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Xiao não entendia muito bem o conceito de estética. Até que um dia, Guizhong explicou:
— Tem a ver com beleza. — Ela começou, enquanto tinha nas mãos um Lírio de Vidro. — Mas beleza é algo muito relativo. Então, quando falo de estética, eu digo de usar seus sentidos para entender a beleza nas coisas.
O yaksha piscou, atentando-se a maneira como ela observava a flor em suas mãos. Em seguida, como ela tragava de seu aroma. Como seus dedos, delicadamente, passavam por suas pétalas. Guizhong voltou a olhar para Xiao quando baixou o Lírio de Vidro, colocando-o em seu colo, prosseguindo:
— Eu acho os Lírios de Vidro belos, porque gosto do seu aroma, da textura de suas pétalas sob os meus dedos, da maneira como seu azul reflete em meu olhar. — Ela sorriu conforme a realização se tornava mais evidente na expressão de Xiao. — Para você, o que é belo?
— Eu... — Xiao ponderou, franzindo o cenho, fazendo bico. — Não sei.
— Entendo. — Guizhong sorriu e, devagar, colocou o Lírio de Vidro junto das mechas de Xiao, apoiado junto com aquela que ficava atrás de sua orelha. — Mas não se sinta pressionado, meu querido. No momento certo, você vai achar o que lhe é belo. E então, você certamente entenderá o que é estética.
O yaksha fez um som baixo e grave, concordando e duvidando. Concordava com a sabedoria de Guizhong — duvidava, no entanto, que ele conseguisse entender de maneira tão intrínseca o que ela queria dizer.
Quando levou a questão aos outros yakshas, eles pareceram compreender muito melhor do que ele — o que fez Xiao erguer as sobrancelhas, curioso.
— Quero dizer, não é tão complicado. — Bosacius começou, cruzando dois dos braços, o terceiro apoiando em sua cintura e o quarto coçando seus cabelos. — Algo estético seria algo belo que desperta todos os seus sentidos? Ou boa parte deles.
— E o que seria belo pra você, nesse sentido? — Xiao questionou, cruzando ele mesmo os braços.
— Passarinhos! — Bosacius respondeu e Xiao fechou a expressão, desgostoso. — O quê? O que foi?
— Isso foi alguma indireta?
— Haha! Não! — O yaksha maior descruzou os braços, colocando um deles sobre os cabelos de Xiao e acariciando sua cabeça. — Por mais que você pareça mesmo um passarinho, Alatus.
O som que Xiao produziu com a garganta foi desgostoso de se ouvir, mas Bosacius não se importou, continuando a afagar os cabelos do colega até que ele se desvinculasse de suas mãos.
— E para você, o que seria belo? — Bosacius perguntou por fim e Xiao mudou totalmente a expressão, um olhar distante, duvidoso.
— Não sei. Estou procurando respostas — disse, não voltando a fitar o amigo.
Levou a questão também para Bonanus, Indarias e Menogias — e todos eles tiveram respostas muito parecidas com a de Bosacius. Menogias, sorrindo de forma maliciosa, comentou à Xiao:
— Talvez sua dúvida seja porque lhe falta paixão.
— Paixão? — Ele questionou de olhos arregalados. — O que você quer dizer com paixão?
— Você sabe o que eu quero dizer com paixão~! — Ela piscou e Xiao revirou os olhos, desgostoso. — Veja as coisas com menos obrigação, meu querido Alatus. Isso pode te ajudar a enxergar o seu belo.
A expressão de Xiao só poderia ser descrita como uma carranca — o que fez Menogias rir histericamente, dizendo que daquele modo, ele com ou sem a máscara não faria diferença.
Também foi questionar à Serva das Nuvens, ao Moldador de Montanhas e ao Escultor da Lua — só para terminar exatamente no mesmo lugar que começou. Esperançoso, pensou que Ganyu pudesse ter uma resposta diferente, mas ela parecia estar tão alheia quanto ele.
— Quero dizer... — A qilin começou, colocando a mão sobre o queixo, pensativa. — Muitas coisas despertam muitos sentidos. Eu posso dizer que acho flores de Qingxin belas, assim como eu acho os Lírios de Vidro e as Flores de Seda... — Ela fez uma expressão desgostosa por um momento, parecendo se lembrar de algo. — Mas, hm, não sei se posso dizer o mesmo de Javalis selvagens, por exemplo...
— Javalis...? — Xiao percebeu como a qilin parecia torcer mais a expressão conforme mentalizava a imagem e resolveu não curiar além disso. — Eu... ainda não consigo entender.
— Ah, desculpe... Não sei se posso lhe ajudar mais do que isso.
Xiao anuiu para ela, se retirando. Talvez tivesse importunando-a demais — e ele definitivamente não gostava dessa sensação.
Existia ainda mais uma pessoa a quem Xiao poderia recorrer: o próprio Rex Lapis. Contudo, ao lado do seu Arconte, ele sentia que sua dúvida era pífia e sem sentido.
— Rex Lapis, senhor... — Xiao começou, percebendo como ele começou a prestar atenção no mesmo instante. — O que você entende por estética e... beleza?
— Oh. — Rex Lapis pareceu ponderar, colocando a mão sobre o queixo, jogando um pouco a coluna para trás e endireitando sua postura. — Isso é muito variante. Guizhong lhe explicou o que é estética? — Xiao anuiu, relutante. Rex Lapis pareceu entender a dúvida e o receio do yaksha. — Entendo. Talvez seja o momento de você ponderar consigo mesmo sobre o assunto. Eu não posso contribuir muito mais do que o que ela já lhe contou.
— Eu... suspeitei... — Xiao suspirou, os ombros abaixando-se, desistente. — Eu sinto muito por importuná-lo.
— Não é um importuno. Essa dúvida também me surgiu quando ela primeiro comentou. — Rex Lapis prosseguiu, olhando o céu, sorrindo. — Eu demorei um bocado de tempo até que pudesse dar uma resposta a ela. Mas admito que foi uma sensação muito agradável quando eu entendi.
— Senhor...? — Xiao piscou enquanto observava seu Arconte, o olhar longínquo, a expressão serena, como se a memória da descoberta fosse algo muito precioso. Como se a revivesse naquele exato instante. — Hm. — O yaksha baixou o rosto, temeroso de invadir um momento pessoal de Rex Lapis.
— Dê tempo ao tempo, Xiao. Você irá descobrir a sua beleza e a sua estética. — Foram as palavras finais do Arconte de Geo. O yaksha anuiu, esperançoso nas palavras de seu deus.
Por um tempo, ele havia deixado aquela dúvida de lado — quando demônios começaram a surgir, dia após dia, mantendo ele e seus companheiros ocupados, não havia muito tempo o que pensar sobre, nem como enxergar beleza em tamanha destruição.
A trégua voltou a eles algum tempo depois — e com esses raros, pequenos, momentos de paz, Xiao voltara a pensar sobre a questão da estética e da beleza. Novamente, não conseguia chegar à conclusão nenhuma sobre o assunto, tendo esgotado também todos aqueles quem poderiam ajudar.
Foi quando aquele momento aconteceu.
Resolveu fazer uma patrulha, como era seu costume de tempos em tempos — demônios poderiam despertar em absolutamente qualquer lugar, sem nenhum aviso e, antes antecipar do que deixar o mal acontecer primeiro.
Parou em cima de uma rocha não muito alta, aproveitando da pequena brisa que havia começado a soprar para recobrar seu fôlego — até que uma doce melodia chegou aos seus ouvidos.
Era branda, delicada, um convite para um cochilo tranquilo. Ele procurou a origem do som e o que apareceu diante de seus olhos era inexplicável.
Atravessando um campo coberto de flores estava uma figura de branco, asas grandes, maravilhosas adornando suas costas. Segurava uma flauta e, dali, Xiao reconheceu a melodia que o chamava — como se ele fosse um pássaro atraído pelo canto do seu semelhante.
Ele deu um passo para dentro do campo florido, onde a figura parecia se misturar perfeitamente com a paisagem que a cercava. Xiao caminhou lentamente, a brisa passeando por entre as flores, entre as penas brancas das asas maravilhosas, fazendo-as dançarem em sincronia.
Quando estava mais perto, seus passos alertaram a figura — e ela o olhou, íris verde-esmeralda encontrando as suas amarela-topázio com uma intensidade assombrosa. E Xiao sentiu-se consumir por aquele intenso verde, a maneira como o olhar era curioso em sua direção, receptivo.
Ficou onde estava, imobilizado, observando. Quem estava a sua frente havia parado com a música, sorrindo para ele, compreensivo — apesar de não parecer entender o que havia encantado tanto o yaksha a ponto de ele estar daquele modo.
Foram longos momentos onde Xiao se perguntava como agir, o que fazer, qualquer coisa. A figura ainda ficou observando-o, um carinho muito presente em seu olhar, até que outra brisa soprou entre eles e Xiao pode ouvir, quase um murmúrio, mas que encheu seus ouvidos como a melodia que primeiro chamou sua atenção:
— Ah, eu preciso ir, que pena.
E, da mesma forma que as palavras chegaram até ele, a figura desapareceu com o vento. Xiao piscou ainda mais forte, esfregando os olhos, se perguntando se aquilo foi real mesmo. Ficou um tempo no campo de flores, anestesiado, até lembrar-se que ele estava em patrulha e precisava voltar para ela.
Porém, quando retornara às planícies de Guili naquele dia, todos haviam percebido que ele estava diferente — só não sabiam apontar o que era exatamente.
Por dias, Xiao reviveu aquela memória, se perguntando se não havia sido um sonho, um delírio ou algo parecido. A sensação ainda estava presente, o som parecia se repetir em seus ouvidos, os olhos ainda pareciam se encher quando imaginava a figura no meio do mar de flores que a cercava.
Resolveu voltar àquele lugar outra vez e, para a sua surpresa, ela estava lá: sentada do mesmo jeito, tocando outra melodia que parecia clamar pela presença de Xiao. Quando percebeu sua presença, a figura parou a música e o observou de novo.
— Oi outra vez. — O sorriso dela era encantador. — Vamos, chegue mais perto. Sente-se aqui. — Ela apontou para o seu lado e, relutante, Xiao fez como foi-lhe oferecido.
De perto, seus olhos eram ainda mais belos — Xiao conseguia se perder na intensidade do verde do mesmo modo que conseguia se perder naquele mar de flores que o cercavam. E, agora, ele conseguia sentir uma fragrância doce forte e inebriante — como as flores, mas essas flores ele nunca havia visto em Liyue.
— Esse cheiro... — A deidade à sua frente sorriu, sem graça. — São flores?
— Cecilias — respondeu, baixando o capuz que cobria seu rosto. Xiao reparou em cada um dos seus traços, da volta do maxilar, a maneira como seus cílios adornavam o verde dos seus olhos, como as tranças estavam ajeitadas em seus cabelos, o sorriso reluzente com a curiosidade do yaksha. — Fico feliz que reparou no cheiro delas em meio a tantas outras flores.
— É inebriante — comentou, retendo-se no mesmo instante. Talvez tivesse falado demais. — Oh, digo–! — A deidade riu, colocando a mão sobre os lábios para abafar o som e Xiao corou, sem graça.
Qual impressão ele daria de Liyue a um visitante se falasse daquele modo? Por Rex Lapis!
— Você é adorável. — A deidade comentou e o rubor no rosto de Xiao somente se intensificou, chegando até suas orelhas. — Não fique assim! Eu percebi que você gosta de música. Quer que eu continue tocando a flauta para você?
— Ah... — Xiao se encolheu, mordendo o lábio. — Eu...
— Tudo bem, tudo bem. — Ela reafirmou, voltando com a flauta para perto dos lábios. — Seja minha companhia, por favor.
E ela voltou a tocar, uma brisa gostosa soprando entre eles, fazendo a fragrância das flores ao redor subir, misturar-se com a da deidade à sua frente, uma mistura de cheiros doces acolhedora. A melodia era como uma cantiga aos seus ouvidos, mas Xiao não queria fechar os olhos, pois a imagem das asas brancas, abrindo-se mais conforme os tons mudavam, enchiam demais a sua visão para ele simplesmente ignorar.
O yaksha não precisou quanto tempo ele ficou na companhia daquela deidade, acalentado pelo som da flauta, agraciado por sua figura, inebriado pelo cheiro das flores — ainda assim, ele ficou triste quando ela anunciou sua partida, sumindo outra vez em uma rajada de vento.
Xiao voltou àquele campo para encontrar a deidade outra vez, em outro momento. E voltou de novo. E de novo, e de novo, e de novo. Os outros adepti já estavam cientes de que ele tinha um hábito, seus outros colegas yakshas também — até mesmo Rex Lapis suspeitava disso, ainda que não curiasse mais do que o necessário.
A cada vez que retornava ao mar de flores e à companhia daquela deidade, Xiao ficava mais e mais encantado, mais e mais perdido. Não percebeu como sentava-se cada vez mais perto dela — ao ponto de não mais distinguir o cheiro das flores ao redor e das cecilias que adornavam todo o corpo daquela figura. Não percebeu quando o som da flauta deixou de ser o seu favorito para ser o som da voz dela.
Ele percebeu, no entanto, o momento em que seus narizes se roçaram — como os olhos verdes estavam perto, perto, quase palpáveis, passíveis de serem mergulhados.
A figura piscou, o rubor presente em suas bochechas redondinhas e delicadas. Xiao não estava diferente, sentindo como seu rosto esquentava — e como as cecilias eram doces em seu olfato, quase intoxicantes.
— Se... você quer tanto... — A figura começou, o brilho em seu olhar faiscando com um sentimento doce e provocativo. — Tome o que é seu.
Xiao não hesitou e, sem outro anúncio, selou a distância que existia entre os lábios dele e o da figura que tanto admirava — só para ser agraciado com a maciez de sua boca, um arrepio correndo por toda a suas costas.
Ele moveu os lábios sobre os do outro, relutante naquele primeiro toque — só para ser correspondido, as bocas deslizando uma sobre a outra, o toque delicado, o som do estalar delas quando se afastavam um pouquinho e depois grudavam outra vez.
Quando havia descoberto espaço, Xiao deslizou a língua para dentro da boca do outro, encontrando com a dele — e um gosto agridoce invadiu todo o seu paladar, intensificando o arrepio em suas costas, sentindo como ele subia para a sua nuca.
Nuca essa que foi agraciada pelos dedos macios, finos e delicados da deidade, enquanto ela acariciava seus cabelos, carinhosa, serena, incentivando o toque deles. Xiao não se conteve e levou as mãos à cintura do outro, não conseguindo sentir do toque da sua pele pelas luvas grossas, mas memorizando perfeitamente como a curva dela se moldava aos seus dedos, como o calor do seu corpo passava pelo tecido, tentador.
O gosto agridoce se misturou ao doce das cecilias, ao calor do corpo próximo ao seu, ao toque sereno e macio dos dedos, ao som da voz que chegava aos seus ouvidos pelos pequenos gemidos que escapavam entre o beijo.
E, de repente, Xiao teve a resposta que procurava.
Pararam o toque lentamente, ambos puxando o ar com força, enchendo os pulmões com dificuldade — Xiao não imaginava que alguém poderia ter esse efeito nele. Percebeu como a deidade à sua frente piscava, tão desnorteada quanto.
— O gosto agridoce... — O yaksha perguntou, encostando as duas testas, agraciado com a risada baixinha do outro. — O que é?
— Vinho de Dente-de-Leão. — A deidade riu mais aberto, enfiando mais os dedos pelos cabelos do yaksha, tirando todos os fios do lugar. — Talvez você gostasse.
— Hm, talvez. Não gosto de bebidas humanas. — Ele ponderou, adorando a carícia, perdendo-se nela. — Eu... nunca perguntei seu nome.
— Oh. — A deidade piscou, acariciando o nariz com o de Xiao. E, pelos arcontes, ele estava tão perdido naqueles toques. — Barbatos, esse é meu nome. O seu...?
— Xiao — respondeu, inclinando o corpo para mais perto de Barbatos, como se fosse atraído para ele. — Apesar de alguns ainda me chamarem de Alatus.
— Entendi, você não gosta que te chamem de Alatus, então? — Percebeu como Barbatos oferecia o ombro e Xiao só deixou-se levar, deitando sobre ele, sentindo como os dedos acariciavam o seu rosto agora. E era uma sensação maravilhosa. — Tudo bem, eu só te chamarei de Xiao, então.
— Hmmm...
Ficaram daquele jeito, Xiao não soube dizer quanto tempo — aquele campo de flores parecia outro tempo, ainda que ele soubesse que era um lugar como qualquer outro, por já ter passado outras vezes ali sem a presença de ninguém. Mas Barbatos parecia livrá-lo do tempo quando estava presente.
Infelizmente, como todas as vezes, ele precisava partir — e Xiao pensava, todas as vezes, porque ele precisava partir.
— Eu voltarei, pode ficar sossegado. — E, com um beijo em sua testa e o carinho do vento, Barbatos desapareceu, deixando um Xiao triste por sua partida, ansioso por seu retorno.
O yaksha ainda ficou um longo, longo tempo no campo de flores, sentindo da sua fragrância, ponderando, sonhando. Deitou-se sobre a relva e as flores e ficou até quase o anoitecer — quando precisou voltar para as planícies de Guili.
E, ao retornar, enquanto passava pelos corredores do castelo, ele percebeu Guizhong admirando os lírios de Vidro sob a luz do luar, aproximando-se dela.
— Oh, bem-vindo, Xiao. — Ela o cumprimentou, sorrindo serena. — Como foi sua patrulha?
— Foi... boa. — O yaksha comentou, sentindo as bochechas corarem ao se lembrar de Barbatos e todas as sensações de mais cedo.
E, obviamente, isso não passou despercebido por Guizhong.
— Aconteceu algo, Xiao? — perguntou, curiosa, assistindo como o yaksha relutava em fitá-la, preferindo olhar as flores, o céu ou mesmo seus próprios pés. — Vamos, não precisa ter medo de nada. Não vou julgar o que você me falar.
— Você se lembra que, há um tempo, me perguntou o que eu considerava belo, não é? — Guizhong anuiu, interessada. — Eu... descobri o que eu acho belo. E... eu acho que entendi o que você quis dizer com estética, agora.
Os olhos de Guizhong estavam arregalados — pela surpresa, mas também pela felicidade em ver que o yaksha havia encontrado a resposta para o que procurava. Ela sorriu serena, reafirmando:
— Eu fico feliz, Xiao.
Obviamente, por mais discreta que Guizhong fosse, era inevitável que essa “novidade” se espalhasse entre os outros adepti — especialmente os outros yaksha. E Xiao pareceu não encontrar fim para a maneira como seus colegas o atormentavam, querendo saber o que era a beleza que ele havia finalmente encontrado.
O segredo, no entanto, se manteve, até o momento em que estavam reunidos todos os yaksha, Guizhong e o próprio Rex Lapis — que estava alheio à situação até o momento em que percebeu as brincadeiras com Xiao. Curioso, ele indagou:
— Para você, o que é belo, Xiao?
Ele arregalou os olhos na direção do seu arconte, piscando, sentindo a garganta secar e o rosto corar de levinho. Seus colegas arregalaram os olhos para a sua reação, silenciosos enquanto o observavam. Ele esperou um momento e, ainda que estivesse relutante, ele respondeu a Rex Lapis, um murmúrio com o vento:
— Barbatos.
A reação de Rex Lapis talvez fosse mais inusitada do que a de qualquer um ali, pois ele riu de maneira intensa, colocando a mão sobre os lábios para abafar o som. Xiao sentiu o rubor dominar até a sua testa e, revoltada com a situação, Guizhong advertiu:
— Morax! Por favor, menos! Mas que coisa. — Ela colocou as mãos na cintura, incrédula. Rex Lapis se recompôs, esfregando os olhos com os dedos, ressalvando:
— Perdão, eu só lembrei de uma coisa, mas não é nada que devam se preocupar. — Ele virou-se para Xiao e o yaksha poderia jurar que nunca viu um sorriso tão sincero e belo no rosto do seu arconte até aquele momento. — Eu fico feliz por você ter encontrado o que é belo para você, Xiao. E espero que cuide bem disso.
— Hmm-hmmm... — Xiao apertou os olhos, a ponta das orelhas queimando. — Cuidarei, senhor. O máximo que eu puder.
— Você é um pervertido! — Morax acusou falsamente o Arconte de Anemo, assistindo como suas íris se arregalavam, assustadas.
— Perdão? — Barbatos colocou as mãos na cintura, fazendo bico, descrente. — Posso saber o motivo da ofensa de graça, agora?
— Você roubou descaradamente o coração de um dos meus yakshas. — Ele assistiu como o rosto do Arconte de Anemo ficava vermelho, a maneira como a ponta das tranças brilhava, como ele balançava as asas, deixando algumas penas caírem. — E, pelo visto, ele roubou o seu também.
— Hmm... — Barbatos acomodou suas asas de forma a envolverem seu corpo, mordendo o lábio. — Eu... nós... Eu não sabia que...
— Tudo bem. Contanto que os dois estejam de acordo, o que parece ser o caso... — Morax riu outra vez, deixando Barbatos ainda mais sem graça. — Eu não vejo problema.
— Eu não pude fazer muita coisa, na verdade. Quando eu percebi, ele já estava me observando. E... ele tem um olhar muito carinhoso. — Barbatos comentou, fechando os olhos, lembrando-se de todos os encontros com Xiao no campo de flores. — Eu acho que me apaixonei antes dele, se eu fosse confessar.
— Hmmm... Você quer saber o que você significa para ele?
Barbatos olhou Morax, uma dúvida pontual em suas íris — e o silêncio da expectativa entre eles. O Arconte de Anemo ponderou por um longo instante, até fechar os olhos, sorrir e responder:
— Não. Prefiro que ele mesmo me conte.
Enquanto me beija, no meio das flores, ao som das cantigas do vento.
