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1930 — Manicômio Púbere (Statehumans)

Summary:

𐔌 ﹒ ⋆ ꩜ ⋆ 𓂃 ₊ ⊹ ﹒

𝟏𝟗𝟑𝟎 (𝒎𝒂𝒏𝒊𝒄ô𝒎𝒊𝒐 𝒑ú𝒃𝒆𝒓𝒆)

Anos 30 e a Era Vargas acabou com todos os representantes estaduais brasileiros. O que mais sofreu com isso foi Vicente Pereira, o representante de São Paulo, que foi afastado de todas suas atividades por quase vinte anos. Em 1950, SP decide voltar ao cenário que foi excluído, tentando corrigir os erros que um dia o arruinaram e recuperar sua proximidade a pátria. Durante o seu progresso, ele se alia a uma antiga região, o Leste Meridional, porém, ser aliado do grupo mais admirado desse país carregará um risco, um que ele mesmo escolheu.

⋆˙⟡ - 𝐎𝐬 𝐚𝐯𝐢𝐬𝐨𝐬 𝐝𝐚 𝐡𝐢𝐬𝐭𝐨́𝐫𝐢𝐚 𝐞𝐬𝐭𝐚̃𝐨 𝐧𝐨 𝐩𝐫𝐞𝐟𝐚́𝐜𝐢𝐨
— ( História pausada para ser reescrita. Essa versão está desatualizada, mas logo será atualizada. )
— ( mlm & wlw )
— a história é sobre Statehumans, se não gosta, não leia

Notes:

Hallo meus caros leitores ^_^!

Bom antes de ler, essa é uma história autoral que é criada de uma AU de Statehumans (infelizmente o AO3 não possui tags para SH, falando nisso, essa fic também está no wattpad caso queiram ler lá! Username : Yootqka).

A AU — Entre Regiões — Os estados são humanos e possuem uma deformação genética que faz eles serem conectados ao solo/ao seu território. No universo deles a mutação faz eles serem representantes, que num resumo muito básico seria presidente do seu território ou a encarnação viva do seu território.

Isso foi um resumo muito básico okay! Não da para explicar todo o universo etc.

Já deixamos claro que não apoiamos e nem passamos pano para as decisões dos personagens. Não apoiamos qualquer tipo de preconceito nem discriminação!

A criadora da AU é a Yootqka, eu apenas me responsabilizo pela postagem aqui no AO3! (Além de escrever também né).

Perdão por falar demais! Aproveitem!

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: Antes da Escola

Chapter Text

Minha cabeça dói, dói muito. Parece como se eu fosse explodir.

 

Eu nesses estados do sono já começo a ouvir vozes e alucinar horrores.

 

Eu me sinto preso num espaço branco, vazio e sem ninguém. Como se fosse um lugar entre o céu e a terra... e com um cheiro de fogo.

 

Hm...? 

 

. . . 

 

"Você realmente precisou queimar pra brilhar. Não é, Vicente? "

 

Huh? Como assim? –

 

{Dois de Janeiro, 1950}

SP P.O.V



Que ÓDIO. O que foi isso?! 

 

Eu só fui apoiar minha cabeça na quina da minha janela que eu já comecei a ver coisa. Não é nem como se eu fosse louco para ver alucinações e vultos, mas eu acho que aquele tanto de remédio que meu pai anda me dando não está me fazendo muito bem. Minha cabeça está toda confusa.

 

Vamos começar pelo ponto em que eu estou ouvindo vozes e uma delas começa a me chamar de Vicente. E com isso, meu lamentar volta de que não existia outro nome melhor para meus pais me darem não?! Meu nome não tem NADA a ver com o território que eu represento. 

 

Eu sou representante do estado de São Paulo. Acho que fui descoberto desde o dia que eu nasci, não me lembro de nenhuma memória de alguém não me tratando como um Santo. Afinal de contas, os representantes são aqueles que Deus enviou em forma humana para personificar seus territórios.

 

Mas voltando a minha ansiedade. A minha idade humana é consideravelmente muito baixa comparada a idade do meu estado, eu só tenho 17 anos, vou começar o terceiro ano do ensino médio ainda hoje. 

 

Isso seria uma coisa boa para qualquer adolescente normal, mas para mim vai ser um show de horror. Como eu sou representante de São Paulo e há alguns anos atrás aconteceu a revolta de 32 (golpista) no meu estado, o nosso presidente me colocou em afastamento representativo. Que é basicamente quando um representante fica afastado do comitê ou assembleia representativa— que seria algo parecido a uma câmara de deputados, mas, para os representantes estaduais— por um certo período de tempo, assim fazendo ele se isolar de outros estados e apenas focar no seu território.

 

Na parte de prestar atenção no meu lar, isso foi até bom, estamos cada vez mais crescendo. Eu virei a maior potência desse país sem precisar de nenhum outro representante no meu pé, mas, faz muito tempo desde que eu não falo com nenhum representante, eu sinto que a maioria me odeia. Eu queria me reconectar com o meu país de novo, esse é meu único motivo para estar entrando numa escola.

 

Mas vai ser simples, um mês eu vou focar na Escola Estadual Latina, a única escola desse país que acolhe representantes e filhos de políticos, onde eu vou aprender tudo que uma sociedade precisa e é ensinada. No outro mês, eu irei focar no meu povo, irei melhorar nossa infraestrutura, nossa qualidade de vida, tudo. E isso é muito bom, afinal a própria escola sugere que os representantes equilibrem sua vida escolar com a representatividade desse jeito.

 

Eu entrarei agora, no meio do semestre escolar. A escola estadual latina sempre foi um colégio conhecido por ser influenciado pelas escolas britânicas, americanas, etc... então era comum as aulas começarem em setembro e acabarem em julho. 

 

Eu me sinto ansioso por aparecer publicamente assim de novo, especialmente nesse lugar onde eu posso ter a chance de reencontrar os representantes da minha região, que digamos assim, eu deixei para trás 

 

Mas, ninguém poderia se importar com isso. E sem falar que, essa voz está certa, se eu soltar esse cigarro e dormir, talvez eu não fique tão acabado assim no meu primeiro dia de aula. Talvez eu fique mais tranquilo.

 

Eu ainda percebia a ponta em chamas entre meus dedos, parecia bom um pouco, mas, era teimosa a sensação de continuar acordado. Eu precisava ter pelo menos uma cara de quem não dormiu às quatro horas da manhã, era o mínimo. Era uma necessidade parecer minimamente normal, mesmo que não fosse.

 

Eu sempre fui... estranho. Eu era um famoso "aborrecente "ou só simplesmente problemático desde pequeno. Se eu fosse americano, tenho certeza que me chamariam de greaser. 

 

E eu não vou nem tocar no ponto que durante a república velha eu toquei em livro nenhum. Eu completamente esqueci que precisava fazer os primeiros anos do ensino médio. 

 

E eu não vou nem tocar no ponto que durante a república velha eu toquei em livro nenhum. Eu completamente esqueci que precisava fazer os primeiros anos do ensino médio. 

 

Mas se bem, talvez não seja tão ruim assim amanhã.

 

A sonolência estava quase me batendo vivo. Eu quero deitar na minha cama, ela parece tão confortável. Nesse vento gelado também, né— Talvez deitar um pouquinho não vai matar, né?

 

Meh, faz tempo que eu não madrugo... sei lá, parece meio estranho dormir agora. E ... pensar que agora eu estou sozinho. Eu não tenho mais ninguém. Não como se eu tivesse medo disso, mas... é complicado.

 

Eu nunca tive, mas, parecia bom quando eu a tinha... e eu tinha meu melhor amigo, o Rio grande ainda não me odiava... e quando ela ainda estava aqui e a Catarina era um pouco mais calma junto com ela... as... as coisas ainda ... er- eram...

 

Eram boas... 

 

Ai... era bão... era isso que isso falava... anh? Ah. É. Deve ser isso

 

Minha vista parecia borrar... 

 

{Doze de dezembro, 1900}

 

— E o que você acha, Paulinho? Ninguém nunca vai saber, e mais, os nossos estados ficarão tão desenvolvidos depois disso. — Ela quase chegava a pular de felicidade. Mesmo que a mesma não achasse muito justo, parecia animada, tem algo que ela quer cobrir.

 

— Tá bom, Milena Mariana Guedes... essa é a quinta vez que você fala desse acordo, mesmo que a gente já o tenha há alguns anos...

 

Eu e minha melhor amiga, a representante de Minas Gerais, a Milena... Ela sempre estava na minha casa. No início do ciclo do ouro, nós éramos quase grudados, contando que a MG era a minha comarca mais valiosa, mas por obra do destino, nós atualmente só vivemos grudados por escolha.

 

 

Por algum motivo, as elites do estado da mesma enfiaram na cabeça dela que seria legal a gente unir os cafeicultores da minhas província e os fazendeiros mineiros para os deixarem sempre no poder.

 

Ou resumindo, propuseram uma oligarquia para uma representante de quatorze anos. E como a mineira não vê maldade em nada, ou só simplesmente é muito egoísta, ela topou como se estivesse aceitando um presente.

 

Eu tenho certeza que eles fizeram isso porque queriam que a Minas ficasse mais feminina. Isso me dói um pouco, contando que provavelmente eles queriam que nós dois nos casássemos e talvez mais.

 

. . .

 

A Minas ainda não percebeu isso. Ela não sabe de nada. 

 

Eu não posso fazer isso com ela. Eu honestamente não ligaria, mas, eu só penso assim porque eu sou um homem, e eu preciso ser forte... pelo menos era isso que meu pai dizia que eu preciso ser.

 

Eu poderia mentir pra mim mesmo. Eu não gosto de mulher. Eu até consigo ficar com elas, eu as acho bem atraentes, mas parece vazio casar com uma. Disso eu sei, mas, eu não ligo se me odiarem ou chamarem o que a gente faz de injustiça. Infelizmente é o que um representante é condenado a fazer. 

 

Mas eu não quero ver minha melhor amiga sendo igual a mim. Eu espero que a Minas seja normal e feliz.

 

— O que eu posso falar, São Vicente? Olha como a nossa vida melhorou desde o golpe para cá. 

 

— Tá, tá... agora você passou dos limites me chamando assim, Minas de Ouro — eu tentei brincar com ela. Tentei rir. 

 

Meu nome de batismo é João Vicente porque meu território se chamava São Vicente. Eu nunca gostei do nome do meu estado, então decidi mudar, mesmo que todos ao meu redor ainda não me deixem mudar meu nome humano. 

 

A mineira também tinha um nome diferente quando pequena, se chamava Milena Mariana, mas o seu nome não tinha nada a ver com seu território; embora que quando o nome do território dela mudou para Minas Gerais, ela também decidiu mudar o nome dela, só deixando Milena. Ela nunca odiou o seu nome passado.

 

Acho que o nome dela tem a ver com as minas do estado dela, se eu não me engano existe uma mina de ouro chamada Mariana.

 

Ela sempre foi inocente demais. Sempre teve tudo o que quis. Orgulho dos pais dela... sempre otimista, sempre perfeita.

 

Será que tá na hora de contar pra ela que eu não quero mais essa política? Eu não quero estar mais perto da MG, em geral.

 

Não, mas eu não posso. Eu sempre perco o que eu quero proteger.

 

Eu ... eu 

 

Dois de janeiro, cinco horas da manhã 

 

Eu lentamente abria meus olhos, uma mulher asiática com roupas mais curtas apareceu na minha frente. Ela acariciava minha cara com gentileza.

 

Eu ouvia o rádio tocando, os passos frios na madeira, praticamente tudo, até os galos cantarem... Por quantas horas eu dormi?

 

— Bom dia...? Aish... menino fresco, nem acorda tu sabes, Vicente ...— Era a sra. Kazuya. Ela não sabia falar certas palavras.

 

Minha tutora é uma imigrante japonesa, mesmo estando cuidando de mim desde que imigrantes começaram a aparecer no meu estado, ela ainda tinha um pouco de dificuldade em falar algumas palavras. Nem parece que uma senhora dessa está viva desde o século XIX.

 

Os cuidadores dos representantes sempre tiveram prioridades ao acesso à saúde. Sem falar que todos dizem que existem Espíritos Culturais vagando por aí e cuidando dos representantes menores.

 

Os Espíritos Culturais seriam basicamente representantes de certos pontos da história ou da cultura de algum território, então eles vivem com o mesmo esquema de idade humana.

 

— Bom.. bom dia, ma...

 

— Finalmente, levanta logo, miúdo. Antes que se atrase — Ela sorriu e passou a mão na minha cabeça antes de sair do quarto — Você não quer se envergonhar em rede nacional.

 

Ela rapidamente saiu. Sem falar uma palavra depois disso, mas ainda fechou a porta. Ótimo.

 

Eu não consigo ter forças para me levantar da minha cama. Meu corpo doí como nunca antes, talvez eu tenha dormido de mau jeito e eu preciso ir.

 

Eu tento me levantar da cama e— AAAAAAAAAI!!!

 

Aí. porra!

 

Eu caí abraçando o chão.

 

Nem foi uma altura tão grande assim, mas meu joelho ficou ralado e meu corpo que já estava todo dolorido agora está mais ainda.

 

Meu... meu braço tá doendo. E eu provavelmente...

 

Meu Deus, eu vou provavelmente me ferra muito nessa escola. Ninguém pode se lembrar de nada que eu fiz em 1930... eu tenho vontade de vomitar.

 

Eu preferiria continuar estudando em casa, ou melhor, preferiria ficar fazendo nada. Eu já sou um representante, não preciso estudar. Se pelo menos a Minas não achasse que eu a "traí".

 

Não foi minha culpa, não foi? Eu não podia controlar se fizessem isso. De qualquer jeito, eu fiz o certo.. Eu contei pra ela a verdade e ela quebrou meu braço

 

Huh?

 

Algo bateu na minha janela e ouvi isso caindo na minha cama. Será que algum passarinho esbarrou na janela...?

 

— Você tem problema, Ryan. Meu Deus! — Eu ouvi uma voz feminina gritando isso.

 

Que coisa estranha...

 

Deve ser adolescente. Provavelmente jogaram uma pedra na minha janela. Me levanto do chão e calço meus chinelos. Eu lentamente abro a janela buscando identificar quem foi.

 

Lá eu vejo uma menina e um menino. Eu não me importava com caras, muito menos com quem eram. Mas, eu observava suas aparências. Só lembrando detalhes.

 

A menina era parda e tinha um cabelo ruivo enorme, só usava o uniforme todo em roxo, inclusive uma tiara da mesma cor e uma saia xadrez um pouco acima do joelho, mas ela disfarçava usando uma meia calça branca. O menino era igualzinho a ela, só que usava o uniforme e em cores azuis escuras. E também, parecia ser uma peste. Estava rindo tanto com isso, e ainda quebrou a minha janela. Talvez ele seja o Ryan que a menina falou. E eu espero que ele morra, esse nome me é familiar.

 

Ele e a garota estavam encarando minha janela, tenho certeza de que ainda não me viram. E eu vou deixar assim mesmo, dor de cabeça é a coisa que eu menos quero hoje.

 

Eu continuei observando, até perceber uma terceira menina que parecia congelada ao ver meu rosto. Ela era alta, preta, assim como os outros tinham pintado seu uniforme num vermelho vinho, junto de um casaco largo, até estando um pouco mais longo que sua blusa, com estampa toda em xadrez. Tinha um cabelo cacheado e...

 

Minas?! que você tá fazendo aí? Quem são eles?! Isso foi de propósito por acaso?!

 

Não, não, não! Era ela mesma. Impossível não reconhecer sua antiga melhor amiga. Milena não mudou NADA.

 

 Ela, quando olhou minha cara, sussurrou para a outra menina e a puxou rapidamente para longe daqui. Fugindo de mim, como sempre. Ela me abandonou.

 

Eu nunca a perdoarei, nunca vou esquecer o que ela fez comigo... mesmo estando cansando de lutar tanto assim contra meu passado, eu não consigo apagar que o meu coração de aço vê e sente. Eu ainda não acredito que ela pode me trocar por eles. Não como se EU me importasse.

 

Eu fui me arrumar para a escola, quase ignorando o que acabou de acontecer, mas eu juro, quando for o momento certo, eu vou atrás desse grupo. Tenho muita coisa para resolver com a Gerais.