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Bobby Firmino

Summary:

Após uma vitória gritante de 7-0 contra o Manchester United, a qual foi marcada após Firmino ser a estrela que marcou o último gol, o brasileiro começa a pensar em suas decisões sobre deixar o time. Incerto sobre o que fazer, ele se lembra constantemente de Philippe Coutinho, que o deixara para jogar no Barcelona e era considerado um traidor por alguns. Pensando que ele mesmo pode ser um traidor, ele não consegue relaxar.

Siga-o nessa jornada na qual Roberto Firmino tenta se conformar com o destino como ele é.

Notes:

CA-RA-LHO! QUE VITÓRIA INCRÍVEL CONTRA O MANCHESTER UNITED ONTEM!
Bom, como eu tinha prometido, aqui está a fanfic. Acabou ficando menos triste do que eu esperava (quem me segue no Tumblr sabe que eu tinha dito que seria algo depressivo), mas é porque eu não consigo fazer meus meninos sofrerem tanto. Acabou sendo mais reflexivo e dando um ar mais nostálgico pro Bobby.

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Quando a bola acertou o fundo da rede, marcando o sétimo gol daquela partida, o grito de vitória que Bobby vinha guardando desde o momento que voltou de sua recuperação saiu de seus lábios com uma intensidade maior do que a que ele havia planejado. Enquanto sentia o peso de Curtis em seus ombros e gritava para a câmera, ele sabia que tinha feito um bom trabalho.

 

Roberto sabia que seu tempo no Liverpool estava chegando ao fim. Enquanto ele caminhava de volta para o vestiário, um nó surgiu em sua garganta e ele engoliu em seco para afastar o desconforto. Três meses mais e depois tudo seria memória no fundo de sua mente. Assim como sua estadia no Figueirense. Era quase uma neblina na qual ele não enxergava nada daquela época.

 

Mas, quando Fabinho, com os olhos brilhando, mas com aquele semblante triste que indicava a dor e o medo da perda que ele sentia, se aproximou dele e colocou a mão em seu rosto, por um momento ele vacilou em sua decisão de sair e pensou em dizer à Klopp que havia mudado de ideia. Mas ele se lembrou de seus meninos. Núñez, Gakpo, Jota… Eles precisavam brilhar como ele também havia brilhado. Então, quando seus braços envolveram o corpo magro de Fábio e o puxaram para perto dele, Firmino sabia que estava tomando a decisão certa, por mais difícil que fosse.

 

Dentro do ônibus, na curta viagem de volta ao AXA, ele pensou seriamente em sair do time, mas permanecer morando no prédio. Talvez assim ele poderia ver seus amigos todos os dias. Seus olhos foram de Fabi, que estava com a cabeça apoiada em seu colo enquanto escutava alguma música em seus fones de ouvido, para Alisson, que estava com a cabeça apoiada no ombro de Virgil enquanto conversava com ele.

 

Alisson, seu melhor amigo, aquele que fazia aniversário no mesmo dia que ele. Quando é que você fazia amizade com alguém que faz aniversário junto com você? Quase nunca! E eles tinham essa conexão de amizade tão forte, mais do que aquela que ele havia tido com Coutinho.

 

Um gosto amargo subiu em sua garganta quando ele ouviu esse nome ecoar em sua própria mente. Liverpool tinha feito de Philippe o “Pequeno Mágico”, apenas para o outro brasileiro deixá-los pelo desejo de ter troféus. Coutinho, aquele que o havia abraçado em uma noite após um jogo fracassado no qual ele havia quebrado o braço, que havia dito que nunca trairia sua confiança, o deixara em uma única noite, sem nem contar pra onde estava indo. E então Alisson chegara e preenchera esse vazio que Philippe havia deixado em Roberto.

 

As lágrimas ameçaram surgir em seus olhos enquanto ele se lembrava daquele dia, mais cinzento do que o normal. Ele chegara no gramado para treinar, seus olhos procurando loucamente por Coutinho, mas não o encontrando. Foi James, que percebendo sua angústia, perguntou o que havia acontecido, o que fez Bobby descobrir que ele havia saído sem avisá-lo. Todos os outros sabiam, aparentemente, pois não pareciam estar tão surpresos como ele estava.

 

Ele não queria que você implorasse pra ele ficar , Klopp havia lhe dito, quase oito meses depois, quando Firmino finalmente se permitiu falar com ele. Coutinho havia traído sua confiança em um nível que ele nunca havia sido traído. Claro, ele se lembrava de ter sido traído por seu colega de escola quando ele era criança, quando ele quebrou a janela da sala dos professores com uma pedra após um erro de mira, e de ter ficado frustrado com seu amigo, mas eles sempre mantiveram a amizade.

 

Não havia sido a mesma coisa com Philippe. O rapaz mais novo simplesmente cortara todo o contato com ele: Instagram, WhatsApp, Twitter, até mesmo no SnapChat. Roberto ficou muito desnorteado após a saída de seu “amigo”. Por alguns meses, ele ficou trancado em seu quarto vazio no AXA. Lágrimas enchiam seus olhos a cada vez que ele olhava para o espaço vazio onde a cama de Philippe Coutinho costumava ficar.

 

Quando Fabinho chegou, alguns meses antes de Alisson, Firmino, que havia se tornado mais tímido do que já era, viu no homem magro, alto e também tímido, uma esperança de alguém que tiraria o vazio dentro dele causado por Philippe. Acontece que Fabinho se tornou mais do que seu amigo. Ambos criaram uma conexão muito forte, que acabou indo além da amizade algum tempo depois. E, apesar de Bobby amar muito Fábio, aquele vazio dentro dele ainda existia.

 

Então, Alisson chegou. Alto, sorridente, meio anti social, mas muito amável com todos. O brasileiro alto, que jogaria como goleiro, acabou conquistando o coração tanto de Roberto quanto de Fabinho. A amizade entre Roberto e Alisson surgiu de forma natural e assim, Firmino foi se esquecendo de Coutinho, principalmente quando os dois brasileiros decidiram fazer companhia a ele e dormirem todos no mesmo quarto, formando o Cantinho Brasileiro.



A noite deixava o quarto desagradavelmente escuro para a mente perturbada de Firmino. Pensar em Coutinho o havia deixado um pouco quieto demais, mas ele conseguiu mascarar seu desconforto para Alisson e Fabinho dizendo que estava apenas cansado. Mas agora, ele não conseguia dormir. Sua mente rodava em torno de sua saída. Ele sentiu, pela segunda vez naquela semana, o medo e a dúvida.

 

Preferiu se levantar e caminhar calmamente pelo quarto, observando os detalhes no escuro. Sua vista descansou em Fabinho, que dormia calmamente. Ele estendeu a mão e hesitou. Não queria acordar seu amigo, que dormia pacificamente, diferentemente do próprio Roberto, que lutava com seus próprios demônios internos. Deixando seu braço cair suavemente sobre o ombro descoberto de Fábio, ele acariciou o tecido da camiseta que o cobria. O ato não perturbou o outro brasileiro, mas o fez se inclinar na direção do toque, o que fez o coração de Firmino saltar no peito. Fabinho, tão amável, tão inseguro, mas que havia conquistado o coração valente de Firmino. Ele amava Fábio de uma forma que ele não imaginava que já tivesse amado alguém, nem mesmo na época da escola.

 

“Fabi… Vou sentir tua falta, meu querido…” - Ele sussurrou, mais para si mesmo do que para o homem adormecido.

 

“E a minha falta? Vai sentir não?”

 

Virando seu corpo rapidamente, ele deixou que seus lábios se esticassem em um sorriso doce enquanto ele via Alisson, com o cabelo bagunçado e os olhos baixos e confusos, o encarar com um sorriso sonolento.

 

“É claro que vou sentir tua falta, irmão. Tu é o meu melhor amigo, eu sempre vou ter você no meu coração.”

 

Ele se arrastou para debaixo das cobertas da cama que ele dividia com Alisson, já que sua cama de solteiro havia ficado para Fabinho e o quarto só aceitava uma cama de casal. O homem mais alto o envolveu em um abraço, enterrando o rosto de Roberto em seu peito. Bobby suspirou e lutou contra as lágrimas que novamente ameaçaram surgir.

 

“Você sabe que você fez eu esquecer o Coutinho, não sabe?” - Ele confessou, a voz abafada pelo tecido do moletom de Alisson.

 

“Ei Roberto! Roberto! Não chora não, Roberto!”

 

Bobby apertou o braço agora engessado contra o peito enquanto novas lágrimas rolavam por seu rosto já vermelho. Philippe, por sua vez, puxou uma cadeira até que ficou frente a frente com o menino chorão.

 

“Ei, escuta aqui: Tá tudo bem! Você ainda fez a gente ganhar! Não é um braço rachado que vai te transformar num jogador ruim!” - Philippe bagunçou o cabelo suado de Roberto - “Robinho, tu é um cara incrível! Eu duvido que alguma coisa possa te fazer ficar ruim no futebol! Tu consegue ser mais talentoso que eu!”

 

“Menos, Phil, menos. Não é a toa que tu é o Pequeno Mágico.” - Roberto sorriu entre os soluços, sua voz saindo rouca e aguda em algumas partes, o que fez Coutinho rir.

 

“Te adoro, cara! Eu nunca vou sair do teu lado, nunca mesmo! A gente vai levar o Liverpool pra Champions juntos, eu e tu, inseparáveis. Te amo muito, meu amigão!”

 

Roberto arrulhou de satisfação quando os dedos ágeis de Philippe arranharam seu couro cabeludo enquanto as lágrimas secavam em seu rosto e ele se acalmava aos poucos.

 

Tão ingênuo, ele era. Roberto nunca teria imaginado que Coutinho não cumpriria sua promessa e simplesmente o deixaria pelo desejo de ganhar troféus. Coutinho era um traidor para ele, um nome quase morto, uma sombra de seu passado. A única mensagem que ele havia recebido do homem foi quase dois anos depois de sua saída.

 

Ei cara, te adoro, mas não rola ficar. Liverpool não ‘tá mais atendendo minhas expectativas e eu quero ser melhor, cara. Foi mal não ter falado antes.

 

Bobby se lembrava de jogar o celular no chão e gritar, com muita raiva. Nem um pedido de desculpas ele fora capaz de dizer! Apenas “foi mal por não ter falado antes”!




Envolto no abraço confortante de Alisson, um sentimento ruim surgiu na boca de seu estômago. Ele deixaria todos eles, depois de oito anos. Ele estaria sendo um traidor agora, pois foi sua própria escolha o ato de sair. Os mais novos poderiam brilhar como ele queria que acontecesse, mas ele deixaria seus amigos, seu amor, seu irmão. Lágrimas vazaram de seus olhos enquanto ele mordia o lábio inferior com força.

 

“Você não é e nunca vai ser um traidor. Ignora o que o Coutinho fez contigo. Aquilo foi idiota da parte dele. Aqui, quase todo mundo já sabe, porque você contou ‘pra eles. Você não é um traidor. Pelo contrário, você é a alma e o coração do nosso time.” - Alisson murmurou, esfregando círculos reconfortantes nas costas de Roberto.

 

Firmino não percebera que havia dito essa parte em voz alta. Aproveitando que seu rosto estava escondido no tecido das roupas de Alisson, ele se permitiu chorar. Todo o medo, a raiva que ele sentia, a mágoa, a dúvida, o sentimento de que ele era um traidor, tudo aquilo saiu de dentro dele em forma de lágrimas e de soluços sufocantes que o fizeram querer desmaiar.

 

Dentro dele, ainda existia aquele pequeno garoto magrelo, do nordeste do Brasil, frustrado por ter sido derrubado. Dentro dele ainda existia aquele rapaz de 26 anos, decepcionado com seu melhor amigo por sua saída, principalmente ao ler o texto de despedida que Philippe postara em seu Instagram.

 

Mas ele estava tentando. Ele estava tentando esquecer aquela velha ferida. Lá no fundo do ser dele, o perdão já havia sido concedido para Coutinho. Tanto que, se o jogador do Aston Villa viesse visitá-lo, ele o receberia de braços abertos e talvez com algumas lágrimas.




Às vezes Roberto pensava que Klopp e os meninos seriam seu fim. Quando ele foi até o refeitório, Tsmikas o envolveu em um abraço apertado enquanto desejava que ele fosse feliz. O grego lhe deu um par de seus próprios brincos. Tocado por aquele gesto, porque aqueles eram os brincos favoritos de Kostas, Firmino tirou seus brincos em formato de cruz do bolso de sua calça e os entregou ao grego, com a promessa de que sempre se lembraria dele.

 

Hendo o encurralara contra a parede, como havia feito quando eles se conheceram (uma tentativa do Inglês de tentar intimidar Roberto) e ambos se abraçaram e choraram. Henderson tinha um carinho enorme pelo brasileiro. Ambos jogaram juntos por muito tempo e fizeram história no time vermelho. Klopp, por sua vez, apenas o abraçou, como um pai que está orgulhoso de seu filho, mas que precisa se despedir dele.

 

“Know that you are always welcome here, Bobby. You will always be family to us, just like Sadio.” - Klopp sussurrou em seu ouvido antes de deixá-lo ir.

 

Mas, para a surpresa do próprio Bobby, quando ele se trancou dentro de seu quarto após o café da manhã, lágrimas raivosas começaram a escorrer por seus olhos enquanto ele derrubava no chão qualquer coisa que ele conseguisse ver e que ele sabia que não quebraria.

 

Por que era tão difícil deixar ir?

 

Encolhido no chão em sua bagunça chorosa, ele nem percebeu Fabinho limpando toda a sujeira e o colocando sentado em sua antiga cama. O brasileiro mais novo, assim que percebeu Roberto o observando, sorriu daquele seu jeito gentil e meio envergonhado.

 

“Eu ‘tô errado? Eu ‘tô errado, Fábio Henrique Tavares!?” - Ele gritou, algo incomum para ele. Não fazia parte de sua natureza levantar a voz para aqueles que eram seus amigos.

 

Fabinho não respondeu imediatamente. Enxugando uma lágrima perdida de sua própria bochecha, ele se inclinou e pressionou os lábios de ambos juntos em uma carícia gentil. Depois, ele limpou as marcas de choro das maçãs do rosto afiadas de Firmino e se sentou ao lado dele, fazendo com que sua cabeça descansasse em seu ombro.

 

“Você decidiu sair, mas por uma causa nobre, meu querido Bobby.. Você decidiu deixar que nossos garotos mais jovens brilhem como você brilhou por oito anos. Isso é o suficiente para eu dizer que você não está errado. Você é bom demais para nós, Roberto.” - Ele sorriu de forma amável, mesmo que Bobby não pudesse ver - “Vamos sentir sua falta, mas você sempre vai ficar gravado em nossos corações como um homem nobre.”

 

Roberto respirou fundo, acalmando-se. Boa parte das lembranças de sua estadia no Liverpool voltaram à sua mente. Todos os gols, os abraços, as comemorações inventadas, as danças, os gritos, as discussões bobas do vestiário com Adam, a música que os torcedores fizeram para ele. Um sorriso surgiu em seu rosto. Seu gol contra o Manchester United no dia anterior. Possivelmente seu último jogo contra eles dentro do Anfield. Um gol que marcou seu retorno, mesmo que durasse apenas mais três meses.

 

Enterrando seu rosto na curva do pescoço de Fabinho como ele costumava fazer com sua mãe durante a infância, ele sorriu, seu sorriso mais largo. Ele não conseguia nem pensar em como seria dali para frente. Ele não queria imaginar seu último dia. Roberto tinha três meses para esquecer que iria embora. Talvez ele ganhasse a Champions pela última vez. Talvez ele veria Alisson e Virgil andando juntos, suas mãos unidas apenas pelos mindinhos, nos corredores vazios do AXA enquanto falavam sobre coisas fúteis. Talvez ele finalmente levaria Fabinho para um passeio na baía. Talvez, talvez, talvez.

 

Ele ainda tinha tempo para sorrir, ser feliz, marcar gols contra o Bournemouth e quem sabe fazer um grande jogo no Bernabéu no dia 15. Deixando uma lágrima perdida escorrer por sua bochecha e pingar em seu colo, ele entrelaçou a mão de Fabinho na dele.

 

“Eu prometi uma coisa ‘pro Klopp. Eu não vou sair daqui sem provar pra todos vocês o quanto eu amei estar aqui todos esses anos…” - Ele suspirou, estranhamente feliz.

 

Que ele sairia, isso já era fato. Mas, pelo menos, ele poderia estar com sua família por mais algum tempo. Foram eles que o transformaram em quem ele era: Bobby Firmino, o lendário camisa 9 do Liverpool. E isso ele jamais esqueceria.

Notes:

Gente, preciso da ajuda de vocês. Vocês querem que eu escreva uma fanfic sobre o jogo deles contra o Bournemouth e depois uma sobre o jogo deles contra o Real Madrid no Bernabéu ou vocês querem que eu escreva uma única coisa após o jogo contra o Madrid? Por favor, deixem a opinião de vocês nos comentários, juntamente com a opinião de vocês em relação a esta fanfic.