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— Eu o odeio — disse Hector com veemência, sibilando para o próprio reflexo. — Ele vai acabar me matando desse jeito.
— Eu não me preocuparia com isso, se fosse você — comentou outra voz.
Hector deu um pulo e se virou. Ele achava que era o único ali. Afinal, aquele era o banheiro supostamente mal-assombrado e, em Amity Park, ninguém levava histórias de fantasmas na brincadeira. A menos, é claro, que você estivesse se escondendo do garoto que te fazia bullying.
Na última pia, Danny Fenton — delinquente juvenil, desordeiro em geral e filho dos principais inventores lunáticos-barra-caçadores de fantasmas da cidade — estava limpando sangue da própria testa. Hector o encarou.
— Seu pai vai conseguir aquela promoção na semana que vem. Vocês vão se mudar para Los Angeles até o fim do mês. — Fenton olhou para Hector com os olhos estranhamente intensos. — Esse é um hematoma feio. Precisa de ajuda? Eu tenho uma pomada aqui que funciona muito bem.
— Tô fora — respondeu Hector, recuando para longe daquele calouro claramente insano.
— Argh. Quando é que a gente vai receber as notas da prova? — exigiu Star. — Eu preciso delas antes da festa de domingo.
— Terça-feira — respondeu Fenton, que sentava logo atrás dela naquela aula.
Ainda faltavam dez minutos para o sinal bater. Fenton havia chegado estranhamente cedo.
— O quê?! — exclamou a garota loira. — Como você sabe, Fenton? O Sr. Falluca nem chegou ainda!
— Ele vai chegar atrasado hoje. A filha dele está doente. E amanhã ele mesmo vai estar doente. Ele não vai ter tempo de corrigir as provas até segunda, então nós só vamos recebê-las na terça-feira.
Foi só então que Star notou o olhar levemente desfocado de Fenton e o hematoma em sua testa. Seu lábio se curvou de desgosto e ela arrastou a própria carteira o mais longe possível. Fenton sempre tinha sido um esquisitão.
Sam e Tucker notaram a concussão de Danny na mesma hora, e ficaram aliviados por compartilharem todas as aulas. Danny não reagia a ferimentos na cabeça de um jeito normal. Ele tendia a agir de forma mais fantasmagórica, mas não necessariamente prejudicada. Às vezes, ele só dizia umas coisas estranhas e parava por aí. No entanto, considerando que ele tinha uma identidade secreta para manter... É. Impedir que ele conversasse com outras pessoas seria uma boa ideia.
— Quando você acha que sai a próxima expansão de Doom?
Tucker, é claro, não tinha o menor senso de gravidade. Parando para pensar, esse tipo de coisa acontecia com tanta frequência que já era praticamente rotina para os três.
— Vai ser anunciada no dia vinte e sete — respondeu Danny, traçando linhas invisíveis na carteira. — Eles vão dizer que o lançamento será em novembro, mas o jogo vai ser adiado para a semana antes do Natal por causa de um bug.
Tucker e Sam trocaram olhares.
— Que nota eu tirei na prova? — perguntou Sam.
— Oitenta e cinco. Você errou aquela última questão discursiva.
— Droga — praguejou Sam. — Para qual faculdade eu vou?
— Harvard — cravou Danny.
— Legal.
— Peraí — interrompeu Tucker. — Você acha que isso é real?
— Por que não? — rebateu Sam. — Nós moramos num mundo onde existem fantasmas. Ei, Danny, qual é o próximo fantasma que a gente vai enfrentar?
— Desiree.
— Irado. Tucker, lembre-se de que a gente pode despachá-la com a palavra com “D”.
— Certo — concordou Tucker, ainda cético. — Onde está o meu PDA? — sussurrou ele, vasculhando a mochila.
— No bolso da frente, debaixo da sua boina reserva.
— Ah. Valeu. Mas ele poderia ter descoberto isso de outro jeito, Sam.
— Tá bom, então vamos deixar as coisas interessantes. Se eu realmente tirar oitenta e cinco na prova...
— Então... — disse Danny na terça-feira. — Tem algum motivo em especial para o Tucker estar correndo pela pista de atletismo só de cueca e máscara de galinha enquanto canta músicas de Natal?
— Não — respondeu Sam, tirando uma foto.
