Chapter Text
Descobri que tinha a capacidade de querer logo que Derek se juntou a Peter.
Foi uma reclamação tosca, mas... Aconteceu. E de certa forma, traumatizante.
Lembro da minha frase "Ninguém liga para o que eu quero! Eu quero tomar refrigerantes e comer porcarias com meu melhor amigo em frente a um videogame! Derek e Peter que se fodam pra lá! Eu quero que Kate morra logo! Eu quero paz na minha vida!"
Fui deitar naquela noite e então do nada já era meio dia de um sábado e Scott batia a porta sorridente, com vários salgadinhos em mãos. Na sua bolsa tinha vários doces e também os consoles em uma sacola.
— Pronto para perder?
Então Kate também estava morta? Infelizmente não. Eu não posso desejar que alguém morra nem que alguém nasça ou reviva.
Mas agora Peter e Derek...
Deaton me falou sobre meu poder como faísca. Tudo fez sentido, então.
Somado a isso, eu sempre me senti muito culpado por Scott ter virado lobisomem, não vou mentir. A segunda coisa que fiz, foi querer trocar minha vida com a de Scott. Queria que ele não tivesse todo o fardo carregado em seus ombros.
Minha moral é um pouco diferente da sua, não estaríamos em muitas confusões com ela. Mas houve um furo. Eu não era mais filho do xerife... Scott era. E bem. Scott ainda foi mordido na floresta.
Quando vi que as coisas estavam saindo do controle e tomando rumos mais catastróficos do que a história original, quis voltar. E voltei.
Lydia não estava bem, então. Ela havia sido mordida por Peter, a deixamos de lado por um tempo. Houve toda aquela coisa com o kanima e na sinceridade, me arrependo muito de não ter tirado a centelha alfa de Derek.
Mas agora ela estava enlouquecendo, desenhando árvores e mais árvores que descobri ser o nemeton. Não poderia deixar que ela enlouquecesse completamente.
Me tornei Lydia.
Foi uma... Experiência significante. Namorar Jackson. Ser escravo de aparências. Estúpido pensar que comigo seria diferente.
Mas foi interessante ver Lydia no meu lugar, decepcionante dizer que nem mesmo ela trocando de lugar comigo, ela foi capaz de se apaixonar por mim. Sim, foi por Jackson. Deve ter doído demais, já que Jackson ali era totalmente gay.
Ser mordido por Peter... Multar... Esquisito. Difícil, também. Mas achei interessante o fato de mesmo assim a minha magia não ter sido cortada.
Então voltei. Voltei quando Lydia Stilinski havia sido espancada e estuprada por Gerard no dia do jogo em que eu originalmente tinha sido a vítima e com ênfase: somente espancado.
Descobri também que as memórias do uso da minha magia, não podem ser apagadas. Tive conhecimento deste fato quando eu tentei apagar essa horrível lembrança. Deaton disse "Talvez sua magia só quer que você lembre de tudo para que não repita os erros".
Repetir erros, certo? Ok. Mas não irei cometer mais erros com minha magia. Não irei, porque, olhando para Scott, destruído como ele está agora após a morte de seu primeiro amor, já sei que não haverá mais erros. Não pode haver.
Irei trocar com Allison. Não posso permitir que ela simplesmente vá e eu fique. Não quando ela morreu em uma guerra que não era dela.
Abracei Scott. Meu melhor amigo, meu comparsa, entrou em toda essa bagunça por minha causa. Está bagunçado assim por minha culpa também.
Abracei Isaac, o garoto emocionalmente atrofiado e que vive trocando farpas comigo. Que tinha encontrado uma família pela primeira vez em anos e agora eu a tirei dele.
Pedi perdão ao senhor Argent, ouvindo ele dizer mais uma vez "A culpa não é sua", mas isso não sendo o suficiente para aliviar o bolo crescente de culpa que se acumulava em minha garganta.
Beijei a bochecha do meu pai, olhando uma última vez em seus olhos como seu filho único. Meu pai, meu pai amado que conseguiu se recuperar de tantas merdas mesmo tendo um filho hiperativo que só lhe causava problemas.
Fui até o caixão de Allison, beijando sua testa maquiada, desejando e orando para qualquer divindade que ela abra os olhos e sorria com vida. Isso não aconteceu. E não aconteceria só porque eu quero. A morte eu não posso mudar diretamente. Nunca.
Então, antes do caixão ser enterrado, me afastei do cemitério e fui para casa no jeep. Me despedi dele, eu realmente sentiria saudades de o dirigir. Meu bebê, ele esteve comigo por uma boa estrada. Era meu laço com Cláudia Stilinski, minha bela mãe.
Enquanto chorava minha alma, subi as escadas com o quadro da já falecida Stilinski e deitei em minha cama. Beijei sua foto, disse o quanto a amava. Fechei meus olhos, forçando-me a não voltar atrás. Sem enrolar mais, disse a frase:
— Quero poder estar no lugar da Allison.
