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Não revele o segredo

Summary:

Era meio que um segredo visível a plena luz do dia.
O príncipe de Castrum Kremnos, Mydeimos estava em um relacionamento proibido com seu guarda-costas, o cavaleiro Phainon. Um segredo que em teoria deveria ser fácil de manter... se os dois envolvidos não fossem fisicamente incapazes de disfarçar o que estavam fazendo em público.

[Phaidei Week 2026 Day 5 - Forbidden Love]

Notes:

E pensar que essa fic começou com um tema de uma rodinha do Fanficarte e eu deixei ela lá parada, aí saíram os temas da week e eu resolvi terminar
Foi uma luta, mas estamos aí com ela prontinha finalmente!
E cá entre nós, eu não esperava que ia acabar com 2k de todo mundo sofrendo com o pda entre esses dois bestas e.e
Espero que gostem e boa leitura!

Ana/Chibi~

Work Text:

Se havia algo que praticamente todos sabiam, é que o príncipe de Castrum Kremnos era relativamente mimado. Não no sentido de que o príncipe ordenava a tudo e todos que cumprissem suas vontades, mas no sentido que, quando ele decidia algo, por mais absurdo que fosse, era virtualmente impossível fazer com que ele mudasse de ideia.

Talvez fosse por isso que ninguém questionava o fato de que o melhor guerreiro do reino tinha um guarda-costas. Algo necessário para a realeza? Nem um pouco, afinal o príncipe era totalmente capaz de destruir seus inimigos com suas próprias mãos. Mas uma mera consequência da vontade do príncipe que simplesmente resolveu que queria uma pessoa específica como guarda-costas.

Apesar disso, tinha dias que Krateros se perguntava se deveria ter insistido mais um pouco com Sua Majestade para não ceder às vontades de seu filho. Ou melhor, Krateros deveria ter convencido a rainha que aquele cão estrangeiro não era um candidato decente para ser o guarda-costas do príncipe. Talvez isso tivesse poupado o velho guerreiro de ver os dois em uma posição suspeita de novo.

Como raios o rei ainda não suspeitava de nada talvez fosse a maior pergunta no castelo, já que a dupla era tudo, menos discreta com suas afeições.

— Caham. — Krateros pigarreou para chamar a atenção dos dois que definitivamente não estavam fazendo algo proibido. — Príncipe Mydeimos, sua presença é esperada na sala do trono.

— Entendido. — O príncipe só sinalizou antes de começar a caminhar rumo à sala do trono — Vamos, Phainon.

E com os dois se retirando dali com passos largos, Krateros só preferiu fingir que não viu a mão boba do guarda-costas, enquanto ele dava uma piscadinha de cumplicidade para ele.


Phainon sabia que no ritmo que os dois estavam indo, era só questão de tempo até toda Castrum Kremnos saber que o príncipe estava em um relacionamento com seu guarda-costas. Mas era complicado resistir à tentação de ficar provocando Mydei em público, especialmente quando depois ele sabia que o príncipe iria retribuir o favor quando estivessem os dois em privado.

Phainon sabia dos rumores e de como as pessoas o chamavam de "o cão do príncipe", mas isso não o incomodava... muito. Era só um atestado de posse e ele tinha que admitir, quando o assunto era o príncipe, ele era ciumento sim. Talvez por isso ele era tão bom no trabalho de guarda-costas (que Mydei nem precisava de um, mas quem liga pra esse detalhe?).

— Phainon.

— Sim?

— A mão.

— Eu não estou fazendo nada de errado?

— HKS, você sabe bem onde estamos indo. Se o rei descobrir-

— Não se preocupe Mydei, ele não vai.

Mydei só questionou o cavaleiro com seu clássico olhar de dúvida. Seria um escândalo sem precedentes se o relacionamento dos dois viesse a tona, não que a parcela mais próxima do príncipe já não soubesse dele.

— Se comporte.

— Sim, senhor, Vossa Alteza. Algum pedido adicional?

— Tente se conter na frente de Krateros na próxima vez, ele está a um passo de me pedir permissão para te jogar em um coliseu com animais raivosos.

— É uma ideia interessante, pelo menos. — Phainon parou por um momento, com o dedo em seu queixo, antes de direcionar aquele sorriso maroto para Mydei — Hum... tenho certeza que a vitória seria minha no final.

— Não vá declarar vitória antes da batalha, HKS.

— Ah, mas nós dois sabemos que eu aguento enfrentar leões. — Phainon piscou para o príncipe, que tentava ativamente suprimir o vermelho na ponta de suas orelhas.

— Espero que você esteja se referindo a fazer isso em uma luta.

A expressão culpada de Phainon dizia que não. Ele com certeza não estava falando de uma luta.

— HKS. — Mydei sibilou enquanto tentava recuperar a compostura — Estamos quase na sala do trono, trate de agir que nem gente pelo menos por alguns minutos.

— Claro, Alteza. — Phainon deu um passo para trás enquanto continuava acompanhando Mydei, logo assumindo uma expressão séria que era o completo oposto da atitude provocante que ele demonstrado com o príncipe a poucos segundos.


Quem visse o quão comportado o cão do príncipe estava na sala do trono jamais imaginaria que a meros minutos ele estava ativamente testando a paciência de Mydei.

Mas o príncipe não conseguia evitar de olhar de canto para seu guarda-costas, especialmente porque uma sensação incessante de perigo martelava sua mente. O rei geralmente evitava ao máximo ter que chamar seu filho mimado para o salão de audiências e naquele dia em específico, pela primeira vez Eurypon olhava para a dupla com uma expressão de pura suspeita.

— Mydeimos.

— Sim?

— Você sabe por que eu o chamei aqui hoje?

— Apenas me foi informado que a minha presença era esperada aqui hoje.

— Chegaram aos meus ouvidos alguns relatos minimamente preocupantes sobre o cão que você insiste em chamar de guarda-costas. — O rei agora encarava ativamente Phainon — Algo sobre ele não estar sendo disciplinado apropriadamente.

— Eu já posso garantir, Majestade, que tudo está perfeitamente sob controle. — Mydei respondeu com os dentes cerrados. — E que suas preocupações são apenas rumores infundados.

— Então não seria problema colocá-lo à prova.

— Mas já não fizemos isso antes? É realmente necessário outro duelo de 10 dias?

— E quem disse que será um duelo?

O rei apenas olhou para a expressão confusa de Mydei antes de se dirigir a Phainon e falar as palavras que selariam o destino dele nos próximos dias.

— Ele deve ser capaz de mostrar suas habilidades na arena. Então, por que não fazer disso um espetáculo digno do Conflito?


Talvez fosse um pouco tarde demais para admitir que talvez, só talvez, Phainon tenha provocado demais o destino e estava finalmente pagando o preço de sua língua grande. Pelo menos ele tinha o consolo de saber que Mydei acreditava em sua vitória.

(Ou ao menos ele esperava que caso houvesse uma aposta, Mydei apostasse na vitória dele).

O barulho na arena estava intenso. Era possível sentir a expectativa do público com o espetáculo que havia sido prometido ali. No corredor que levava à arena, Phainon respirava fundo enquanto tentava se acalmar. Sua espada estava em perfeito estado, pronta para ser usada contra qualquer oponente que Eurypon pudesse ter escolhido e aquele era o momento de deixar claro de uma vez por todas porque ele era o único capaz de estar lado a lado em pé de igualdade com o príncipe.

Com a mente focada, ele finalmente pisou na área sob o sol assim que os portões se ergueram.

Phainon olhou ao redor procurando por seu oponente. Normalmente, a arena era utilizada para treinos militares, com o ocasional uso cerimonial em que ocorriam duelos ali. A expectativa de Phainon era de enfrentar guerreiros veteranos, mas não havia sinal de que daquela vez seu oponente era uma pessoa.

A saraivada de flechas que se fincou no local onde ele estava a meros instantes apenas confirmou sua suspeita.

Do lado oposto da arena estavam 3 titâneos, um deles com um arco, um deles com um livro de sacerdote e um terceiro que era apenas um combatente corpo a corpo. Phainon só retomou sua posição natural de combate e avançou rumo ao trio.

Mesmo as flechas aprimoradas pelo sacerdote não conseguiam encostar nele, toda vez que uma saraivada era lançada, Phainon fazia cortes precisos, liberando o espaço necessário para continuar avançando. O combatente tentou proteger os outros dois titâneos com suas mãos, mas Phainon logo engajou e começou a isolar o titâneo sem muita dificuldade. No momento em que uma abertura milimétrica apareceu, ele usou a oportunidade para acertar o núcleo do construto, atravessar a linha de frente e abater os dois titâneos que atacavam à distância.

Coberto de pó, Phainon se levantou após abater os três oponentes e dirigiu seu olhar para o local onde a família real estava sentada. Mydei olhava a cena com uma expressão entediada, enquanto o rei estava pouco impressionado com a demonstração. O cavaleiro sabia que aquele era só o começo, e estava pronto para quantas rodadas fossem necessárias para provar sua força.

A rodada seguinte de oponentes tomou a arena e Phainon mais uma vez se viu focado em derrotar os adversários. Mais titâneos, com composições diferentes de equipe, avançaram para cima dele e Phainon respondeu sem piedade, buscando criar um espetáculo de técnica ao mesmo tempo em que evitava ferimentos.

Ao mesmo tempo, acontecia uma batalha em segundo plano nos assentos separados para a realeza. Era claro que o rei queria se livrar de vez do cão do príncipe, mas que o plano original dele (deixar que a arena cuidasse do problema) estava falhando. Mydei continuava impassivo com as batalhas lá embaixo, afinal, ele sabia muito bem o quão habilidoso Phainon realmente era.

Foi só a rainha sair por um breve momento que o clima entre o rei e o príncipe ficou claramente tenso. Os dois realmente não se entendiam bem.

— Há algo que queria dizer, Majestade? Ou será que teremos que aguentar mais algumas horas dessa farsa?

O rei não respondeu e só rangeu os dentes. Ele não tinha mais outra opção a não ser usar o último plano que havia preparado. Ele não poderia recuar, então apenas sinalizou para que o desafiante final fosse solto na arena.

Assim que a criatura pisou na arena, Phainon soube que talvez ele não devesse ter falado sobre conseguir lidar facilmente com leões. Porque os cinco titâneos com aparência leonina que entraram na arena definitivamente não eram o tipo de leão de que ele tinha falado antes.

Phainon conseguia imaginar as provocações que Mydei faria mais tarde quando estivessem os dois sozinhos nos aposentos do príncipe. E só de imaginar como teria que colocar o príncipe em seu lugar, Phainon sentia a irritação subir à cabeça.

Os leões não tiveram chance contra o cavaleiro irritado. E lá em cima, nos assentos reais, o rei foi obrigado a admitir sua derrota.

O discurso final foi apenas estática nos ouvidos de Phainon. Ele mal podia esperar pela sua recompensa que seria entregue pessoalmente pelo príncipe, se é que ele daria conta de aguardar até que estivessem os dois a sós.


E até parece que o cão empolgado conseguiria esperar por sua recompensa.

Krateros já se questionava por que não havia interferido e se livrado ele mesmo daquela farsa de cavaleiro que ficava assediando o príncipe em público. Mas olhando como o príncipe simplesmente deixava que o cachorro dele choramingasse implorando por uma recompensa depois de seus feitos na arena, talvez o problema não fosse algo que Krateros pudesse simplesmente resolver com uma lâmina e uma desculpa esfarrapada.

Ou melhor, ele não poderia interferir nas ações descaradas da dupla simplesmente porque a rainha adorava a fofoca sobre o que aqueles dois haviam aprontado recentemente. E se havia uma coisa que Krateros era, era leal a vontade da rainha Gorgo.

O que não significava ficar parado aguentando as demonstrações públicas de afeto dos dois que não deveriam sequer estar fazendo esse tipo de coisa.

— Mydeimos.

— O que foi, Krateros? — Mydei apenas se dirigiu ao seu antigo mentor, sem parar de ativamente acariciar Phainon.

— Talvez seja mais conveniente que vocês continuem isso em um local mais... privado.

Com uma deixa razoável para saírem dali, Krateros pôde finalmente respirar aliviado por um minuto... até escutar os gemidos e se arrepender profundamente de acreditar que ele teria tempo suficiente para sair dali antes de ser submetido a mais informação do que desejaria saber.

Parando para pensar, Krateros não estava disposto a ser a pessoa que revelaria o segredo que existia em plena luz do dia e que praticamente todos sabiam sobre. Mesmo que ele não gostasse de Phainon. Mesmo que ele questionasse todos os dias onde eles haviam errado na criação de Mydeimos para que ele tivesse um gosto tão ruim para parceiro.

Pelo menos no fim do dia, a rainha ainda estava se divertindo com aquela novela. E se a rainha Gorgo aprovava daquele cão sem vergonha, quem era Krateros para dar com a língua entre os dentes e informar o rei do que estava acontecendo?

A única garantia ali era de entretenimento quando tudo viesse a tona. E parando para pensar, a expressão de Eurypon quando descobrisse o romance seria impagável.

Talvez no fim até valesse a pena guardar segredo. Mas só talvez.

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