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Sons do coração

Summary:

Com o irmão desaparecido e após sofrer um grave acidente de trânsito que acabou levando a vida de seu avô, Zenitsu Agatsuma adquire uma habilidade incomum que o permite ouvir muito mais do que qualquer pessoa. Mergulhado em tristeza e luto, Zenitsu encontra conforto nas batidas do coração de Genya Shinazugawa.

Notes:

Hello! This story is in Portuguese, so you'll probably have to use the translator to read it.I'm also using it to write this... I'm not very confident using the translator on such a large text, so I apologize.

(See the end of the work for more notes.)

Chapter Text

Comemorar seu aniversário sozinho é ruim… comemorar seu aniversário sozinho em um hospital é ainda pior.

Não era como se o loiro pudesse mudar algo, ele não escolheu estar ali, a única pessoa que se importava com ele estava morta e agora não lhe restava muito além de um bolo da padaria, umas velinhas e uns parabéns das enfermeiras que o visitava periodicamente.

Zenitsu olhava pela janela, estava a alguns pés do chão… era seu aniversário, ele deveria estar feliz, mas não estava. Seu avô faleceu, seu único irmão desapareceu, seus pais mal tinha tempo para visitá-lo no hospital e ele ainda não havia recebido um diagnóstico.

Quando fechava os olhos, Zenitsu conseguia se lembrar bem… do som do carro batendo contra o caminhão, a explosão que fez seu coração tremer e sua cabeça doer, os gritos desesperados das pessoas ao redor… as últimas batidas do coração de seu avô.

Sem perceber uma lágrima escorreu de seus olhos, Zenitsu abraçou seus joelhos com força, olhando para os lençóis brancos da cama de hospital. Sua cabeça doía… doía como se faças fossem enfiadas em seu crânio, fazia um barulho estranho de vidro quebrando. Ele sabia que tinha que parar de chorar, caso contrário a dor nunca pararia.

— Agatsuma-san! – A enfermeira, uma mulher com um sorriso colado no rosto entrou no quarto, carregando consigo um bolo bonito decorado. – Seu pai lhe enviou isso, feliz aniversário querido.

— Ah… obrigado. – Zenitsu pegou o bolo, colocando na pequena mesa em seu quarto.

Bolo de chocolate… ele gosta de chocolate.

O Bolo é bonito, há flores de glacê brancas e amarelas decorando as laterais, cerejas decorando o topo e pequenas velas (17 para ser mais exato) esperando para serem acesas e sopradas com um desejo.

Normalmente o barulho da porta é suave, os médicos e enfermeiros quase não fazem barulho para entrar, mas o som da porta batendo fez seu coração pular de susto. Zenitsu se virou, olhando para trás, o garoto de cabelos escuros e cicatrizes por todo o corpo lhe fez um sinal para ficar em silêncio.

Zenitsu ficou quieto, olhando o garoto se aproximar aliviado por não ter sido dedurado. O moreno se aproximou da cama de Zenitsu, olhando para ele agora com um olhar confuso, um misto de desconfiança com curiosidade, ele vestia roupas do hospital também.

— Valeu por não ter dito nada. – O garoto agradeceu, não era incomum ver pacientes fugindo de algum tratamento que eles não gostavam. – Eu sou Genya Shinazugawa, e você?

— Zenitsu… Agatsuma. – O Loiro respondeu, aquele garoto tinha uma voz bonita… não era aguda, havia um equilíbrio perfeito entre o grave… o suave… era boa de se ouvir.

— Legal… – Genya coçou a cabeça, olhando ao redor, notando o bolo em cima da mesa. – Ah, Bolo! É seu aniversário?

— Sim. – Zenitsu respondeu, suas bochechas levemente avermelhadas pelo modo como Genya havia falado com ele.

— Que fita… passar o aniversário no hospital é uma merda. – Genya fez algum som de estalo com a boca, puxando uma cadeira para de sentar ao lado de Zenitsu. – Eu tenho bronquite asmática, e você?

— Eu ainda não sei. – Zenitsu respondeu, testes e mais testes e nenhuma resposta. Os médicos não sabiam o que ele tinha, mas não era comum uma pessoa ouvir sons que nenhuma outra conseguia ouvir. – Você tá aqui por causa da sua asma?

— Nhe… não dessa vez. – Genya seu os ombros, palavras sombrias saindo de seus lábios, doces e amargas. – Eu tentei me matar na verdade, por isso to aqui… estava fugindo da psicóloga.

— Sério? – Zenitsu arregalou os olhos, preocupado com a forma simples e despreocupada que o outro garoto havia dito sobre sua tentativa falha de suicídio. – Mas… por que você estava fugindo da psicóloga?

— Ela com certeza vai me perguntar por quê eu tentei me matar… e se eu disser, ela vai contar pro meu irmão. – Genya parecia triste, sua voz soou mais baixa, mais melancólica com falar do irmão.

Talvez o irmão de Genya fosse como o seu… Kaigaku não era um exemplo de irmão, ele tinha muitos defeitos, muito mais do que qualidades. Já fazia dois meses que ele não voltava pra casa, era como se ele tivesse evaporado…sem deixar rastros, nenhuma notícia ou mensagem.

— Mas e ai? Você não vai cantar nem um parabéns? – Genya perguntou, olhando novamente para o bolo em cima da mesa.

— Não tem graça cantar sozinho. – Zenitsu disse dando os ombros, talvez ele apenas partisse o bolo e comece sozinho.

Ele guardaria o primeiro pedaço para aquela enfermeira baixinha, ela fazia um som feliz, como uma canção infantil.

— Eu canto com você. – Genya acendeu as velas na mesa, Zenitsu abriu um curto sorriso.

Palmas, Palmas que não doiam o ouvido, suaves… com ritmo.

Parabéns pra você.
Nessa data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida…

— E pro Zenitsu nada? – Genya disse alto, não havia ninguém para acompanha-lo. – Tudo! Como é que é?

É pique
É pique
É hora
É hora
É hora
Rá Tim Bum.

— Zenitsu, Zenitsu, Zenitsu! – Genya repetia, sorrindo de orelha a orelha quando o loiro soprou as velas.

Zenitsu sorriu, pela primeira vez desde o acidente, ele sorriu. Genya o ajudou a cortar o bolo, o loiro ofereceu o primeiro pedaço para Genya, que acabou aceitando.

Ambos comiam o bolo em silêncio, as bocas sujas com glacê, bocas cheias de açúcar. Genya cantarolava enquanto comia, saboreando o sabor do chocolate ao leite.

— Isso é muito bom, no meu aniversário o bolo que compraram pra mim tinha gosto de terra, era seco e duro igual um pedaço de pau. – Genya dizia, suas bochechas se mexendo enquanto ele comia o bolo macio. – Você deve ser rico no mínimo.

— Eu não… meu pai é. – Zenitsu respondeu, colocando mais uma colher de glacê branco na boca. Aquilo era realmente gostoso, melhor ainda quando se tinha alguém para compartilhar. – Mas ele nunca tem tempo pra mim.

— E quem é o seu pai? – Genya perguntou, cortando mais um pedaço de bolo para si.

— Tengen Uzui. – Zenitsu declarou desanimado, enquanto os olhos de Genya pareciam brilhar com a menção do nome.

— Tengen Uzui? O atleta olímpico? – A voz de Genya soava animada, como qualquer garoto de sua idade soaria.

Quem não ficaria animado? Saber que seu pai era mundialmente conhecido, famoso e prestigiado por todo o país. Não era a intenção de Zenitsu nascer e abalar a carreira do pai da forma que fez, eram poucas as pessoas que sabiam de sua existência. Uzui sempre deixou Zenitsu ter tudo do bom e do melhor, assumindo a responsabilidade financeira do garoto, mas dizer que ele era um pai presente? Não… isso ele não era.

Genya soltou o prato, olhando agora para Zenitsu e o quanto ele parecia chateado com a menção do pai, o bolo já não era mais tão gostoso.

— Ei cara… ta tudo bem? – Genya perguntou, sua voz era tão macia e reconfortante.

— Sim…é que eu… – Zenitsu apertou os lençóis, sua voz emaranhada, cheia de mágoas contidas. – Eu… sinto falta do meu avô…

Genya deixou transparecer um pequeno sorriso de conforto, gentilmente retirando o prato de bolo do colo, se sentando ao lado de Zenitsu. Os braços de Genya passaram em voltando seu corpo, o puxando para perto, em um abraço cheio de empatia.

Zenitsu chorou, chorou porque esses abraços eram coisas lembravam seu avô, chorou porque o coração de Genya tinha os pulsos cortados, cicatrizes de dores profundas, chorou porque seu toque era quente e aconchegante. Zenitsu chorou, chorou porque seu coração batia em uma linda melodia, Genya tinha um som tão bonito.

 

1 ano Depois…

 

Já haviam se passado meses, quase um ano desde que Zenitsu saiu do hospital. Kaigaku ainda não havia aparecido, Zenitsu passou a morar com seu pai, uma casa enorme cheia de empregados, uma casa cheia de tudo, cheia de dinheiro, carros de luxo, das coisas que Zenitsu gostava, mas vazia de afeto.

Por ironia do destino, Zenitsu reencontrou Genya na mesma escola para onde foi transferido. O irmão mais velho de Genya era professor de matemática e por isso Genya conseguiu uma vaga para estudar lá, Zenitsu também conheceu outras pessoas, como o garoto Javali, Inosuke Hashibira, que compartilhava com ele o sentimento de ter um pai mundialmente famoso e se sentir um zero à esquerda. Também havia conhecido os irmãos Kamado, o jovem e atencioso Tanjiro que literalmente fez Zenitsu chorar quando o conheceu, a doce e bondosa Nezuko com seu som de sinos do vento… uma melodia apaixonante.

Porém nenhuma deles se comparava a Genya, todos os sons, todos eram lindos, cada um tinha um tom, uma nota um timbre diferente, mas Genya era sua música de conforto… era as suas batidas que o acalmavam, mesmo sabendo que a mente do Shinazugawa era uma tempestade, seu coração ainda soava como o vento correndo entre as árvores, era imerso… viciante, o fazia querer morar nos braços do outro.

O primeiro dia de aula de Zenitsu após sua alta no hospital foi um completo desastre, o barulho da escola entrava por seus ouvidos como Katanas enferrujadas, cortando e perfurando seu cérebro. Os médicos liberaram Zenitsu com o diagnóstico de hiperacusia, mas isso só explicava sua dor de cabeça, não explicava o porquê ele ouvia coisas que mais ninguém ouvia, não explicava o porque ele conseguiu diferenciar as pessoas pelo sons de seus batimentos cardíacos. O primeiro dia de aula de Zenitsu só começou realmente em seu segundo dia, onde seu pai providenciou a ele abafadores de ruídos que lhe ajudaram a conseguir se manter na escola.

Zenitsu andava pelos corredores, o horário de aula já havia acabado e era o momento em que os clubes da escola começavam suas atividades. De todos os clubes que poderiam ter entrado, Zenitsu escolheu o clube de música. Quando entrou na escola, assim que a notícia de que ele era filho de Tengen Uzui correu solta, o clube de Atletismo tratou logo de tentar tomar Zenitsu como membro, porém o loiro era terrível em qualquer esporte, sendo um pouco melhor em esgrima ou kendo, mas tendo um total de zero interesse em qualquer um desses.

Apesar da falta de talento para esportes, Zenitsu tinha um talento nato para música, sendo capaz de tocar qualquer instrumento com total habilidade, aprendendo e dominando qualquer música que lhe fosse dada. Os outros membros do clube até tentaram fazer com que Zenitsu se tornasse o líder, mas o Agatsuma não se considerava alguém digno dessa posição e renunciou ao cargo.

Por um segundo, Zenitsu se permitiu tirar os abafadores, deixando que os sons ao redor se misturassem. O som das respirações, das batidas dos corações ritmadas ao som dos instrumentos, a conversa baixinha sobre música… um estalo, e o som do violino soou das cordas ao ambiente.

Zenitsu não tinha um instrumento favorito, gostava do som de todos, ele apenas escolhia um por semana para tocar, nos últimos três meses, havia um cômodo inteiro em sua casa repleto de instrumentos para que Zenitsu continuasse a praticar até mesmo fora da escola.

O som do violino chamou atenção das pessoas, o mundo parecia ficar em silêncio quando ele tocava, para Zenitsu tudo continuava barulhento, mas agora estava em ordem… acompanhando as notas das cordas.

— Uau… isso foi lindo. – Genya disse sentado em uma das caixas de som.

Não era incomum ver Genya perambulando pela escola durante o horário de atividades dos clubes, Zenitsu sabia, realidade ele ouviu, que Genya era o Ás do clube de artilharia, o maior e melhor atirador da escola. O Shinazugawa havia vencido um prêmio que a 15 anos não era levado pela escola, foi quando seu irmão subiu ao palco e o humilhou de todas as formas na frente de 27 escolas diferentes. Após isso, assim que saiu do hospital, Genya abandonou o clube de artilharia.

— Valeu… – Zenitsu corou, se Genya soubesse que seu coração soava mais belo do que qualquer um dos instrumentos naquela sala.

— Você é incrível, Zenitsu. – O Shinazugawa sorria, ainda inebriado pela música, apaixonado pelo som, pelos olhos, pelo cheiro, pelo modo como a boca de Zenitsu murmurava alguma canção enquanto tocava. – Você vai fazer alguma coisa amanhã? É seu aniversário e eu pensei… que deveríamos comemorar, fora do hospital esse ano.

— É… eu ainda não sei, meu pai com certeza não vai estar em casa pra variar, então eu não tenho nenhum plano. – Zenitsu deu os ombros, não havia uma palavra mentirosa em sua boca.

— Que bom! Então a gente vai sair, vamos comemorar seu aniversário decentemente dessa vez. – Genya se levantou, seus planos estavam dando certo, Zenitsu já havia aceitado, agora faltava que os outros cumprissem suas partes.

Zenitsu estava feliz, odiava ficar sozinho e seus novos amigos nunca o deixavam sozinho. Embora fosse bom, também tinha seu lado ruim… conseguir um tempo sozinho com Genya era raridade, oportunidades como aquela não poderiam ser desperdiçadas novamente.

— Genya! – Zenitsu o chamou, seu coração acelerado e seu rosto rosado com o pedido que faria. – Você pode me esperar um pouco? Antes de ir embora…

— Claro, você precisa de ajuda? – Genya perguntou, pronto para realizar qualquer tarefa, já que não fazia parte de nenhum clube, então não custava nada ajudar quem precisasse de um pouco de serviço braçal. – Mudar algum instrumento de lugar, guardar alguma coisa? Pode falar, eu faço qualquer coisa por você.

— Só…Fique parado. – Zenitsu pediu, correndo em passos curtos até sua bolsa.

Aproveitando a falta de pessoas na sala do clube por conta da hora, Zenitsu pegou em sua bolsa o pequeno caderno de música que usava para anotar melodias que ele julgava interessante, quando ele conseguia encontrar um som que lhe agradasse, ele transcrevia a melodia em notas para o papel, assim sempre se lembraria.

— Foi você quem compôs todas essas? – Genya olhava para o caderno, cheio das músicas que Zenitsu compunha. Genya não precisava entender nada sobre notas musicais para saber que cada melodia ali era única e lindas, como aquele que as tocava com tanta maestria.

Zenitsu balançou a cabeça positivamente, seu rosto queimando de vergonha enquanto ele se aproximava de Genya. Por sorte, o Shinazugawa era bem mais alto que a maioria dos alunos, o que facilitou muito para Zenitsu colocar sua cabeça no peito de Genya, podendo ouvir com clareza o som de seu coração batendo.

Genya instintivamente o abraçou, a melodia em seu peito ficou mais alta, Zenitsu continuou ali, abraçado a Genya, ouvindo sua música. Com cuidado, o loiro começou a escrever cada nota que ouvia, uma por uma sendo colocada em seu caderno, o moreno olhava para aquilo, confuso.

— O que está fazendo? – O Shinazugawa olhou para o caderno nas mãos do Loiro, vendo as notas músicais que ele marcava entre as linhas. – Isso é uma música?

— É… é a música que eu escuto seu coração tocar. – Zenitsu admitiu com o rosto tomado por um vermelho profundo, mesmo que seu rosto ainda estivesse colado no peitoral do Shinazugawa.

— Eu posso ouvir também? – Genya perguntou, curioso para saber que tipo de som aquelas notas formariam.

Zenitsu colocou seu caderno apoiado no suporte, pegando o violino. Genya olhou para ele, como se mais nada existisse, quando Zenitsu começou a tocar, Genya sentiu que começaria a chorar a qualquer momento. Era bonito, melódico e triste, mas não doía, não deixava mágoa, era reconfortante e isso o machucava… era tudo que ele queria ouvir, sem palavras, apenas notas. Como se a música estivesse o abraçando, era isso que Zenitsu ouvia quando estava perto dele? Genya nunca pensou que ele teria um som tão belo.

— Uau… eu… não sei o que dizer. – Genya continuou ali, parado, tentando absorver tudo que tinha acabado de acontecer.

— É a minha… música favorita. – Zenitsu mordeu os lábios levemente, esperando uma reação do Shinazugawa.

— Meu coração… é a sua música favorita? – Genya sorriu, à medida que se aproximava, notando como Zenitsu continuava ali… esperando que ele chegasse.

O Agatsuma não era o único com dons especiais, naquele pequeno grupo de amigos, todos eles tinham algo em comum…Algo que apenas eles conseguiam fazer. Inosuke era hipersensível, roupas ou qualquer toque, textura diferente causava reações extremas no Hashibira, sua pele era exatamente sensível a quase tudo, por isso suas roupas eram diferentes, mais leves que a maioria. Depois havia Tanjiro, que mudou os produtos de limpeza da escola devido ao seu olfato apurado, que descobria quando um alimento estava prestes a estragar antes mesmo que chegassem ao limite da data de validade. Todos eles… haviam sofrido algo que os fez mudar completamente. Inosuke perdeu sua mãe, Konoha Hashibira, em um trágico acidente aéreo, sendo obrigado a viver durante 20 dias na montanha onde o avião havia caído. Tanjiro havia perdido o pai, um incêndio começou na padaria de sua família, todos conseguiram se salvar… porém Tanjuro Kamado sacrificou sua vida para salvar o filho.

Genya não era diferente, todos aqueles remédios e ardência dos cortes profundos em seus pulsos não foram as únicas coisas que preocuparam os médicos. Ainda no hospital, a comida não tinha gosto, nada tinha gosto… era como se o sabor de tudo tivesse desaparecido. De tudo que comeu, a única coisa que começou a ter gosto depois daquele dia, foi o bolo de aniversário de Zenitsu.

— Eu poderia ouvir você todos os dias… – Zenitsu olhou para ele, arrepiando sob o toque do Shinazugawa em sua bochecha. – Seu coração, sua voz…

Genya não conseguiu responder mais nada, sua mente completamente em branco, os olhos se fechando lentamente enquanto seu nariz tocava o rosto de Zenitsu, até que seus lábios estivessem colados um no outro. O loiro tremeu, suas mãos se agarraram aos braços fortes de Genya, seu coração batendo tão rápido em seu peito.

O que começou simples e amável, pouco a pouco foi mudando. Uma música que começa lenta, e seu ritmo vai aumentando. O aperto na cintura de Zenitsu aumentou, o aperto nos braços de Genya também, línguas se envolveram dentro da música silenciosa do ambiente.

Tudo parecia perfeito, tudo soava dentro do tom. Se Zenitsu nunca havia escutado melodia mais bela que as batidas do coração de Genya, então o som de seus corpos juntos, tocando ritmicamente era muito mais belo do que qualquer coisa que ele já havia escutado. Com certeza sua segunda música favorita no mundo inteiro… perdendo apenas para o solo de Genya. Era alto, ensurdecedor, não incomodava, era quente, doce, faziam seu coração bater mais rápido e seus pelos arrepiarem.

Genya agarrou Zenitsu com todo seu corpo, sua língua tomando mais do sabor único que o loiro possuía. Lembrava o gosto das panquecas americanas que ele havia comido uma vez, um leve toque de baunilha e mel… porém mudava, um toque cítrico e doce como pêssegos e laranjas, era uma mistura de sabores viciante, que o fazia querer morder Zenitsu apenas para provar mais de seu sabor.

Genya e Zenitsu se separaram, o rosto corado e as respirações ofegantes.

— Eu… – Genya começou, sendo interrompido por Zenitsu.

— É melhor a gente ir, antes que fechem a escola com nós dois aqui dentro. – Zenitsu mordeu as bochechas, queria sorrir, estava tão feliz de ter beijado Genya pela primeira vez que poderia sair saltitando por aí.

— É… vamos. – Genya segurou a mão de Zenitsu, o ajudando a pegar suas coisas e seguindo para fora da escola.

As mãos suadas não eram um incômodo para nenhum deles, nervosos como estavam era perfeitamente normal que estivessem ainda se familiarizando ao toque alheio. Genya caminhou junto de Zenitsu até o ponto de ônibus, antes de se despedirem com um beijo rápido, com promessas para o dia seguinte.