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Language:
Português brasileiro
Series:
Part 1 of Desafio Loquinha
Stats:
Published:
2026-08-09
Words:
3,252
Chapters:
1/1
Comments:
14
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135
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10
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1,759

Tanto Faz

Summary:

Lorena e Eduarda são alunas da Escola de Minas de Ouro Preto.

ou

Lorena descobre que a vida de caloura não é tão ruim quando se é "bixete" da veterana mais bonita do curso.

Notes:

um beijo para as loquinhas mineiras e para todos os bixos e bixetes desse país

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

O bar na Bauxita estava lotado de gente que ela não conhecia; cheirava a cerveja e fritura e Lorena pensou que nunca antes em sua vida tinha pisado em um lugar tão insalubre. Ela tinha chegado a Ouro Preto fazia três dias e ainda dormia num quarto de hotel na Rua Direita, mas  o que ela queria mesmo era uma vaga em uma das dezenas de repúblicas da cidade. Quer dizer, ela queria uma vaga em uma das repúblicas mais cobiçadas da cidade, e, para conseguir uma vaga na Tanto Faz, tinha que passar por tudo aquilo.

Tudo aquilo significava, naquela noite, um amontoado de calouros, veteranos, barulho e álcool. Os bixos – também conhecidos como calouros – estavam isolados de um lado, encolhidos nas mesas empurradas pro canto, enquanto os veteranos agiam como donos do lugar.

– Relaxa. – Disse Júnior, ao lado dela. Lorena tinha conhecido ele no dia anterior, juntamente com alguns outros calouros. – A gente vai sobreviver aos trotes.

Lorena tinha suas dúvidas.

Uma veterana subiu numa cadeira e bateu palma até o público do bar ficar em silêncio.

– Bixarada! Hoje vocês descobrem quem vai ser padrinho ou madrinha de vocês pelo ano inteiro ou pelo resto da vida. – Ela fez uma expressão maliciosa. – Quem tirar, tirou. Sem troca, sem choro. – Ela avisou, direcionando-se aos veteranos.

Um saco plástico com papeizinhos dobrados começou a passar de mão em mão entre os veteranos. Cada um puxava um nome e lia alto, e os bixos iam atravessando o bar debaixo de assobio até o encontro dos padrinhos.

Eduarda estava sentada na mesa, sem etiqueta, sem se importar, e ria de alguma coisa que Paulinho dizia. Lorena já tinha reparado nela antes de tudo começar. Era difícil não reparar na única ruiva daquele lugar. Ela não parecia estar nem aí para o teatro do sorteio.

Quando o saco chegou nela, a ruiva enfiou a mão, desdobrou o papel e leu, sem drama nenhum:

– Lorena. – Ela anunciou, correndo os olhos pelo bar.

– Porra. – Júnior falou no ouvido dela. – Pegou a veterana mais gata.

Lorena não podia nem discordar. Ela atravessou o bar com a sensação de que o mundo inteiro tinha parado para olhar sua caminhada até a ruiva. Eduarda se levantou quando ela chegou perto e, antes que Lorena decidisse entre a mão estendida ou qualquer outra coisa, foi puxada para um abraço apertado.

– Eduarda. – Disse a veterana no ouvido dela. – Mas pode me chamar de Duda. Bem-vinda à sua desgraça.

– Lorena.

– Eu sei, acabei de te sortear. – Ela riu. – Você é de onde?

– Governador Valadares.

– Nuss, vai penar pra se acostumar com o frio então.

O moreno alto que estava ao lado de Eduarda se inclinou por cima da mesa.

– Sabe quem você pegou, bixete? – Ele perguntou a Lorena e apontou o queixo para Eduarda. – A 01 da turma. A CDF do curso. A queridinha dos professores. – Ele implicou.

– Paulinho, para. – Ela o empurrou pelo ombro.

– É verdade e você sabe.

Eduarda revirou os olhos e se virou para Lorena.

– O primeiro trote começa agora. – Eduarda avisou, tirando alguns tubos de tinta guache da pochete. – Fica quietinha pra mim.

Meia hora depois, Lorena estava de rosto pintado, com uma estrela torta na bochecha Eduarda fez errado de propósito.

Os bixos tinham uma missão simples: pedir dinheiro na rua pra pagar a cerveja da noite.

– E não pode falar que é trote. – Avisou um dos veteranos. – Tem que ser convincente. Chora se precisar.

Lorena passou os primeiros dez minutos parada numa esquina, estendendo a mão para turistas que, em sua maioria, desviavam dela. Depois um casal de velhinhos parou, deu cinco reais, desejou boa sorte na faculdade, contou que o filho também tinha estudado ali. Júnior conseguiu convencer uma senhora a dar cinquenta reais para ele, balançando a nota em direção à Lorena para lembrá-la do próprio fracasso.

Eduarda foi atrás para acompanhar, só olhando de longe, encostada num poste, com as mãos no bolso por causa do frio. Toda vez que Lorena olhava, ela já estava olhando de volta e sorria incentivando, mesmo que ninguém estivesse dando bola para a caloura.

– Tá indo bem, bixete. – Eduarda falou quando Lorena se aproximou com a mão cheia de moedas. – Já dá pra pagar uma cerveja pra mim. – Ela piscou para Lorena enquanto pegava o dinheiro.

Pelo visto, a humilhação estava longe de terminar.

***

A primeira semana de aula quase fez Lorena pegar o ônibus de volta para casa.

Ela ainda estava no hotel, com o dinheiro contado, indo para a Escola de Minas de manhã e voltando à noite para estudar. Cálculo na segunda; Geometria Analítica na terça; Geologia na quarta. Ela imaginou que fosse fácil e não era. Em três dias juntou uma pilha de dúvidas e pensou seriamente que tinha escolhido a área errada. Desejou ser da área de humanas.

Mas graças a Deus Lorena era o bixo de Eduarda. Porque, além de ser a 01, a ruiva era monitora e, ao contrário do que Lorena temia, não tinha o nariz em pé. Respondia rápido as mensagens que Lorena mandava no whatsapp, sanando as dúvidas sem fazer a bixete se sentir burra. Eduarda até mandava foto do quadro com os exercícios resolvidos, mesmo que fosse tarde da noite; e ainda explicava de novo por áudio quando Lorena não pegava de primeira. “Isso aqui todo mundo erra no começo”, ela falou para Lorena, “Não se preocupa, Lore, eu vou te ajudar a passar”.

Só que estudar era metade do inferno pelo qual Lorena estava passando.

No fim da primeira semana, ela foi chamada para a avaliação da seleção de integrantes para a república que tanto queria. Lorena iria receber uma sequência de trotes por um mês inteiro antes de conquistar a vaga definitiva na Tanto Faz. Pelo menos era um mês em uma casa de verdade e não em um hotel. E só por isso Lorena decidiu que ia aguentar toda a humilhação que tinha pela frente.

Mas se ela achou que por ser bixete da Eduarda a ruiva ia pegar leve, se enganou feio. Porque era Eduarda quem passava os piores trotes. O pior de todos até ali, disparado, foi ter que correr seminua pelas ladeiras de Ouro Preto.

– Eu corri ano passado. – Disse Eduarda, encorajando sua caloura. – Você sobrevive, o povo nem liga mais, a gente só faz pra ver vocês passando vergonha. – Ela admitiu.  

E era verdade. Tirando o frio, que entrou nos ossos dela no meio do caminho e não saiu tão cedo, a cidade nem se abalou. O povo já tinha visto aquilo mil vezes. Um senhor com a sacola de pão só balançou a cabeça, tipo lá vem outra, e seguiu a vida.

A prova final para a admissão de Lorena na república viria no fim do mês. 

Na Martelada.

Lorena não fazia a menor ideia do que os futuros – talvez – companheiros de república iam pedir, nem mesmo podia contar com a ajuda de seus colegas. Júnior já tinha se instalado na Castelo dos Nobres logo na primeira semana, pelo visto, para homem era tudo mais fácil. Maggye decidiu que não queria passar pelas humilhações e alugou um quarto na casa de uma senhora, por enquanto. Ou seja, Lorena teria que enfrentar aquilo sozinha.

***

A Martelada era a primeira festa do semestre, organizada pela Associação Atlética Acadêmica da Escola de Minas, o que significava que ninguém podia perder.

Lorena chegou junto com os outros calouros do seu curso, os olhos brilhando de ansiedade porque era a primeira calourada da vida dela. Eles não tiveram tempo nem de pensar, os veteranos já foram chamando seus respectivos bixos e enfiando dois shots de tequila na mão de cada um.

Depois, empurraram todo mundo para a pista, onde o DJ tocava um funk no talo.

Não demorou pra Lorena ser abordada. Um, dois, três homens caindo de bêbados, um atrás do outro, cada um com uma cantada pior que a anterior. Ela foi dispensando com toda a educação que conseguiu juntar, se perguntando por que tinha tanta gente não sabia beber naquele lugar.

Do outro lado do salão, Eduarda observava. Bebia sua cerveja devagar, porque era ela quem terminava a noite tomando conta dos amigos, e agora ainda tinha uma bixete ali que era responsabilidade dela.

Quando Lorena foi até o bar encher o copo de novo, a ruiva apareceu ao seu lado.

– Curtindo a festa? – Perguntou.

– Tirando esse bando de homem bêbado enchendo o saco, tô adorando.

Eduarda riu.

– Não gosta de bêbados? – Provocou. – Então você vai odiar metade da festa até o fim da noite.

– Não gosto de homens. – Lorena corrigiu.

Eduarda arqueou a sobrancelha, guardando a informação.

– Sem contar que eles são meio sem noção, né? – Lorena completou, desviando da confissão que tinha acabado de fazer para sua veterana.

– Você acha? – Eduarda perguntou, se divertindo.

– Cara, um deles veio me cantar dizendo que tinha um beijo "legendário", você acredita? Pelo amor de Deus, o cara não sabe nem português básico e quer cantar mulher.

Eduarda riu junto com Lorena.

– Realmente. – Ela concordou. – Os homens não sabem como conquistar uma mulher do jeito certo. – Bebeu um gole sem tirar o olho de Lorena. – Vim te passar seu último trote.

Lorena se virou completamente para ela, desviando os olhos dos outros alunos na pista.

– Você tem que beijar um veterano até o fim da festa.

– Sério? – Ela soltou um gemido de reprovação. Não queria sair beijando desconhecidos na primeira calourada da vida.

– Ou veterana, se você preferir. – Eduarda completou. – Com esse rostinho, vai ser mole pra você, bixete. – Eduarda pincelou o nariz de Lorena com o indicador. – Pode ser até de outro curso, se você quiser.

Eduarda se inclinou para dar um beijo na bochecha de Lorena e foi embora na direção da mesa dos veteranos, sem esperar por uma resposta da caloura.

Lorena passou boa parte da festa avaliando.

Começou pela matemática básica: as opções tinham caído uns setenta por cento de cara, porque beijar homem, naquele dia, naquela vida, estava fora de cogitação. Sobravam as veteranas. E aí ela reparou que estava exigente demais: ou eram hétero demais, ou chatas demais ou eram escandalosas a ponto de dar dor de cabeça só de olhar de longe. 

Certo, talvez estivesse pegando pesado. Era só um beijo. Não é como se fosse namorar a pessoa.

Passou então a classificar pela aparência, e admitiu para si mesma que estava sendo fútil, porque naquele momento não estava melhor que nenhum dos homens para quem tinha torcido o nariz mais cedo. Mas Lorena era bonita, sabia que era, e não ia gastar o primeiro beijo de calourada com uma mulher qualquer. Tinha lá suas exigências.

O problema é que nenhuma veterana enchia os olhos dela. Exceto, claro, por Eduarda.

A ruiva parecia ter um magnetismo que puxava todos os olhares para si. Homens, mulheres, qualquer pessoa virava a cabeça quando Eduarda passava. Ela era linda, mas o problema é que ela não era só isso. Além de inteligente e simpática, ainda tinha a cereja do bolo: Eduarda era extremamente engraçada. O que significava que a ruiva poderia ter quem quisesse naquele lugar. Lorena se entristeceu ao perceber que talvez nunca fosse ter a oportunidade de beijar aqueles lábios tão bonitos.

O que também não era o fim do mundo. Ia conviver com a Eduarda por, pelo menos, quatro anos e, se tudo desse certo, iam morar debaixo do mesmo teto. Talvez Deus tivesse posto justo aquela barreira no meio do caminho, com todo o cuidado, para impedir que Lorena morresse de amor por sua veterana até o fim do curso.

Com Eduarda fora de cogitação e ninguém mais à altura, Lorena aceitou a derrota. Não tinha mulher em Ouro Preto pra ela. Ou melhor: não tinha nenhuma que passasse na peneira. Rolaram três cantadas de veteranas ao longo da noite, e ela até tentou considerar, mas não foi até o fim. Lorena não era de beijar só por beijar. Precisava sentir alguma coisa, alguma conexão, e todas ali pareceriam superficiais demais.

O quanto ela queria mesmo entrar naquela república? 

Valia a pena abrir mão de um requisito seu por uns minutos?

Não. Claro que não. Tinha coisa que era inegociável, e os valores dela estavam no topo da lista. Cansada de dançar e de caçar um alvo que não existia, avisou a Maggye e Júnior que ia sentar no bar para descansar as pernas.

Mal encostou no balcão e uma garrafa de água apareceu na frente dela. 

– Eu não pedi isso.

– Pediram pra você. – O barman deu de ombros e apontou o queixo para a outra ponta do bar.

Lorena já estava com um xingamento engatilhado, pronta para mandar quem quer que fosse tomar naquele lugar, quando o olhar dela achou Eduarda encostada na pilastra, sozinha. A ruiva levantou a caneca num cumprimento. O xingamento morreu na garganta. Lorena sorriu, pegou a garrafa e foi até ela.

– Relaxa, Duda, eu não vou dar PT. – Disse, encostando ao lado dela, e bebeu um gole da água.

– Só tô cuidando do que é meu, bixete. – Eduarda piscou um dos olhos e tomou mais um pouco da bebida em sua caneca.

– Como é que você tá sóbria se tá bebendo desde que a gente chegou?

Eduarda aproximou o rosto do dela.

– Posso te contar um segredo?

Perguntou pertinho do ouvido de Lorena, e os fios da nuca dela se arrepiaram todos de uma vez. Lorena fez que sim e sentiu os lábios de Eduarda roçarem de leve em sua orelha antes de a ruiva se afastar o suficiente para olhar em seus olhos.

– Três canecas de cerveja e depois água o resto da noite. Não gosto de dar vexame.

– Então você nunca fica bêbada?

– Nunca é uma palavra forte demais. – Eduarda riu. – Eu evito. Pelo menos nas festas grandes.

– Entendi. – Lorena sorriu. – Boa tática.

– E o desafio, como é que tá? – Perguntou, elevando a voz para Lorena conseguir ouvir por cima do som.

– Não tá. – Lorena respondeu, fingindo um suspiro derrotado.

– Tá brincando, bixete? – Eduarda ficou indignada. – Tenho certeza que não te faltam opções.

– O problema é que eu sou muito exigente.

As duas se encararam por um tempo. Lorena deu outro gole na garrafa. Eduarda bebeu mais da água na caneca.

– Bom. – A ruiva disse, por fim. – Se você não achar ninguém até o fim da festa, me procura.

– Pra você me expulsar da casa de uma vez? – Lorena brincou, arqueando a sobrancelha.

Eduarda revirou os olhos. Chegou perto, apoiou uma das mãos na cintura de Lorena e voltou pro ouvido dela.

– Pra eu resolver esse problema pra você.

Então se afastou, dando uma piscadinha. Lorena ficou sem reação por um segundo, tentando decidir se Eduarda tinha falado mesmo aquilo ou se era invenção da cabeça dela.

– Duda...

– No fim da festa, bixete. – Eduarda disse, e se afastou.

Lorena ficou, olhando a ruiva sumir no meio da pista. O resto da festa, de repente, tinha ficado chato demais. A caloura voltou para perto dos amigos e não se surpreendeu nem um pouco ao pegar Maggye e Júnior aos beijos. Lorena enfiou o braço no meio deles, abraçou os dois pelo ombro e obrigou a dupla a se descolar e dançar com ela, quisessem ou não.

Não tentou achar mais ninguém para cumprir o desafio. Para falar a verdade, desde o momento no bar, os olhos dela pareciam grudados em Eduarda, em cada coisa que ela fazia. A ruiva dançava com um grupo de amigos na parte de trás da pista e, de vez em quando, mandava uma piscadinha na direção de Lorena, o que fazia o coração da morena disparar um tiquinho.

Lorena não bebeu mais nada. Se a proposta da Eduarda significasse o que ela achava que significava, ela ia querer estar sóbria no fim da festa.

E foi observando a veterana que ela reparou numa coisa importante: Eduarda não tinha beijado ninguém. Pelo menos não no tempo em que Lorena prestou atenção, o que foi mais ou menos a festa inteira. Então era isso. A mulher mais linda e mais engraçada do lugar não bebia até dar vexame e não saía beijando todo mundo como se o mundo fosse acabar. E só por isso a ruiva já iria direto para o topo da lista de mulheres que Lorena beijaria.

Quando o DJ achou que já tinha gente bêbada o suficiente, começou o set de eletrônica. Para Lorena, era como uma sessão de tortura, mas era a primeira calourada de Lorena, ela tinha que aproveitar, então não teve escolha a não ser dançar sua coreografia de adolescente branca americana na balada.

O DJ engatou uma sequência de Summer Eletrohits, e Lorena passou a odiar aquele momento um pouco menos. Distraída com os próprios movimentos entre Lucélia e Maggye, ela não viu a ruiva chegar. Eduarda veio por trás e pousou a mão na cintura dela, freando um pouco daquela dança toda. Lorena tensionou o corpo inteiro, mas relaxou quando um "sou eu, bixete" desceu quentinho pelo ouvido dela. 

– Veio dançar com os meros mortais, alteza? – Lorena perguntou, girando o corpo para ficar de frente para a ruiva.

Tinha virado uma piada das duas ao longo do mês: Lorena fingia que Eduarda era da realeza, e que ela não passava de uma súdita obrigada a realizar cada desejo de sua majestade. Porque era quase isso.

– Vim te seduzir com os meus movimentos. – Eduarda rebateu e Lorena quase engasgou com a própria saliva.

As mãos da Eduarda estavam livres agora, a caneca tinha ficado pendurada no tirante da atlética atravessado no tronco da ruiva. Ela aproveitou para apoiar uma das mãos no ombro e a outra na cintura de Lorena enquanto as duas dançavam.

No instante em que o saxofone rasgou a caixa de som e os primeiros acordes de “Infinity” do Guru Josh Project soaram, a pista inteira surtou: todo mundo pulou e gritou ao mesmo tempo, um mar de gente subindo e descendo. Lorena e Eduarda continuaram grudadas no meio daquilo, trocando olhares e sorrisos enquanto eram empurradas pelos bêbados sem noção que curtiam a música.

Quando o DJ mudou para "When Love Takes Over", as duas mudaram a coreografia junto, e os movimentos ficaram mais contidos. Mais perto. Eduarda falou alguma coisa, mas Lorena não entendeu nada, porque o som alto engoliu as palavras. A ruiva então segurou o rosto dela com as duas mãos, chegou de novo no ouvido de Lorena e falou outra vez:

– Vamos fingir que já tá no fim da festa?

Se afastou o suficiente para encarar Lorena nos olhos. Eduarda arqueou a sobrancelha, esperando. E aí a caloura entendeu. Lorena assentiu, sentindo o coração na boca de tanta ansiedade.

Então Eduarda a beijou.

E diferente do que Lorena esperava, foi devagar. Eduarda segurava o rosto dela com as duas mãos, movendo os polegares na mandíbula de Lorena, conduzindo sem pressa nenhuma, não tinha por que correr. O beijo era mais macio do que Lorena achou que seria. Mesmo devagar, Eduarda dominava os movimentos, passeando com a língua pela boca da caloura. Lorena finalmente lembrou que tinha mãos e rodeou a cintura de Eduarda, puxando a veterana até colar seus corpos. Lorena sentiu Eduarda sorrir no meio do beijo e teve que fazer um esforço para não sorrir junto e estragar tudo. Ela deixou a ruiva conduzir, tentando não surtar por estar beijando a mulher mais bonita da Escola de Minas inteira.

Lorena se sentiu um pouco tonta. Se tivesse alguma profissão relacionada a beijos gostosos, Eduarda seria a especialista. Quando se separaram, estavam ofegantes e a ruiva riu baixinho ao notar que Lorena estava desconcertada.

– Bem-vinda à casa, bixete.



Notes:

vejo vocês em what if e entre chamas :)

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