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Azul da cor do mar

Summary:

Chico Buarque de Hollanda estava finalmente no dia da sua coroação e casamento, ele imaginava que tudo ocorreria bem, mas o destino trouxe um alguém para acabar isso. Sua noiva, vira rainha e procura por Chico. Porém, de príncipe ele se torna pirata, navegando por todos os reinos mágicos que contém no mundo feérico.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Chapter 1: Capítulo 1, Casamento sem final feliz.

Chapter Text

 

Esse era o dia do casamento, o dia que a coroa em consequência seria dele.

 

Ele odiava o silêncio escondendo a insatisfação, odiava ainda mais ter que ficar preso naquele castelo. Com todos aqueles luxos e mordomias, Chico se sentia cansado. Claro, não tinha nada tão relevante para reclamar naquela boa vida, mas ele sentia que precisava de uma aventura diferente do que responsabilidade de rei.

Marieta, o nome da dama a qual foi concedida sua mão. Ela era bonita, inteligente, mas Chico sentia que não era a hora certa para casamento. Marieta também parecia estar distante do amor, ela era estranhamente quieta, Chico nem ao mesmo pôde ver o sorriso de sua futura amada. 

Chico mantia seu dedo inquieto, tamborilando em busca de alguma coisa menos tediosa do que conversas irritantes. Seus olhos frequentemente desviavam, observando cada situação que ocorria pelo salão bem decorado; A moça chorando com seu grande vestido espalhafatoso se abanando com um leque, e o rapaz tentando acalmar-la.

No lado direito, o rei tinha um sorriso no rosto, como se aquele momento fosse o mais gracioso de sua vida. Ele sabia que seu pai não era feliz no cargo do rei, sabia ainda mais que ele esperava ansiosamente esse evento para jogar toda sua responsabilidade em seu filho.

A mãe estava na outra ponta, parecia cansada, mesmo com o rosto branco pintado de cores vibrantes como tradição,e ao fundo de seus olhos ela parecia entristecida. A rainha sempre foi radiante, gostava de às vezes abandonar seus pequenos afazeres para dançar com o Povo, festejando e trazendo alegria.

Seu olhar mais uma vez virou, agora para a orquestra. A música que saia era ótima, o que deixava a música ainda mais romântica para os casais dançando ao meio. 

O salão estava fantástico, o teto era de vidro que mostrava o céu colorido ao luar. Cheio de pequenos vagalumes coloridos voando e iluminando a escuridão. E claro, as fadas com asas em formas geométricas azuis e lilás, que perambulavam por aí. Todas estavam com vestidos azuis e turquesa em detalhes bonitos e minuciosos. Pixies andavam rodopiando, com trompetes e gaitas em sua boca.

Sua mãe virou-se para ele.

— Vá dançar meu filho, tenho certeza que Marieta gostaria de que você a acompanhasse em uma dança — A rainha disse, com um sorriso carinhoso de canto. Ele assentiu,  obedecendo a mãe.

Chico avistou Marieta em um dos cantos do salão, conversando com sua família com uma expressão séria, que de vez ou outra virava um pequeno sorriso. Marieta usava um vestido enorme, branco e como tradição da família cheio de bordados azuis. Usava uma pequena tiara feita de ouro e vários dos cristais mais caros do reino. Era bela, mas parecia estar sempre com um sentimento amargo no fundo do seu coração. 

Chico se levantou, em direção a multidão. Ele passou pelos convidados acenando para todos que o cumprimentavam, mas ainda concentrando em sua noiva. 

Chico se ajoelhou em sua frente, e ela estendeu a mão, a qual ele beijou. E assim, eles caminharam para o meio. Ela ainda tinha a mesma expressão séria, mas parecia estar se esforçando para sorrir. E assim, a dança começou.

A dança do reino de Hollanda era uma tradição entre o povo, com grandes saias azuis — a cor do reino — que eram seguradas pelas mão da dama, que a levavam como se estivesse pendurado em seu braço. Com rodopios, passos delicados porém com peso e claro, muita animação.

Marieta balançava o quadril, caminhando para mais perto de Chico, levava a sua saia para cima e para baixo, e de repente  flores surgiam em seu cabelo e vestido, deixando a dança ainda mais bonita. A música ficava cada vez mais animada, fazendo as pessoas se aproximarem e observarem com graciosidade.

— O vestido combinou, você está perfeita — Chico elogiou quando seus corpos se aproximaram em meio a dança, apenas para ver a reação da garota. Recebeu apenas uma expressão estranha, indecifrável, e Marieta sussurrou um “obrigado”.

Durante os rodopios, ela alternava o olhar para uma garota bem longe de sua família, que a olhava de um jeito muito mais quente e angustiante do que jamais alguém olhara. A garota ao canto tinha uma expressão séria, que Chico podia ver as lágrimas silenciosas descendo pela bochecha azul arranhada. E suas roupas mais comuns apresentavam sinal de ser camponesa.

A opção mais possível era que ela foi obrigada a se casar, ou que havia se apaixonado pela outra e a família não aceitou, e agora claramente estava infeliz de estar ali. Após a longa dança tradicional, ela se foi. Marieta foi logo para sua família, mesmo que ao fundo ela parecia estar querendo mudar a rota e ir para os braços daquela garota.

 Quando acabou a valsa, os convidados voltaram para a dança deles. Enquanto Chico retirou-se para “tomar um ar”. Durante sua vida, sempre precisava tomar esse tempo para si, e ia sempre para o mesmo tipo de lugar: uma varanda vazia e ficava sozinho, fumava ou apenas observava a paisagem.

A varanda dava visão para a bela paisagem da cidade, cheia de construções grandiosas e perfeitas, apenas uma fachada para a tristeza dos camponeses. Chico pegou um maço de tabaco do bolso, mas acabou dando falta de uma chama. 

Seu tabaco foi acendido por outra chama de um tabaco, dado por uma pessoa que ele desconhecia. Chico sentiu algo diferente ao vê-lo, principalmente quando seus olhos fitaram-lhe. Ele parecia diferente, diferente de um jeito bom . O rapaz sorriu, simpático o suficiente para Chico agradecer. E então, seu olhar percorreu por todo o garoto, o homem tinha vestes formais, parecendo um nobre, porém cabelos cheios de cachos curtos e rebeldes.

  — Ah, me perdoe pela estupidez, vossa excelência.   — Ele fala isso com um jeito irônico, como se estivesse caçoando de Chico.   — Sou Caetano, o duque do oeste   — sorriu. O nome permaneceu na língua de Chico, como se algo estivesse preso no fundo de suas lembranças, mas fechado a sete cadeados. 

— Sinta-se bem vindo a costa — Chico expulsou a fumaça do cachimbo do seu corpo, enquanto Caetano se debruçou no corrimão da varanda   — Me chame de Chico Buarque apenas.

  —  Aqui é interessante, mas eu já estou acostumado com o mar   — Caetano murmura, vidrado em Chico como se estivesse animado com algo. O vento uivava, balançando as árvores mágicas que haviam ao redor do castelo, a qual traziam flores roxas e azuis por toda a parte.

O reino de Hollanda, além de ser conhecido por ser o reino dos Buarque, família de Chico, era também conhecido por ser um dos impérios em que a magia não estava afetada. Em Hollanda tudo era fantástico e rico, cheio de construções majestosas e mágicas, com feéricos poderosos por toda parte. As lendas dizem que foi um lugar abençoado pela natureza mágica. Mas havia muito tempo em que a magia lentamente foi corroendo os reinos, acabando com várias raças feéricas.  

A lenda era que um dia a aliança dos reinos e a harmonia tinham acabado, e então a magia não poderia acontecer. Em partes, aquilo foi ótimo para os nobres, afinal agora as pessoas precisam se virar sem seus poderes, e assim eles eram servos. E ainda mais, eles tinham pessoas fracas e pobres. De repente, o mundo perdeu a felicidade, a magia se tornou cada vez mais fraca. Porém, havia alguns reinos que ainda tinham magia, conhecidos como os sortudos.

  — Você parece então viajar muito, o mar é enorme — Chico murmurou, há muito tempo seu bobo sonho era poder viajar para todos os outros reinos, mas como rei aquilo seria impossível. Ao longe dava para ver o mar azul cristalino, que com a onda criava espumas brancas.

  — Vossa excelência, você aparenta se interessar por isso — O duque continuou insistindo no título, o que poderia ter irritado Chico, mas ele estava desnorteado demais para isso. Sentiu uma magia pelo local, mas não havia nada pelo o redor.

Às vezes, a mente dele quando ele se embebedava ficava exatamente assim, o licor dos feéricos era ainda mais forte que o normal dos humanos, a mente lentamente se tornava uma confusão mental e dissociava de qualquer pensamento lógico. Porém, em nenhum momento Chico encostou em algum copo sequer de bebida.

  — Ah sim, eu costumava sonhar com isso, mas agora… Acho que isso está distante demais — Chico deu um sorriso, e passou a dedilhar o corrimão com o cachimbo no meio dos dedos. Caetano finalmente trocou o olhar para a paisagem, dando um sorriso

  — Você irá aproveitar bastante, não se preocupe, reizinho   — Caetano soprou as palavras como um sussurro gentil, mas ele apagou antes disso.