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Depois de tudo

Summary:

– Loid, eu… – a respiração dela falhou. – Eu só quero saber como te chamar.
– Loid. Eu sou Loid Forger. Também sou o Twilight, mas… quando estou aqui, com vocês, eu… eu sou o Loid Forger. Ou quem quer que eu tenha tornado esse homem.
– Você realmente precisava de nós para uma missão?
Ele hesitou em responder, prendendo a respiração. Twilight não queria mais mentir para a mulher que amava.

 

Após Anya ser levada de volta pro laboratório, Loid e Yor descobrem sobre suas identidades e trabalhos secretos.
Agora, com Anya já em casa, será que eles entrarão em conflito, ou deixarão o amor vencer?

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

A residência dos Forgers parecia ter a paz de sempre. Mas só parecia.

Quatro dias atrás, Anya foi sequestrada na escola. O serviço secreto, sob ordens de Donovan Desmond, a retirou de lá e a levou de volta ao laboratório de onde ela havia fugido, anos atrás.

Mas o que não se esperava era que alguns agentes do serviço secreto não concordariam com aquilo, e se juntassem às escondidas, mesmo sob a ameaça de perderem suas vidas sendo considerados traidores por não seguir ordens, para tentar impedi-los de seguir com os experimentos. 

Yuri descobriu mais sobre o projeto <C>, que era Anya, a sua sobrinha. Twilight também descobriu. 

E Yuri descobriu que ele era Twilight. E contou a Yor. 

Ela se sentiu usada e enganada, apesar de também ter mentido para ele. O pior de tudo foi descobrir que Anya também era somente uma peça para uma missão secreta.

Twilight tentava provar que a amava e que se preocupava com Anya. Ele até tentou forçar Yuri a ajudar a resgatar Anya.

E então Yor resolveu contar sua profissão secreta.

Ela não podia simplesmente dizer que nunca escondeu nada de ninguém. Ela também mentiu e enganou. Mas foi enganada pelos dois únicos homens que ela amava. Isso a fazia duvidar se podia realmente confiar neles.

Porém, aquele não era o momento certo para discutir. Então, eles se juntaram para resgatar Anya.

Twilight contactou a WISE e recebeu apoio de alguns agentes.

Yor recebeu autorização do Jardim para salvar Anya, e pôde contar com a parceria de Matthew McMahon e de Hemlock.

Yuri teve a ajuda de Chloe e de Curtis.

Twilight não podia acreditar que Anya era tão importante para ele. Ele arriscaria tudo para salvá-la. Se não fosse Sylvia, teria sido considerado louco pelos seus colegas. E ver aquela pequena garota desacordada em seus braços, a garota que trouxe tanta alegria e preocupação para sua vida há quase um ano, o fez perder o chão. 

Yor tentou ser forte por ele naquele momento. Mas ela também estava sofrendo por dentro. Sua pequena filha estava pálida como nunca antes. Ela tentava consolar Twilight, mas seu coração também estava em pedaços. 

Eles conseguiram tirar Anya de lá, levando-a para um lugar seguro. E depois disso, ela passou três dias inconsciente.

Aqueles três dias no hospital ajudaram Twilight e Yor a entender melhor as motivações um do outro. Twilight não queria mais mentir para Yor. Por isso, contou toda a verdade, desde o seu passado até a operação strix. Também contou como viver com elas o relembrou o que era ser humano, como ser amado e a como amar.

Yor também se abriu sobre seu segredo.

Quando Anya finalmente acordou, teve alta do hospital secreto da WISE. 

Loid e Yor a levaram de volta para casa.

Meses atrás, Twilight havia pedido a Sylvia para continuar com Anya e Yor após o fim da operação Strix. Ela passou a solicitação para a diretoria, que estava analisando o caso.

Ainda no hospital, Twilight foi informado que continuaria com a família por enquanto, para garantir proteção para Anya, e que a resposta final deles deveria sair nos próximos dias. Sylvia garantiu que a decisão deles seria favorável, ainda mais após os acontecimentos recentes. 

Mas agora, ele duvidava que Yor permitiria que ele ficasse.

Eles haviam colocado Anya para dormir no quarto de Yor, que tinha uma cama maior. Anya não queria ficar sozinha, e pediu para dormir com o papi e a mami.

Ambos estavam sentados, frente a frente, os joelhos quase se tocando, ao lado de Anya, que dormia sob os lençóis pesados. Bond dormia ao pé da cama.

Desviando o olhar da pequena criança de cabelos cor de rosa, Yor olhou diretamente para o rosto de Twilight, fracamente iluminado pela luz quente do abajur ao lado da cama.

– Você parece cansado – a voz dela parecia sem emoção. – Deveria dormir. Você passou quatro dias acordado.

Twilight olhou ligeiramente para ela. Ela ainda se preocupava com ele?

Ele desviou o olhar. – Você tem razão.

Yor se levantou e saiu do quarto. Pelo som dos passos, ele percebeu que ela parou no corredor.

Então, ele levantou, e caminhou até o corredor, deixando Bond dormindo ao lado de Anya. Encostou suavemente a porta, deixando uma fresta de luz atravessar a porta em direção ao quarto. Mesmo sabendo que a WISE, o Jardim e Yuri e seus parceiros do serviço secreto haviam praticamente eliminado qualquer ameaça, ele ainda não confiava em deixar Anya sozinha.

– Yor…

– Qual é o seu verdadeiro nome?

A pergunta o pegou desprevenido. Ele congelou, não sabia o que responder. Acreditava ter esquecido o próprio nome.

– Quer dizer… não conversamos sobre “nós” – disse ela, gesticulando com a mão, que apontava para si e para o homem à sua frente – depois daquele dia.

– Entendo.

– Loid, eu… – a respiração dela falhou. – Eu só quero saber como te chamar!

– Loid. Eu sou Loid Forger. Também sou o Twilight, mas… quando estou aqui, com vocês, eu… eu sou o Loid Forger. Ou quem quer que eu tenha tornado esse homem. 

– Você realmente precisava de nós para uma missão? 

Ele hesitou em responder, prendendo a respiração. Twilight não queria mais mentir para a mulher que amava.

– Sim – uma breve pausa se seguiu. – Eu precisava evitar uma nova guerra.

Yor acenou lentamente com a cabeça, enquanto desviava o olhar. Ele tinha certeza de que ela não continuaria com ele, e ele não tentaria impedi-la. Ele a magoou. Era compreensível se ela não quisesse nem mesmo olhar para ele. Mas ainda assim, inconscientemente, as palavras saíram de sua boca:

– Yor, me perd…

– Eu sei… que seu objetivo era que ninguém mais passasse pelo que passamos na infância. Você me falou isso.

Um breve silêncio seguiu.

– E eu também menti – um sorriso melancólico, porém sarcástico, surgiu nos lábios dela. – Eu usei vocês. 

– Mas você fez por sobrevivência. 

– E você fez pra que outras crianças, o que inclui a Anya, tivessem uma infância diferente da nossa.

Ela ainda não o encarava, enquanto ele a olhava com um olhar suplicante.

– Ainda assim… eu errei. Eu desejei te contar diversas vezes. Mas isso poderia colocar você e a Anya em risco. Eu não queria que vocês… – ele prendeu a respiração, e após alguns segundos a soltou. O som de um riso forçado, como um suspiro forte, saiu de sua boca – Não adiantou muita coisa. Olha o que aconteceu com a Anya.

Yor olhou ligeiramente para ele.

– Não tinha como prever que isso aconteceria, e…

– Se eu tivesse descoberto antes…

– Você conseguiria impedir?

– Se eu te contasse – sussurrou, com a voz pesada – Talvez pudéssemos… – ele fechou os olhos.

– Loid… – Yor se aproximou dele.

Ele abriu os olhos. E ela pôde ver novamente lágrimas se formando nos olhos dele.

– Não foi sua culpa, Loid.

– A Anya… ela disse que o Bond viu o futuro, mas ela não quis me contar com medo de que eu a abandonasse. – A voz dele começou a parecer desesperada, um homem desesperado, decepcionado consigo mesmo – Yor, eu sou um péssimo pai. No começo, eu repetia na minha mente que quando a missão terminasse eu colocaria ela em um orfanato melhor do que o que a encontrei. Imagina o quanto isso não a magoou. – Lágrimas caiam dos olhos dele.

– Loid – Yor segurou suavemente o pulso dele – Não se culpe.

Ele olhou nos olhos dela. Os olhos suaves de Yor estavam sobre ele.

– Eu vi como você ficou quando encontrou a Anya naquele laboratório. Eu nunca vi você tão… vulnerável. Você me olhou de uma forma que fez com que meu coração se quebrasse. Você ama muito a Anya. Eu tenho certeza disso.

Loid não conseguia mais segurar a emoção. E então, Yor o abraçou, tentando consolá-lo. 

– Você é um pai maravilhoso. – Ela passava a mão suavemente nas costas dele.

– Me deixe ficar, Yor. Por favor. Me deixe ficar com vocês – Ele disse, com a voz abafada sobre o ombro dela, apertando o tecido do suéter dela entre os dedos.

Naquele momento, ela também não conseguiu segurar as lágrimas.

– E por que você precisa da minha permissão, Loid? Eu também errei. Eu quis te falar sobre meu trabalho secreto, mas eu tinha tanto medo de você me desprezar.

– Eu nunca faria isso – Disse ele, se afastando do abraço e a segurando pelos ombros. – Yor, você precisava sobreviver pra cuidar do seu irmão. E você queria manter a Anya segura.

– E eu não consegui. 

– Não, Yor. Não. – Ele encostou a testa dele na dela e fechou os olhos – Sem você eu não conseguiria resgatar a Anya. 

O silêncio tomou conta do lugar. O único som ouvido era do relógio tiquetaqueando. As lágrimas em seus rostos começaram a secar. E então, Yor disse:

– Então… vamos parar de nos culpar?

Ele abriu os olhos. Os olhos vermelhos de Yor, vermelhos como rubis, encontraram os olhos azuis dele. 

– A Anya está conosco. Ela está bem. E ela quer nós dois. Ela precisa de nós, Loid. 

– Você me perdoa, Yor? 

Ela sorriu, levantando a mão, para acariciar o rosto dele.

– Só se você me perdoar também.

Ele não pôde evitar, senão sorrir também, e segurou a mão dela, pressionando-a contra o rosto.

– Eu nunca fiquei chateado com você. É impossível pra mim. Yor, eu te amo tanto…

Ela ficou na ponta dos pés, o segurou pelos ombros, o inclinando levemente em sua direção, e o beijou. 

Aquilo o pegou de surpresa. Yor sempre fazia isso. Ela era a única que conseguia desarmar Twilight. E ele gostava daquilo. De ser surpreendido por ela. Ele a amava tanto.

Então, suavemente, ele passou os braços em volta dela, a abraçando. Aquele beijo significava muito para ambos. 

Depois de tudo, eles queriam permanecer juntos, como uma família. Não só por Anya, mas por causa do amor que compartilhavam.

Eles se afastaram do beijo, com os rostos perto o suficiente para sentirem a respiração um do outro. Ainda abraçados, Yor encostou os pés no chão, o que fez com que Loid se inclinasse mais para frente. Então, ele apoiou a cabeça sobre o ombro dela, e tornou o abraço mais firme. Ele pôde ouvir a voz de Yor dizer suavemente em seu ouvido, enquanto ela acariciava seus cabelos:

– Eu te amo, Loid.

Aquelas palavras fizeram com que ele finalmente baixasse a guarda. Ele pensou tê-la agradecido em voz alta, mas as palavras nunca saíram do seu pensamento. Naquele momento, o cansaço o venceu. Quatro noites acordado, preocupado com Anya, finalmente pesaram sobre o corpo dele.

– Loid! – Yor se inclinou, tentando mantê-lo de pé. – Loid! Você dormiu?

Ele deu um pulo, se afastando dela. Yor parecia assustada o observando.

– Ah, eu acho que meu corpo finalmente relaxou depois disso tudo – disse ele, passando a mão na nuca, constrangido.

Ela deu uma risada suave.

– Você deveria ir dormir.

– Você também, Yor. Foram dias difíceis.

Uma vozinha veio do quarto, os interrompendo.

– Mami?

Eles caminharam até o quarto, abrindo a porta pela metade. Anya estava sentada, com os cobertores cobrindo suas pernas.

– Oi, Anya. Eu estou aqui. 

Yor caminhou até a cama e sentou-se ao lado da menina.

Os grandes olhos de Anya brilharam.

– A mami não me chamou de senhorita Anya. 

– Ah… é verdade.

De repente, Anya a abraçou. Seus bracinhos envolveram a cintura de Yor, a apertando. A surpresa repentina deixou Yor atônita. Mas logo, ela também abraçou Anya, acariciando o topo da cabeça da menina. E então, ela ouviu Anya falar:

– Obrigada, mamãe. 

Yor olhou para Loid, que estava de pé ao lado da cama, maravilhada. Ele sorriu para ela.

– Anya, você me chamou de mamãe, não de mami – sussurrou Yor. 

– Sim. Você é a minha mamãe, e o papi é o meu papai. Não vamos mais nos separar, não é? 

Yor olhou para Loid, que decidiu sentar ao lado delas, na cama.

– Não, Anya. Vamos ficar juntos, nós quatro. – ele acariciava as costas da filha, suavemente. 

Bond latiu baixinho, para mostrar que ele também fazia parte da família. 

Anya sorriu alegremente se afastando dos braços de Yor, e então seus olhos encheram de lágrimas, e ela começou a chorar.

– A Anya tinha medo… de ficar sem vocês… – Ela começou a soluçar, esfregando as pequenas mãozinhas fechadas sobre os olhos.

Loid se aproximou, para abraçá-la. Ver sua filha chorando fazia seu coração apertar. Ela se jogou sobre ele, apoiando a cabeça em seu ombro. Yor também se aproximou, e participou do abraço. 

– Não vamos a lugar nenhum, Anya. O Loid e eu vamos continuar aqui até que você cresça. 

– A Anya não quer crescer – disse a menina, choramingando sobre o ombro do pai.

Loid e Yor sorriram ao ouvir aquilo. Mas, Loid ainda se sentia perturbado por ter pensando em abandonar Anya antes.

– Me perdoe, Anya.

Anya desvencilhou-se do abraço, ajoelhando-se na cama. 

– O papai já me pediu perdão no hospital, e eu já perdoei o papai.

– Você ainda consegue ouvir o que eu penso? – Perguntou Loid, preocupado.

– Não. Não sei o que os homens maus fizeram na minha cabeça. Não consigo mais ouvir nada.

Ela finalizou, bocejando. Ela deveria estar exausta depois de tanto estresse. Uma criança de apenas cinco anos, a idade verdadeira dela, depois de praticamente um ano após Loid adotá-la, não deveria passar por nada daquilo. Era um alívio saber que ela não conseguia mais ouvir pensamentos. Aquilo com certeza era um fardo. Ela poderia não ver dessa forma, mas tentar resolver todos os problemas dos outros era exaustivo para ele, quanto mais para uma criança.

– Vamos dormir, Anya – disse ele, secando as lágrimas dela com o polegar. 

Yor os observava com bastante carinho.

Twilight se achava um homem frio. Mas ela sabia que ele estava completamente errado sobre si mesmo. Ele era um homem cheio de sentimentos, só precisava saber como demonstrá-los.

– Tá bom, papai.

Ele sorriu ao ouvir Anya chamá-lo de papai. E então ele percebeu que Yor estava o observando. Ele sorriu para ela, e deslizou a mão sobre o lençol, alcançando a mão da esposa. 

Anya, que estava de pé sobre a cama, viu o gesto, e sorrindo, disse:

– O papai e a mamãe estão paquerando!

O casal sorriu.

– Sim, Anya. Nós estamos. 

– E como você pediu, vamos dormir com você. 

Ela ficou mais animada ainda com as palavras do pai. 

*****

Loid estava deitado ao lado de Anya, a observando dormir quando Yor entrou no quarto, já vestida com sua longa camisola.

Os olhos dele subiram em direção à ela, que agora caminhava em direção à cama.

Ela levantou a ponta do lençol, e sentou-se. Colocou os pés na cama e cobriu-se com ou lençol.

Yor notou como Anya dormia serenamente entre ela e Loid. Ela não pôde evitar sorrir. Então, Loid deitou a cabeça no travesseiro, olhando para Yor do outro lado da cama. Ela apagou a luz do abajur ao lado dela e também deitou-se.

Ela colocou a mão sobre a barriga de Anya, e Loid colocou a mão sobre a dela. Mesmo com apenas a luz da lua iluminando o quarto, Loid pôde ver o brilho nos olhos de Yor, que disse suavemente:

– Boa noite, Loid. 

Ele sorriu para ela e respondeu:

– Boa noite, Yor.

Naquele momento, Twilight desejava que ambas pudessem ouvir seus pensamentos. Tudo o que ele podia sentir era gratidão. Ele era grato por ter sido escolhido por aquelas duas mulheres para ser o pai e marido da família Forger. 

Para ele, aquela era a sensação de ter paz.

 

Notes:

Olá!
Originalmente, essa história não existiria!
Quando terminei esta série, no início deste ano, não planejava escrever outra parte. O epílogo mencionado na parte 2 era o fim e seria a última parte desta série.
Mas pensei: "Por que não escrever algo depois da revelação da identidade?". Mencionei o Projeto C no início da parte 3, então usei isso para chegar à revelação da identidade.
Mas minha mente não conseguia processar algo tão complexo e cheio de capítulos para abordar cada detalhe de uma história que explicasse o passado de Anya e como todos trabalharam juntos para salvá-la.
Então, foquei na família depois de tudo o que aconteceu.
Espero que gostem da leitura!
A última parte está chegando em breve!

Ps.: o nome veio da música After all, de AL Jarreau.

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