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Naquele fim de tarde de agosto, quando a sombra do castelo de Hogwarts se estendia até os lugares longínquos do terreno, e o Sol de verão estava prestes a beijar a superfície serena do lago negro e espalhar sua luz acobreada e dourada pelo espelho ďágua, um pequeno grupo se reunia as margens gramadas que o serpenteava para presenciar a união de um homem de aparência tão soturna quanto o lago, e de uma jovem tão destemida como aquele pôr-do-Sol, que não se acovardava perante as profundezas gélidas e penetrava as águas turvas com seus raios de luz.
Hermione era a luz que o guiou para fora das trevas em que o ex-espião se chafurdou após o fim da guerra, onde sua missão havia chegado ao fim e ele não via mais propósito em ensinar. Felizmente, a diretora de Hogwarts achou que dar a Severo Snape um programa de aprendizado para supervisionar traria de volta seu ânimo e paixão por poções. E Minerva estava certa. Contudo, não foi somente pelas poções que ele se apaixonou. Hermione Granger invadiu seu laboratório com sua sede por conhecimento e seu sorriso radiante.
O mesmo sorriso que ela lhe lançava agora, após concluir seus votos.
Sob o arco de galhos e flores do campo que delimitavam o pequeno altar, em um vestido longo e leve de renda, banhada pela luz do entardecer que formava na coroa florida em seus caracóis acastanhados uma auréola, sua noiva parecia um anjo renascentista de Michelangelo.
Limpou a garganta com um pigarro para tentar espantar o nervosismo e disse: — Eu, Severo Snape, recebo você, Hermione Jean Granger, como minha legítima esposa. Prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias das nossas vidas, até meu último suspiro. — apertou com mais firmeza a mão esquerda dela na sua, enquanto o encanto deslizava como fitas entre seus pulsos, os enlaçando através dos votos.
— Pelo poder à mim investido, eu os declaro marido e mulher. — Minerva McGonagall, que conduzia a cerimônia simples, encerrou o encantamento, e o suave cintilar de magia correu para os dedos deles, materializando em um feixe de luz um par de alianças douradas nos anelares. Com animação incontida, a bruxa de chapéu pontudo e vestes de tartan acrescentou: — Pode beijar a noiva!
Para selar a promessa de amor eterno, encurtou a distância entre eles, e, com um gentil afago, pousou timidamente seus lábios nos de sua, agora, esposa. A língua de Hermione pediu passagem para a sua boca e ele pôs suas mãos na cintura marcada do vestido, mostrando a todos que aquela seria a única boca que beijaria daquele dia em diante. Esqueceram-se de que estavam em público – nem mesmo os aplausos quebraram o momento – e se deixaram levar pelo primeiro beijo como Sr. e Sra. Snape.
Afastando-se minimamente, apenas para ver o pôr-do-Sol vestir os olhos dela de dourado, confessou em um murmúrio, apenas para ela ouvir: — Eu amo você.
