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Downtempo

Summary:

— Tenta não interpretar errado.
A frase consumia o oxigênio do quarto.
Vai. Fala, idiota.
— Eu diria logo, se fosse você — ela sugeriu. — Senão, interpreto errado, mesmo.
É o tipo de coisa que só acontece comigo. Yosano o encarava atrás da resposta.
Saco.
— Acho que gosto de alguém. — Doppo fechou os olhos. Fez-se relaxar, ou explodiria. — Como posso ter certeza?

BSD Rarepair Week 2024, dia 3: Kunikida + Yosano.

English version available.

Notes:

Significado do título, a quem tiver curiosidade. Confira o perfil do evento, caso goste de rarepairs!

Uma one-shot divertida de escrever e necessária para esta linha temporal. Há menção prévia a kunisano em E Se Eu Ficar? e esclarecimentos no FAQ da coleção. Esse FAQ está em inglês. Se você é leitor/a de português brasileiro, tem direito a me pedir a tradução dele.

Nota semi importante: há menção a um relacionamento não-monogâmico. Ocorre rápido demais para exigir uso da tag. Reitero o que digo no FAQ:

Não se sinta forçado/a a ler histórias das quais não gosta. […] Relacionamentos entre adultos são complicados. Não é tão simples quanto se apaixonar à primeira vista com a única pessoa que você vai amar, e beijar, e com quem vai transar para sempre. Ambos [os knkdz] têm vida e tiveram passado. […]”

Espero que gostem, boa leitura.

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Espreguiçar-se o fez grunhir entre dentes.

— Tudo bem? — Yosano perguntou.

— …Quase. — Doppo largou a cabeça no travesseiro. — Achei que vinha uma cãibra.

— Quer água?

— É bom.

Ela tateou na bolsa atrás das garrafas. Perguntou:

— Cãibra onde?

— Panturrilha esquerda. Ainda sinto um pouco. — Ele afastou o lençol do peito. — Precisa desse aquecedor ligado?

— Marcando dezoito graus, no momento. — Yosano entregou a garrafa. — Que calor todo é esse?

Ele não evitou uma risada. Gracejou:

— Achei que soubesse o motivo.

Se bobear, quer mais. Sentado na cama, secava a garrafa d’água.

Yosano se abrigava ao lado, numa toalha atirada aos ombros. Sempre tinha sido friorenta. Conferia as unhas a esmo, curtas e sem esmalte; exigências da profissão. Meus olhos podiam tirar fotos.

— Gostou do quarto? — ele perguntou.

— Não é o mais caro que a gente já veio?

Isso não é resposta.

— Não tenho certeza. Teve aquele da cadeira impressionante…

— É, deve ter sido aquele. — Ela sorriu como quem relembrava a data. — Uma cadeira boa.

— E bem impressionante. — Cada coisa que dava pra fazer.

— Pois é. Ainda quer essa luz acesa?

— Quero.

Enfim, ela desistiu de ficar sentada. O cabelo se espalhava, contrastando na fronha clara. A toalha exibia um decote, e embaixo dela, mais nada.

Vou até pôr os óculos.

— Posso perguntar uma coisa? — Yosano disse.

Doppo olhou para ela. Voltou a garrafa d’água ao lugar.

— Não precisa pedir.

— É que é meio idiota. — Ela o afagou na coxa, sobre o lençol. — Tá preocupado com alguma coisa?

Entendo. A resposta é sempre “sim”.

— Não — ele disse. — É só que hoje não bebi.

— Não sei dizer se você tá falando sério.

Doppo sorriu e disse:

— É brincadeira. Por que a pergunta?

— Parece um pouco…

— Não precisa desse rodeio.

— “Distraído”, acho que é a palavra. — A mão dela estacionou do carinho que fazia. — Além do normal.

Ah. Então, pareço?

— E o convite foi repentino — Yosano completou. — Fiquei com isso na cabeça.

É porque foi, mesmo.

Eu posso perguntar uma coisa? — ele disse.

— À vontade.

Doppo ajeitou os óculos sobre o nariz.

— Não tenho mais com quem falar disso. — Por um instante, parou de apreciar a boa vista. — Tenta não interpretar errado.

A frase consumia o oxigênio do quarto.

Vai. Fala, idiota.

— Eu diria logo, se fosse você — ela sugeriu. — Senão, interpreto errado, mesmo.

É o tipo de coisa que só acontece comigo. Yosano o encarava atrás da resposta.

Saco.

— Acho que gosto de alguém. — Doppo fechou os olhos. Fez-se relaxar, ou explodiria. — Como posso ter certeza?

Pode julgar. Eu mereço.

— Ah… Não tem fórmula mágica. — Ela rolou na cama, o topo da cabeça tocando o quadril dele. — Eu teria que pensar um pouco.

Penso sem parar faz quase uma semana. Ainda não faço ideia.

— Sem pressa — ele disse.

Quando se deu conta, mexia no cabelo dela. Não podia exagerar, ou ela acabaria dormindo.

— Hmm… — Yosano arrastou o som, procurando as palavras à meia-luz. — “Gostar” em que estágio?

— Não sei. No começo? Potencialmente?

Sem nem ter noção se é o caso, ou se pode ser…?

— É… confortável — ela disse. — Ao mesmo tempo que é um pouco estressante.

Nesse aspecto, a resposta é “sim”. Mas sempre foi desse jeito.

— Como assim? — ele perguntou.

— A mente fica inquieta.

Nunca tive a mente quieta. Nem por um dia na vida.

— Você pensa na pessoa mais do que o habitual. Repara mais nela. — Pensar mais, sim. Reparar? Não sei dizer. — Tenta passar tempo com ela. Ou quer passar, se não pode. — Passo tempo com ele todo dia. Não é questão de querer. Ela olhou para cima. — Por que a pergunta?

Não dá pra pular essa etapa?

— …Não sei se quero falar disso — Doppo respondeu.

— Espera. Você gosta de alguém?

— Não sei, acabei de falar.

— Sério isso? — O tom dela era risonho. Ah, começou. — Se tem que tirar a dúvida…

— Não é tão preto no branco.

— Por acaso, eu sei quem é?

— Não vai arrancar a resposta de mim. — Doppo olhou torto.

— Não vou mesmo?

— Pode ir parando.

Ela o mordeu na cintura, perguntando:

— O que eu tenho que fazer?

— Ei. — Doppo se contraiu inteiro. — Faz cócegas.

— É só o começo… — A mão dela investigava sob o lençol. Cuidado! — Panturrilha esquerda?

Nem pense nisso!

— Você vai rir da minha cara — Doppo reclamou.

— Juro que não.

— É sempre assim.

— Que história é essa de “sempre”? A gente nunca falou disso.

Nem com você, nem com ninguém. Isso é parte do problema.

— Por favor — ela pediu. — Vai fazer mistério?

— Vou.

— Não devia ter me deixado curiosa…

— Até parece que é só uma fofoca.

— E não é? — Yosano se deitou no colo dele. — O que mais, então? Pegadinha? Mentira?

Doppo suspirou. Maldita cara de piedade.

— O assunto não sai daqui. — Pousou a mão no ombro dela e olhou para qualquer lado vazio. — Promete?

— Prometo.

Mesmo?

— Ai, que coisa. Precisa disso tudo?

Como resolver, se ela não souber?

— Tá, tá — ele concordou. — Não precisa.

Ao menos, digo que não é você. Se isso ajuda um pouco.

— Como eu disse, não tenho certeza — Doppo começou —, é um talvez.

Adeus, reputação. Foi bom te conhecer.

— É o Dazai — ele confessou.

O aquecedor murmurava. Yosano não ria.

Até começar.

Eu sabia — Doppo disse.

Ela gargalhava.

— Não acredito — ela disse, sem fôlego nenhum. — Impossível.

Doppo bateu a mão na própria testa.

— Não foi por mal. — Ela tentava, mas voltava a rir. — Juro.

Yosano se perdia naquilo. Sem começo, sem hora de parar. De bruços, balançava as pernas, chutando a cama.

— Chega, né? — Pôs a mão nas costas dela. — Já tá bom.

Ela esperava? Não esperava…?

— Fazendo favor? — Doppo insistiu.

— Desculpa…

Só me mata logo.

— Não sei se quero saber qual a graça — ele disse. Ou se chega de passar vergonha.

— Ai, sei lá. — Ela forçava a respiração a um ritmo, intercalando risadinhas fugitivas. — Essa me pegou desprevenida.

Compartilho do sentimento.

— Quer dizer… Desprevenida, nem tanto. — Yosano se virou para cima. Permanecia usando a coxa dele de travesseiro. — Não é bem isso.

— Já insinuaram isso de nós dois antes. — Doppo torceu a boca. — Mas não foi você.

— Não, não. É outro esquema. Nem sei se você vai confirmar ou negar.

— Confirmar ou negar o quê?

— Minha vez de passar vexame. — Ela sorria, num resquício do acesso de riso. — A gente tinha uma aposta. Eu e o Ranpo-san.

— Oi?!

Aposta do que raios?

— Eu precisaria dos detalhes — Yosano disse. — Só assim, pra saber quem ganhou.

— Por que vocês apostaram num assunto desses? — E apostaram o quê?

— Em minha defesa, foi ideia dele.

— E que detalhes?

— Quem se declarou pra quem?

— Ninguém se declarou pra ninguém. Não entendi qual é a de vocês.

Se houvesse declaração, eu não viria pedir ajuda.

— Tá, que seja. — Ela abanou a mão. — Teve iniciativa? Quem beijou quem?

Pulando os detalhes, porque não vem ao caso…

— Foi ele — Doppo admitiu.

— É, perdi a aposta. — Ela suspirou. — Mas o que eu esperava?

Ele espremeu os olhos. O que quer dizer? Que não tomo iniciativa? Disse:

— Justo você, com essa opinião?

— A minha é a mais qualificada… Ou tem outra?

De fato, não saio com mais ninguém.

— Enfim — ele disse. Não vou discutir as minúcias da ofensa. — Ainda não sei se gosto ou não.

Nem se vou, ou não vou gostar.

— Ele te propôs alguma coisa? — Yosano perguntou.

— Sugeriu.

— E você aceitou ou recusou?

— Deixei pendente. — Porque não sei o que fazer. — Mas não quero que fique pendente.

— Faz bem ter isso claro.

Você fala como se tivesse um relacionamento.

— Espera. — Ele ergueu uma sobrancelha. — Você gosta de alguém?

Ela riu baixo e devolveu:

— O que você acha?

— Por que nunca me disse?

— Porque nunca importou.

— Não quero atrapalhar.

— Não atrapalha, de nenhuma forma. É uma relação um pouco estranha. Como explico? — Yosano se deitou de lado na perna dele; não se decidia. — Digamos que não é exclusiva.

— Isso existe? — No passado, sei que existia…

— Existe.

— Isso pode?

— Não é crime.

— Não foi um julgamento. Perdão.

Concluo que não entendo absolutamente nada, de coisa nenhuma.

— Não faz mal — ela disse. — Confesso que é meio raro de ver.

— Ahã…

— Não quer saber quem é?

— Não é caso de “quero” ou “não quero”. — Doppo voltou a mão ao cabelo dela. — Achei que já teria contado, se quisesse.

— Bom. Ele não se importa, e nem eu. — Ela fechou os olhos, agradada. — É o Ranpo-san.

— Ei. Sério?!

— Não dá pra notar?

— Prefiro não especular essas coisas. — Faz um tanto estranho de sentido. — Desde quando?

— Desde que a gente se conheceu. É o tipo de coisa que… — Yosano hesitava um pouquinho. — Não enxergo tendo fim. Entende?

— Na prática, não.

— Por exemplo… Sua amizade mais antiga. O Katai, não é?

— Impressionante que lembre.

— Só me ocorreu. — Ela guardou o elogio com modéstia. — Não tem objetivo. É estar porque querem. E não se veem parando de querer.

— “Fim” de conclusão, e “fim” de objetivo…

— Sim, acabam sendo a mesma coisa.

Isso, sim, é um pouco esclarecedor.

— Vocês são amigos, então — Doppo disse. — Com um quê de romance.

— Eu não daria esse nome.

— Um casal…?

— Não exatamente.

— Almas gêmeas? Formação de quadrilha? Não sei do que chamar.

— Eu e ele somos eu e ele. Nunca existiu parâmetro antes. — Yosano se cobriu melhor. — Creio que prefiro assim.

Diga pra ele que é um cara de sorte. Creio que é minha única opinião.

— Vocês nunca tiveram problemas? — Doppo perguntou. — Entre vocês, no caso.

— Já, sem dúvida.

— Tudo bem se me der um exemplo?

— Você quer saber do começo, certo? — ela disse. — Teve uma coisa, vez ou outra até esqueço.

— O quê?

— Eu me perguntava se… Sabe aquela história? “O rapaz salva a moça, e o troféu é ficar com ela.”

— Um milhão de contos de fadas assim.

— É. Foi o que achei por um tempo. Minha “forma de agradecer”. — Isso é um pouco triste. — E eu não queria falar disso com ele, de jeito nenhum. Eu tinha quinze anos. Imagina? — A risadinha dela foi saudosa. — Acabei me conformando de que não… não era por “prêmio”.

— Nem consigo te imaginar fazendo isso.

— Também não é pra tanto. Mudei de ideia por outro motivo.

— Sendo ele?

— Se eu agisse como um “prêmio”, o Ranpo-san saberia. Ele nunca ia aceitar.

Naquela manhã, aceitei, também.

— Acho que… — Doppo disse. — É uma situação parecida.

— De todos os conselhos pra te ajudar, justo esse?

— Acontece.

Nunca se sabe onde fica a solução dessas coisas.

— Tive muito medo — Yosano disse. — Foi pavoroso.

— Imagino.

— Já teve uma crise de pânico?

— Já.

— Parece que você tá prestes a morrer. Só que em plano de fundo, e o tempo todo.

— Não tenho medo de morrer.

— Mas dá medo quando tem a crise, não dá?

Tem razão.

— Também não tenho medo de morrer — ela continuou. — Medo nenhum. Esse tipo de medo não é de morrer.

É a epifania de estar vivo… ou seja lá o que for.

— Resolveu seu problema? — Yosano olhou para ele.

— Não.

Gosto dele? Não gosto? Não faço a menor ideia.

— Já que você não sabe… — Ela se ajeitou, ainda de lado. — E se a gente pensar por outro ângulo?

— Dedução a essa hora? O expediente já acabou.

— Cadê sua moral pra dizer isso? — ela brincou. — Não teve declaração, afinal. De lado nenhum.

— E daí?

— Ele gosta de você?

Doppo abriu e fechou a boca. Mordeu o lábio por dentro, antes que se complicasse. Não sei. Admitiu:

— Não cheguei a perguntar.

— O que te faz suspeitar que sim?

Não é “suspeitar que sim”. É um “pode ser”. Igual a tudo nessa história. “É uma intuição” seria mentira.

Tem partes daquele dia que ficam naquele dia.

— Não tenho resposta pronta pra isso — ele disse. — Ele só deu a entender.

— Igual ele faz com muita coisa.

Típico. Não sei por que tô surpreso.

— Foi algo que ele disse? — Yosano perguntou. — Algo que fez?

— O conjunto da obra.

— Vamos supor que ele goste. Isso te incomodaria?

— Não exatamente.

— Qual seria o problema, então? — Ela o presenteou com silêncio. E se eu corresponder? — Você tem medo?

A resposta faltava.

Tenho.

— O que poderia acontecer de tão ruim? — ela disse.

Doppo trincou a realidade com um riso sarcástico. Respondeu:

— Sério que preciso listar?

— Não. Foi mal. — Ela riu junto. — Conheço bem a peça.

— A pergunta é bem-vinda.

— “O pior cenário possível”… né?

— Meu eterno inimigo. — Doppo recostou a cabeça na parede atrás dele. — Antes estar pronto do que não estar.

— Em termos de vida, o pior cenário possível…

— …É que a gente morra. Falamos disso agora.

Não é esse meu medo.

— Ele mesmo tá tentando sem sucesso — Yosano comentou. — Já faz um tempinho.

Riram, juntos e do mesmo jeito. É engraçado porque é verdade.

— E eu atrás, limpando a bagunça. — Doppo suspirou. — Toda santa vez.

Na terceira edição, Yosano riu sozinha. Ele perguntou:

— Qual a graça?

— Você percebe como ele pega no seu pé em específico?

— Difícil não reparar. Por quê?

— Os motivos devem ser vários. Não me peça pra adivinhar, mas…

— Mas…?

— A tal da aposta que comentei. — Yosano batia o indicador na coxa dele. — Em parte, é por esse comportamento.

— Não entendi o que tem a ver.

— Ele surta quando você ignora. Cutuca até você reagir. Quer atenção.

— Olha… — Doppo calculou a polidez da frase. — Não sei por que discutir o óbvio. É claro que é por atenção.

— Então, você sempre soube? — Ela parou de bater o dedo e o olhou de esgueira. Sempre soube do quê? — Por que é um problema só agora?

A epifania, então, era de outra coisa.

Sério?

— Não, eu nunca soube — a frase escapou dele. — Nunca. Quando—

— Hã… Escuta. “Quando começou a gostar”, não faço ideia. Mas me parece que faz tempo.

Será que é desde o começo?

— Ele sempre arrumou trocentos namoros — Yosano disse. — Quase um por semana.

— Sim, mas…

— Se era pra te fazer ciúme, não funcionou. E não acho que era.

Mais provável ele só fugir de compromisso.

— Mas não é bem isso que quero dizer. — Yosano se sentou, puxando o cobertor até os ombros. — Ele não esconde com quem namora. Nem que fica te orbitando.

Que ele joga nos dois times, de fato, eu sempre soube.

— Sou muito burro — ele disse.

— Não é pra tanto.

— Sério. Sou um inútil. O cara mais burro do mundo.

— Para com isso.

— É um estágio do luto. Só deixa passar.

— Ah, vai ficar o resto da noite chateado? — Ela inclinou a cabeça no ombro dele. — Poxa, vem cá.

— Não precisa ficar com pena.

Mereço amargar minha idiotice.

— Não vai sentir saudade? — ela sussurrou. — Nem um pouquinho?

— Não sei o que vai rolar. — Nem o que quero, nem o que vou fazer. — Não sei de nada.

— Nem eu.

É verdade. Pode dar tudo errado. Ou certo. Ou…

Encararam-se, como quem sabia o que vinha. E veio, no mesmo encaixe do rosto, da mão, da boca.

Eu meio que sempre soube. Era pra ter fim.

Não me deixa pensar.

Notes:

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