Work Text:
Baunilha . Esse não era um sabor que ele gostasse, era doce demais para seu paladar geralmente acostumado com o sabor amargo de bebidas puramente fortes, mas admitia que o cheiro fosse agradável a seu olfato apurado. Não soube exatamente quando começara a apreciar o perfume distinto da planta delicada, no entanto tinha ciência de quem o estava, sem intenção, o viciando em tal aroma.
E mais de uma vez a suas sutis e quase imperceptíveis mudanças fora ela quem causara. Aquela que um dia, de um longínquo reino vizinho cercado por neve frigida chegara visitara sua pátria, ela que foi com a simples missão de proteger de qualquer ameaça que viesse a aparecer, seu soberano que fora tratar de assuntos políticos com seu rei. Ela que em apenas dois insignificantes dias conseguiu virar a vida dele, Grimmjow Jaegerjaquez, de cabeça para baixo a procura de seu toque outrora gentil e caloroso – o que seria considerado inesperado de alguém como ela que possuía a patente de general. Foi ela que uma vez o embriagou com seu decadente perfume natural, e uma vez que ele experimentou tornou-se um alcoólatra irremediável. Baunilha era o aroma que seus longos cabelos ruivos exalavam.
E depois de tanto tempo, que se atreveu a aparentar ser uma eternidade, em abstinência de sua presença calorosa, lá estavam ambos novamente se encontrando secretamente, escondidos agora nos aposentos dela em meio à noite gelada daquela terra de notável beleza congelada, fria e álgida, tão em contraste com o que ela era e parecia representar. Calorosa como o sol do fim da tarde.
Deitados abaixo dos grossos lençóis rubros e índigo repleto de complicados bordados florais da cama pertencente a ela, pode finalmente abraça-la fortemente, pressionar-se contra o corpo repleto de curvas sedutoras e fascinantes, enterrar seu rosto no delicado pescoço alvo que possuía pequenas sardas salpicadas pela tez macia suavemente rosada juntamente de uma pequena cicatriz já antiga e respirar profundamente seu perfume. Após longos anos esperando, desejando, finalmente pode embriagar-se nela e quem ela era.
E foi isso que fizera durante aquela madrugada, ao som de uma violenta ventania acompanha de uma branca neve frigida que reinava no mundo fora do quarto, sem pudor algum ele se afundou na fragrância doce que a mulher ruiva espalhava. Ouvindo o sopro melódico dos baixos gemidos da mesma que correspondia a seus toques firmes com paixão e em igualada intensidade. Afogar-se-ia em sua presença e essência marcante o máximo que pudera durante essa noite, beberia aquele bálsamo com fervor, pois logo antes que o sol se levante no horizonte inevitavelmente sua partida para longe daquele cômodo era esperada.
Antes de partir para outra manhã enfadonha e repleta de deveres que seria o dia seguinte, aproveitaria a pequena sensação de liberdade e perigo noturno com leve toque de baunilha que a ruiva lhe proporcionava timidamente.
“Baunilha...” talvez essa inofensiva flor delicada de olência doce e atrativa seja como uma arma mortal, para aquela que agora faz sua decadência vagarosamente sem nem mesmo perceber.
