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Um café e um beijo

Summary:

Esta é uma história sobre uma história. E de como a autora não sabe o que é metalinguagem, mas tenta descobrir.
(No meio disso tudo, Chan usa galochas).

Notes:

Olá, olá <3 que bom que vieram!

Para quem não sabe, durante esta semana vou postar 7 fanfics chansung que escrevi usando os plots doados por chansungers. Esperam que se divirtam ao longo desses dias e que todos envolvidos aprovem o resultado!

Este é o primeiro dia da chansungweek e o plot foi doado pela @hanniegenius que queria uma chansung em que Chan fosse bigênero (se identifica com não-binário e com o gênero masculino) e Jisung fosse um queer dono de uma cafeteria/confeitaria muito especial para o Chan. Também foi pedido o uso de metalinguagens e, por causa deste pedido incomum, eu acabei criando essa história. Espero que goste @hanniegenius <3

Observação: eu optei por não usar linguagem neutra. Adaptei a escrita de tal forma que eu me referisse a Chan sem encaixá-lo em um gênero e onde você vir plurais, saiba que o plural masculino sempre engloba todos os gêneros.

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

 

Chan sentou no banco de madeira coberto por uma estrutura com telhas vermelhas para escapar do sol. Olhou para as unhas comidas e para seus sapatos sujos de terra. A rua não asfaltada e ladeada por calêndulas estava vazia, mas nem por isso silenciosa, pois a cantoria de cigarras preenchia o ar denso que exalava a cidreira. 

É um bom começo para uma história. Nada mal.

— Você já decidiu o que vai fazer? 

Quanta impaciência. Nascemos um personagem e ele já tem voz, opiniões. Só porque não descrevi todo o cenário, já quer que eu dê um jeito de colocá-lo em movimento. Uma história não é tão simples assim de fazer sair do nada, sabia? É claro que não sabe. Você é só um personagem.

— São tantas possibilidades — ele concordou. — A gente poderia não fazer isso?

Isso o quê?

— Usar ele ? Quero dizer, está tudo bem se você usá-lo.

Quer dizer que eu não posso suscitar questões de gênero desta vez?

— Você poderia não me limitar, é o que eu peço. Apesar de me identificar com ele , queria que você também pudesse ser consciente de que eu sou mais do que isso.

Tudo bem, então. Como gostaria que eu me referisse a você?

— Pelo meu nome está bom.

Ok, vamos fazer alguns ajustes daqui em diante.

— Me sinto triste. Por qual motivo?

É. Aparentemente você tem algum problema.

— E qual é?

Eu ainda não sei. Estou tentando pensar. 

— Vou ter que esperar aqui até você se decidir?

Você é muito chato. Ou melhor, Chan porta muita chatice no seu modo de ser.

— Acho que me lembro de ouvir esse adjetivo em outro momento. Não muito tempo atrás. Numa história com um gato preto muito fofo.

Já me decidi sobre uma coisa. Chan de galochas. É assim que você vai ser.

Os seus sapatos sujos foram substituídos por um par de galochas amarelas com estampa de margaridinhas. E sua roupa, que ainda não tinha cor nem descrição, se transformou num macacão jeans escuro longo. As barras foram enfiadas dentro das galochas e uma camiseta branca foi adicionada ao traje. E seu cabelo mudou para um tom loiro dourado, meio acaju. Para combinar, é claro.

— Você não acha que está muito quente pra usar isso? — ele bateu os pés um contra o outro.

Quanta exigência…

Depois de alguns minutos, o céu se encheu de nuvens cinzas e muito carregadas. Um vento soprou através do calor insuportável, prenunciando uma chuva de verão.

— Espera! — Chan gritou. — Eu preciso de um guarda-chuva.

Não precisa não. Essa é a graça da coisa. É melhor correr, ou você vai se molhar.

— Para qual direção? — se levantou com aflição, olhando de um lado para outro.

Ora, qualquer uma. Vou fazer seu mundo aparecer independentemente da sua decisão. Se divirta um pouco. Já estou fazendo quase todos os seus gostos mesmo.

Chan animou-se e começou a andar depressa em direção ao morro. Quando notou que estava subindo em vez de descendo, mudou de ideia e deu meia volta.

Não. Você não pode desistir assim. Você está gastando linhas desnecessariamente.

— Descer é muito mais confortável.

Pois eu acho que você tem determinação e prefere saber o que tem lá em cima. 

(Às vezes é imprescindível decidir pelos personagens. Ou eles fazem o que bem entendem e perdemos o fio da meada. E é bom adicionar elementos que atenuem seus maus humores.)

Chan parou antes de chegar ao banco onde esteve e concluiu que era melhor seguir seu primeiro instinto. As calêndulas em seu trajeto, que faziam par com seu cabelo, fizeram seu desânimo diminuir um pouco de tamanho. Com uma intenção em mente, se abaixou para pegar uma delas e colocou uma atrás de sua orelha a fim de se enfeitar. 

Depois de superar a elevação, Chan soube que sua preocupação tinha a ver com seu dia a dia. Nada em específico ainda.

— Posso saber se eu sou assim ou isso é passageiro? — exigiu saber, querendo conhecer mais o seu papel na história.

Você está assim. Até porque estou tentando falar sobre alguma coisa doce e leve aqui. Olhe ao seu redor.

Uma cidade, pequena e antiga, foi adicionada ao campo de visão de Chan, que se encantou com as construções de pedras, com as ruas cheias de mesas de madeira e transeuntes passando. No ar, o aroma de cidreira foi dando lugar ao cheiro de comida, de pães e cafés. Sua curiosidade lhe deu o impulso para descobrir o que mais aquele lugar tinha a revelar e na sua caminhada, avistou livrarias, cafeterias, lanchonetes e lojas de aviamentos. 

O som de um trovão forte e muito barulhento fez o favor de trazer aos seus pensamentos o motivo da sua visita à cidade.

— Posso escolher o lugar que eu quiser para ir?

Nem tanto. Preciso que você vá ao lugar certo .

— Como vou saber?

Todas as portas para os outros estabelecimentos estarão trancadas. Como num jogo de videogame , sabe? Você só pode abrir a porta que tem que ser aberta.

Chan atravessou a rua de blocos e sentiu os primeiros pingos grossos de água morna que alcançaram seu nariz e seu ombro. Encarou o céu com indignação e apertou o passo, encontrando uma cafeteria na esquina. Na fachada dela, um letreiro rosa brilhante anunciava o nome Coffeelings e embaixo, um slogan numa placa de madeira pintada: donut care what people say, lattes be happy! ”.

— Por que tenho a sensação de que esse lugar é maravilhoso?

. Você já foi aí várias vezes. Conhece essa cafeteria. É o seu cantinho preferido. Especialmente depois de passar por um dia difícil. Você adora entrar e ver a decoração rosa cheia de plaquinhas com mensagens positivas, do cheiro de café moído e do chocolate derretido. Sem contar que tem um barista muito fofo e adorável que também fica contando as horas pra poder te ver.

— Sério? — se entusiasmou.

Chan entrou na cafeteria e estar ali foi o suficiente para que seus ombros relaxassem. Uma rápida olhada para trás e viu a chuva cair torrencial, separando a cafeteria de um mundo que não tinha a menor graça. Pensou, assim, que seus problemas ficaram do lado de fora, ensopados, e que não precisava mais dar tanta importância a eles. 

A cafeteria tinha uma atmosfera doce e aconchegante. Chan adorava se sentar perto do balcão, onde certamente tinha uma visão privilegiada de tudo e principalmente daquele que atendia calorosamente seus clientes: Han Jisung, o nome do barista mais encantador da região. Dono de um sorriso lindo, ele sempre vestia um avental por cima do uniforme que enchia de broches fofinhos. 

— Oi! — cumprimentou Jisung depois que esse parágrafo foi escrito, apagado e reescrito algumas vezes. — Você finalmente veio!

— Você estava esperando por mim? — Chan perguntou com embaraço. Piscou várias vezes e, com um brilho nos olhos, se demorou na admiração por seu crush e provavelmente a razão que usava para arranjar compromissos na cidade e dar uma passadinha no Coffeelings.

— Não diga que você não volta por causa do meu café! — Jisung se sentiu levemente ofendido.

Não, não é isso, Jisung.

— Não, não é isso, Jisung — Chan repetiu e sua mão foi para a orelha, coçando-a com nervosismo.

Ah, vocês dois! Não sei se eu vou aguentar fazer isso!

— Eu adoro seu café — Chan apressou-se em dizer. — Eu volto aqui por causa dele. E por sua causa também, é claro!

— Assim está melhor. Eu ficaria me sentindo mal se por acaso você fingisse só para me agradar. Então, o que vai ser hoje, meu doce?

Chan deu uma olhada no cardápio. No cabeçalho, havia uma pergunta: “Como você quer expressar seus sentimentos?” para indicar a lista de cafés expressos. 

Um pouquinho? Para os cafés bem pequenos.

Um monte? Para os cafés em xícaras maiores.

No cabeçalho da seção dos lattes, a expressão era "Nunca é latte demais para dizer o que sente". Na área dos chás, o nome era "LGBTea" e havia muitas opções com cores diferentes. E na última seção da página, " Mamma mia! Este é um amor de verão!" para as sodas italianas.

Virando a página, os donuts incríveis que Jisung fazia recheavam a página. No título: "se não sabe o que dizer a pessoa amada, donut worry !" e as descrições dos sabores tinham conselhos para todos os casos de paixões, desde os não correspondidos até os proibidos. Os donuts vinham em formato de coração e com declarações amorosas escondidas dentro de um biscoitinho de vento com formato de arco-íris.

— Você também acha estranho quando a gente fica se olhando aqui e não acontece mais nada? — Jisung inclinou a cabeça para o lado, um sorriso travesso adornando seus lábios cor-de-rosa.

— É porque ela está se decidindo ainda. Ela não tem muita coisa planejada. Prefere ir escrevendo pra ver no que vai dar.

— Bem diferente de você, que adora um planejamento.

— Eu ouvi dizer que eu sou assim mesmo.

— O que ela fica fazendo enquanto ficamos parados?

Chan deu de ombros.

— Ok. Então que tal ficarmos mais à vontade enquanto a gente espera?

— Você não está ocupado?

— Com essa chuva, você vai ser meu único cliente por um bom tempo — sorriu e saiu de trás do balcão, guiando-os para uma mesa. 

Eles se sentaram de frente um para o outro, separados por uma distância bem pequena que era a mesa redonda de madeira. Acima deles havia uma grade que segurava samambaias de todos os tipos.

— Adorei as galochas. Ficaram lindas em você. E essa flor — Jisung levantou a mão e ameaçou tocar a calêndula que ainda estava atrás da orelha de Chan.

O barista pousou os cotovelos na mesa e apoiou o queixo nas mãos de um jeito fofo que fez Chan corar. 

— Você está ouvindo essa música? 

— Sim. É um jazz ?

— Aparentemente, sim.

— Eu acho que ela está com problemas em escrever isso — Chan suspirou.

— Por que você acha?

— Esse desafio está deixando-a ansiosa. Porque ela quer escrever algo interessante, mas não faz a menor ideia do que fazer com a linguagem neste caso.

— Ah, pobrezinha. Diga a ela para vir tomar um café qualquer dia desses.

Chan, meus problemas ficam entre nós. Você não pode simplesmente sair por aí falando sobre eles. Mas já que você não resiste a uma fofoca, vou te dar um probleminha para resolver e você parar de pegar no meu pé. Que tal você sentir insegurança porque quer confessar seus sentimentos e tem medo de não ser recíproco? Já que o Jisung é amável com todo mundo e você não sabe se o carinho que ele te dá é realmente especial?

— O que foi, Chan? — Jisung percebeu a alteração instantânea em sua expressão.

— Nada — dispersou o assunto, pois não sabia como explicar que há muito tempo esteve nutrindo uma paixão secreta pelo barista e pensava nele todos os dias.

— Você sabe que veio ao lugar certo para expressar seus sentimentos, certo? — ele incentivou e baixou os braços, pegando a mão de Chan nas suas. 

— S-Sim — balbuciou e observou com fascinação a forma como suas mãos estavam unidas. Sentiu a maciez da pele de Jisung e aproveitou que o barista tinha iniciado aquele contato para traçar seus polegares pelas costas da mão dele, imaginando como seria ter permissão para fazer aquilo sempre que quisesse.

— Vou trazer um doce para você, o que acha? Vou trazer o mais especial e que eu ainda nem coloquei no menu!

O barista se levantou e Chan sentiu a chateação por ter que se distanciar do objeto de sua mais devota afeição, mas quando Jisung piscou por cima do ombro, seu coração aquietou com a promessa de retorno.

A chuva do lado de fora ainda era muito estrondosa e Chan se distraiu vendo-a encharcar o pavimento de blocos. Sob o refúgio da cafeteria, era capaz de contemplar o fenômeno passageiro da natureza obrigando a todos se recolherem. 

A iluminação na cafeteria, um tom quente parcialmente amarelado, permitia um agradável clima para um café. Era um tom que combinava com as paredes cor-de-rosa, caía bem com as folhagens estrategicamente posicionadas e lembravam um calor gostoso de um abraço. 

Havia cortinas de contas de crochê separando algumas mesas e no centro do salão com piso de tacos, havia uma árvore artificial branca enorme, bem semelhante a uma cerejeira, envolta de luzes. 

Chan tinha certeza de que Jisung tinha idealizado cada pedaço daquele estabelecimento para que fosse parecido com o seu jeito amável de ser, porque tudo ali tinha um pouco dele. E não era à toa o nome que tinha escolhido para sua querida cafeteria, pois se havia um espaço onde se sentia confortável para abrir seu coração, era ali no Coffeelings.

— E aqui está! Seu donut cinco estrelas.

Jisung circundou o balcão segurando uma bandeja. Ele colocou um prato com um donut em formato de estrela, com uma cobertura preta cheia de confetes de bolinhas prateadas. Ao lado do prato, uma cartela de adesivos bem pequenos.

— Tomei a liberdade de preparar um café também. Um café com gostinho de chocolate e um beijo. O meu muahccino .

— Por que um beijo?

— Prove — incentivou.

Chan segurou a alça da xícara alta de vidro e bebericou. Quando o líquido saboroso, quente e doce desceu por sua garganta e a espuma criou um bigode sobre seus lábios, uma boca grudou em sua bochecha, suave como o toque de uma pena.

Chan ficou de queixo caído e Jisung riu de sua expressão. Com gentileza, o ajudou a limpar o rastro da espuma e voltou a se sentar, desta vez mais perto.

— Me dê a cartela.

O barista pediu e Chan, com o coração desregulado e os pensamentos desnorteados, entregou as figurinhas para as mãos estendidas. Jisung passou a destacá-las e grudar em sua bochecha, perto da região dos seus olhos.

— Eu chamo esse de stardonut — Jisung disse ao colar várias estrelas e miniaturas de planeta na lateral do rosto de Chan. — O que achou?

— Incrível.

— Você nem provou ainda! — riu.

— Eu já sei que está bom porque você só faz coisas incríveis.

Jisun enrubesceu ao ser abertamente elogiado. Para o barista era um prazer enorme fazer sobremesas para Chan experimentar e receber uma reação tão positiva o fazia se sentir como se tivesse ganhado na loteria.

Chan tomou outro gole e um filete de ansiedade tomou conta de sua fisionomia.

— É apenas um beijo — Jisung esclareceu com um riso e voltou a apoiar os cotovelos na mesa, se divertindo com aquela oportunidade de estar com Chan sem que eles fossem interrompidos.

Eu não tive nada a ver com isso, por sinal.

— Esse muahccino está no menu? — Chan perguntou, mostrando sua verdadeira apreensão.

— Ah… não, meu bombom. Esse café é só seu .

Jisung ofertou outro de seus sorrisos encantadores. A chuva, nesse momento, cessou e o barista observou a tarde clarear pela vitrine de sua cafeteria. Com um ar sonhador, ele se pôs de pé e acenou, retornando ao seu posto.

— Quando terminar o seu café, venha falar comigo. 

Chan assentiu e pegou o donut com o guardanapo, dando uma boa mordida nele. A explosão de sabor o fez gemer de alegria e parecia que uma supernova tinha estourado em sua boca. 

Com o término do mau tempo, as pessoas voltaram a circular pelas ruas e os clientes da cafeteria apareceram. Todos foram acolhidos pelo barista que tinha apelidos carinhosos para sua clientela fiel e Chan poderia até sentir ciúmes pela atenção que ele direcionava aos outros, mas neste momento só conseguia se apaixonar mais por ver Jisung demonstrar seu amor pelas pessoas.

O Coffeelings era mais do que uma cafeteria comum. Ela era mágica e muito especial. Justamente porque ali todo mundo se sentia aceito e visto . Jisung não deixava ninguém passar despercebido e aparentemente o seu menu tinha algum ingrediente mágico capaz de facilitar que qualquer um saísse dali com mais ternura. Era impossível ficar imune ao mundinho que ele criou para tornar a existência mais doce.

Chan sentia uma gratidão enorme porque Jisung sempre se importou em deixá-lo ser como era, usando galochas estampadas e tudo.

Não adianta fazer essa cara, Chan. Galochas fazem parte do seu visual agora.

— Eu preferia ter vestido algo para impressionar Jisung — seu desapontamento se desabrochou em um bico.

Você quer que eu tire essa camiseta branca de você?

— Por favor, não! — pediu e se escondeu atrás das mãos.

Muito bem. Foi o que eu pensei, Chan de Galochas. Ou devo dizer, bombom? O que foi? Quando sou eu, você não gosta?

— Como vou dizer a ele sobre meus sentimentos? Não quer mesmo me deixar confiante? Ainda dá tempo. Você pode me inspirar força de vontade.

Nuh-huh. Você tem insegurança, lembra? Faz parte do seu jeitinho hoje.

— Não vou conseguir fazer isso — encarou o balcão com nervosismo enquanto Jisung atendia aos clientes com o bom humor de sempre.

Vai sim. Termina o café. Vai dar tudo certo.

— Verdade? — suas mãos afastaram do rosto.

Ah, olhe bem para o cenário fofo. Você acha mesmo que alguma coisa vai dar errado aqui? A única coisa que pode não dar certo é a pessoa que pediu não gostar do que eu escrevi. Ou desapontar porque isso aqui não chegou nem perto do que a pessoa idealizou. Superar ou atender expectativas é um trabalhinho difícil. 

— Mas eu gostei de tudo o que você escreveu até agora. É uma história muito boa. Muito fofa. Você se esforçou para sair do seu estilo e adaptar sua escrita.

Você é adorável, Chan de Galochas. Espero que seja o suficiente. 

Ao terminar o café, Chan intrigou-se com a sensação misteriosa que veio junto com o sabor de chocolate. Tinha gosto de alguma coisa que a autora não sabe nomear. Por isso é misteriosa (aha-ha). Chan se sentiu bem melhor depois disso e decidiu quebrar o biscoito de vento para saber se obteria um conselho valioso para resolver seu impasse na história.

 

O segundo beijo é por conta da casa!

Venha buscar :*

 

Chan arregalou os olhos depois de desenrolar o bilhete e seu rosto esquentou. Com as mãos suadas e o peito palpitando, desviou a atenção para o barista e viu que ele também já estava vigiando para conhecer sua reação.

Sem dúvida, não estava imaginando coisas. Se levantou de sua mesa e se juntou a Jisung perto da cerejeira artificial, um plano de fundo perfeito para terem aquela conversa que estava prestes a desenrolar a paixão entre eles. Coisa de dorama , sabe?

— Posso escolher onde será meu segundo beijo? — perguntou ao se aproximar.

— Só se você acertar onde eu planejei te dá-lo! — Jisung segurou as mãos de Chan.

E se beijaram. Na boca, se eu ainda não fui muito específica.

E fim! Assim termina a história.

Sobem os créditos.

 

(— É sério que você vai terminar assim? — Chan olhou cheio de consternação para as páginas.

Olha, dá um tempo. O que mais você quer?

— A gente pode falar mais sobre algumas coisas, não acha?

Chan, você sabe que tem mais outros textos que eu preciso escrever. Sossega com esse final feliz. Comecei com um cenário, te movimentei, te dei um probleminha qualquer. E você ainda acabou com o amor da sua vida. Acho até que você saiu muito bem nessa história!

— Eu acho que você não sabe o que é metalinguagem.

E depois que eu escrevi tudo isso você me diz uma coisa dessa?

Veja bem, essa autora que vos fala já faz um tempo que saiu do ensino médio…)

Notes:

E aí? Me digam o que acharam <3

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