Chapter Text
No que dizia respeito àquele mês de dezembro, ele já era um forte candidato a entrar no top cinco de mais estressantes da vida de Danny.
Seus maiores rivais incluíam a vez em que ele teve hipotermia escolhendo uma árvore de Natal; o ano em que todas as ceias ganharam vida; a vez em que sua família sediou o Festival da Família Fenton (do qual foram banidos permanentemente logo em seguida); e o ano anterior — seu primeiro como meio-fantasma —, quando Vlad passou um mês inteiro atormentando a sua paciência, chegando ao ponto de forjar um simpósio de ciências só para colocar um prêmio por sua cabeça. Ser forçado a declamar um poema de Natal por um espírito vingativo era, parando para pensar, até que esperado para os seus padrões.
E aquela era apenas a primeira semana.
Por outro lado, descobrir sobre a Trégua — um mês inteiro de paz relativa — foi incrível. Uma bênção. Quase um milagre literal.
Ele sabia que a Trégua não significava que teria um mês totalmente livre de atividades paranormais. Espíritos sem consciência, que na verdade eram os grandes responsáveis pela maioria dos ataques a Amity Park, sequer sabiam que o acordo existia. Sem falar que a cidade abrigava tantos fantasmas pacíficos que Danny frequentemente se via obrigado a protegê-los dos caçadores.
Falando nisso, Danny se pegou perguntando por que os fantasmas amigáveis nunca o avisaram sobre aquilo. Talvez achassem que ele já sabia?
Talvez fosse melhor dar uma passada para falar com eles assim que voltasse a Amity Park, só para garantir que seus inimigos não estivessem armando uma cilada terrível.
— Ei, Phantom!
Danny se virou para encarar Poindexter, sentindo o peso do cansaço nos ombros. Ele só queria ir para casa. A festa já estava no fim, mas... bom, ele desconfiava que, a essa altura, a eterna Discussão na sua casa já teria recomeçado.
Ele devia seguir o exemplo da Ellie e cair na estrada.
Lembrar o motivo de estar com um mau humor tão excepcional naquela semana, mesmo se comparado aos dezembros anteriores, fez sua alma murchar um pouco. A última vez que tinha visto Ellie fora no início das aulas. Ele sentia saudade. E, mais importante do que isso, estava preocupado. Era inverno. Estava muito frio. Era o primeiro Natal dela, e ela passaria sozinha.
— Você vai à festa do Dia das Crianças? — perguntou Poindexter. — É que, bem, eu pensei que se você não sabia desta festa, talvez não soubesse das outras.
— É — Danny respondeu. — Eu não faço a menor ideia do que seja isso.
— Ahn, bem... — Poindexter olhou ao redor, apertando as mãos de nervoso. — Puxa vida, eu não sou a melhor pessoa para explicar, hum... Princesa Dorathea? — chamou ele, acenando para a princesa dragão. — Pode me ajudar a explicar...? O Dia das Crianças? Você estava lá no ano passado, não estava?
— Sim, eu estava. Sir Phantom, devo lhe pedir desculpas. Nem me passou pela cabeça que você não soubesse, mas suponho que seja natural, já que você sequer conhecia a Trégua.
Danny sabia que não era a intenção deles, mas a sensação era a de que estavam esfregando a ignorância dele na sua cara. Não mataria ninguém ir direto ao ponto, mataria?
Não. Até porque eles já estavam mortos.
(Ele estremeceu por dentro, decidindo guardar aquele trocadilho infame só para si, já que a piada provavelmente se enquadrava como algum tipo de discurso de ódio).
— O Dia das Crianças acontece em 28 de dezembro — explicou Dora. — Originalmente foi baseado em um feriado católico, o Dia dos Santos Inocentes, se bem me lembro das minhas missas. Mas as pessoas adoram qualquer desculpa para celebrar. — Ela abriu um sorriso gentil. — Acabou sendo adotado por todo mundo na Zona Fantasma.
— Ok...?
— É uma festa — Dora continuou —, para as crianças.
Até aí, Danny tinha entendido.
— O que inclui a nós — esclareceu ela.
— Ah.
— E a você — completou Poindexter.
— Ah — repetiu Danny, processando a informação.
— Por que você não vai para casa descansar, Sir Phantom? — sugeriu Dora, com delicadeza. — Eu vou me certificar de que receba um convite.
— Certo — concordou ele, sem a menor certeza de que queria receber um. A sua casa parecia... Bem. Talvez a loucura que aconteceu hoje finalmente causasse alguma impressão nos seus pais.
Se não causasse... Fazer o quê. Danny já tinha lidado com coisas piores antes.
O incidente com o Escritor Fantasma de fato causou uma impressão nos pais dele, no sentido de que ambos agora estavam absolutamente convencidos de que os fantasmas estavam se passando pelo Papai Noel com propósitos nefastos (o que não era de todo mentira, diferente de muitas teorias deles, embora continuasse sendo, no fim das contas, uma conclusão errada).
A crença os uniu por um curto período de tempo, e foi como em qualquer outra época do ano: os dois contra todos os fantasmas. Mesmo, ou especialmente, quando os fantasmas não estavam fazendo mal algum.
Infelizmente, antes mesmo do fatídico feriado chegar, a aliança deles se dissolveu mais uma vez. Jack propôs que tentassem contatar o Papai Noel para que o bom velhinho pudesse ajudá-los contra os seres nefastos que tentavam roubar sua identidade. Maddie rebateu com a teoria de que o Papai Noel sempre fora um fantasma, enganando as pessoas para ser convidado a entrar nas casas e nos corações das crianças — porque de que outra forma um santo morto há tanto tempo teria tais habilidades? —, e as coisas só desandaram a partir daí.
Estava tudo bem. Danny e Jazz já estavam acostumados, por mais que desejassem não estar. Eles decidiram que iam apenas se contentar com a redução dos ataques fantasmas e aproveitar a paz.
Quando o solstício de inverno chegou, Danny já tinha praticamente esquecido o tal convite prometido. Ele chegou a mencioná-lo, junto com o resto da história da Trégua, para Jazz e para os amigos, mas, fora isso, não pensou muito no assunto.
Por isso, quando um fantasma minúsculo — uma bolota cintilante com asas emplumadas em um tom de ouro branco, que podiam ou não estar presas ao corpo dele por uma fita — entregou-lhe um envelope branco e impecável com um trinado alegre, Danny foi pego totalmente de surpresa.
A pequena bolota continuou com ele enquanto abria a carta, aninhando-se entre a coxa de Danny e os cobertores que ele havia jogado para o lado quando seu Sentido Fantasma disparou.
Dentro do envelope, a carta era uma única folha de papel, sem dobras, acompanhada por uma moeda de ouro. Estava impressa em um papel grosso com a mesma textura do envelope, mas exibia um design festivo e vibrante em tons de vermelho, verde, dourado, azul, branco e prateado, ilustrando árvores, pedras, piões, corações, presentes, flocos de neve, dados, velas, brinquedos, facas, fogo, moedas e doces. Era muito caótico e poluído visualmente, mas de alguma forma conseguia ser atraente.
No centro do cartão, havia um retângulo mais pálido, esbranquiçado, que continha a verdadeira mensagem em uma caligrafia fantasma elegante e tremeluzente.
Um convite para a Celebração do Dia das Crianças dos Ermos, das Terras Bloqueadas no Tempo e das Terras de Gelo, que será realizada no Kastelo Khione no dia 28 de dezembro, da falsa alvorada até a falsa alvorada seguinte.
Danny não fazia ideia de onde ficava aquilo. Felizmente, o convite dizia que a moeda o puxaria em direção ao local quando chegasse a hora.
Infelizmente, ele ainda não tinha conversado com Mordegelo ou com seus outros aliados sobre isso. Era algo que ele realmente precisava fazer antes de ir àquele evento. Isso se ele decidisse ir, é claro.
Danny chegou aos Confins Congelados quando a Celebração do Solstício deles estava a todo vapor. Ele provavelmente deveria saber sobre o solstício. Quer dizer, ele sabia que era o solstício, mas não fazia ideia de que os Confins Congelados davam uma festa por causa disso.
Por sua vez, eles não pareciam ter percebido que ele não saberia da celebração, e o receberam de braços abertos. E com abraços. Muitos abraços.
A festa era barulhenta e envolvia muitas bebidas doces e amargas e comidas fritas. Todos estavam cantando. Havia fogueiras azuis brilhantes espalhadas por todo o assentamento, e as pessoas dançavam ao redor delas. Era uma atmosfera muito divertida, mas Danny não conseguia evitar ficar rondando pelas beiradas, tímido e confuso demais para participar de verdade. Ele não conhecia as danças, nem o significado dos pequenos rituais que via acontecerem para onde quer que olhasse; não sabia o que era permitido ou o que seria considerado ofensivo.
Em algum momento, uma pessoa enfiou uma caneca de suco gelado na mão de Danny, e outra lhe deu uma tigela de sopa fervente com pequenos bolinhos de massa boiando. Surpreendentemente, ambas as coisas caíram bem, apesar do frio do lado de fora do seu corpo.
Depois de cerca de uma hora vagando sem jeito pelos cantos, ele começou a se perguntar se deveria simplesmente perguntar a um dos yetis que não conhecia tão bem sobre a tal história do Dia das Crianças. Mordegelo provavelmente estava ocupado, já que era o chefe e tudo mais. Chefes geralmente tinham deveres cerimoniais e de organização durante coisas do tipo, certo? Pelo menos, essa era a impressão que ele tinha das aulas de estudos sociais, do History Channel e das reclamações constantes de Sam sobre os pais dela e as festas que eles adoravam dar.
Mas, bem na hora em que ele estava criando coragem para interromper alguém, ou ir embora para voltar em outro dia possivelmente menos importante, Mordegelo o avistou.
— Ó, Grande! — rugiu o yeti, com a voz ecoando claramente acima das risadas, conversas e da música.
Danny não pôde deixar de sorrir de volta para ele, especialmente quando Mordegelo o envolveu em um abraço de um braço só.
— Estávamos preocupados que não viesse! — disse Mordegelo, exibindo um sorriso cheio de dentes.
— Bom, eu não sabia que isso estava acontecendo... — Ele deixou a frase morrer assim que o rosto de Mordegelo murchou.
— Ah, suponho que não saberia — murmurou o yeti. — Perdoe-me, Ó Grande, às vezes é difícil lembrar o quão jovem e novo você é.
— É, eu nem sabia que a Trégua existia até este ano — comentou Danny, sentindo-se bastante constrangido.
Mordegelo piscou.
— Este ano?
— Uhum — confirmou o garoto. — Quer dizer, eu sou meio-fantasma há mais tempo que isso! — O que Mordegelo já sabia. — Mas no ano passado eu não estava sabendo de nada, e estava meio distraído com caçadores de fantasmas e outras coisas do tipo.
— Lamento, então, que tenha perdido a Trégua no seu primeiro ano como fantasma. Talvez, se soubesse, poderíamos ter nos conhecido antes, ou você poderia ter encontrado mais amigos entre nós.
— A culpa não é sua — tranquilizou Danny, um pouco surpreso.
Mordegelo deu-lhe tapinhas na cabeça, o que era uma experiência bastante surreal, considerando que Danny podia sentar (e já tinha sentado) em uma das mãos do yeti. Danny fez uma careta e achatou o cabelo de volta no lugar.
— Mas se não sabia de nada, por que veio? — indagou Mordegelo.
— Eu recebi um convite — explicou Danny —, e queria ter certeza de que não era uma armadilha. — Ele tirou o cartão do bolso e o mostrou a Mordegelo, que piscou os olhos antes de começar a rir baixo.
Danny corou.
— Peço desculpas, Ó Grande, não tive a intenção de ofender — disse ele. — Este convite é, de fato, legítimo. Na verdade, o Kastelo Khione fica a apenas alguns quilômetros naquela direção, no topo do Monte Bóreas... — Mordegelo apontou. — Embora ele geralmente não seja visível nesta época do ano.
De fato, o céu da Zona Fantasma estava incomumente escuro naquele dia, e o horizonte — se é que se podia chamar assim naquelas ilhas flutuantes — estava ainda mais obscurecido por densas rajadas de neve. Ainda assim, Danny olhou. Ele não conseguia ver o castelo, mas tentou gravar a direção relativa na memória.
— E... é realmente só uma festa?
Mordegelo soltou um riso anasalado.
— Eu não diria só uma festa, mas, sim, é. Uma que acontece todos os anos, embora o local mude. No ano passado, nossa celebração conjunta foi realizada nas Terras Bloqueadas no Tempo. E outros reinos têm tradições diferentes, suas próprias maneiras de celebrar a data, presumindo que celebrem.
— Certo — aceitou Danny. — É bom saber. — Aquilo saiu muito mais... neutro do que ele planejava. — Quer dizer, eu adoraria ver mais sobre... tudo isso. E é muito bom não precisar lutar. É só que, hum. — Ele deu um sorriso fraco. — É um pouco confuso. Depois de tudo, sabe?
O rosto de Mordegelo podia ser difícil de decifrar às vezes, mas Danny achou ter detectado pena. Aquilo o deixou desconfortável.
— Eu preciso ir agora — avisou Mordegelo —, mas, por favor, Ó Grande, junte-se às danças. Todos ficarão felizes em lhe ensinar. Ficaremos honrados se ficar até a Despedida da Noite.
— Hum — hesitou Danny. — Quando vai ser isso? É que, bem, eu tenho que voltar para casa em breve. — Seus pais achavam que ele estava dormindo na cama.
Claro que, considerando que a Discussão ainda estava rolando solta e que era meio das férias de inverno, talvez eles nem notassem que ele tinha saído.
— Está tudo bem, Ó Grande?
— Não quero atrasar você — despistou Danny.
Mordegelo hesitou por mais um momento.
— Por favor, procure-me mais tarde, caso queira alguém com quem conversar.
Danny assentiu, e Mordegelo se afastou.
É isso aí, pensou Danny ao recostar-se contra uma das paredes de gelo. Lá estava ele, encenando o clássico “eu só conheço uma pessoa na festa”. Aquilo era muito... frio. Haha. Ele na verdade não estava com frio, mas... O gelo... é...
Certo, aquilo soou patético até mesmo dentro da sua própria cabeça. Ele precisava de material novo. Ou de uma pausa maior da Discussão.
Talvez seus pais não notassem se ele acampasse na Zona Fantasma até o Natal passar e a Discussão ter evoluído para a fase do gelo total. Poderia ser bem pacífico.
Contudo, ele se sentiria culpado por deixar Jazz para lidar com tudo aquilo sozinha. Será que ela poderia acampar na Zona Fantasma com ele? Não, isso provavelmente não seria nada saudável para um humano puro.
Ele tomou coragem para se juntar a uma das rodas de dança — uma que parecia ter passos mais simples —, e todo mundo se mostrou tão feliz e tão gentil em relação à sua total falta de coordenação que ele se arrependeu de não ter participado antes. Quando a música parou, ele estava corado (mas de um jeito gelado) e sem... não exatamente fôlego, mas o equivalente fantasma daquilo.
Era uma sensação estranha, porém não exatamente desagradável; não quando estava deslocada do contexto de lutar por sua vida, ou, bem... É. Lutar.
Quando a música cessou, todos se afastaram para as beiradas, fugindo das fogueiras, mas não foram embora. Danny os acompanhou, curioso. Mordegelo flutuou para o meio, um metro ou dois acima da altura média em que os outros fantasmas estavam. Assim que se posicionou, ele ergueu as mãos e começou a entoar um cântico. Os outros yetis acompanharam o coro, o som crescendo e recuando, transformando-se aos poucos em uma melodia simples. Lembrava uma canção de Natal, mas sem aquele tom excessivamente alegre. Parecia frio, calmo e cheio de expectativa. Sem cor, de alguma forma. Sombrio, mas sem ser ameaçador.
Ele cantarolou junto, tentando captar um padrão nas palavras. Não era em um idioma que ele conhecia.
Enquanto os fantasmas cantavam, as chamas das fogueiras se ergueram do chão e começaram a circular a multidão. Devagar no início, mas ganhando velocidade. Elas passaram a orbitar cada vez mais fechadas ao redor de um ponto acima da cabeça de Mordegelo. Mais rápido, mais rápido, mais perto, mais perto; a cada volta, ficavam mais brilhantes, até o momento em que Danny percebeu que não conseguia mais olhar diretamente para o fogo.
Quando a claridade se tornou quase insuportável, as chamas colidiram, fundindo-se brevemente antes de se dissolverem em milhares de faíscas que desapareceram no céu da Zona Fantasma.
O céu, Danny notou enquanto seus olhos voltavam a se ajustar, estava consideravelmente mais claro do que antes.
Aquilo, ele decidiu, tinha sido no mínimo interessante. Ele esfregou os olhos, que ainda apresentavam algumas manchas brancas de superexposição. Qualquer um pensaria que ser meio-fantasma resolveria esse problema em particular. Que pena.
Por um momento, Danny considerou aceitar a oferta de Mordegelo para conversar; a festa parecia mesmo ter acabado... mas ele realmente precisava voltar. Estava fora há horas. Jazz ficaria preocupada, ainda que seus pais já tivessem provado repetidas vezes que não notavam absolutamente nada enquanto estavam ocupados com a Discussão.
— Eu só estou dizendo que, se você quiser que eu fique para te fazer companhia, eu fico. Eu não preciso ir.
— Danny, não é como se você fosse convidado para festas pacíficas na Zona Fantasma todos os dias — retrucou Jazz. — Pode ser útil. Você poderia fazer amigos, ou talvez convencer alguns dos seus inimigos a recuarem... Além disso, pareceu que você queria ir.
Danny realmente queria ir. Mas ainda se sentia mal por deixar Jazz sozinha.
— Eu passo a maior parte desta semana na biblioteca de qualquer jeito — argumentou a irmã —, e normalmente você estaria passeando com o Tucker.
— Às vezes — ponderou Danny. Em outras, ele simplesmente se escondia. Ocasionalmente, ele sentia que estava invadindo o Kwanzaa da família Foley. Tucker não se importava, e seus pais levavam aquilo na maior naturalidade, mas Danny era extremamente branco, então às vezes a situação ficava meio embaraçosa. Sam tinha estendido um convite naquele ano, pelo menos.
Jazz colocou ambas as mãos nos ombros do irmão.
— Vá. Sério. Fique o dia todo. Eu te cubro. Eu acho que vai ser uma boa.
— Bom, se você acha... — murmurou Danny, livrando-se das mãos dela com um pouco de intangibilidade e revirando os olhos. — Certo, eu vou. Não coloquem fogo na casa enquanto eu estiver fora.
— Não acho que a mamãe e o papai vão colocar fogo em nada até voltarem a se falar.
Infelizmente, aquilo era verdade.
