. Fico surpresa de ver você demonstrar algum interesse pelas atividades da academia. — Ela ajeitou os papéis, sem de fato olhar para ele. — Você está ansioso para a viagem?
– Um pouco.
— Vai ser bom para você sair do escritório. — Ela fez uma pausa protocolar, limpando a garganta. — Na época em que eu estudava com a sua irmã, ela foi a primeira a se voluntariar para essas excursões. Tinha um talento que... bem, se destacava.
O coração de Vincent abriu-se com a comparação implícita, e Talia pareceu notar o desconforto, mas respondeu apenas com um suspiro entediado, como se estivesse cumprindo uma obrigação chata. — Enfim, tente não se dispersar em Arkova, Vincent. Às vezes você tenta parecer forte e isolado demais, mas na prática, isso só dificulta o trabalho dos professores. Não causa problemas na viagem.
Ela se atrasou antes que ele pudesse pensar em uma resposta. Vincent engoliu em seco. Ele já tinha muita prática em fingir que não se importava. Afinal, para ele, suportar a negligência e as cobranças em silêncio eram a única forma correta de viver.
Mal sabia que aquela viagem para Arkova seria a última semana de sua vida normal.