Chapter Text
Flins e Rerir dividiam um apartamento, nada grande, o suficiente, o que o dinheiro conseguia pagar.
Rerir sempre foi um homem quieto e reservado, Flins sabia algumas coisas como o que ele cursava na faculdade, alguns hobbies mas não sabia absolutamente nada sobre o seu passado.
Bom, Rerir não sabia muito do passado de Flins também, então eles estavam quites.
Ao menos ele tinha uma companhia agradável, não do tipo que preenche o lugar com conforto, era mais como... estranhamente quieto e que não se intrometeria em nada. Flins gostava de pessoas assim.
Não era atoa que estava cursando medicina, inicialmente foi um apelo de sua família, por status, mas Flins tomou jeito pela coisa.
Principalmente quando o assunto eram corpos, mortos de preferência. Era um trabalho investigativo que sempre se propunha a ser um desafio, descobrir o que levou a morte de alguém sem a possibilidade de perguntas.
E era bem silencioso também, mortos não falavam. Apesar de vez ou outra ouvir alguns barulhos estranhos, nada a se preocupar.
Flins não tinha medo de fantasmas, acreditava até que talvez eles tivessem medo dele, por algum motivo.
Bom, mas sua personalidade peculiar era o que atraia seu olhar para Rerir. Aquele homem misterioso que não dava para desvendar com perguntas, era um desafio e tanto, aquilo divertia Flins.
Ele cursava Relações internacionais, assim como uma amiga sua, Nefer. Inclusive a garota já havia tentado, diversas vezes, pesquisar mais a fundo sobre Rerir.
Curiosidade própria e talvez um dedo de Flins, que ele nunca admitiria. Mas nunca resultou em nada, sem dados sobre família, nem de onde vinha, pouquíssimos conhecidos, um amigo ou dois que nem estudavam na mesma cidade e nem mantinham os dados atualizados.
O cara era impenetrável, e mesmo com perguntas ele sempre dava um jeito de desviar da situação.
Flins não era tão cara de pau quanto Nefer, os dois estudavam na mesma sala e ela constantemente se aproximava como uma cobra em busca de uma fofoca. Flins já havia visto a cena algumas vezes e sempre acabava rindo baixinho, o homem imperturbável enquanto a mulher parecia frustrada.
Algumas pessoas tinham medo de Rerir, por algum motivo. Espalhando rumores infundados por aqui ou ali.
"Aposto que ele deve ter feito alguma coisa pras namoradas dele, ninguém é louca de se aproximar demais."
ou
"Ele deve ser algum criminoso."
ou
"Ninguém sabe da família dele, será que ele tem alguma?"
ou
"Aposto que deve ser um cara ruim, ninguém nunca fica perto dele por tempo demais."
As pessoas podiam ser muito maldosas as vezes, mas isso não parecia perturbar Rerir, pelo menos não como perturbava Flins.
Ele só é quieto? A pele branca igual um fantasma não ajudava, mas nesse quesito Flins era igual, talvez fosse o networking.
Flins era um cara sozinho mas que socializava com certa frequência, era alguém agradável aos olhos e educado. Algumas pessoas suspiravam ou emitiam sussurros com relação a ele, normalmente dizendo o quão bonito ele era, quase etéreo.
Ele simplesmente ignorava, aquelas opiniões não lhe importavam, apenas gostaria que aquelas palavras saíssem de um certo alguém de quase dois metros, cabelo branco, pele pálida e uma aura assustadora.
Bem, havia alguém parecido, mas só em tamanho que o bajulava dessa forma.
- "Dormiu bem?" - A voz de Varka apareceu repentinamenre ao seu lado enquanto Flins caminhava. Aquele homem carregava uma energia de labrador.
- "O dia que eu acordar, chegar até aqui e não receber essa pergunta de você definitivamente vai ser um pesadelo." - Flins falou zombeiteiro, arrancando uma risada, um pouco estrondosa do homem grande.
- "Eu provavelmente estaria morto!" - Varka exclamou em resposta mas logo continuou. - "Fiquei sabendo que você gosta muito de analisar corpos mortos, serei alegradamente sua cobaia." - Aquele era um flerte bem... mórbido. Flins gostou.
- "Seria uma honra capitão Varka. Mas acho que ainda prefiro o seu estado agitado a uma quietude gélida e triste. Não combina com você." - Flins retribuiu o comentário. O jogo que jogava com Varka não era ruim, o homem era extremamente barulhento comparado com a personalidade reclusa de Flins, mas até que a dinâmica era divertida.
- "Posso te ver depois da aula? no lugar de sempre, no Navio-Chefe. Estou te devendo algumas bebidas. Podemos até jogar alguns dos seus joguinhos divertidos." - Varka propôs, era claro que havia segundas intenções, tentador, mas Flins teve que recusar.
- "Talvez em uma próxima, estou um pouco atolado com as atividades do curso então não poderei passar tanto tempo bebendo." - Flins admitiu, não era totalmente verdade mas também não era totalmente mentira. Suas atividades precisavam realmente ser feitas mas não havia tanta urgência como Flins demonstrou.
- "Nenhum pouquinho? Prometo de levar para casa bem cedinho!" - Varka insistiu, Flins sorriu. Ele estava lançando aqueles olhos de cachorrinho engraçados.
- "Não mesmo, me desculpe capitão Varka." - Flins deu um leve tapinha em seu ombro.
- "Está tudo bem, quem sabe numa próxima." - O homem loiro deu um suspiro derrotado. - "E ei, já não lhe disse para não usar esses títulos comigo? Apenas Varka está bom ou Var, para os mais íntimos~" - E ele nunca perdia aquele tom bajulador e cafajeste.
- "Irei pensar no seu caso." - Flins fez uma pausa. - "Var- ka." - Ele pronunciou pausadamente provocando o mais alto que lhe lançou mais um suspiro derrotado, Flins não pode conter uma risada.
E então o loiro se foi deixando Flins seguir até a sala para sua rotina de aulas do dia. As matérias de hoje não eram ruins, mas Flins estava um pouco cansado.
Talvez sua única motivação do dia fosse sua última aula, Rerir estaria nela, compartilhavam algumas poucas materias. Eles fariam Direito Legislativo, a matéria em si era bem chata, burocrática mas olhar para Rerir concentrado com o cabelo preso em um coque com uma caneta era definitivamente uma das melhores visões que já tinha tido.
Inclusive, Rerir era bom em absolutamente tudo que se propunha a fazer, uma máquina. Flins achava aquilo extremamente atraente.
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As horas se passaram rápido, felizmente e Flins se encontrava em sua última aula. O professor não se demorou muito na lousa até os informar que deveriam realizar um trabalho em dupla. Algo sobre as diferentes legislações pelo mundo e sua implicância sobre a passagem do tempo, ele queria no mínimo três comparativos de culturas diversas com suas origens e inspirações, se houvessem.
Parecia interessante, Flins não era muito fã de trabalhos em conjunto mas aceitaria, talvez ele devesse chamar Rerir, se ele já não tivesse um par.
Ao notar a agitação da sala, o professor insistiu que os alunos fizessem suas duplas apenas no final da aula pois ele ainda tinha alguns conteúdos para apresentar.
Os alunos então se acalmaram, Flins notou que Rerir nem havia se mexido mas acabou percebendo que o homem estava o encarando. Flins desviou o olhar rapidamente, será que ele havia percebido os olhares furtivos dele? suas orelhas se esquentaram um pouco de vergonha de imaginar ser indagado sobre tal.
A aula se estendeu com explicações e muita teoria, algo que ele acreditava ser uma espécie de norte para realização do trabalho e quando faltavam alguns minutos o professor liberou para os alunos formarem seus pares.
Flins mal pode processar quando sua colega, Jahoda, passou quase voando perto dele em direção a Nefer, mas ela pareceu derrotada, Nefer já estava ao lado de Lauma. Flins soltou uma leve risada.
Como aquela matéria era mais geral para todos os cursos, era normal ver alguns rostos conhecidos que ele não costumava ver em outras disciplinas, aquilo o deixava um pouco feliz.
Fazia ele se lembrar da escola, era menos apavorante que sua jovem vida adulta.
Falando sobre rostos conhecidos, as mãos de Ineffa pousaram sobre sua carteira. Seu olhar era fixo, aquela mulher parecia ter um objetivo a cumprir.
- "Quero formar uma dupla." - A mulher declarou com seu jeito levemente robótico característico. Para surpresa de Flins, Rerir silenciosamente já havia se aproximado dele também, talvez ao mesmo tempo que Ineffa, mas sem ser notado. O homem maior coçou a garganta.
Flins não imaginava que Rerir viria até ele, ele imaginava mais o contrário.
- "Parece que tenho uma decisão e tanto aqui em minhas mãos." - Flins falou tomando um gole de água de sua garrafa. Seu olhar se voltou para a pobre garota de cabelos loiros que perambulava pela sala procurando alguém para fazer uma dupla. - "Ineffa, você não acha que seria melhor se-"
- "Não." - Ela respondeu rapidamente nem permitindo que Flins terminasse sua frase. Flins podia sentir uma aura cada vez mais ameaçadora vindo de Rerir, o homem menor teve que segurar uma risada.
- "Por que eu exatamente? Achei que você se desse bem com Jahoda. E meu colega aqui parece que vai cortar sua cabeça fora com o olhar se você continuar insistindo." - Flins explicou divertido, Ineffa bufou derrotada enquanto ia na direção de Jahoda. Flins suspirou levemente. - "Olha, se o seu olhar pudesse matar eu diria que você mataria qualquer um que se metesse no seu caminho." - O homem menor brincou, virando seu olhar para Rerir que não demonstrava nenhuma emoção.
- "De fato, seria muito prático." - O homem maior respondeu simples. - "Conversamos sobre o trabalho em casa, chego por volta das oito." - E Rerir saiu sem nem esperar a resposta de Flins. Pra onde será que ele iria? Flins queria muito perguntar.
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Flins chegou no apartamento e tirou os sapatos, esticou os braços e estalou levemente o pescoço, um gemido cansado saindo naturalmente de sua boca.
Enquanto caminhava despreocupadamente pelo apartamento, ele tirou a camisa e a jogou por cima do ombro, não via a hora de tomar um bom banho.
No caminho até o banheiro, seu olhar se fixou em Rerir sentado no sofá, o homem agora o encarava, fitava o seu peito nu, Flins levou a camisa até o peito.
- "Você não disse que estaria em casa às oito?" - Flins perguntou incrédulo, ainda eram seis da tarde.
- "Compromisso cancelado." - Rerir respondeu simples, como sempre fazia.
- "Então... Vou tomar um banho rápido e nós começamos." - Flins falou, dando passos rápidos na direção do banheiro. Ele sentia suas costas queimando com o olhar de Rerir em seu encalço.
Se Rerir estivesse em outro cômodo como a cozinha ou até mesmo o banheiro ele teria visto Flins semi nu, eles eram homens, aquilo seria menos vergosonhoso do que se eles fossem do sexo oposto, mas ainda assim... a imaginação de Flins fluia por lugares que ele prontamente balançou a cabeça tentando afastar.
Sabe, ele devia contar logo. Dizer logo que gostaria de Rerir em cima dele, que gostaria de toca-lo e ser tocado, gostaria de transar dando gemidos que fariam sua garganta ficar rouca mas... ele não tinha certeza se Rerir sentia o mesmo, poderia estragar as coisas se dissesse algo estranho.
Talvez ele devesse fazer o jogo que Nefer propôs uma vez. Ciúmes.
Se provocasse ciúmes em Rerir para ver suas reações, talvez chegasse em alguma conclusão mais definitiva.
Mas ainda assim, parecia errado, pessoas reagem de maneiras diferentes ao ciúme. E se Rerir fosse do tipo que perde o interesse? Flins se mataria. Ou talvez Rerir ficasse emburrado e o tratasse mal, o que seria um pouco infantil mas a ideia o divertiu um pouco. Ou... possessivo? ele tentaria o tomar como seu, mesmo que fosse roubando de outra pessoa, só pra mostrar que podia. A última hipótese parecia interessante e excitante.
Flins não sabe como reagiria se aquele homem agarrasse sua cintura em público, se usasse apelidinhos possessivos ou aparecesse do nada em uma de suas saídas com seus amigos apenas para mostrar que estava lá e que Flins já era seu.
Varka ficaria bem chateado mas encararia aquilo como um grande desafio, agora bastava saber como Rerir iria reagir. Varka... usar o homem daquela maneira era cruel até mesmo para Flins, mas ele era o melhor candidato. Talvez ele o perdoasse se lhe pagasse umas bebidas ou se... tentasse algo a três? Seu rosto se esquentou novamente.
Eles nunca aceitariam mas talvez se ele pedisse com jeitinho.
Enquanto estava perdido em seus pensamentos Flins terminou o banho e vestiu seu roupão preto, ele levou uma toalha aos cabelos os amassando e abriu a porta. Ao menos Rerir não estava na sala, mas o notebook dele estava aberto.
Oh, a curiosidade.
Flins se aproximou lentamente medindo os passos, ele espiou um pouco de longe o suficiente para conseguir visualizar o papel de parede e alguns icones da área de trabalho.
O papel de parede era preto com vermelho, como sangue em um líquido preto, simples mas bonito e combinava com Rerir.
E sobre os icones, tinha alguns arquivos e pastas, não conseguia ler nenhum dos títulos a não ser que se aproximasse e nenhum dos icones tinha uma imagem familiar ou relevante como um jogo ou software conhecido.
Flins ouviu alguns barulhos pelo corredor que continha o seu quarto e o quarto de Rerir, o homem menor fingiu naturalidade enquanto caminhava até o próprio quarto e passava por Rerir no estreito corredor.
Rerir estava cheirando a cigarro, talvez essa fosse uma das únicas coisas que ele odiava.
Uma música baixa saia do quarto de Rerir, parecia ser algum tipo de rock, Flins sabia que o homem gostava daquele tipo de música.
Rerir tocava guitarra, havia lhe contado uma vez que teve até uma banda, por mais que Flins implorasse para que o de cabelos esbranquiçados lhe mostrasse algum som que ele já tenha feito, Rerir apenas recusou todas as vezes.
Ele era um sacana, soltar uma bomba daquelas e depois repreender sua curiosidade, Flins lembra de Rerir comentar que ele estava parecendo uma criança chateada, ele lembra também de ter arrrancado um sorriso daquele homem tão inexpressivo. Foi um dia legal.
Ele também já havia oferecido ensinar Flins a tocar algum instrumento, Rerir tocava guitarra mas ele também sabia tocar baixo e violão. Ele tentou com o baixo, afirmando que era mais fácil e que qualquer idiota poderia tocar.
Então Flins era o rei dos idiotas pois não conseguia tocar de jeito nenhum, seus dedos eram muito duros e doíam, ele não conseguia se manter nas cordas certas e ele sempre soava desafinado independente do que fizesse.
Rerir pareceu levemente decepcionado, mas não era com Flins exatamente, o olhar dele parecia distante. Flins se perguntava se de alguma forma Rerir estava se culpando por não conseguir ensinar o homem menor a tocar, o de cabelos azuis o tranquilizou e admitiu que música não era o seu forte mas que era muito agradecido por terem compartilhado um momento legal juntos. Rerir não respondeu.
Era realmente difícil saber o que se passava na cabeça dele, mas isso apenas assombrava um pouco a sua própria cabeça antes de pensar em outro tópico. Talvez o cansaço fosse isso, Flins pensava demais.
Rapidamente ele entrou no próprio quarto fechando a porta atrás de si e começando a se enxugar, Flins vestiu uma camisa preta com uma calça moletom cinza, seus cabelos ainda úmidos se espalhavam pelas suas costas. Ele gostava de deixar o cabelo naturalmente.
Destrancando a porta, caminhou até o pequeno varal que ficava na sacada, estendendo o roupão. Seu olhar se voltou para Rerir no sofá que parecia concentrado com uma xícara razoável de café na mesa de centro.
Flins se sentou ao seu lado no sofá, o afundar do móvel chamou a atenção do homem de cabelos brancos. Flins apoiou a lateral do rosto em sua própria mão e encarou a tela do computador com alguns textos.
- "Já tenho algumas ideias em mente, mas gostaria de suas opiniões sobre a abordagem." - E lá estava ele, aquele homem concentrado e eficiente com um par de óculos pousando em seu nariz. Excitante.
- "Eu aceitarei qualquer abordagem que você propor." - Flins deixaria Rerir fazer como quisesse, ele sentia que o homem gostaria que fosse assim.
- "Perfeito." - Rerir pareceu genuinamente satisfeito.
- "Se me permite perguntar, por que veio até mim?" - Era uma curiosidade genuína mas Flins sabia a resposta que estava esperando, Rerir não seria assim tão sincero em suas intenções.
- "Ou isso ou ficaria com o último que sobrasse." - Exatamente o que esperava. - "Quando vi aquela garota andando de um lado pro outro desesperada eu soube que não queria ser a dupla dela." - Flins não pode conter uma risada. Ele conseguia imaginar Jahoda desmaiando por ter que fazer um trabalho com Rerir.
- "Aposto que ela também não iria querer." - Flins falou divertido. - "Sabe, você passa uma vibe cachorro malvado, um doberman." - A comparação arrancou um sorriso zombeteiro do próprio Flins.
- "Você e essa sua mania de comparar homens com cachorro." - A resposta soou divertida mas... espera, como Rerir sabia que Flins fazia essas comparações? a única pessoa que ele ficava direto falando que se parecia com um cachorro era Varka, Flins não sabia que Rerir prestava tanta atenção assim. Interessante.
- "E eu seria o que, você acha?"
- "Um galgo com pelo longo." - Flins explodiu em risadas.
- "Sério? justo. Mas eu sou assim tão magro?" - Flins encarava Rerir com divertimento, seus olhos pareciam sorrir também como se apenas a boca não bastasse.
- "Comparado a mim, sim. Mas a comparação é mais pelo cabelo, eu diria um Lhasa apso se ele não fosse tão pequeno." - Um sorriso quase imperceptível pairava nos lábios de Rerir.
- "Eu teria um par de lacinhos azuis, seria ótimo." - Flins encarou Rerir, ele podia jurar que o homem parecia estar o imaginando com lacinhos azuis.
Rerir se ajeitou um pouco no sofá e apertou os óculos no nariz.
- "Bom, o professor pediu no mínimo três comparações, acho que o ideal seria que fizessemos quatro, duas pra mim e duas pra você no período de um mês. Deve ser tranquilo." - Rerir disse enquanto digitava algumas coisas. - "Fazemos nossa pesquisa e informamos um ao outro para não acabarmos sendo repetitivos." - Flins concordou com a cabeça em silêncio, ele virou seu olhar para o relógio na parede, marcava quase oito horas. Estava se sentindo tão cansado.
- "Já que temos tudo resolvido, acho que irei descansar um pouco." - Flins se remexeu no sofá, se ajeitando um pouco e puxando a sua coberta que sempre ficava por perto do sofá.
- "Vai dormir no sofá, vá para cama ou terá dor nas costas." - Aquela preocupação de Rerir era incomum, mas Flins apenas iria supor que ele estava de bom humor com a conversa dos cachorros.
- "Só vou fechar um pouco os olhos." - Flins afirmou, era mentira. Tinha dois principais motivos, primeiro, queria passar um pouco de tempo perto de Rerir, mesmo que fosse descansando. O homem estaria ocupado demais com o notebook para reclamar caso Flins repousasse sua cabeça em seu colo. E segundo... Flins estava com preguiça de ir deitar na cama.
- "Se você adormecer eu deveria te arrastar pelos cabelos até o seu quarto?"
- "Não de maneira tão bruta mas, sim. Você seria meu herói." - Flins disse com a voz um pouco sonolenta já, ele se aconchegou puxando uma almofada como travesseiro.
O barulho dos dedos de Rerir no teclado, a respiração leve e alguns rangeres do sofá quando se mexia acabaram o levando ao sono rapidamente.
Depois de se certificar que Flins havia adormecido, uma mão sorrateira e furtiva percorreu as madeixas azul escuro realizando um carinho um pouco tímido mas significativo.
Rerir provavelmente nunca admitiria, mas a presença de Flins era tão reconfortante que quase se sentia em pecado por aceitá-la de tão bom grado.
