Work Text:
Estrelas sempre chamaram a atenção de Cellbit, desde sua infância. Sua mãe sempre apontava para o céu e dizia que cada pontinho brilhante enfeitando o céu escuro formava um formato, um desenho.
Cellbit sempre olhava para o céu quando estava estrelado e formava formatos e desenhos com os pontinhos brilhantes.
Era divertido, formar um coelho ou um gato no céu. Cellbit tinha um grande carinho pelas estrelas, por diverti-lo e por serem uma boa companhia.
Quando ele estava sozinho, quando tinha um dia ruim, o garotinho saia para fora de sua casa e se deitava no chão de seu quintal, olhando para esse céu enfeitado com pontinhos brilhantes. Eles até pareciam brilhar para si.
Quando mais velho, quando Cellbit acabou tomando decisões erradas que tiveram más consequências, o homem acabou perdendo o hábito de olhar para as estrelas. Ele não as admirou por longos, longos anos.
Mais tarde, quando Cellbit finalmente conseguiu esquecer seu passado — quando conseguiu pelo menos "aceita-lo" — e acabou sendo levado a uma ilha estranha com antigos amigos e novos desconhecidos, Cellbit voltou a admirar as estrelas e formar esses desenhos e formatos bobos com esses pontinhos.
E então ele apareceu. Com seu sorriso amigável e flertes bobos. Com o moletom vermelho e bandana azul. Com essas estrelas pintando suas bochechas. Cellbit se viu de frente com a mais bela estrela brilhante.
Roier, esse era seu nome.
Roier, o homem com estrelas em seu rosto.
Cellbit passou bons tempos com Roier, ele gostava da companhia do mexicano e, depois de alguns momentos bons e até ruins, Cellbit se viu completamente acostumado a ter Roier por perto. E então, Cellbit se viu apaixonado por esse homem com sua bandana azul e seus flertes bobos.
Foi por Roier que Cellbit se esforçou para esquecer seu passado e para ser alguém melhor.
E, do fundo do coração, Cellbit estava feliz. Feliz porque Roier o entendia. Feliz porque Roier o ouvia. Era bom. Amar Roier era bom.
— Oh, ¿Te gustan las estrellas? — Roier o perguntou uma noite, quando os dois estavam sentados no banco da pracinha debaixo do céu limpo e sem estrelas dessa vez.
Cellbit sorriu envergonhado, coçando a nuca.
— Sim, sempre gostei delas desde criança. — Quando Cellbit olhou para Roier, ele recebeu esse sorriso gigante e brilhante.
— A mí también me gustan. Las estrellas. — Cellbit pisca surpreso e Roier ri baixinho. Sua mão toca a mão de Cellbit e, rapidamente, seus dedos estão entrelaçados. — Miremos las estrellas juntos ahora, ¿vale gatinho? — E Cellbit concordou. Porque deus sabe que ele nunca poderia negar nada para Roier e seus sorrisos brilhantes.
— ¡Gatinho, gatinho! — Roier chamou-o animado, descendo as escadas do castelo deles como uma criança que acabou de ganhar algum brinquedo novo.
Cellbit se virou para o marido, sorrindo docemente e deixando Roier entrelaçar seus dedos juntos quando finalmente estava ao lado do loiro.
— Sim, guapito? Aconteceu alguma coisa?
— ¡Quiero mostrarte algo! ¡Pero tendrás que cerrar los ojos! — Cellbit o olhou com uma sobrancelha arqueada e Roier fez beicinho. — ¡No pongas esa cara, culero! ¿No confías en mí?
— Eu confio. — Sua resposta é rápida e sem um pingo de hesitação; era a mais pura verdade, claro. Cellbit confiava em Roier. Sempre confiaria. — Mas eu também sou curioso.
— Cierra los ojos, gatinho tonto. — Cellbit nunca se cansaria dessa música que era a risada de Roier.
E, como um bom homem apaixonado que confia sua vida ao marido, ele fecha os olhos rapidamente.
Mãos quentes seguram as suas e Roier o está guiando até algum lugar. Cellbit não era fã do escuro, mas com Roier o segurando ele sabia que era impossível ter medo.
Roier jamais o deixaria sozinho no escuro.
Enquanto caminham, Cellbit pode sentir a brisa um pouco gelada da noite dando arrepios em sua pele. Eles estão fora do castelo, ele percebe.
— Guapito-
— Ya casi llegamos, pendejo, espera un poco más. — Cellbit bufa, mas obedece.
Depois de alguns minutos caminhando, Roier finalmente para. Cellbit é delicadamente empurrado para se deitar no chão e a grama faz cócegas em suas costas.
Roier se senta ao seu lado.
— ¡Bien! ¡Abre los ojos, gatinho!
Quando Cellbit abre os olhos, milhares de pontinhos brilhando no céu estão acima de si.
Cellbit não consegue evitar o sorriso largo que se forma em seus lábios.
— Uau.
Não era a primeira vez que o homem viu um céu completamente estrelado, mas ele não consegue evitar ficar encantado.
— Increíble, ¿no? — Roier suspira, se deitando ao lado do marido e deixando sua cabeça encostar no ombro do outro. — Te dije que íbamos a ver las estrellas juntos.
Cellbit desviou sua atenção das estrelas do céu e admirou as estrelas do rosto de Roier.
Sua mente desenhou pequenos desenhos imaginários no rosto bonito e isso o fez sorrir.
— Es hermoso, ¿no?
— Lindo demais. — Roier se vira e essas íris castanhas brilham quando finalmente entendem do quê Cellbit está falando. — Eu amo suas estrelas.
— ¿Mis estrellas? — Cellbit concorda, se aproxima mais do marido. Ele levanta a mão e seus dedos tocam as sardas do mexicano. Roier entende e solta uma risada.— ¿Son mis pecas tus estrellas favoritas?
— Minha estrela favorita é você.
Roier para de rir, mas o sorriso em seus lábios não some.
— E sempre vai ser você.
— Ay, gatinho...
E quando os lábios de Roier estão nos seus, quando o corpo de seu marido se inclina contra o seu, Cellbit sente seu coração quente.
Porque estar com Roier era quente, tinha cheiro de lar e um sabor doce.
E as estrelas jamais iriam brilhar tanto quanto Roier e seus sorrisos brilhantes.
