Work Text:
Me solta! — Gritava Kurapika, carregando o ódio em sua voz. Ele tentava desamarrar suas mãos, mas o esforço era em vão e ele apenas se machucava mais.
— O que você vai fazer para me torturar, hein? Ou você se esqueceu que a minha família já está morta? Eu não tenho ninguém, todos se foram. — Ele continua.
— Eu não teria tanta certeza. — Diz Nobunaga, com as mãos em seu queixo, o obrigando a olhar para o lado. Seus olhos encontram a sua Lua, o seu céu. Ele não poderia acreditar no que estava vendo. A gravata frouxa e a blusa manchada com seu sangue já diziam tudo. Seus olhos não puderam evitar encher de lágrimas, brilhando num escarlate doloroso e derramando tudo o que lhe restava por dentro.
— Oh Deus, é você. — Ele disse. Nobunaga agarra seu queixo novamente e com um sorriso mal intencionado no rosto diz:
— Está vendo? Eu avisei.
— Kurapika... Está tudo bem. — Leorio diz, o que faz o coração de Kurapika pular uma batida ao ouvir uma voz tão fraca.
— Por favor, ele não... Eu darei o que você quiser.
— Não, Kurapika. Eu quero que você viva.
— Você é tudo o que eu tenho.
— Esse é o ponto. O que eu quero é a sua dor, que você pague por todo o sangue que derramou. Seu Kurta maldito. Você tem um sangue podre.
— Ei, meu Sol? — Kurapika ouve a doce voz de seu amor o chamando pelo apelido que ele tanto gostava. Leorio teria o dado em relação a seu cabelo amarelo e seu coração puro. Ele teria iluminado seus dias mais escuros, e se sentia eternamente grato por isso. É uma pena que tudo isso tenha que acabar e a Lua terá que se despedir do Sol pela última vez. Continua, Leorio:
— Eu te amo, está bem? Nunca se esqueça.
Kurapika balançava a cabeça e se negava a acreditar que aquilo estaria acontecendo. O que seria do seu céu sem sua parte favorita? Ele não saberia lidar, e não se importava mais com as lágrimas caindo.
— Me desculpe, Leorio. Eu te amo, Lua.
— Faça seu trabalho, Feitan.
E assim, as batidas do coração de Leorio vão parando pouco a pouco. A dor no peito de Kurapika aumentava cada vez mais. E foi naquele momento que ele percebeu: nunca mais sentiria seu cheiro, ou teria a sua mão para o aquecer. Deitara no seu peito uma última vez e não fazia ideia de que era, de fato, a última. A lua não brilha mais, e o céu não é mais azul.
