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Felps ia em direção do castelo do amigo, o arrastando pelo braço e tentando manter sua risada engatada em sua garganta. Não era muito tarde, se quer chegava a passar das três da manhã, mas com a quantidade de bebida que ingeriram, resolveram deixar o loiro alcoolizado em casa.
Tinham saído para comemorar os dois meses de Richarlyson, era difícil o manter vivo por tanto tempo, para eles essas saídas de comemoração eram como os pais que celebram o ‘mêsversário’ com um álbum de fotos. Era só um pouco mais divertido.
Bebiam e conversavam a noite toda, faziam algumas brincadeiras e fofocavam durante parte da escuridão, já que durante a manhã todos dedicavam o tempo ao aniversário da criança. Roier resolveu não ir nessa pequena festa, queria terminar de arrumar seu guarda-roupa e descansar mais cedo.
Quando Felps chegou e gritou o nome de Roier, o mexicano já estava deitado, levantou estranhando a situação, grogue de sono e esquecendo que seu marido possivelmente estaria alcoolizado e talvez fora de si.
Nunca tinha visto o marido bêbado, não sabia como ele agia e aquilo era estranho, seria o tipo de embriagado que dorme ou o falante? Só esperava que o amado não estivesse passando muito mal.
— Teu homem aí. — disse Felps enquanto o melhor amigo se segurava totalmente em seu corpo.
Cellbit tinha se acabado, bebeu de estomago vazio e acabou exagerando em suas doses de álcool. Uma coisa levou a outra, agora estava fora de si, tão tonto que se ficasse em pé por muito tempo, cairia em seguida.
Felps não tinha bebido muito, logo voltaria para a festa aproveitar o final dela. Tinha o resto da madrugada pela frente, e agradecia por Roier existir, assim não teria que cuidar do amigo e sabia que ele estava em segurança.
Roier o catou pelo braço e o apoiou em metade de seus ombros, o marido murmurava algumas coisas desconexas com a voz embolada, ele não compreendia direito.
— ¿De qué estás hablando, cariño? [Do que está falando, querido?]
— Você é muito bonito… —A voz do brasileiro era um pouco travada pelos soluços entre as palavras.
— ¡Gracias! [Obrigado!]
— Mas você tem uma aliança no dedo…
— Sí, mi amor, ¡claro que tengo un anillo en el dedo! ¿De que hablas, pendejo? [Sim, meu amor, claro que tenho um anel no meu dedo! Do que você está falando, estúpido?]
— A gente nunca vai poder ficar junto. Você é casado!
Cellbit só poderia estar brincando com ele, como diabos ele se esqueceu que ambos estavam casados? Não chegara a fazer um mês da união dos dois.
— Gatinho, ¿cuanto bebiste? [Gatinho, quanto você bebeu?]
— Seu marido sabe que você ilude pobres corações?
Roier o carregava meio arrastado, seu maior medo era a parte de subir a escadaria, que tinha muitos e muitos degraus para ir com um homem bêbado que mal se lembrava.
— A mi esposo no le importaría si fueras tú, cosita. [Meu marido não se importaria se fosse com você, pequeno.]
— Você é infiel?
Cellbit tropeçou em um dos tantos degraus que tentava fracassadamente subir, quase caindo todas às vezes que tentou.
— Nunca, amo mucho a mi esposo!
— Não entendi…
— Hasta mañana lo entiendes, cielo. [Até amanhã você entende, céu]
Roier o atormentaria muito sobre todo o acontecimento, riria de sua cara em outro momento, já que agora estava trancando sua risada para cuidar da melhor forma possível do homem que estava uma confusão.
Quando Cellbit saiu de casa, ele estava bem-arrumado, suas roupas normais do cotidiano, cheiroso e de banho tomado. Agora ele estava com o cabelo desdenhado, suas roupas amarrotadas e cheirando a álcool, felizmente nenhuma mancha de vinho era vista em sua roupa.
— ¿Te siente mal? [Te sente mal?]
— Acabei de tomar o fora do homem mais bonito que eu já vi! Sim, me sinto um pouco mal.
Roier soltou uma pequena risada, tentando se conter. Se tivessem bebido em seu primeiro encontro, seu marido reagiria de mesma forma?
—¿Crees que vas a vomitar? [Pensa que vai vomitar?]
— Não, estou bem.
— Gatinho, bueno es una palabra demasiado fuerte. [Bem é uma palavra muito forte.]
— Para de me chamar assim, seu marido não vai gostar…
— Le encanta cuando lo llamo así. [Ele adora quando o chamo assim.]
— Infelizmente eu não sou o seu marido, guapito.
— Es correcto. [Tem razão.]
Roier ria internamente enquanto procurava alguma forma de não derrubar o amado da escada, eles já lidaram com mortes o suficiente nos últimos tempos.
Quando finalmente conseguiram subir todas as escadarias que o castelo tinha, Roier o deixou em cima da cama, meio jogado, definitivamente torto. Nunca odiou tanto seu pai por ter construído tantos andares em um ambiente só, por mais leve que Cellbit fosse, era um inferno carregá-lo bêbado de um lugar para o outro.
Rapidamente desceu em procura de alguns remédios e água para dar ao amado alcoolizado. Ele tinha noção que a noite poderia ser muito longa caso o homem não dormisse logo, ou curta se a caso ele não fosse teimoso.
Quando subiu, ficou estranhando toda a situação. Cellbit chorava em silêncio, sentado torto, quase caindo para os lados e com uma dificuldade visível de se manter equilibrado.
— Mi amor, ¿qué pasó? ¿Porque lloras? — Se aproximou de forma lenta, não querendo causar nenhuma imprudência com uma velocidade exagerada, ficou agachado entre as pernas do marido. [Meu amor, o que aconteceu? Por que você chora?]
Retirou uma mecha do rosto dele, limpou a água que descia em suas bochechas.
— Você largaria ele para ficar comigo? Eu te trataria muito melhor…
— ¿Estás realmente llorando por esto? [Está realmente chorando por isso]
— Eu te daria o mundo!
— Amo a mi esposo, nunca lo dejaría, solcito. [Amo o meu marido, nunca o deixaria, solzinho.]
— Tudo bem, entendo… seu marido é um homem de muita sorte por ter você.
— ¡Estoy de acuerdo! [Eu concordo!]
Enquanto o detetive ainda chorava baixo, tomou os remédios e a garrafa de água que o homem bonito lhe entregou. A água felizmente faria seu efeito positivo sobre o brasileiro, limparia um pouco do álcool em seu sangue.
— Me avisa se vocês terminarem…
— Te advierto, no te preocupes. [Te aviso, não se preocupe] -A esse ponto, uma risada alta saiu da garganta do mexicano, mantendo o brasileiro confuso sobretudo.
Roier o carregou mais uma vez, guiando seus passos tortos em direção ao banheiro presente no quarto dos dois. A cama era um alvoroço, já que Roier dormia nela antes de ter que se levantar para cuidar do homem que tanto ama.
Deixou o homem sentado em cima da privada, pegou a escova de dente e o fio dental para não deixar o marido dormir com a boca suja, a sensação quando acorda nunca é agradável.
— Ele não vai se incomodar com isso? O marido bonito dele ajudando um bêbado apaixonado…
— Me lo agradecerá mañana. [Ele vai me agradecer amanhã.]
— Ele parece ser muito legal!
— ¡Él es! Es guapo, inteligente, cariñoso, cuidadoso… muchas cualidades. [Ele é! É bonito, inteligente, carinhoso, cuidadoso… muitas qualidades.]
— Não tem a metade das suas.
— Es verdad. Ahora abre la boca para que pueda cepillarte los dientes. [É verdade. Agora abra a boca para que eu possa escovar seus dentes.]
— Ahhhh.
Era cômico ver como seu marido se tornava outra pessoa enquanto estava alcoolizado, sempre foi muito limpo e transparente sobre todos os seus sentimentos, mas agora era engraçado saber que ele se apaixonaria novamente por si.
Roier decidiu não dar banho no brasileiro, estava cansado, sonolento já que tinha sido acordado de seu precioso sono. Então, quando finalmente tinha terminado com os dentes, o levou para cama.
— Ele realmente não vai se importar com isso? Estamos dormindo abraçados…
— Le gusta, tranquino bebé.
