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Um Estranho Conhecido

Summary:

Basicamente, Peter faz parte da Batfam. Ele é filho biológico de Bruce, mas foi criado pela tia, longe de todo o caos de Gotham. Peter cresceu com um pai ausente-presente que de alguma forma faz seus sentidos entrarem em alerta toda vez que o vê. Ele nunca teve contato com os irmãos até agora, no entanto, May vai viajar para um trabalho do FESTA e Peter terá que ficar em Gotham por pelo menos dois meses.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Chapter 1: Segundo dia do mês

Chapter Text

- Atrasado, mais uma vez, sr. Parker! - Harrington diz cansado, ele sabe que o garoto é um bom aluno, um desligado e bastante complicado se incluir o histórico dele e do Sr. Thompson.

- Qual seria a desculpa da vez, Sr. Parker?

- Ah, eu perdi a hora, não peguei o metrô, fui andando até o ponto de ônibus e perdi o ônibus certo e tive que pegar o próximo! - Peter fala de uma maneira tão rápida que é incrível que não tenha tropeçado na própria frase. Sr. Harrington suspira e lhe entrega o papel.

- Você já sabe a regra três vezes e é para a sala do Sr. Morita no final da aula, Peter.

- Sim, Sr. Harrington! - Peter vai e se senta no lugar de sempre, ele tem uma aparência cansada, como se não dormisse direito há alguns dias, e parece irritado provavelmente consigo mesmo e com a situação atual.

As aulas seguem sem problema até o intervalo.

Quando saio para o intervalo com MJ e Ned, recebo um olhar do Sr. Harrington, compreensão? Solidariedade? Eu não sei, mas não gosto. O refeitório está lotado, ou seja, meus sentidos sobem, mas um problema para hoje se eles não se acalmarem. A comida é ruim como sempre foi, os dias de lanche são os únicos bons porque não são feitos aqui, só que agora é realmente horrível, depois de aprender a melhorar meus sentidos é muito difícil desligar e é horrível sentir o gosto de terra dos vegetais, sentir o cheiro e gosto de ferro na carne e partir daí é só ladeira abaixo. Cara, sinto falta da comida do Alfred!

- Então, por que você não dormiu ontem? - Ned pergunta tentando não parecer interessado demais, ele sabe a resposta só quer detalhes mais legais sobre a situação.

- O de sempre só que eu estava em Hell's Kitchen, ajudando o Matt no escritório. - Mentira.

- Só vocês?! - MJ comenta antes de dar uma mordida em seu sanduíche

- Karen proibiu os outros de entrarem no escritório, ela sabe que vão entrar mesmo assim, mas eles respeitam isso na maior parte do tempo. - Respondi com a voz alguns tons mais baixos, todo esse barulho está me matando, o cheiro de adolescentes é insuportável, as luzes não ajudam, com sorte, não vou ter uma sobrecarga sensorial, mas sorte não é meu ponto forte. Ned e MJ trocam olhares conhecedores, eles sabem que está ficando pior.

- Pete, onde estão seus fones? - A voz de Ned é tão baixa que a MJ, do outro lado da mesa, com certeza não ouviu.

- Provavelmente em casa... Não sei...- Minha cabeça dói. Não quero lidar com isso, está ficando quente, minha testa está suando. Nossa, hoje começou tão bem...

- Ei, quer ir à enfermeira e descansar lá o próximo período? - MJ já estava em pé antes de terminar a perguntar. Não tenho forças para falar, então só dou um leve aceno de cabeça.

- Ótimo, deixa eu te ajudar antes que o sinal toque. -

Não me lembro de levantar, caminhar ou deitar na maca.

. . .

 

. . . Eu dormi... Que horas são? Não ouvi meu alarme, May já saiu de casa? Não sinto cheiro de torrada queimada, sinto cheiro de limpo... Álcool? Abro os olhos, teto e paredes brancas. Enfermeira, eu estou na enfermaria da escola. Me sento, o que chama a atenção da enfermeira que vem até mim.

- Olá, Pete, como você está se sentindo? Parecia bem fora de si mais cedo, pode ficar tranquilo, é só o quarto período e faltam dez minutos para acabar. - Diana se senta na cadeira ao lado da cama, ela já está acostumada comigo aqui.

- Obrigado... Eu estava realmente tão mal assim? Não me lembro de quase nada do almoço, não tenho certeza do por que foi tão ruim...- Não sei qual foi a desculpa de Ned e MJ.

- Pete, já é a segunda vez que isso acontece. Você não foi falar com a psicóloga da escola?

Por que eu deveria? Isso não tem muito sen...

- Pete, hoje é o segundo dia do mês, querido. - Sua voz é doce.

Espera segundo dia do mês... Ah...

Minha voz falha, o que não ajuda na minha convicção

- Eu tô bem, sério mesmo. Acho que as coisas só aconteceram por acaso.

Segundo dia do mês é dia de visitar o túmulo da minha mãe. May e eu vamos todo mês, no mesmo dia, sincronizamos com o aniversário. O problema é que hoje especificamente é o aniversário.

O rosto de Diana era pura compreensão e sentimentalismo, o que no momento e tudo o que eu não quero, principalmente agora. Ela não parece querer pressionar, então deixa o assunto morrer ali. Diz que vai voltar a preencher papelada que qualquer coisa e só chamar.

Realmente não demora muito para o sinal tocar depois da conversa, MJ e Ned aparecem para me buscar, Ned tem a minha mochila, amém, porque os armários ficam na direção oposta da próxima aula. Me levanto e vou até eles.

- Obrigado. Tenha um bom dia senhorita Diana!

- Obrigado Pete, lembra qualquer coisa eu vou estar bem aqui. Tenham um ótimo resto de dia crianças.

Quando saímos só tinham algumas outras crianças nos corredores.

- Obrigado por me levarem até lá, não sei por que ficou ruim tão rápido...

- Fica tranquilo. Dei uma olhada na mochila e armário... e nada. Você não deveria andar com os fones o tempo todo?! - MJ fala, Ned me entrega a mochila

- Eu sei, eu sei! Devo ter esquecido em casa depois de voltar ontem à noite.

- Você está realmente bem agora, né? Não vai desmontar ou desmaiar de novo vai? - As falas de Ned saem apressadas e preocupas, dos dois ele é que está mais perto de mim, quase pendurado no me braço.

- Garanto que estou bem agora, sério. Provavelmente foi porque tudo aconteceu muito rápido de ontem para hoje, não dormi o suficiente, acordei todo errado e ainda tive que vir para escola igual um maluco alucinado. Mas agora eu estou bem depois daquela boa dormida como aquela. - Passo meu braço ao redor dos ombros de Ned e o puxo mais perto.

- Ok, ok ... só avisa que está muito mal antes de ter um colapso.

Quando estamos chegando perto da sala, sinto que algo está vindo na minha direção.

- Hey, Parker! - Flash grita, a coisa é uma bola de basquete que foi jogada minhas costas, seria muito difícil desviar totalmente sem ser suspeito, ou seja, eu vou tomar. Vai incomodar, mas não dói mais como antes. Finjo surpresa, deixo meu corpo cair para frente um pouco, gaguejo, o esperado para quem levou uma bolada nas costas do seu bully rotineiro.

- Cara, para que fazer isso, Flash?! - Ned se adianta antes que eu possa falar.

Todos sabem exatamente o porquê, qualquer oportunidade que Flash tiver de atazanar ele vai aproveitar.

- Ah, fica calmo, Leeds. Só queria saber como a sua namoradinha estava depois do show mais cedo.

- Show...? - Fiquei realmente confuso, achei que só tinha desmaiado na cama da enfermaria, será que eu realmente fiquei tão mal assim? ‘’Parecia normal.’’

- Não se faz de sonso, pênis, eu jurava que você já estava acostumado a ser órfão, eu sei que isso é só um showzinho para terem pena de você!

Uau...

Como me irrita. Essa segurança arrogante me dá nos nervos. Meu instinto grita "rebata, ataca", mas isso é coisa do Aranha, não do Peter Parker.

- Você tá falando sério? Até para você, Eugene, isso foi idiota.- MJ está irritada, se ela dignou a falar com ele, ela está realmente brava.

- O que foi? A mamãe não preparou seu café como gosta? Papai não te elogiou pelo jogo da semana passada? Ou nem soube do jogo? Já que você não tem nem um pingo de coragem de falar com ele.

Sim, esse é o nível de insulto que o cérebro de flash consegue processar, já que suas ofensas a mim são sobre ser ‘’pobre’’, ‘’órfão’’, ‘’nerd". Mesmo que essa escola sendo para nerds e ricos.

-Você é delirante, Jones.

-Ei, vocês todos para dentro, JÁ! Como bem vejo, Parker já está melhor. E já passaram três minutos inteiros! - A Sra. Gonzalez, escandalosa, mas rígida questão de horário, que só deve ter deixado passar porque eu estava na enfermaria.

Com essa chamada de atenção nos e todos os outros alunos, que estavam fora de suas salas, aceleramos o passo. Quando vamos para os nossos respectivos lugares, MJ está na minha frente e Ned ao seu lado, esses últimos dois períodos são da Sra. Gonzalez, ou seja, matemática. Acabo não presto tanta atenção quanto deveria, desculpa May.

Meu cérebro vaga, percebo que vou perder o treino do decatlo para ir à sala do diretor Morita. Não vou ficar lá por muito tempo, mas também não posso ficar na escola até mostrar assinatura da May, vou ter que ir para casa mais cedo.

O que normalmente não é ruim, mas hoje, especificamente hoje é péssimo.

May ainda não deve chegar em casa até muito tarde, então vamos ver minha mãe só de noite. Mas meu pai é uma questão totalmente diferente... assim que eu chegar, ele já deve estar lá.

Todo mundo acha que não tenho pai, já que nos meus documentos consta como ‘’não consta’’. Mas eu tenho. Um pai no qual não tenho intimidade e que desde a mordida da aranha, meus alertas de perigo não param de disparar perto dele.

Então sim é um péssimo dia para sair mais cedo...

Agora, como caralhos Flash sabia que hoje era um dia de visita? Sra. Diana comentou também... Ned? MJ não diria, não é do tipo dela, Mas o Ned... as vezes pode ser um boca de sacola, mas agora já foi.

As aulas são chatas e quando finalmente acabam é um alívio.

Vamos para onde os ensaios do decatlo ocorrem, me despeço. MJ me dá um olhar de descontentamento. Ned, um olhar simpático e vou para o escritório do diretor.

Ele está na porta, conversando com o que parece ser um professor e quando tremiam, me aproximo. Diretor Morita ao me ver já faz cara feia enquanto abre mais a porta me dando passagem.

- Sr. Parker, o que o traz a minha sala? Não deveria estar no treino do decatlo a esse horário?

Entro na sala de cabeça baixa e me sento a frente de sua mesa.

- Senhor, eu juro que não foi nada demais! - Entrego o papel - Só... Preciso da sua assinatura, Senhor...

O olhar decepcionado e o suspiro falam bem mais que palavras para mim. Mantenho a cabeça baixa enquanto e ele assina.

- Até amanhã, Sr. Parker.

- Sim. Desculpa incomodar. Até amanhã, senhor.

Saio da sala de cabeça baixa e papel na mão, já me preparando para mais uma bomba. Agora rotina: metrô, Dalmar e casa.

Coloco os fones e música baixa, me despeço do pessoal da portaria, uma caminhada tranquila a ritmo lento.

Metrô? Cheio.
Dalmar? Número 5 com muito picles e bem prensado, delicioso.
Minha casa? Ainda não subi pro apartamento.

Como imaginei, ele já está lá. Tudo perfeito... só a gente aqui, bem confortável. Entro e subo até o apartamento. Abrindo a porta, tiro um fones.

- May?

Fecho e vou até a sala. Bingo, Lá está ele, Bruce Wayne em pessoa, sentado no sofá velho, usando um terno de três peças, notebook no colo e fones no ouvido.