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Somente Nós

Summary:

Continuação de Se Eu Pudesse Te Dizer

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

O sol já raiava há muitas horas, era por volta de meio dia de uma manhã de domingo. Dois corpos entrelaçados se encontravam jogados sobre a cama. Não tiveram sequer disposição de tirar seus uniformes antes de deitarem, dormir usando aquilo era muito desconfortável. Aquele era um quarto de pintura acinzentada, havia a janela que dava para a rua, uma cama grande o suficiente para os dois e um guarda roupa um pouco antigo. Parker pensou em voltar a dormir, mas o cheiro de seu suor o impediu de fazer isso. Era uma manhã quente, daquelas que mesmo que eles não tivessem trabalhado na noite anterior, ainda sim acordariam suados. Ao invés de voltar para a cama, resolveu ir tomar banho. Antes de entrar no chuveiro, Peter decidiu tirar o uniforme de Wilson para que ele dormisse de maneira mais confortável. Assim que o fez, deu um singelo beijo na testa de Wade e subiu o cobertor até os ombros do namorado. Precisavam lavar os uniformes com urgência.

Pegou uma toalha qualquer e entrou no banheiro arrastando os pés com uma certa preguiça. Daí, finalmente, ligou o registro do chuveiro e sentiu a água fria cair em seu rosto, deixou as gotinhas se espalharem pelo cabelo e escorrerem por todo o corpo. Era relaxante, muito relaxante. Pegou o shampoo e começou a lavar o cabelo. Logo notou a presença de mais alguém naquele cômodo.

- Eu quero uma banheira. - disse Wade manhoso, fazendo bico. Estava de pantufa, samba canção e enrolado com o lençol até a cabeça.

- E onde a gente vai colocar? Seu banheiro mal cabe a privada. - respondeu Peter ainda lavando seu cabelo.

Wade estalou a língua e fechou a cara.

- Me deixa lavar esse seu cabelinho seboso. - Wade disse, mudando de humor rapidamente e colocando um belo sorriso no rosto. Jogou o lençol no chão e tirou as pantufas, então entrou debaixo do chuveiro para lavar o cabelo do namorado.

- Ah, não! Na última vez que você lavou meu cabelo quase me deixou cego com o shampoo. - reclamou.

- Prometo que não vai se repetir.

O banho continuou com Wilson lavando o cabelo de Parker e passando condicionador também. Conversaram trivialidades sobre o dia a dia, nada sobre o trabalho. Era o acordo entre eles, quando estavam sem os uniformes eram apenas um casal comum, Peter e Wade, não Homem Aranha e Deadpool.

- MJ chamou a gente para jantar amanhã, ela disse que está com saudades.

- Sério? Onde?

- Bom, eu achei que seria melhor na minha casa, já que a casa dela tá em reforma.

- Entendi. - respondeu Wade.

Wilson sabia que a melhor opção realmente era na casa de Peter, ou melhor, da tia May. Era grande, tinha louças bonitas e uma mesa de jantar com seis lugares. Coisa que o apartamento meia boca de Wade não chegava nem perto. Deve ser por isso que Peter nunca quis morar junto com ele, quem trocaria uma casa enorme e num bairro legal por um apartamento mofado no meio da barulhenta cidade? Já queria se mudar há algum tempo, mas não queria se mudar sozinho. Se fosse para fazer alguma mudança queria que fosse com Peter.

- Wade? Você tá me ouvindo? - resmungou Peter.

- Ah, desculpa! Eu tava pensando em... Coisas.

Peter estava se secando e estendeu uma toalha para Wade. Estavam juntos há meses e o mais novo sabia exatamente quando o namorado estava colocando minhocas na sua cabeça. Parker suspirou e enrolou Wilson na toalha.

- O que foi? - perguntou o jornalista.

- Nada. Por que seria alguma coisa? - falou Wade, completamente na defensiva.

Peter sorriu, puxou Wade pelos ombros e deu-lhe um beijo na testa.

- Quando precisar falar sobre o que te incomoda, me avisa. - disse Peter. Saiu do banheiro e foi para o quarto se trocar.

Parker sabia que Wade tinha algumas crises relacionadas a sua autoestima, medo do abandono e milhões de outros problemas. Sabia que precisava dar espaço para o namorado lidar com suas próprias questões, mesmo que também já tivesse convencido Wilson a começar a terapia que era oferecida dentro da S.H.I.E.L.D.

- Ei, Petey! Eu queria morar com você.

Peter, que foi pego completamente desprevenido, quase caiu no chão tentando colocar a calça. Wade riu da situação e se deitou na cama, estava com a toalha enrolada no pescoço e uma outra samba canção, já que a outra tinha molhado. Peter terminou de vestir a calça e deitou também. Estavam lado a lado, ombro no ombro. As costas das mãos se tocavam levemente e esse toque já era o suficiente para afastar de Wade qualquer pensamento destrutivo. O mais alto aos poucos aproximava sua mão da mão do namorado. Primeiro entrelaçaram os mindinhos e lentamente os dedos ficaram completamente grudados. Wilson virou para olhar o rosto de Parker e se surpreendeu ao ver que ele já estava com o rosto virado, ficando a míseros centímetros de distância do rosto um do outro.

- Foi sobre jantar com a Mary Jane? - perguntou Peter.

Wade negou com a cabeça, virou o corpo de lado e levou a mão livre até o rosto do namorado, fazendo carinho na bochecha.

- Eu moro nesse buraco e você mora numa casa linda. Tem dois andares, um jardim bonito e uma vizinhança firmeza.

Wade deu mais alguns motivos, alguns soavam idiota como "aqui tem muito pombo", mas para ele aquilo realmente era uma razão plausível para a rejeição. Peter ouviu atentamente cada palavra, absorveu cada uma delas e quando Wilson terminou de falar o jornalista ergueu o tronco e olhou para o namorado. Seu olhar era calmo e compreensivo.

- Eu quero morar com você. - disse Peter rapidamente, quase sem pensar. Se tivesse pensando um pouco talvez não respondesse com tamanha certeza.

Wade sorriu, levou as duas mãos ao rosto de Peter e puxou para perto de si. Inicialmente, roçaram de leve os narizes e Wilson deu um beijo no canto da boca do namorado. Quando seus lábios finalmente se tocaram, as dúvidas do ex mercenário sumiram. Parker se colocou em cima do namorado com um joelho de cada lado do corpo dele para manter o equilíbrio. As mãos do jornalista começaram a passear pelo corpo sarado e cheio de cicatrizes do namorado, indo da barriga e dedilhando até o pescoço. Wade também desceu suas mãos pelo corpo do outro, apreciando cada detalhe. A clavícula bem marcada, o peitoral definido, a cicatriz da mastectomia e os pelinhos na barriga. Amava cada detalhe e ali, naquele momento, tinha a certeza que era igualmente amado. Wilson entrelaçou os dedos nos fios de cabelo castanho do namorado e aproximou sua boca do pescoço de Peter, deixando selinhos ali. Seus corpos estavam quentes e ao mesmo tempo arrepiados, as mãos suadas e os corações acelarados, iriam continuar com aquilo se não tivessem ouvido ao fundo um toque de celular. Peter se soltou aos poucos dos braços do outro e, bem relutante, esticou o braço para pegar o celular do namorado na mesinha de cabeceira. No visor estava escrito "Tia May", estranhou mas entregou o celular ao devido dono.

- O que ela quer comigo? - perguntou Wilson e rapidamente atendeu, colocando no viva-voz. - Alô? Tia May, tá tudo bem?

- Olá, querido! - ele ouviu a voz da mulher do outro lado da linha. - Te liguei porque estou há horas tentando falar com Peter e ele não me atende.

Parker começou a procurar pelo quarto o seu próprio celular, o encontrou jogado embaixo da cama e totalmente desligado. Apontou para a tela desligada e Wade entendeu o recado.

- O celular dele tá sem bateria e a gente nem percebeu. Desculpa!

- Tudo bem, Wade! Fica tranquilo. Só avisa pro Peter que eu vou sair hoje.

- De novo? Tia May, você por acaso tá ficando com alguém? - perguntou Wade, provocando.

Parker arregalou os olhos e riu. A mulher do outro lado da linha ficou em silêncio por alguns segundos.

- Ora, querido! Você acha que só os jovens podem se divertir?!

Os dois namorados gargalharam alto e a senhora deu um riso baixo.

- Tenham uma boa tarde, meus queridos. - ela se despediu e fez barulho de beijinhos.

- Se cuida! Nada de voltar tarde, mocinha. - falou Wade.

- Tchau, tia May! - gritou Peter ao fundo. Estava colocando o celular pra carregar.

Wilson se encostou na cabeceira da cama para se sentar confortavelmente. Olhava Peter em pé, ao lado da cama, respondendo todas as mensagens que a tia havia mandado.

- Eu vou comprar uma casa enorme, legal pra gente trazer muitas visitas. - disse Wade com determinação.

Peter olhou para ele, bloqueou o celular e se sentou ao lado do namorado.

- Você sabe que não precisa tentar me convencer a ficar, né? Também não precisa ter medo de não ser o bastante, você é mais que suficiente.

Parker segurou a mão direita de Wilson, fazendo carinho com o polegar e encostou a sua cabeça no ombro dele.

- Só queria ser capaz de conseguir te ajudar a silenciar as vozes da sua cabeça. Eu consigo segurar um ônibus, salvar dezenas de pessoas, mas você. Eu não posso ajudar você.

Algumas lágrimas começaram a escapar, Peter tentou secar o mais rápido possível, mas Wade percebeu e levantou a cabeça dele. Colocou o rosto do jornalista em suas mãos e secou as lágrimas com o polegar.

- Sabe, eu nunca achei que alguém tão incrível quanto você fosse me querer.

Peter ia protestar, dizer para Wade parar de se autodepreciar, mas o rapaz continuou falando.

- Mas a partir de hoje eu vou te dar um milhão de motivos para nunca me deixar. - Wade disse, aproximando seus rostos.

- Eu nunca deixaria. - Peter sussurrou.

Juntaram suas testas, aproveitaram o momento para sentirem suas respirações pesadas.

- Eu sei que você me ama e isso me assusta, porque eu te quis por tanto tempo e agora estamos juntos. Pra mim, você também é muito mais que suficiente. - continuou Wilson.

Parker puxou Wade para um abraço, ambos encostando suas cabeças nos ombros um dos outro e ficaram assim por algum tempo. No relógio não se passou muito tempo, mas para os dois o resto do mundo desapareceu. Wade deu uma fungada e secou algumas lágrimas que tinham escorrido.

- Se eu chorar mais um pouquinho, meus olhos vão ficar inchados e eu vou ficar feio. - disse Wade, arrancando uma risada do namorado.

- Pra você ficar feio ia precisar muito mais que isso. - respondeu Peter.

Parker desfez o abraço e olhou para Wade. O namorado, por sua vez, sorriu e apertou o nariz dele.

- Os seus olhos ficaram inchados e o seu narizinho ficou vermelho. Vou te chamar de Rudolph agora. - disse Wilson.

- A rena do nariz vermelho, né?

Wade assentiu sorrindo, pegou seu celular e digitou algo ali. Em seguida, virou a tela para Peter, no contato dele agora estava escrito "Rudolph" e um emoji de rena ao lado. Parker começou a rir descontroladamente e Wilson também. Aos poucos os ânimos se acalmaram, Peter levantou da cama para conferir se tinha alguma mensagem da sua tia e Wade também pegou seu celular para ver mensagens, mas acabou indo parar no Twitter e se perdendo por lá. Quando já tinha terminado de responder todos que precisava, o jornalista decidiu ir ao mercado.

- Preciso comprar algumas coisas pra amanhã, volto logo. - disse Peter.

Wade concordou com a cabeça e continuou rolando seu feed, vez ou outra curtindo um post sobre séries ou fofocas a respeito de seus colegas de trabalho.

Parker vestiu uma camiseta qualquer que certamente não era sua, deu um beijo no namorado e saiu para o mercado. No caminho, foi colocando seus pensamentos sobre tudo que haviam conversado em ordem. Ele realmente queria morar com Wilson, sentia que isso seria o melhor para eles. Mas ainda sim, tinha algo que perturbava muito o rapaz. A sua tia. Ela ficaria bem sozinha? Será que ela conseguiria se virar sem ele? Peter estava muito apreensivo, quase pegou um tomate ruim de tão aéreo que estava. Na volta para casa de Wade, foi em passos curtos e lentos, não queria ter essa conversa.

Aproveitou o caminho para comprar dois cafés e alguns sanduíches já que não haviam tomando café da manhã ainda.

Entrou na casa e deixou as compras sobre a mesa. No quarto encontrou o namorado deitado de bruços e distraído com o celular, viu ali uma oportunidade. Se aproximou bem devagarinho e quando já estava pronto, pulou em cima das costas do mais velho.

- Puta merda, Peter! - exclamou Wade.

O mais novo deitou a cabeça nas costas do namorado, ficou sentindo o cheiro de sabonete de erva doce e passando os dedos pelas cicatrizes.

- Eu quero mesmo morar com você, sabe. Só que tem mais uma coisa.

Wilson sentiu seu corpo inteiro congelar por milésimos de segundo. O curto período de tempo das palavras saírem da boca de Peter já foi tempo o suficiente para Wade amaldiçoar sua existência um bilhão de vezes e revisar tudo que tinha feito de errado na vida, o que não era pouca coisa.

- A tia May. - respondeu Parker, suspirando.

"Tia May?", pensou o ex mercenário, completamente confuso.

- Não quero deixar a tia May sozinha, Wade. Ela cuidou de mim por tanto tempo, sempre me apoiou em tudo e esteve lá por mim. Sinto como se estivesse abandonando ela e sendo ingrato. - disse Peter, jogando para fora tudo que estava entalado na sua garganta.

Ele tinha medo de abandonar a sua tia, mas também tinha medo de magoar seu namorado. Era um dilema sufocante para o rapaz.

- Ah, que alívio! - disse Wade.

Peter ficou confuso e levemente irritado. "Alívio do que?", pensou.

- Não me leve a mal, eu só tô aliviado que não é um problema comigo.

Wade se remexeu um pouco, como um pedido para que Peter saísse de cima das suas costas. Assim o mais novo fez, deixando Wilson livre para levantar.

- Nós vamos dar um jeito, Rudolph!

O mais alto deu um selinho rápido nos lábios do namorado, levantou da cama e pegou seu celular.

- Já volto!

E assim, Wade saiu do quarto digitando alguma coisa e aparentemente ligando para alguém. Peter não soube para quem Wilson ligou naquela hora, talvez coisa do trabalho. Depois de algum tempo deitado e com uma certa preguiça, foi até a cozinha comer os lanches que tinha comprado e Wade estava lá, com um sanduíche em cada mão, comendo desesperadamente. Olhando em retrospecto, no primeiro encontro deles Wilson sequer pediu algo para comer, agora ele tinha ali um mini dragão devorador de lanches.

Passaram o resto da tarde de sábado jogando, comendo, se beijando, assistindo. Enfim, sendo felizes juntos. No domingo, acordaram cedo para irem para a casa de Peter preparar as coisas para o jantar. Iriam dar uma faxina na casa, quando acabassem, começariam com as comidas e depois iriam se arrumar. Quando chegaram foram recebidos por tia May, seus cabelos pretos com mechas grisalhas estavam uma bagunça. Ela também não parecia estar com o melhor dos humores.

- Oito da manhã de um domingo ainda é madrugada. - foi a resposta dela.

A mulher subiu para o seu próprio quarto e deixou a casa inteira para os dois.

Eles começaram a limpeza, primeiro no andar debaixo, sala de estar, cozinha, banheiro, sala de jantar e lavanderia. Também arrumaram o jardim da frente e a parte dos fundos da casa onde tinha um depósito de ferramentas, itens de marcenaria e coisas antigas do tio Ben.

Quando terminaram a parte debaixo, May já tinha acordado. Desceu e preparou um café da manhã para ela e alguns lanches para os seus garotos. Na parte de cima haviam quatro quartos, um lavabo e o ateliê da tia May, onde ela pintava, costurava e bordava. Era um lugar aconchegante. "Quando o tio Ben morreu, ela transformou o antigo quarto deles nesse ateliê. Para ser o local de descanso dela.", Wade pensou, lembrando do que Peter havia lhe dito uma vez.

Terminaram a limpeza antes do meio dia. Disseram para a dona da casa que ela não precisava se incomodar pois eles pediriam comida. Mas foram surpreendidos pelo aroma único da comida caseira da tia May. Não havia como recusar.

- É um agradecimento pela limpeza. Acho que nunca tínhamos lavado o telhado antes. - ela disse rindo e se lembrando de quando viu Wade no telhado da casa com uma esponja e um balde.

Os três continuaram o almoço rindo, conversando e fazendo brincadeiras. Peter levantou para recolher os pratos e lavar a louça. Wade usou esse meio tempo para cochichar alguma coisa para May, ela concordou e sorriu.

- Eu vou levar ele por uns cinco minutinhos, tudo bem?

- Claro, querido! Estou muito feliz por vocês.

Por mais que tentasse, ela não conseguiu disfarçar a alegria e puxou Wilson para um abraço apertado.

Peter obviamente notou a movimentação atrás de si, percebeu que estavam de segredinhos um com o outro. Mas a única coisa que sentiu foi felicidade por ter duas das pessoas mais importantes da sua vida conversando animadamente.

Wade se aproximou do namorado e deu-lhe um abraço por trás e um beijo na nuca. Peter, que já tinha acabado de lavar louça, virou para o namorado e enlaçou seus braços na cintura dele aproximando seus corpos.

- Vou te sequestrar só por um minutinho.

Peter assentiu e aceitou ser levado por Wade para a parte de fora da casa. Lá encontraram a Parker mais velha com uma venda nas mãos.

- Pra que isso? - perguntou Peter, completamente confuso. - E mais importante, por que você tem uma venda, tia?

- Acho que você vai preferir não saber. - respondeu a mulher, dando de ombros.

Peter ficou vermelho feito um tomate ao ouvir essa resposta vinda da sua tia. Wade gargalhou até faltar o ar em seus pulmões.

- Eu tô sem ar! - disse, ainda rindo bastante .

Tia May colocou a venda nos olhou de Peter e amarrou. Peter estava completamente perdido nessa situação.

- Tia, a gente pode ficar com essa venda aí? Também quero usar. - perguntou Wade.

- Pode sim, fica de presente. - respondeu a mulher.

Wilson sorriu vitorioso e olhou para Parker, este estava ainda mais vermelho que antes. Peter sentiu ser guiado pelas mãos da sua tia até Wade, que reconheceu as mãos.

- É só me acompanhar, prometo que vai ser legal.

Peter concordou com a cabeça e se permitiu ser guiado pela calçada. Ele não tinha muita noção de para onde estavam indo, aparentemente para a direita, depois esquerda e direita de novo. Pararam em um lugar que o rapaz vendado sequer estava tentando adivinhar. Sentiu seu corpo ser virado pelos ombros. Wade permaneceu com as mãos nos ombros do namorado e sussurrou no ouvido dele.

- Pode tirar a venda.

Ao tirar a venda, Parker pensou duas coisas. A primeira era que seria bem divertido se eles fizessem uso dessa venda em outro momento e a segunda coisa era a casa incrível que estava na frente dele. Ela era tão grande quanto a da tia May pelo lado de fora. A faixada era azul claro com detalhes em branco, uma cerca de madeira baixa com um pequeno portão e um jardim com bastante espaço.

- Surpresa! - gritou Wade. - Essa é a nossa nova casinha.

Peter não conseguiu processar as informações com precisão. Eles tinham conversado isso ontem e hoje a casa já estava ali?

- Eu não paguei a vista, tá bom? Você vai precisar me ajudar porque só a entrada foi uma facada. - disse Wade.

- Você sabe que eu ajudo. - respondeu o mais baixo.

- Ainda não tenho a chave pra gente entrar, mas depois te mostro as fotos da parte de dentro na internet. Agora o mais importante.

Wilson virou Parker pelos ombros e apontou na direção de uma casa muito familiar para ele e com uma pessoa em frente muito familiar também. Alguns metros a frente, do outro lado da rua, estava tia May e a casa dela.

- Você disse que queria ficar perto dela, esse foi o mais perto que eu consegui. Até pensei em expulsar as vizinhas da casa ao lado, mas elas pareciam gente boa.

Os olhos do jornalista encheram de lágrimas mais uma vez, ele agarrou o ex mercenário e o puxou para o abraço mais apertado de suas vidas.

- Calma! A gente vai pagar até mais caro porque eu tive que cobrir a oferta anterior. - disse Wade, se afundando ainda mais no abraço.

Peter riu e deu um selinho rápido em Wade.

- Por você eu pago quanto for. - disse Parker. - Seremos somente nós.

- Apenas nós e o resto que se foda. - disse Wade puxando Peter para mais um beijo.

Notes:

E aí, pessoal? Tudo bem?

Eu tava muito insegura com essa continuação, teve partes que reescrevi várias vezes porque nada me agradava completamente. Fiquei com medo de parecer uma continuação desnecessária, mas eu senti que tinha coisas sobre esses dois e a relação deles que precisavam ser exploradas ainda. Only Us, a música que me inspirou, é uma obra de arte.Então, depois de um ano batendo a cabeça, aqui está a continuação de Se Eu Pudesse Te Dizer.

Only Us - Dear Evan Hansen

Espero que tenham gostado e muito obrigada por ler.

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