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Folhas de uma árvore

Summary:

Uma série de contos focados na família real de Greenwood

capítulo 1: Como Thranduil recebeu a notícia de que Legolas havia se juntado à Sociedade do Anel?
capítulo 2: Legolas tenta escrever para sua esposa e família para contar que está indo para Mordor. Aragorn, Elladan e Elrohir aparecem, afinal, é melhor atrapalhar do que ajudar. Certo?
capítulo 3: A esposa de Legolas está grávida e adorando enlouquecer o marido. O que será que ele está fazendo?

Notes:

São contos voltados para varias fases da vida do Legolas ❤️ seu relacionamento com a esposa e os filhos, o pai e o irmão (criei alguns personagens autorais), com os amigos. Teremos romance, aventura, acho que de tudo um pouco!

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: Meu filho fez o que???

Chapter Text

- Meu filho fez o que? – o Rei Élfico ergueu uma mão, a palma virada para frente, interrompendo o mensageiro

- Ele...Vossa Alteza...O príncipe... – o mensageiro, pálido de maneira doentia, engoliu em seco – Se uniu a Sociedade do Anel, meu Rei, durante o conselho de Elrond

- Uma sociedade, você diz, para levar o Um Anel até Mordor e destruí-lo? – Thranduil pronunciou a frase lentamente, como se estivesse se dirigindo a um idiota. Bem, era assim mesmo que o pobre Auros se sentia, assim como os outros elfos da escolta do Príncipe Legolas para Valfenda. Mas esses últimos não estavam incomodados com isso, estavam ocupados demais redigindo seus testamentos e se despedindo das famílias.

Auros não julgava, era um sentimento super compreensível. Não é todo mundo que sabe quando seu fim vai chegar, então se você tem a oportunidade deve aproveitar. Inclusive, para quem ele deixaria aquele terreno que comprara algumas dezenas de anos atrás?...

Mas por outro lado, achava completamente desnecessário. Se esses guerreiros já estavam todos condenados por causa de seu grandioso fracasso porque arrasta-lo para isso também? Naturalmente, ele não se voluntariou. Quem faria isso? Quem escolheria voluntariamente contar ao rei que seu precioso filho estava nesse momento indo a um tour na Montanha da Perdição? Auros foi apenas o elfo azarado que estava no lugar errado na hora errada e então acabou nessa situação. E agora 5 minutos de “conversa” estava se provando um longo longo tempo na vida de um elfo.

Mas, bem, não que esses guerreiros tivessem de fato fracassado.....Eles deviam sim levar e trazer o príncipe de volta em segurança, mas se Vossa Alteza voluntariamente se ofereceu para uma missão suicida, então o que eles poderiam fazer? Amarrar o príncipe e trazê-lo de volta para os braços de seu pai a força? Seriam nocauteados antes mesmo que conseguissem pronunciar a palavra....ah, qualquer palavra.

Não que o rei fosse entender. Não importaria para ele que Legolas quis ir, que Legolas ofereceu seu arco e que Legolas até analisou mapas em busca do melhor caminho. Não, sua Folhinha não era culpada de nada, os culpados eram apenas todos os outros em seus arredores.

- Sim, meu Rei – Auros respondeu baixinho, tentando desviar o olhar do rei mas ao mesmo tempo não conseguindo, se sentindo compelido a encarar as geladas orbes azuis num vórtice infinito de sofrimento

- Acompanhado de quem? – Thranduil murmurou, se recostando na cadeira e apertando a ponte do nariz entre o indicador e o polegar, mas soando tão perigoso quanto unhas arranhando um quadro

- Gandalf, Aragorn, Boromir de Gondor, Gimli filho de Glóin e quatro Hobbits do Condado

- O que quer dizer, em palavras mais claras, que Legolas foi para Mordor com Gandalf, o Louco, e sete mortais ineptos? – Thranduil pronunciou cada palavra de forma curta e concisa, de uma maneira que deixaria Thoronthur orgulhoso. O conselheiro sempre dizia que Thranduil tinha a mania irritante de transformar tudo em um longo, longo, muito longo discurso. Bem, talvez o rei fizesse de propósito, mas Thoronthur não precisava saber disso. Quando se lidava com a família de Oropher devia apenas aceitar certas coisas.

Auros sentiu mais do que viu a mudança acontecer. Se alguém, anos depois, perguntasse a ele o que aconteceu no fatídico dia em que foi designado para dar a notícia ao rei de que seu amado filho estava indo numa missão suicida a Mordor, Auros seria capaz de jurar pelos Valar que o vento parou de soprar e que as árvores todas se curvaram para longe de Thranduil, em uma tentativa tola de se proteger de sua ira.

“Será uma pergunta retórica?” pensava o mensageiro, desesperado “Será uma armadilha?”. Bem, eram sinônimos se tratando de Thranduil. Auros sabia do temperamento de seu rei e sua mania terrível de fazer perguntas que não exigiam resposta e perguntas que nem sequer tinham resposta, apenas pelo divertimento de ver suas presas se contorcerem e gaguejarem uma tentativa humilhante. Então, resolveu manter a cabeça abaixada como medida de segurança, é claro.

Antes que Auros pudesse decidir para qual lado sua própria cabeça rolaria, o Rei Élfico continuou, numa torrente ininterrupta de palavras:

- E Elrond, que é suposto ser um dos sábios, não só permitiu como achou uma ótima ideia? – Thranduil franziu as sobrancelhas. O mensageiro mais uma vez ficou em silêncio, afinal, o rei não parecia estar esperando algo dele. Além de que parecia insensato, altamente perigoso e nada recomendado tentar responder, então o curso de ação mais inteligente seria assumir que, dessa vez, era de fato uma pergunta retórica em todo o significado da palavra – Achou que seria de ótimo tom mandar meu filho, meu herdeiro, para ficar ao lado de um anel amaldiçoado pendurado no pescoço de um Hobbit que supostamente nunca saiu de suas fronteiras e levar o dito Hobbit para a Montanha da Perdição? Ah sim, entendo.

Ele não parecia entender. Não. Nem um pouquinho. Nada mesmo. Era o que Auros pensava ao ver a o sarcasmo escorrendo do Rei Élfico/ Pai em surto. Muito sarcasmo pontuado por doses de ironia, zombaria, escárnio e mais quantos sinônimos o dicionário pudesse ter... O que era muito, considerando a quantidade de línguas as quais o Rei Élfico era fluente.

Ele parecia alguém prestes a esfregar esse “entendimento” na face do elfo mais próximo, e esse elfo, por acaso, era Auros...

Agora, se alguém perguntasse a Thranduil o que aconteceu, a resposta seria bem diferente. Ele diria que sentiu seus cabelos todos ficarem brancos, os fios loiros perdendo a cor tamanho estresse. Diria que ganhou um coração humano de presente, porque poderia jurar que foi o primeiro elfo a ter um ataque cardíaco. E daria sua palavra de que conseguiu perder anos de vida, sendo imortal. Ah, as alegrias da paternidade.

- Péssima hora para dizer para não subestimar a coragem de um Hobbit? – Auros escutou a porta se abrindo levemente e Galion entrou sustentando no rosto uma máscara neutra com considerável esforço e munido de todo profissionalismo que apenas senescal real teria. Ao seu lado estava Lorde Thoronthur ignorando completamente o penetrante olhar de Thranduil, famoso por paralisar orcs no campo de batalha, e não parecendo nada satisfeito.

- Hora perfeita para julgar a profunda falsa de senso de Elrond Peredehel – Thranduil resmungou de forma que apenas um elfo que consegue esfolar alguém com uma faca cega conseguiria resmungar

- Ora, vamos, meu senhor, não havia nada que Elrond pudesse fazer para impedir seu garoto de se meter em uma...

- Missão suicida? Loucura desvairada? Caos completo? Maldição arrebatadora? Plano ridículo? Posso continuar por horas se quiser

- Já foram adjetivos o suficiente, obrigado

- Um elfo, um mago, um anão, dois humanos e quatros hobbits entram em Mordor. Valar, parece até o começo de uma piada ruim

- A descendência de Oropher vai ser a minha morte – Thoronthur falou. Na realidade, falar não descreve muito bem. Declarou seria mais adequado. Thoronthur declarou, parecendo um elfo que havia muito assinado sua sentença de morte e estava completamente resignado – Eu sempre soube disso.

- Sim! É uma piada. Uma piada muito, muito ruim. Ruim de formas que não consigo nem mensurar, e olha que já vi muita besteira em meus milênios. Não há muito tempo um grupo de anões, também ineptos, a propósito, resolveu, olha só, acordar um dragão! – Thranduil encheu uma taça de vinho, afastou as dobras de suas vestes do pulso e virou em um só gole todo dorwinion, então encheu novamente e bebeu tudo outra vez – E depois ainda tiveram a audácia de reclamar que não ajudei! Há há

- Soube assim que olhei para Thranduil quando ele ainda era um príncipe – Thoronthur continuou, parecendo alheio ao seu arredor e não se dirigindo a ninguém em particular. Estava ocupando demais narrando uma história, história não, tragédia – Não dá pra viver ao lado dele sem ir perdendo gradativamente a sanidade. E me refiro a situações muito amplas, que vão desde a enfrentar as Serpentes do Norte e sair sem metade do rosto, rosto o qual eu tive que fazer os primeiros cuidados, à chegar mais cedo a reuniões apenas para constranger os conselheiros, todos muito pontuais, por deixarem o rei esperando.

- E agora meu próprio filho resolveu fazer pior. E o sobrinho do Hobbit que ajudou a companhia de Thorin também. Olha só como são as coisas... – tão envolto estava em sua fúria Thranduil não reparou no sorrisinho divertido de Galion, o que provavelmente era mais seguro – Legolas resolveu fazer um passeio para encontrar o Olho que Tudo Vê e jogar no fogo na frente dele aquela bijuteria horrenda. Acompanhado de oito seres ineptos, repito, ineptos! Representantes dos povos livres da Terra Média uma ova! E para ir contra nove nazgul e algumas centenas de milhares de orcs em uma terra que exala tortura. Valar, Lindus não me deu tanto trabalho!

- Então ele se casou e teve Legolas. E foi ali que eu soube que a frase “nada está tão ruim que não possa piorar” não era apenas uma frase, era uma previsão. De ssaltar na cabeça de um troll e enfiar uma espada no cérebro dele e então sair por aí o controlando como a uma marionete. Se casar com a minha filha. Legalizar jogos de aposta em arco e flecha. Casar com a minha filha. Ir até Mordor para destruir o Um Anel.

Galion cruzou os braços, se recostando na parede para observar a crescente dramatização dos dois formidáveis elfos sucumbindo as consequências das ações de Legolas Greenleaf.

Auros apertou os olhos na direção do rei podendo jurar ver uma aura maligna (de cor vinho, é importante ressaltar) emanando de seus poros reais. Depois seguiu com o olhar em direção ao conselheiro que continuava a relatar uma série de fatalidades e, sinceramente, Auros não podia imaginar que até mesmo fatalidades pudessem ser tão fatais...pobre Thoronthur. Em seguida olhou para o mordomo, Galion permanecia calmo em meio as alegrias da paternidade de Thranduil e as alegrias de conviver com a paternidade de Thranduil de Thoronthur. Como? Impossível saber. Mas Galion naquele momento passou a ser o novo ídolo de Auros.

Por fim, suspirou discretamente para não chamar a atenção do rei e se repreendeu mentalmente por se deixar enlouquecer no momento mais inoportuno possível. Ele precisava de todas as faculdades mentais intactas se quisesse cumprir sua missão ali e então poder voltar para casa e se fundir a parede, mas a cada segundo que passava na companhia do rei sentia a vida vazando por suas orelhas.

Enquanto o mensageiro tapava as orelhas tentando inutilmente impedir a vida de se esvair Galion apenas aguardou, sabendo que estando nesse estado de espírito o rei não o deixaria pronunciar uma só palavra sem ser interrompido a cada vogal. Cruzou as mãos na frente do corpo e observou enquanto Thranduil resmungava e enchia mais uma taça e Thoronthur parecia prestes a se jogar pela janela.

Foi então que o rei começou a rir, rir tanto que seu corpo se curvou, lágrimas começaram a sair de seus olhos. De todas as reações...

- Thranduil? – Galion se desencostou da parede finalmente parecendo preocupado

- É uma pegadinha! Legolas está fazendo isso de propósito! Ele deve pular de trás de uma dessas árvores a qualquer momento assim como fazia na infância, e gritar “Ahá! Te assustei não foi, Ada?”.

O mensageiro, esquecido no canto, apertou o conjunto de cartas nas mãos. Ele devia entregá-las mas...mas...mas...Quem era ele pra interromper os devaneios teóricos do rei? Além de que estava muito vidrado observando a mão de sua majestade gesticular para cima, para baixo, para um lado e para outro repetidamente e sem derramar uma única gota de vinho da taça, que ele ainda não havia soltado.

- Uma piada em conjunto com o futuro falecido Elrond e com o futuro cadáver Gandalf – Thranduil sorriu, feliz e completamente satisfeito com a conclusão que chegara, não parecendo perceber, pelo menos não completamente, a escolha de palavras usadas. O vinho na taça balançou perigosamente – Mas eu vou rir por último, Galion. Legolas também é pai! Um dia os gêmeos vão crescer e dizer “Ada! Estamos indo até Mordor destruir o Um Anel Extra de Sauron!” E então ele vai... Ah, melhor não, eles são meus netos. Eu vou sair duplamente traumatizado

- Eu também! Estou cansado dos traumas que vocês, sangue de Oropher, me causam! – Thoronthur disse, de cara feia – Meus netos vão herdar a parte sã da familia. Ou seja, a minha. Eles vão deixar os anéis para os joalheiros, assim como deveria ser!

Galion e o mensageiro trocaram um olhar, e o último indicou com o queixo as cartas que segurava, ansioso por se ver livres delas.

Foi então que o rei apoiou o vinho rapidamente, mas sem derramar, claro, e espalmou as mãos no tampo da mesa, empurrando a cadeira para trás e se levantando.

- Onde vai? – Galion pegou as cartas das mãos instáveis de Auros, que continuou imóvel em seu cantinho, imaginando que seria mais seguro assim.

Auros não era um guerreiro, mas sabia que diante de um predador, sendo você um ratinho, o ideal era ficar parado para não chamar a atenção da fera. E a fera em questão tinha quase 1,90 de altura, cabelos longos e loiros e um brilho maníaco nos olhos. Sim, Auros ficaria imóvel como uma estátua para que depois não tivesse que ficar imóvel como um cadáver (porque ele seria um, sem sombra de dúvidas) E se ele partisse antes dos membros da escolta do Príncipe escaparia das vistas de Mandos apenas para puxar o pé de cada um deles e arrasta-los para a frente de sua majestade para que fossem ratinhos também.

- Transformar Valfenda em uma pilha de pedras fumegantes – disse, ainda com um sorriso radiante no rosto. Saiu de trás da grande mesa de madeira, as vestes farfalhando atrás de si em um redemoinho de cor vinho e prata.

E chegara a hora que todos temiam. O Rei finalmente enlouquecera. Legolas conseguira o que nenhum campo com sangue banhando até os joelhos, o que nenhuma reunião infinita e mortalmente entediante e nenhuma ameaça de fim de comércio de vinho conseguiu. Ele desorganizara os neurônios muito inteligentes do pai.

- Seu filho deixou cartas, Thranduil!

- Tenho que falar com Evalin. Onde está sua filha, Thoronthur? Ela já sabe para onde o marido dela foi?

- Thranduil! Thoronthur! – Galion berrou, fazendo com que os outros dois estagnassem no lugar e o olhassem de cenho franzido. Auros admirou a profunda coragem de seu novo herói, ou, bem, profunda burrice – Legolas não é nenhuma criança que não sabe onde está se metendo. E vocês sabem disso. Mas são velhos chatos e rabugentos que precisam resmungar. Minha Folhinha está fazendo isso por nós, pelo reino e principalmente pela esposa e filhos deles, que por acaso são netos de vocês dois

Auros estava arrepiado. Estava vendo em primeira mão o mordomo real enfrentar o rei élfico e seu principal conselheiro. Até onde sabia Galion era parte da família, esteve ao lado de Thranduil desde muito antes de este assumir o trono e ajudou a criar Legolas e Lindus depois do assassinato da rainha Melinda. Então esperava que sua punição por...bem, por isso, não fosse grande mais.

O Rei Élfico olhou profundamente para seu mordomo. Sério. Resoluto. Impassível. Auros fechou os olhos não querendo ver a destruição que viria a seguir. Mas o que ele não esperava...
- Ah, cale-se Galion – O rei se jogou se volta em sua cadeira, esfregando a testa. O canto de sua boca tremia como se estivesse tentando esconder um sorriso – Sei dos méritos do meu filho! Não há ninguém aqui mais orgulhoso que eu. Agora me deixe sofrer! Estou no meu local de pai!
Thoronthur suspirou e olhou para Thranduil, mas seus olhos brilhavam.

- Você criou um elfo formidável, Thranduil

- Se alguma coisa, Legolas se criou para ser formidável – Thranduil sorriu - Apenas exigiu minha ajuda

Auros começou a dar pequenos passinhos para trás, aproveitando a recém distração adquirida pelo orgulho paternal.

- Você – Thranduil pegou as cartas das mãos de Galion e Auros parou de repente, quase caindo para frente de surpresa. O Rei Élfico o olhou como se ele fosse um idiota que o estivesse fazendo perder tempo ou um mosquitinho irritante, tendo esquecido completamente da presença do mensageiro até então – Mande chamar a princesa, vamos ler o que meu filho tem a dizer nessas cartas