Work Text:
"A leveza da bailarina está nos
pensamentose não no corpo."
A textura do gramado do jardim dificultava os passos sincronizados de seus pés. Seus dedos, descalços, guerreavam entre si, mantendo-se em equilíbrio, sustentando todo o seu tronco. Seulgi seguia os passos que recordava, fazendo movimentos gentis e suaves de um lado para o outro. Seus braços prosseguiram com os mesmos gestos, leves, rodeando seu corpo. Ela não sabia de toda a coreografia ensaiada memorizada, apenas tinha resquícios de cenas que um dia havia espiado por entre frestas de uma academia de dança.
Para a Kang, ser uma elfa escondida por entre os humanos era cansativo.
Empenhar-se em ocultar suas orelhas pontudas, sua pele pálida e seus olhos verdes ardentes eram um desafio, mas isso não a impedia de viver. Apenas a delimita em certas circunstâncias. E o exemplo mais característico disso era na dança.
Seulgi era completamente apaixonada por dança. Pelo ballet clássico. Ela tinha curiosidade em aprender tudo o que envolvia o ballet, desde sua origem, sua história. Era uma paixão genuína que se acendeu muito repentinamente desde que ela havia visto uma bailarina apresentar-se na rua, que porventura, mais tarde ela descobriria que aquela bailarina se chamava Kim Yerim.
Desde aquele momento, seus dias se resumiam a observá-la de longe. E também repetir seus movimentos quando se via sozinha em seu jardim. Seulgi ainda não tinha tido coragem de se matricular, e muito menos de conversar com Yerim, mas a Kang ainda sonhava com o dia que perderia seu medo de que os humanos descobrissem sua verdadeira espécie.
Ela sabia… dançar fazia parte de seu corpo. De sua identidade. Era sua alma. E de forma alguma, Seulgi desprezaria essa sua paixão.
“Minhas orelhas fazem parte de mim, assim como o ballet…” Seulgi vocalizou seus pensamentos, deixando transparecer um sorriso gentil nos lábios. “Eu tenho orgulho de mim, eu tenho orgulho de ser uma elfa…” repetiu em sussurros, enquanto fazia um plié com os braços erguidos levemente curvados para frente de seu umbigo em um formato redondo.
Seu vestido branco longo de renda fazia parte do improviso de sua vestimenta como uma bailarina imaginária. Seus cabelos pretos escorridos, acompanhavam seus passos tímidos, e o gramado gelado por baixo de seus pés descalços, sentiam uma moderada pressão do recém movimento.
Ao fim daquele mesmo dia, Seulgi, verdadeiramente se sentiu em paz, após ter tido mais uma tarde de ensaios e principalmente, depois de ter passado pelo seu momento de afeição consigo mesma.
Aquele instante, tinha sido um avanço significativamente fantástico para sua vida.
Para Kang Seulgi ter essa confirmação de que se amava e amava mais ainda sua dança, era como um jeté. Um passo grande com as pernas longas esticadas no ar, cheios de energias que ditavam sua leveza e sua grandiosidade perante ao seu amor sobre sua existência.
