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— Vejo você no altar.
— Eu serei a de branco. — ela sorriu com gracejo.
— Como se eu pudesse facilmente confundi-la. — disse, beijando o dorso da mão dela. — Não vejo a hora de passar esse anel para sua mão esquerda. — Severo indicou o anelar, que acomodava um solitário de diamantes que refletia a luz prata da Lua cheia entrando pela janela.
— Paciência, querido. Nosso "felizes para sempre" está a um dia de distância.
— Para mim, já o vivo desde o dia que lhe beijei na chuva. — ele a abraçou pela cintura e Hermione pousou a mão que antes ele beijara em seu rosto, usando seu polegar para contornar o sorriso dele.
Foram alguns meses entre aquele beijo e o anúncio oficial de noivado, que não surpreendeu muitas pessoas, afinal, qualquer um que prestasse um pouco de atenção nos parceiros de laboratório veria uma química que mestre e aprendiz levaram meses para admitir – e que nada tinha a ver com a pesquisa.
Não saberia dizer qual dos dois caiu primeiro de amores, mas, se tivesse que dar um palpite, Severo diria que foi ele mesmo. Hermione, por outro lado, provavelmente não concordaria, já que ele nunca deu indícios de seus sentimentos; na verdade, quanto mais seu coração acelerava na presença dela, pior a tratava. Era o jeito sonserino de camuflar o que sentia. Como se pudesse ignorar e rejeitar o fato de que estava completamente apaixonado por sua aprendiz. E, ele contava com o bom senso dela para não ultrapassar a barreira que colocara no ambiente de trabalho e mantê-la distante – e segura; pois, Severo já não confiava no seu autocontrole e constantemente se pegava imaginando como seria beijar aqueles lábios. Mas Hermione sendo Hermione, não deixaria que a pedra que ele pôs, tão de repente e aparentemente sem motivos, na amizade deles, se mantivesse lá, e faria de tudo para reconquistar a antiga camaradagem que estabeleceram.
Contudo, com muita persistência e paciência – e muitos cafés com rosquinhas que ela levava, quase que diariamente, para compartilharem no laboratório –, ele deixou de ser o mestre rabugento para voltar a ser uma companhia mais agradável. E a amizade que nasceu entre os vapores dos caldeirões fumegantes rapidamente cresceu e os deixou a caminho do altar. Claro que eles tiveram um empurrãozinho involuntário de Vítor Krum. Pois, se não fosse pelo búlgaro, Severo Snape jamais teria deixado de ser mestre para se transformar em noivo.
— Agora, eu devo ir e me certificar que os padrinhos estejam sóbrios. — despediram-se novamente com um beijo.
— Ah, e Severo… — Hermione disse quando ele alcançou a porta. — Nada de despedida de solteiro em um cabaré, por favor. — os olhos castanhos estavam apertados em um aviso silencioso, e Snape riu da expressão autoritária dela.
— Prometo que será uma noite comportada entre cavalheiros, meu amor. Afinal de contas, amanhã me tornarei um homem de família. Confie em mim
Ele se foi com um sorriso no rosto, e Hermione acrescentou para porta fechada: — Em você eu confio. Não confio é em Lúcio Malfoy.
