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Um novo começo

Summary:

Yor Briar precisava de um namorado falso para deixar seu irmão despreocupado. Loid Forger precisava de uma esposa falsa para a entrevista da filha em um colégio renomado.

Anya acaba servindo de cupido pro pai e a moça bonita que ele conheceu na alfaiataria.

Um pai viúvo, uma mulher solitária e uma criança muito observadora se tornam uma família inesperada.

Universo alternativo em que não houve guerra na infância dos personagens, e nem experimentos secretos. Anya não lê mentes, Bond não vê o futuro, Loid é só um médico e Yor é só uma funcionária pública.

Uma fanfic baseada na obra original de Tatsuya Endo, Spy x Family®

Legenda de escrita
Falas entre aspas "" e parênteses () indicam pensamentos.
Texto em itálico indicam memórias.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Chapter 1: Um dia de verão

Chapter Text

O verão de 1968 havia começado há um mês. Os dias estavam mais quentes, mais agitados, o movimento nos hospitais aumentava e os parques estavam cheios de pais com seus filhos. Tudo isso indicava uma coisa: as férias escolares estavam em andamento.

 

Mas para alguns pais, seus filhos começariam a frequentar a escola pela primeira vez. Esse era o caso de Loid Forger, pai da pequena Anya Forger, que se preparava para a filha participar do processo de seleção de alunos que não eram da alta elite de Ostania para o renomado Colégio Éden.

 

Loid era viúvo, e por isso, criava sua filha sozinho. Também era psiquiatra no Hospital Geral de Berlint há pelo menos 4 meses. 

 

Logo que chegou em Berlint, conseguiu um pequeno apartamento com dois quartos, mas o local mostrou ter seus perigos quando Anya encontrou uma cobra no quarto do pai.

 

Por isso, foi necessário uma mudança repentina para um lado mais movimentado em Berlint. Com certeza o fluxo de carros e pedestres afugentaria animais que poderiam entrar nas residências. O único apartamento que Loid conseguiu encontrar na área foi o que ficava em um prédio na Avenida do Parque, de número 128. Ele era amplo, com 3 quartos. Loid deixou um deles para receber visitas, como sua mãe, que morava em Kielberg, Westalis, ou para seu amigo Franky, que às vezes era babá da Anya.

 

Loid se preocupava muito com sua filha, e ela foi o motivo de sua mudança para Berlint: para estudar no Colégio Éden. Ela tinha 5 anos. Um homem de 30 anos com uma filha de 5 anos e viúvo. As pessoas sentiam pena dele, pois, além de ter perdido a esposa cedo, tinha que criar a filha ainda bebê sozinho. Mas ele não o fez sozinho. Ele teve a ajuda de amigos e da própria mãe. 

 

Loid nasceu em Lwuën, Westalis. Era filho único. Seu pai era rígido quanto à educação dele. Queria que o filho se tornasse alguém importante, e por isso, não o deixava passar muito tempo brincando. Já sua mãe era uma mulher doce, delicada e calma, o que contrastava completamente com a personalidade do pai. Sempre que podia, ela o mimava.

 

O pai dele trabalhava como representante comercial, e por isso viajava muito. E foi em uma dessas viagens que a mãe dele se tornou viúva, e ele um órfão. Foi a primeira vez que ele recebeu uma notícia tão devastadora. Ele tinha apenas 7 anos. Ver sua mãe sofrendo tanto, lidar com a falta do pai que ele amava, era algo muito pesado para uma criança tão jovem carregar.

 

Apesar de o pai deixar algumas economias para eles, sua mãe precisava de suporte para criar o filho. Por isso, ela deixou sua residência em Lwuën e se mudou para a casa de parentes em Kielberg, uma cidade próxima. 

 

Foi muito difícil para ele se adaptar: ter que viver em um local completamente diferente, não poder ver os amigos e vizinhos antigos, ter que conhecer novos amigos e novos vizinhos, frequentar uma nova escola, ouvir sua mãe chorar todas as noites no travesseiro. Mas ele conseguiu, ele se adaptou o mais rápido que conseguiu, pois queria ver sua mãe feliz.

 

Ele cresceu sendo alguém dedicado e atencioso. Desenvolveu muitas boas habilidades, era inteligente e bom nos esportes. Ele pensava que se fosse assim, caso o pai estivesse vivo, estaria orgulhoso dele. Mas ver sua mãe sempre sorrindo era sua maior prioridade. Queria dar uma vida tranquila a ela, mas também queria ajudá-la com suas feridas emocionais. 

 

Por isso, decidiu se tornar psiquiatra. Assim que terminou a escola, conseguiu uma bolsa para estudar na faculdade de Kielberg. Ele se destacava nos estudos, e assim que terminou o curso, começou seu estágio no Hospital de Kielberg.

 

Aos 24 anos, conseguiu uma oportunidade para trabalhar em um hospital em Ostania, numa cidade próxima de Lwuën, que ficava perto da fronteira, Nielsberg Ocidental. A cidade era bem desenvolvida, diferente de Nielsberg Oriental, que era mais rural e com florestas densas. Era a primeira vez que Loid ficaria longe da mãe, e por isso, foi difícil se despedir. Mas ele o fez, era o que sua mãe queria.

 

Ele foi bastante incentivado por sua colega, Fiona Frost, a concorrer a vaga, já que ela também iria para lá. Ela nutria sentimentos por ele, mas ele não sabia. Quando o dia de ir embora chegou, ela foi junto com ele.

 

Ele se desenvolveu bem em seu trabalho no Hospital de Nielsberg, e por isso, se destacava cada vez mais. E foi assim que ele conheceu a mãe da Anya, quase um ano depois. Ela era paciente em uma ala diferente no hospital, ele se dispôs a acalmá-la emocionalmente em um momento difícil e pouco tempo depois, eles se casaram.

 

Infelizmente, quando Anya tinha 2 anos, a mãe dela faleceu. Loid, que já havia voltado para Kielberg após o casamento, passou a criar Anya com a ajuda da mãe.

 

Agora, eles haviam recomeçado em um novo lugar, Berlint.

 

Naquele dia específico, uma quarta-feira de tarde, Loid pensava em como conseguiria uma mãe para participar da entrevista em família do Colégio Éden. Ele não concordava com os termos da escola, excluindo viúvos de sua seleção. Mas era algo de se esperar, vindo de um Colégio da elite de Berlint. Talvez fosse até a escola mais requisitada de toda a Ostania. 

 

Para aliviar a preocupação, levou Anya em um alfaiate, para fazer roupas novas para a filha, que estava crescendo alguns poucos centímetros. Enquanto a costureira tirava as medidas da menina na parte interna da loja, uma cliente chegou, o pegando de surpresa. – “nem a vi entrando” – pensou ele.

 

Ele a observava discretamente, em soslaio, se perguntando quem era aquela mulher, enquanto ela era atendida por outra funcionária. Parecia que seu vestido preferido estava rasgado. E o mais importante, seu nome era Yor.

 

– Desculpe, senhor. Gostaria de saber por que você está me olhando?

 

– “Ela percebeu?” – se perguntou. – Ahh, me perdoe. É que te achei muito bonita, não pude deixar de notar a sua presença. 

 

A moça corou ao receber o elogio. – Você me achou bonita mesmo?

 

– Sim. Você é muito…

No instante em que eles interagiam, próximos um do outro, Anya saiu de trás das cortinas da sala de medidas.

 

– Papai, eu tô toda medida.

 

– É mesmo?

 

– Quem é essa, papai?

 

– Outra cliente da loja.

 

– Achei que eu ia ganhar uma nova mamãe. 

 

– Anya!

 

– Desculpa me intrometer, mas, você não está mais com a mãe dela?

 

– Minha esposa faleceu há 3 anos. 

 

– Sinto muito.

 

– Desculpa perguntar, mas você é solteira?