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REAL (Samuaiser)

Summary:

César Cohen, mais conhecido virtualmente como Kaiser, ou Angel Of The Night, é um Streamer e Criador de conteúdo famoso. Samuel Norte, mais conhecido como Sam ou Daylight Demon, outro Streamer famoso da plataforma, foi rival de Kaiser por algum tempo, até eles se entenderem à força, depois que ele precisa de um lugar para ficar depois de se mudar abruptamente da Flórida.

Enquanto Kaiser tenta vencer o vício em nicotina, e Samuel tenta vencer seu vício em cafeína, um problema maior surge; um beijo e uma resposta colocam em risco sua carreira. E quando o conserto não é o bastante, uma farsa é criada.

(oneshot, samuaiser, streamer au.)

Notes:

esse plot originalmente surgiu de uma webcomic que eu desisti de fazer, se chamava “For Real” e era de umas ocs minhas, ia ser postado em inglês lá no webtoon… de qualquer forma, estou feliz de poder ter usado esse plot pq eu realmente gostei dele

bro eu nunca nem fumei pod ou vape na minha vida e agr meu historico de pesquisa tá cheio dessas coisas pq eu tava pesquisando pra escrever aqui pqp

(NOTA: vender cigarro eletrônico é crime já faz um tempinho, mas, usar tbm é proibido, ent isso influencia bastante na reação das pessoas em relação a esse fato, mas o kaiser estava nos estados unidos a um longo período de tempo, e lá é parcialmente proibido só. enfim, é um bglh q faz muuuuiiiito mal, ent nem cheguem perto dessas coisas, escrevi pq achei um plot condizente com o personagem!)

boa leitura guys!

Work Text:



     “demonofthenight reivindicou Mensagem de Texto Falado: pq vc saiu da casa da let e do sam??”

 

        - Bom, eu não cheguei a falar disso antes, mas eu voltei pro Brasil bem de última hora… Mandei mensagem pra Letícia assim que cheguei aqui, perguntando se eu podia ficar na casa dela, porque lembrei de uma vez que ela tinha me falado que eu podia ficar lá, e era perto do aeroporto, então, uma vitória, porque eu não sabia se ia ficar aqui mesmo - Suspirei, olhando para o chat, que chovia Emotes do canal da Mantra, vendo uma mensagem da mesma passar rapidamente por um dos monitores “letmantra: graças a deus vc foi embora”, ri - Ela me expulsou - Brinquei, antes de continuar a falar - Tô brincando, eu só não quis atrapalhar por tanto tempo, mesmo… Hm… Aí eu vim arruinar a vida do Arthur, né, tô esperando ele me expulsar também pra comprar um apartamento pra mim aqui em São Paulo. 

 

     “catlover reivindicou Mensagem de Texto Falado: Sdds de ver vc e o Sam juntos!!!”

 

        - Hm… Eu- Eu… É - Gaguejei - Por que todo mundo tá falando sobre o Samuel?

 

     O chat começou a spamar emotes e risos. Eu revirei meus olhos. Meus olhos pousaram em uma única mensagem: “giibssss: LUL Ele ficou todo bobinho falando do Samuel kkkkk”, e eu senti meu rosto ficar mais vermelho ainda, quando digitei rápido no chat “/timeout giibssss 30”, e voltei a focar nas perguntas surgindo.

 

     “Amelieflorence reivindicou Mensagem de Texto Falado: manda salve kaisinho kd o raios funde?”

 

        - Salve, Amelie, eu já vou começar a live direito, só quero responder mais coisa aqui no chat. E depois vamo’ um Lolzinho? - Ela respondeu “vamo sim porraa so chama q a mae ta on”, e eu ri.

 

        “skyynotfound reivindicou Mensagem de Texto Falado: Como você conheceu o Samuel?”

 

        - Meu deus do céu, chat… Eu já vou abrir aqui o Termo, Wordle… Letroca, Gamedle, Wordle… - Disse, nem percebendo a repetição, enquanto abria aba por aba, senti uma vontade imensa de responder, respirei fundo - É… Foi alguns anos atrás, em um servidor do Discord. Ele me mandou mensagem no privado, aí eu mandei um pedido de amizade. Ele perguntou se eu era real , pirado da porra... E aí a gente começou a conversar, mas se distanciou um bocado, até que eu descobri que ele ‘streamava’ também, e bom… começamos a competir em um bando de jogo, a gente conviveu por esse tempinho e… estamos aqui agora. 

 

     Eu não menti, só ocultei coisas, como sempre faço quando falo da minha vida. As pessoas podem até estranhar, mas eu tenho, sim, um jeito diferente de agir quando eu estou criando conteúdo, uma persona. Mas até onde eu sei, todos nesse ramo tem isso. Muitas vezes nosso trabalho depende do nosso bom humor e capacidade de fazer os outros rirem. Sinceramente, fazer isso me ajudou muito com a minha ansiedade social, e por mais que não seja extrovertido, sou um introvertido divertido agora, ao menos. Óbvio que usar uma máscara falsa de gás cheia de ledzinhos ajuda com essa agorafobia, mas prefiro não deixar que ninguém saiba dessa parte. Eu me acho bonito, só não quero ter de olhar para a câmera ou deixar que me vejam sem proteções. A internet pode ser malvada às vezes.

     Com “estamos aqui agora” eu quis dizer que não estamos nos falando direito, por mais que poucas pessoas saibam disso, e o motivo disso acontecer é que quando estava na casa compartilhada dele e da Letícia, nós nos beijamos.

     Pois é, nos beijamos, e eu não contei para ninguém ainda. O real motivo de ter saído tão rápido da casa deles foi o medo de deixar as coisas estranhas, e, principalmente, me apaixonar pelo meu rival e pseudo-amigo. Já sentia meu coração se esquentar ao ver o rosto amassado dele nas manhãs, dele entrando no meu quarto provisório para só conversar e matar tempo de madrugada:

 

     A noite estava especialmente fria naquele dia, e eu estava com a janela completamente aberta, olhando para o lado de fora, os prédios luminosos e a noite sem estrelas. Meu quarto estava todo roxo com as luzes que deixava para as lives, e eu fazia a fumaça sair de meus lábios em um ritmo constante. Tragar o aparelhinho, e soltar a fumaça cheirosa, tragar mais do aparelhinho, e soltar a fumaça cheirosa que tomava conta do cheiro das minhas roupas. Blueberry Ice. Ele abriu a porta. Minha máscara estava em cima da minha cama bagunçada, era mais uma daquelas noites de insônia.

        - Pelo menos esse negócio tem um cheiro bom, porque… Puta que pariu, esse cheiro fica em todo lugar - Ele disse com aquele sotaque bonito dele, indo se posicionar ao meu lado.

        - Quer?

        - Tá maluco? Eu prezo pela minha saúde, pô - Disse, olhando para mim. Soltei fumaça no rosto dele, e ele tossiu - Por que você faz isso?

        - Tentando parar com a nicotina. 

        - Você fuma cigarro?

        - Fumava, 1 maço por dia. 

        - Tá explicado a sua voz ter ficado tão diferente pelo tempo.

        - É - Rimos - Isso aqui tem menos nicotina, e eu vou gradualmente parando. Aí eu vou pro vape ocasionalmente, tá ligado?

        - Qual a diferença? 

        - Pod tem nicotina ainda, na sua maioria, e a maior parte é descartável, Vape pode ter também na essência, mas é diferente… mais parecido com narguilé do que cigarro. Mais de recreação… Mas é quase a mesma coisa.

        - Ah… Por que você só não para, depois que tirar a nicotina?

        - Eu gosto de fazer fumaça. 

        - Só por isso?

        - É - Eu ri - E meio que me acalma… meio terapêutico.

        - Eu sinto muito pelo seu pulmão.

        - Cala a boca - Eu ri, dando um soquinho em seu ombro. Ele tirou o pod da minha mão, jogou na cama, e bloqueou meu caminho para pegá-lo de volta.

        - Nah, você não vai pegar de volta. Fica parado, vamo conversar, vai.

        - Sai, Sam - Ele olhou no fundo dos meus olhos, meio congelado, enquanto eu dava um mini empurrão nele, resistindo - Que foi?

        - Você sempre me chama só de Samuel - Olhei para ele e sorri, antes de soltar um risinho.

        - Talvez isso possa mudar, não sei.

        - Aí eu posso te chamar de César?

        - Só meu pai me chama de César, Samuel - Eu suspirei, olhando para o céu poluído - Pode me chamar de Kai… eu acho.

        - Nunca vi ninguém te chamar de Kai.

        - É porque eu acabei de inventar, porra.

        - Beleza, Kai.

        - Beleza, Sam.

 

     Só percebi que tinha tentado “Fumar” três vezes em um dos joguinhos de palavra de navegador depois que li algumas mensagens no chat e despertei do meu transe.

 

     “xXzero: slk o maluco tá sonhando com a verdinha”

 

        - Chat, ‘cês’ tão insuportáveis hoje, tá legal? Eu só estou meio cansado, viu? - Brinquei, rindo do meu erro e das piadas no chat.

 

---

 

        - Kaiser, cê’ tá bem? - Arthur entrou no meu quarto provisório, já era de manhã, e eu tinha acabado de acordar. Acabei pegando no sono depois da Stream de ontem, o que me surpreendeu, considerando minha insônia.

        - Hm… Sim, por que? - Minha 

        - Eu vi a sua stream ontem.

        - É? Tô com sérios problemas do chat perguntando dos meus amigos enquanto eu tô respondendo perguntas. Eu não vi ninguém falar nada sobre meu moletom, e é merch que eu ainda não lancei! - Comecei a desabafar, mostrando meu moletom roxo e preto.

        - Mas você sabe por que, né?

        - O que? O lance do Samuel? Eu não sei, não…

        - Ele falou sobre você na live dele.

        - Quê?

        - Aqui, ó, calma…

     Arthur pegou seu celular e começou a procurar pelo clipe. Aqui está o problema do Samuel; ele é muito gato: É alto, tem a voz bonita, é bonito e muito engraçado, o que é suficiente para existirem centenas de contas de Stans dedicadas a ele. Arthur apertou na miniatura do vídeo, e vi o sorriso dele. Eu nunca tive problema com essa popularidade dele por ser bonito, mas, quando isso começa a me afetar pessoalmente, não posso evitar me sentir no mínimo intimidado. Eu não estou apaixonado por ele, só atraído. 

 

     No vídeo, ele estava comentando sobre algum jogo, até que uma mensagem apareceu na tela: “luvcohen se inscreveu por 3 meses: o que você acha do kaiser?”

        - O que eu acho dele? - Perguntou, olhando para o teto, cabeça inclinada para trás - Eu não acho nada dele, só sei que é até decente em alguns jogos… e… é meu fã incubado, isso eu tenho certeza. Tem essa mania de ficar na janela com o pod de blueberry dele… não para de falar sobre os mecanismos da máscara dele… insuportável, apenas.

 

     O clipe acabou. Isso não podia ser real . Eu não consegui decifrar se estava sendo irônico ou não, mas mesmo assim, doeu. Eu queria fingir que nada tinha acontecido, mas não entendia por qual motivo me sentia mal de ouvir essas coisas. Só depois fui perceber que as pessoas que me acompanham não sabem do meu vício.

        - Nossa, que merda, eu ainda não abri o twitter.

        - Tô puto com o Samuel agora, ninguém sabia desse lance do pod, sabia?

        - Não… - esfreguei minhas pálpebras, alcançando pelo meu celular logo depois - Valeu, tutu.

        - Por nada, Cesinha! - E saiu do quarto.

 

     Depois do beijo, eu imediatamente pensei em sair correndo. Quando me lembrei que o Joui, meu amigo a séculos, estava no Japão, de novo, o que significava que um dos quartos no apartamento da tia Ivete e do Arthur estava livre. Foi quando fiz uma ligação desesperada implorando para que me deixasse ficar no quarto do Joui por algum tempo, até comprar meu apartamento. Ele aceitou, como o bom amigo que é.

     Assim que desbloqueei minha tela, e fui até o aplicativo azul fonte da maior parte dos meus problemas, percebi a merda que havia acontecido.

 

“ord0babyyyy3: Kaiser fuma pod?? serio isso? Cada vez mais difícil defender o @angelofthenight </3”

 

“tutusgf: kkkk fodase seu fav literalmente é um criminoso bro…”

 

“Amelieflorence: n acredito q tao cancelando o kaiser por fuma pod na moral a que pinto chegamos”

 

“samkai: vcs viram o sams chamando o kaiser de kai????? aiai eles sao tão meusss!!!!!!!!!!! #samuaiser”

 

“babscoree: Porra kaiser o de blueberry é o pior nmrl mano, esperava mais de vc…”

 

     Ótimo. suspirei e comecei a escrever em uma nota no meu celular:

     “não esperava ter que chegar a esse ponto, mas aqui estou eu explicando a situação. eu caí no sono depois da live de ontem e tava um bom tempo ser ver nenhuma rede social, então me perdoem pelo atraso. 

     eu tenho 23 anos, gente. eu não sou criança, não sou adolescente. eu sei os riscos de fumar, e já cansei de ver gente tentando falar mal de mim por causa disso: eu comecei a fumar cigarro quando eu era adolescente, depois do falecimento da minha mãe, eu era um fudido arrogante e quebrado, e se tornou um apoio pra mim. eu sou viciado em nicotina, e aos poucos estou me recuperando, através desses tipos de artifícios, porque eu também gosto da fumaça e é algo que eu vou demorar a largar. Eu nunca falei para meu público nada disso, porque assim como o meu rosto, eu prefiro esconder coisas que eu sei que podem ser alvos de postagens de mal gosto na internet.

     e não deveriam me culpar por algo que eu nem quis que fosse revelado.”

     Meu deus, se eu postasse isso na internet, só iria piorar mais a situação. Apaguei tudo e comecei a escrever um tweet:

     “já estou tentando ficar limpo de nicotina a 3 anos, ent felicidades para mim e para meu pod com pouca dosagem dessa droga! vou parando aos poucos :)” Digitei, e hesitei em postar, mas meus dedos já engatilharam o botão de postagem. Bang. Postado com sucesso. Já via minhas notificações subirem a cada minuto. Pessoas mudando de lado imediatamente. 

 

     Já estava tragando do aparelhinho novamente quando recebi uma ligação do Samuel.

        - Alô? - perguntei, minha voz rouca e baixa.

        - Kaiser, me desculpa, por favor?

        - Quem é? - perguntei, mesmo que reconhecesse a voz muito bem, ouvi sua respiração fraquejar, me senti culpado por um segundo.

        - Desculpa, Kai, é o Sam.

        - Tá tudo bem agora, Samuel - Eu disse, deixando a fumaça ir - Acho que iam descobrir isso eventualmente, de qualquer jeito. Só preferiria que descobrissem por mim. E quando eu já tivesse superado tudo isso.

        - Eu achei que eles já soubessem.

        - Mas não sabiam.

        - Olha, Kaiser, a gente pode falar disso cara a cara, por favor? Eu tô assumindo meus erros, o que eu fiz foi uma merda, e eu vou me posicionar sobre isso lá no twitter também, eu só precisava conversar contigo antes.

         - Eu fui embora da Flórida por causa do meu vício - Falei.

         - Quê?

         - É, eu briguei com meu pai. Ele continuou falando como isso é péssimo pra mim e como eu só deveria parar. Nunca queria me ouvir quando falava que estava fazendo isso no meu ritmo, e boom! Brigamos, e aqui estou eu agora.

         - Eu sinto muito - Samuel disse, e eu pude ouvir um barulho de elevador no fundo de seu áudio, assim como sua voz ficando trêmula - Eu acabei de chegar no prédio da Ordo. 

     Ordo é uma organização de E-Sports e streamers e criadores de conteúdo brasileiros, e por sorte(ou não), o prédio do Arthur fica bem perto do da Ordo. 

        - Eu estou aí em meia-hora - Disse, desligando a ligação, e já corri para o banheiro para tomar banho.

 

---

 

     Coloquei minhas calças e o meu moletom dos Gaudérios Abutres(merch do Arthur), prendi meu cabelo e coloquei minha máscara em uma bolsa. O caminho foi tranquilo, andei com calma, na minha, não falei com ninguém, o que foi ótimo, e consegui chegar ao prédio. 

     Foi aí que percebi o meu erro, eu tinha que colocar a máscara, mas tinham muitas pessoas lá. Me aproximei do balcão, uma mulher jovem me comprimentou:

        - Bom dia, tudo bem? O senhor tem um passe? - Me perguntou, e eu alcancei pelo meu cracházinho. Estava escrito “Kaiser(Angel Of The Night)” bem grande, com uma foto minha de máscara do lado.

        - Aqui - Eu disse. Ela olhou bem para o crachá e para o meu rosto.

        - Senhor Cohen, não te reconheci sem a máscara - Ela disse, rindo, parecia meio nervosa, de repente

     Todas as outras vezes que vim a esse prédio eu estava acompanhado pelos meus amigos, então não tive de me preocupar com isso.

        - Não conta pra ninguém, tá? Eu confio em vocês da Ordo… - Disse, antes de andar até o elevador, ela me deu um tchauzinho.

        - Você é até bem gatinho, huh? - Ouvi ela falar, um pouco mais longe, eu ri.

     Entrei no elevador vazio e coloquei a minha máscara, subindo para a cobertura, onde sabia que era onde os meus amigos e conhecidos da internet ficavam, passando seu tempo conversando, lendo, ouvindo música ou até editando vídeos ou organizando coisas. À primeira vista, estava vazio. O que eu já esperava para uma manhã no meio da semana. Só depois percebi Samuel, parado, em uma área verde mais afastada no andar. Olhou para mim e minha respiração palpitou. Andei até ele, depois de deixar minha bolsa em cima de alguma mesa perto de mim. 

        - Bonito - Disse, e ele fez que sim com sua cabeça. 

        - Eu posso te explicar tudo?

        - Fica a vontade - Assenti.

 

---

 

     Estava tomando mais uma caneca de café quando recebi a famigerada pergunta “luvcohen se inscreveu por 3 meses: o que você acha do kaiser?”

        - O que eu acho dele? - Perguntei, olhando para o teto, cabeça inclinada para trás, a caneca nas minhas mãos, esquentando-as - Eu não acho nada dele, só sei que é até decente em alguns jogos… e… - pensei no beijo - é meu fã incubado, isso eu tenho certeza. - Pensei mais um pouco sobre o que falar, e depois da jogatina estressante de antes, nem percebi o tom que minhas palavras tomaram - Tem essa mania de ficar na janela com o pod de blueberry dele… não para de falar sobre os mecanismos da máscara dele… insuportável, apenas.

     Só quando terminei a live percebi o que havia feito, mas não falei nada, com mais medo do que qualquer outra coisa. E se o Kaiser me odiasse por ter falado isso? Passei o resto da noite assistindo a Live dele, e tentando decifrar se, por baixo daquela máscara, ele sentia algo negativo em relação a mim. Um dos efeitos que ninguém fala da cafeína, é a ansiedade que ela traz. 

     E aqui está o problema com o Kaiser, ele tem mãos muito bonitas, tem um ótimo senso de estilo, um cabelo muito bonito, e é muito talentoso, então tudo isso somado com o fato dele usar uma máscara, deixa muitas pessoas apaixonadas por ele e desesperadas para que ele tire logo sua máscara para saber se seu rosto é tão bonito quanto a sua personalidade tímida. Mas eu conheço ele além disso, o que torna tudo mais difícil, pois eu sei que ele tem uma joiazinha na sua sobrancelha, que seus olhos tem cores tão escuras e bonitas, que seu nariz fica meio vermelho quando sente frio, que sua boca é tão macia e como a barba dele roçou na minha enquanto nós nos beijávamos naquela noite fria na sala, quando Letícia já estava em seu quinto sono. Ele é muito atraente, eu confesso.

     Depois que ele terminou a live, eu senti um vazio crescer, então comecei a lembrar do acontecido tão memorável:

 

     Estava frio, e só por isso estávamos enrolados em uma coberta na sala, ele odeia frio. Estava passando alguma série na TV, mas eu não conseguia prestar atenção, estava mais ocupado pensando no homem ao meu lado, pressionado em mim, que mexia em seu celular. Via algum vídeo engraçado, deduzi, pelas risadas que às vezes soltava. seu braço estava encostado no meu e estava quase repousando sua cabeça no meu ombro, quase lá. 

        - Tá com sono? - Perguntei.

        - Sim…

     A aquele ponto meu braço já estava adormecido.

        - Kai- Meu braço… - Falei, e ele desligou seu celular e sentou direito. 

        - Desculpa.

        - Tudo bem.

        - Que série é essa? - Ele perguntou.

        - Não sei, não tô prestando atenção - Eu ri.

        - Você ‘tá’ com sono?

        - Não, tomei café agora pouco.

        - Você gosta de café, né?

        - É, se pá.

     Eu sou viciado em cafeína. Na minha mesa sempre tem uma caneca à espera de mim. Não consigo lembrar quando eu me tornei desse jeito, mas, hoje em dia, eu não consigo deixar de tomar café ao acordar, para trabalhar, quando me sinto para baixo… Se não bebo, me sinto inútil e perco toda a minha produtividade, mas ele não sabe disso. É até meio envergonhante falar. “Eu sou dependente de cafeína”, só parece bobo. 

        - Sabia que pepinos são frutas?

        - Quê?

        - É, eu vi em um vídeo do Você Sabia.

        - Era isso que tu tava vendo? Na moral?

        - Era - Ele disse, e parecia calmo, riu, e eu ri de volta. Não pelo mesmo motivo, ri porque ele estava tão lindo ali, com seu cabelo bagunçado, boca escondida pelo cachecol vermelho dele, seus olhos brilhantes olhando para mim de um jeito tão… - Que foi?

         - Oi? - Perguntei.

         - Você estava olhando para mim, Sam - Disse, sonolento, piscando devagar.

         - Ah… Te julgando, maluco - Sorri de canto.

         - Você julga os outros de um jeito diferente - Abaixou o cachecol, seus lábios estavam vermelhos assim como o cachecol, eu prendi minha respiração.

      Só então tive certeza, aquilo era flertar. Inclinei meu rosto só um pouquinho para beijá-lo. E em menos de um segundo, as mãos dele já estavam no meu pescoço, e as minhas, na cintura dele. De repente, já não estava mais com tanto sono, talvez porque sentia aquele gosto de café na minha boca, na minha língua, assim como sentia o gosto doce das gelatinas de ursinho que comia antes. Toda aquela tensão que sentia em relação a ele se desfez no meio do beijo, e senti sua própria tensão se esvair também. Fazia carinho no meu peito e eu puxava seu corpo mais para perto. Ele subiu no meu colo com curtas pausas para respirar. Beijar Kaiser é como um duelo, um sentimento tão bom que você se perde dentro dele, mas sabe que precisa resistir a seus vícios tomando conta de você. Passei meu dedo pelos cabelos longos dele, e ele levou suas mãos à raiz do meu cabelo, mas não pode me acariciar da mesma forma pelas minhas tranças. Eu sorri no beijo e ele riu, puxei seu cabelo e ele gemeu baixinho na minha boca. Mordeu meu lábio e eu apertei sua cintura, passei minha mão pelas suas costas e elas se arquearam, corpo se colando mais ao meu. 

     Acordei melado com suor, na minha cama, abraçando um travesseiro, tinha umas 4 chamadas perdidas no meu celular quando fui ler as mensagens que recebi.

 

Letícia Mantra

“Vazou legal o lance do Kaiser, burrão”

“Passei a noite na Ordo ajudando a Mia”

“Falou pra vc vir aqui resolver isso, ela disse que tem uma solução”

“Mas antes vc precisa resolver isso com o seu crush”

 

     Revirei meus olhos lendo as mensagens da sua amiga. Continuando a ler o resto das notificações, enquanto me vestia e arrumava para sair de casa.

 

Beatrice Portinari

“sam, acabei de ver o clip, vc se desculpou pro kaiser?”

“ainda dá tempo de consertar isso, viu? :)”

“gosto muito de vcs, n briguem pfvr<3”

 

     Respondi um rápido “oi bea, eu vou, sim, acabei de acordar, fiquei malzão ontem com isso… obrigado por tudinho, vou consertar tudo”.

 

Amelie Florence

“kaiser ta estranho isso é com certeza culpa sua”

“perdemo no lol por sua influencia fdp”

“eita na vdd n foi nao desculpa”

“mas vou ficar de olho em vc seu vagabundo”

“shippo muito vcs serio pfvr casem”

 

     Respondi com “pq vc e assim”, e um “sem comentários” e por fim, um “vou pedir desculpas p ele”.

 

     Agora, depois das promessas, vinha a ligação. Mas antes que pudesse discar o número, viu uma notificação do Twitter do Angel Of The Night.

     “já estou tentando ficar limpo de nicotina a 3 anos, ent felicidades para mim e para meu pod com pouca dosagem dessa droga! vou parando aos poucos :)”, pensei em responder um “desculpa, kai, vai ficar tudo bem, te desejo o maior e melhor recuperamento” mas apaguei, indo discar o número dele. Já estava arrumado a aquele ponto, e precisava só dirigir alguns minutos. Se desculpar pelo Twitter é paia, pensei.

     Assim que cheguei no grande prédio da organização, liguei para Kaiser.

        - Alô? - Ele perguntou, e sua voz estava muito bonita.

        - Kaiser, me desculpa, por favor? - Pedi, entrando no prédio.

        - Quem é? - Ele perguntou, e eu senti minha respiração se fraquejar, olhei para a moça na recepção por um segundo, parado na entrada.

        - Desculpa, Kai, é o Sam.

        - Tá tudo bem agora, Samuel - Disse, e eu ouvi um barulho que entendi como um suspiro, mas já conhecia um motivo em específico para que ele suspirasse assim. Fumaça - Acho que iam descobrir isso eventualmente, de qualquer jeito. Só preferiria que descobrissem por mim. E quando eu já tivesse superado tudo isso.

        - Eu achei que eles já soubessem - Disse.

        - Mas não sabiam.

        - Olha, Kaiser, a gente pode falar disso cara a cara, por favor? Eu tô assumindo meus erros, o que eu fiz foi uma merda, e eu vou me posicionar sobre isso lá no twitter também, eu só precisava conversar contigo antes - Entreguei meu crachá a mocinha, que só olhou para mim, passou no sistema, e me deixou passar.

         - Eu fui embora da Flórida por causa do meu vício - falou.

         - Quê? - Perguntei, já que não fazia ideia disso.

         - É, eu briguei com meu pai. Ele continuou falando como isso é péssimo pra mim e como eu só deveria parar. Nunca queria me ouvir quando falava que estava fazendo isso no meu ritmo, e boom! Brigamos, e aqui estou eu agora.

         - Eu sinto muito - Disse, apertando o botão do elevador, que se abriu - Eu acabei de chegar no prédio da Ordo…

        - Eu estou aí em meia-hora - Disse, desligando a ligação. De cara, vi Mia, dentro do elevador.

        - Oi Sam, falou com ele? - Ela perguntou assim que entrei e coloquei meu celular no bolso, apertou algum andar na telinha de botões.

        - Oi Mia, tava’ falando com ele até agora. Mas desligou sem dizer tchau.

        - Ele tá puto contigo? 

        - Acho que sim, mas ele está vindo.

        - Pelo menos isso… Se desculpou?

        - Sim. Eu tentei, pelo menos.

        - Tá… Então, eu dei uma conversada com os analistas da Ordem, e o dano disso daqui é super reversível, mas criou uma dualidade entre os fãs dos outros streamers. Isso é, na verdade, muito útil, e meu pai- digo, o Senhor Veríssimo me disse para propor uma rivalidade falsa. Vocês dois são bons no que fazem, e confiamos o bastante em vocês para que algo assim possa ser feito. Mas temos que ter o consentimento de vocês dois.

        - Eu aceito. Tudo bem, isso é falso, né?

        - Totalmente, é para o público, privadamente vocês podem ser amigos ou… algo mais.

        - Qual é a de você e da Letícia falando essas merdas??

        - Sei lá! Mas é verdade que essa história de vocês daria uma boa fanfic…

        - Cala a boca…

        - É meu papel como sua amiga e manager te dizer a verdade. Hm! É uma ótima ideia ler fanfics para um dos episódios do podcast. E se juntarmos vocês dois?? Vai manter o público vidrado, rivais e amantes?! Eu mataria por um plot desse…

        - Não, valeu, eu prefiro só o lance da rivalidade - Rimos.

     E a porta se abriu, era a cobertura, onde todos os criadores de conteúdo da Ordem gostam de passar tempo e trabalhar. Um epicentro perfeito para vlogs e drama.

 

---

 

        - …E é isso.

        - Você aceitou o lance da rivalidade? - Kaiser me perguntou.

        - Sim, achei que não iria fazer mal algum. Mas se você não quiser, não vai acontecer.

        - Foram alguns passos para trás na nossa amizade, né?

        - É, eu acho que sim. Mas é falso. Se você quiser… ainda… É.

        - Eu não sabia que você era viciado nisso - Ele disse, olhando diretamente nos meus olhos.

        - Não falo tanto sobre isso.

        - Eu sinto muito. Tudo isso é uma droga.

        - Literalmente - Rimos, e de repente já estava perdido nos seus olhos - Mas você aceita?

     O olhar dele descia sem aviso prévio, mordi meu lábio e ele voltou a olhar para meus olhos, prestar atenção. Espero que ninguém esteja assistindo, porque a tensão é uma linha fina que eu adoraria cruzar, e eu sei que ele também.

        - O que? 

        - Aceita a rivalidade falsa?

        - Que mal faz? - Ele aceitou, voz baixa, olhos semi-cerrados, lábios dolorosamente próximos dos meus. Engoli todos os sentimentos a seco quando ouvi passos na distância. 

     Era Olivier Florence, um streamer conhecido por não mostrar o rosto e ter uma voz calma, é meio tímido, mas muito habilidoso. Rumores dizem que ele nunca nem beijou ninguém. Ele lançou um olhar rápido na nossa direção, pelos óculos escuros, e eu já estava olhando para outro lado, e Kaiser deixava a fumaça sair pelos buracos na sua máscara. Ouvimos barulho de passos, a máquina de café ligando, e logo depois, outros passos, dessa vez de saltos. Era Amelie, sua irmã, e já chegou rindo, alto. estava com Bárbara Lima, uma youtuber que fala sobre flores e plantas em um canal de vlogs. Os três são amigos de Kaiser.

        - Então tudo bem. - Disse, por fim, indo para outro lado, em direção a máquina de café.

     Ouvi eles conversando brevemente, passos ficando cada vez mais altos, e então, quando já estava descendo as escadas, mãos no meu ombro me puxaram para perto. Kaiser me beijou. Dessa vez, foi de verdade, foi por querer. Não tem o que ou quem culpar, mas nós mesmos. O beijei com a mesma intensidade, tomando cuidado para não acabar caindo do degrau. Ele suspirou assim que se soltou de mim, ofegante. 

        - Espera - Ele disse, seu hálito contra o meu. Sorri.

        - E esses foram alguns passos pra frente na nossa… - procurei por uma palavra que comportasse o que sentia.

        - Não-Amizade.

        - Isso - concordei, e ele respirou fundo, sorrindo.

        - Você é real? - Me perguntou, olhando no fundo dos meus olhos, o lancei um sorriso convencido.

        - Eu acho que sim, você é real? - O perguntei, e ele sorriu, fez que sim com a cabeça. O abracei, mesmo que tivesse medo que caíssemos da escada por um descuido de nossos pés - O que a gente faz agora?

        - Agora começa o teatrinho - Ele sorriu, meio nervoso.

        - A gente não precisa fazer isso…

        - Mas, bom, tecnicamente, é uma das únicas maneiras de nós dois sairmos ganhando - pensei em falar uma cantada tosca, mas no lugar, ri, e ele me olhou, confuso - Que foi?

        - Eu ia falar que eu já saio ganhando com seu beijo, mas achei que era muito vergonhoso.

        - É, não… Se você falasse isso eu ficaria realmente dividido entre te dar outro beijo ou te dar um soco.

     E ia lhe dar outro beijo quando ouvi Letícia me chamar, alto, do andar de baixo.

        - Eu preciso ir.

        - Aham…

        - Depois eu te mando mensagem, tá?

 

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“Duelo entre Angel Of The Night e Daylight Demon bate recordes na Twitch!

        Matéria por Ordo E-Sports”

 

“@BabyRiottttY: Não acham estranho que os dois streamers/pro players mais famosos e estimados da Ordo tem uma rivalidade levada a sério demais? Quais as chances de ser staged?

     @sammdetails responde: a resposta p esse questionamento ja ta na sua propria pergunta… os dois sao igualmente famosos e estimados, dai vem a rivalidade”

 

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     Havia passado o dia inteiro desempacotando coisas e tentando as por nos lugares corretos, e quando ia me deitar na minha cama e seus lençóis roxos, meu celular começou a tocar, anticlimático. Na tela do meu celular, um nome que eu não queria ler naquele momento: 

 

Ligação de Cristopher Cohen

Aceitar       Rejeitar

 

     Minha cabeça esvaiu para um lugar de ansiedade quando li o nome de meu pai, meu coração batendo cada vez mais forte em meu peito. Pensei em rejeitar, meu dedo passou por cima do símbolo vermelho, mas meu coração implorava para que desse outra chance a ele. E eu ouvi meu coração depois de um bom tempo deixando-o de lado. Talvez fosse o efeito de Samuel.

        - Alô…

        - Alô, filho, tudo bem? - Ouvi a voz alta e o sotaque americano dele.

        - O que você quer?...

        - Queria te dar meus parabéns… Eu vi aquela matéria sobre você… Foi o Thiago que escreveu, né? O menino é tão talentoso…

        - Foi, pai. Ele é um dos jornalistas da Ordo.

        - Ata, filhão! Você jogou bem o jogo né?

        - Não sei, acho que você saberia se tivesse assistido…

        - Filho… Também não é assim… Você precisa entender o meu lado!

        - Que lado, pai? Você basicamente me expulsou da sua mansão estúpida, que eu ajudei a pagar! Não tem lado nenhum.

        - Me deixa explicar, filho!

        - Não, você tá sempre tentando dar mil motivos de porque você é simplesmente um pai ruim! Agora é minha vez de falar - Disse, e ele ficou quieto - Eu só comecei a fumar porque você falou todas aquelas merdas pra mim e não me deixou comprar a merda dos meus remédios. Foi por isso que eu comecei a fumar. Minha mãe estava morta e você nem ligou que eu estava me matando. Jogou fora aquela porra daquela receita que era importante pra mim. Era o meu tratamento…

        - …Mas você tá bem agora, não está?

        - Vai se fuder, pai - E desliguei.

     Sentia uma raiva tomar conta de mim, e antes que pudesse voltar a razão, minhas pernas já iam na direção do fundo da gaveta da minha mesa. Um maço de cigarro que estava ali só por via das dúvidas. Quando vi, já estava com meu isqueiro roxo acendendo o cigarro. E a fumaça daquilo era muito mais relaxante que qualquer coisa poderia ser pra mim, naquele momento. Meus olhos se encheram de lágrimas e tremia, cada brasinha do cigarro queimando um pouco da minha mãos, mas eu não liguei. Sentei na sacada vazia e chorei, baixinho, como uma criança.

     Samuel chegou lá pelo sétimo cigarro da noite, já havíamos combinado que ele viria ao apartamento novo para comemorar comigo. Ouvi a voz dele no corredor, perguntando por mim, e meu coração se apertou. Eu vi o olhar dele preocupado quando me viu, e como ele queria me ajudar de verdade. olhou nos meus olhos enquanto eu jogava fumaça no rosto dele. 

        - Apaga isso, Kai - e tirou ele da minha mão. Eu só olhei para ele, olhos brilhantes como os de uma boneca, e mente borrada, apertou o cigarro contra o chão, o apagando - Tem mais?

     Abaixei meu olhar e ele percebeu o resto do maço na minha mão. Me ajudou a levantar e jogou pela privada. Abracei ele e respirei fundo. 

        - Eu tô me sentindo péssimo… - Me segurou enquanto voltamos pro quarto.

        - O que aconteceu?

        - Meu pai me ligou… e…

        - Meu deus, tu podia ter me ligado antes de fazer algo assim. Ou, sei lá, o Arthur, a Beatrice… Eles se importam contigo. Eu me importo contigo. Cê não acha que a gente largava de tudo só pra vir passar um tempo com tu? - eu só enterrei meu rosto molhado no ombro dele - Quer falar sobre como foi?

         - Não. Eu só quero ficar com você. Não me solta, por favor. 

 

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“@Amelieflorence: lendo fanfic dos samuaiser de madrugada<3

     @Amelieflorence responde: gente é piada

        @Amelieflorence responde: gente deixa baixo kaiser me mandou ameaça de morte”

 

“TUDO sobre a TRETA GAMER entre ANGEL OF THE NIGHT e DAYLIGHT DEMON!!!!!!!!

        Vídeo por Sunny Days 

           “Angel Of The Night comentou: esqueceu de falar da parte que eu solei esse maluco no tetris

           Daylight Demon respondeu: L + ratio + bozo”

 

“@wloveahri: EXPOSED da ORDO E-SPORTS, a thread.

     @wloveahri responde: tao encobrindo o namoro dos samuaiser /j”

 

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     Samuel me acordou me abraçando, forte, e me deixando imóvel na cama.

        - Acorda, anjinho!!~ - Ele cantarolou, alto, no meu ouvido.

        - Vai se fuder, Sam - Bati em seu peito.

        - Agora não, antes, você precisa acordar. A gente tem um dia longo pela frente, porra!

        - Puta que pariu, hoje é o dia do duelo definitivo! - Me lembrei.

        - Quem perder vai ter que assumir tudo! E você vai perder.

        - Cala a sua boca, Samuel, você vai perder, e vai ser muito engraçado ver você assumindo o quanto você me ama na frente de todo mundo! - O dei um beijo.

         - Você é idiota, eu vou ganhar, com certeza - Me beijou de novo, e de novo.

         - Mhm, você vai perder - Disse, entre os beijos.

         - É melhor a gente levantar, vai - E me jogou da cama.

     Não era pra ter sido tão forte e eu caí em um travesseiro, mas meio segundo depois, já estava fazendo drama, gemendo por uma dor falsa

        - Eu vou te matar, vem aqui! - Me levantei em um pulo, já segurando o travesseiro como se fosse uma arma mortal. Lancei-a na sua direção e ele caiu na cama, derrotado. Subi em cima dele e o dei um beijo, antes de me levantar por completo. Mas que maneira de começar o dia! Ele grunhiu e puxou meu braço, me forçando a lhe ajudar a levantar. 

        - Bom dia Anjinho.

        - Bom dia, Sam… - disse, segurando sua mão. Esfreguei minhas pálpebras enquanto andava pelo corredor do meu apartamento, senti um cheiro característico de café vindo da cozinha e olhei para Samuel, julgando que era dele - E esse cheiro de café? Você não tomou não, né? Você falou que ia maneirar, eu parei…

        - Relaxa, Kai, olha… - E segurou meus ombros, me empurrando em direção a cozinha. Ele tinha feito café para mim. Do lado da caneca roxa, um pote com frutinhas azuladas - Você comentou que queria experimentar Blueberry… de verdade. Descobri que a Bárbara tem na horta dela. Ela me cobrou caro pra caralho, inclusive…

        - Sam! Obrigado - Ele me abraçou e eu fiz carinho em seu braço - …Mas… por que você fez isso pra mim?

        - Kai… - Ele riu e se posicionou na minha frente - Isso é só uma prova que… sinceramente, mesmo se eu perder… vou querer gritar pra todo mundo que te amo. 

        - Eu também - pensei sobre como achava difícil ter essas palavras saindo de sua boca a alguns meses atrás, e como quase um ano rodeado de pessoas tão boas tiveram um impacto tão grande. Lhe dei um beijo estalado - Te amo.

     Já fazia um tempo desde a ligação do meu pai, e eu já estava bem melhor. Voltei a ir para o psicólogo e comecei a ser mais aberto com o meu público. O streamer carioca já está quase morando comigo, e só não se muda logo para não levantar suspeitas, mas hoje é o dia em que tudo muda. 

 

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        - …Inclusive, fun fact: eles jogarem PVP no Minecraft pra esse último duelo foi estabelecido pelos dois!

        - Pois é, Amelie, o Kaiser me contou que foi o primeiro jogo que eles jogaram juntos, antes de começar as streams. A treta é antiga… - Arthur disse, deixando um risinho como a única pista do quão planejado aquilo era, apresentando a Live especial daquela noite ao lado da outra criadora de conteúdo, Amelie Florence.

        - A quebra do empate vai ser daqui a alguns minutos, e, enquanto isso, vamos ver qual é a das hashtags: TEAM KAISER e TEAM SAM!

        - Ihh, Olha só o que já temos aqui, @spidermoon0607 disse “kaiser já perdeu, samuel passou umas 12 horas treinando certeza, o cara é tryhard demais”.

        - Aí eu não posso confirmar, mas o @shadowwfanf disse “samuel não tem chance contra o kaiser! a speedrun dele só mostra o quanto ele estudou esse jogo…”

     O jogo começou bem, o sistema estabelecido os cedia um certo período para juntar itens para a batalha, e nesse pouco tempo, Kaiser já havia conseguido ferramentas mais duradouras. A mineração se tornou mais difícil enquanto o tempo foi diminuindo, mas com sorte, Samuel achou uma mina. Tochas colocadas pelos lados enquanto a picareta de ferro cava em formato de escada para baixo, tudo em busca do brilho azul. Era fato que só um pouco de diamante, aumentaria suas chances muito mais. Mas enquanto Samuel já estava armadurado com ferro, Kaiser havia gastado seu tempo minerando, o que se mostrou inútil quando o tempo acabou. 

        - Coloquem suas apostas no chat, vocês são #TEAMKAISER ou #TEAMSAM?

        - E começamos em 3, 2… 1!

     Números passaram por ambas as telas enquanto eram teletransportados para um campo aberto, Samuel não perdeu tempo em atacá-lo, Kaiser levando um bom dano. Infelizmente, seu equipamento não estava exatamente do seu lado, pior que o do adversário. Se esquivou com destreza e comeu uma maçã dourada que conseguiu fazer com o ouro da mineração. Depois disso, começou a avançar mais, com sua espada, já foi para cima, conseguiu dar um bom dano, mas só pela versão do minecraft que jogavam, por não ter cooldown do uso da espada. Samuel estava quase morrendo quando, apesar da desvantagem, Kaiser fez uma rápida construção com madeira para despistá-lo e conseguiu, finalmente, dar um último dano nele. Na tela, apareceu a facecam do mascarado, comemorando. Ouviu a voz de Amelie chamando-os para bater um papo sobre a competição, assim como a premiação dele. Samuel, por mais que derrotado, sorria.

        - Você ganhou! - Arthur o deu um abraço.

        - Sim! - Disse, e Amelie o abraçou junto. Logo depois, chegou Samuel, sorrindo também - Eu sou melhor, tá vendo?

        - É por que eu não treinei antes… 

     Amelie deu o troféu pequeno ao gamer, que ainda estava mascarado.

        - Querem falar alguma coisa para seus fãs? - Perguntou, e Samuel acenou com sua cabeça, mas antes que pudesse começar a falar, Kaiser começou:

        - É… Eu sei que a gente combinou que o perdedor ia fazer isso, mas eu passei o jogo inteiro pensando em como eu podia fazer um discurso incrível e eu não queria desperdiçar isso - Disse, rápido, olhando para Samuel através da máscara - É… Tá… Eu já estou limpo fazem alguns meses, e é por causa do Samuel. Junto dessa rivalidade e dessas competições, veio outra coisa também… Um negócio meio difícil de explicar… Tipo… Essa rivalidade foi real, a gente sempre competia e compete em todos os aspectos, mas eu não queria vir aqui e fazer um discurso sobre a minha vitória sem falar dele. É… eu sempre escondi muitos aspectos da minha vida que eu não achei que eram tão importantes assim, mas eu finalmente tenho algo que é bom pra caralho e eu só quero compartilhar com todo mundo…

     Arthur e Amelie se entreolhavam com um sorriso envergonhado em seus rostos, ela fez a palavra “vela” com seus lábios, de forma silenciosa, e Arthur quase teve um ataque de riso. 

        - Tá, agora cala a boca, Kai, por que eu já disse que EU ia fazer isso. 

        - Não, eu ganhei e quero fazer uma caridade, eu não posso?

        - Não, Menó, Claro que não! A gente combinou e eu disse-

        - Você disse que ia falar mesmo se ganhasse, mas sou eu fazendo isso, então você tem que me respeitar. E eu sou mais velho. E eu ganhei. Então sou eu que vou falar.

        - Tá bom, fala. 

        - A gente tá namorando! - Olhou para a câmera e disse, ignorando os apresentadores se abraçando e fazendo um coração atrás deles.

     O chat estava ficando maluco, um milhão de corações passando pela tela a cada segundo. Samuel deu um passo largo e tirou a máscara dele com um movimento só. Mas os fãs mal conseguiram ver seu rosto, já que logo o deu um beijo. Enquanto isso, os dois apresentadores e anfitriões se aproximavam da câmera.

        - Mia, desliga, já deu, acabou - Arthur disse.

        - Eu não sabia que eles iam fazer isso, puta que pariu- Mia falou, alto.

        - Meu senhor, já tá em primeiro nos trending topics - Olivier comentou, do lado da câmera.

        - Bro, acabou de acontecer, o que é isso… - E a live acabou.

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