Work Text:
Tim está no Batcomputador quando Damian chega da patrulha com Bruce.
— Drake — diz Damian, enquanto caminha em direção ao vestiário.
Tim apenas acena em reconhecimento e volta a atenção para o caso de desaparecimentos que está tentando resolver.
Quando Damian saiu do vestiário, Bruce já tinha subido. Damian segue em direção ao elevador com uma leve ruga na sobrancelha. Parece estar tendo pequenos espasmos abdominais, se a mão massageando a barriga significa alguma coisa.
Damian e Timothy haviam superado suas desavenças há algum tempo, quando o mais novo deixou para trás a fase assassina e percebeu que não precisava se sentir ameaçado o tempo todo. Podia-se dizer que tinham até uma amizade. Tanto tempo atentos um ao outro acabou sendo uma ótima forma de compreender melhor cada ação alheia.
Observando o mais novo entrar no elevador, Tim faz uma nota mental de ficar de olho. Damian não costuma demonstra desconforto de forma tão evidente.
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Damian estava tendo uma péssima noite.
Durante a patrulha começou a sentir dores abdominais. No início eram leves, apenas um desconforto, mas foram ficando mais intensas com o passar das horas.
Ele sabia exatamente o que era.
Estava preparado. Sabia que estava na idade certa. Mas fazia tanto tempo que não havia nada para lembrá-lo dessa parte de si que quase havia esquecido.
Ele era trans.
Morar com pessoas que não o conheciam antes da transição era confortável demais. Ninguém errava seus pronomes. Ninguém o tratava de forma mais delicada por causa disso. Não que na Liga o tratassem com delicadeza, mas sempre havia uma diferença.
Morar com seu pai também havia sido confuso no início. Ele tentava provar seu valor o tempo todo, ao mesmo tempo em que temia não ser filho o suficiente para Bruce.
Não que tivesse medo de ser descoberto. Nunca foi um segredo. Ele apenas nunca achou necessário falar sobre isso. Estava em uma casa cheia de detetives; se quisessem saber, poderiam descobrir sozinhos.
Ao final da patrulha as dores eram tão fortes que, se não fosse seu treinamento, ele já estaria curvado, abraçando o estômago na esperança de algum alívio.
Batman e ele foram os últimos a chegar.
Ele só queria um banho quente.
Percebe Timothy nos computadores, cumprimenta rapidamente e segue para o vestiário. Entra em um box, tira o uniforme e deixa a água quente aliviar a dor. Decide ficar ali por um tempo.
Quando termina o banho, Damian vai direto para o elevador. A dor está mais suportável, mas ainda presente. Nem percebe quando a mão se volta a massagear o abdômen.
Ao chegar ao quarto, vai direto ao banheiro para conferir se tem tudo o que precisa. Verifica se os absorventes estão no lugar.
Depois decide dormir.
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Na manhã seguinte, Tim acordou perto das dez.
Ao passar pelo quarto de Damian, percebe que a porta ainda está fechada. Titus está deitado em frente a ela, indicando que o mais novo ainda não acordou.
O que é estranho.
Claro, todos na casa costumam dormir um pouco mais depois de uma noite de patrulha. Mas Damian tem uma rotina extremamente rígida. Geralmente acorda junto com Alfred.
Lembrando do comportamento da noite anterior, a mente inquieta de Tim começa a trabalhar.
Ele tenta lembrar se os relatórios da noite passada mencionaram confrontos que poderiam ter causado algum ferimento. Não. Aquela madrugada havia sido tranquila, para os padrões de Gotham.
Alimentação também não parecia ser o problema. Todos comeram a mesma coisa no dia anterior.
Dores de crescimento?
Mas estavam muito localizadas.
Localizadas… no abdômen.
E então, como um estopim, a resposta surge.
Damian está na idade certa.
Se ele não soubesse que o garoto era trans, provavelmente nem desconfiaria.
Será que ele tem tudo o que precisa? Ele ri do pensamento.
Claro que tem. O pequeno demônio sempre está preparado.
Tim decide descer até a cozinha.
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Na cozinha ele encontra Bruce, Jason e Dick já sentados à mesa tomando café da manhã.
Dick o cumprimenta com entusiasmo.
Tim segue até a bancada para pegar sua sagrada xícara de café.
Jason apenas grunhe — claramente não é uma pessoa matinal.
Bruce acena com a cabeça.
Tim decide colocar a chaleira para esquentar. O pequeno demônio pode ter tudo organizado, mas não custa prevenir.
Ele se senta à mesa enquanto espera a água ferver.
Alfred aparece com panquecas e lança um olhar desaprovador para a xícara de café.
Dick olha ao redor da sala, confuso, como se só agora tivesse notado a ausência.
— Alguém sabe onde está o Damian?
— Provavelmente dormindo. Titus ainda está lá em cima — responde Tim.
Dick franze a testa, preocupado, olhando em direção às escadas como se pudesse enxergar o que está acontecendo com seu pupilo.
A chaleira apita.
Tim se levanta e vai até o fogão para colocar a água em uma bolsa de compressa quente.
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Damian acorda com um gemido.
A dor está insuportável.
Ele não quer se mover, mas quando olha para o relógio percebe que já passou das dez. Se força a levantar e vai direto ao banheiro.
Nota a cueca e suspira.
Deveria ter colocado o absorvente antes de dormir.
A calça do pijama parece não ter nenhuma mancha, o que o tranquiliza. Pelo menos os lençois estão bem.
Ele toma um banho quente que, sem dúvida, ajuda a aliviar a dor constante.
Quando sai, vesti uma calça de moletom, uma camiseta grande demais e um moletom com capuz.
Um pouco diferente do que costuma usar, mas ele quer estar o mais confortável possível. Já basta a dor e a sensação estranha do absorvente — algo que espera que fique menos incômodo com o tempo.
Quando finalmente abre a porta do quarto, encontra Titus esperando.
O cão se levanta imediatamente, pronto para segui-lo.
Damian acaricia sua cabeça e desce as escadas em direção à cozinha.
Não está com fome, mas um chá cairia bem.
Ao entrar, percebe que todos estão à mesa — exceto Timothy.
Sem dizer nada, se senta rapidamente e puxa os joelhos contra o peito, esperando que isso ajude com a dor.
Dick o observa com curiosidade. Talvez pela postura, talvez pelas roupas.
No momento, Damian não se importa.
Timothy está de costas perto do fogão.
Jason parece tão mal-humorado quanto sempre pela manhã.
Bruce está lendo o jornal.
O olhar de Dick fica mais inquisitivo.
— Bom dia, morceguinho. Dormiu bastante hoje?
Ele fala como se fosse uma pergunta, mas soa mais como uma afirmação.
Damian apenas acena despreocupadamente, esperando que Dick não tente puxar conversa.
Felizmente, ele não insiste — embora continue olhando de forma estranha.
Então Damian escuta passos.
Timothy caminha até ele e coloca uma bolsa de compressa quente em suas mãos.
— Ajuda um pouco. Quer um ibuprofeno?
Damian se surpreende.
Mas, pensando bem, se alguém fosse descobrir seria Timothy.
Mesmo assim, um sentimento inesperado de gratidão surge. Alguém percebeu. Alguém se preocupou o suficiente para tentar ajudar.
Ele olha para Tim como se o estivesse vendo pela primeira vez.
Um pequeno sorriso escapa.
— Sim… obrigado, Timothy.
Tim apenas acena e vai até o armário pegar a caixa de primeiros socorros.
Enquanto isso, Damian posiciona a bolsa quente sob o moletom, sobre o abdômen.
Alfred lhe entrega uma xícara de chá e um prato com panquecas.
Tim volta e lhe entrega o remédio antes de se sentar para terminar seu café.
Quando Damian olha ao redor, percebe que todos os observam com curiosidade.
Ele decide simplesmente ignorar e continuar sua refeição.
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Já é noite, pouco antes da patrulha.
Damian passou o dia entre altos e baixos, tentando manter sua rotina como normalmente faria. Tentou treinar, mas tudo parecia desconfortável. Tonturas vinham do nada, seu humor estava mais instável do que o normal, e os olhares que Dick lançava para ele e para Drake estavam começando a irritá-lo.
Se Dick queria dizer algo, deveria simplesmente dizer.
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Tim percebe o humor do pequeno demônio mudando ao longo do dia.
Pela manhã ele parecia quase doce. Agora o humor parecia… assassino.
Também não ajudava que Dick não soubesse disfarçar curiosidade.
A noite estava fadada ao caos, principalmente porque Robin e Asa Noturna estariam na mesma patrulha. Dick vinha tentando arrancar informações de Tim o dia inteiro de maneira nada sutil.
Tim sabia que Damian provavelmente não se importaria se descobrissem, mas não era uma informação que ele devia compartilhar.
Ou melhor… não era uma informação que ele queria compartilhar.
Ser o único — ou quase o único, já que Alfred com certeza sabia — que conhecia aquilo criava um estranho senso de responsabilidade.
Além disso, a reação de Damian naquela manhã tinha sido… fofa.
Não que ele fosse dizer isso em voz alta.
Mas definitivamente ia mimá-lo um pouco mais para ver aquela reação de novo.
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Damian salta para outro telhado, observando as ruas abaixo.
A patrulha já está quase no fim, mas ele sente como se ainda faltassem décadas para voltar para casa.
As dores voltaram.
Junto com elas, a sensação incômoda de usar algo tão estranho. A cada movimento parece que o aquilo ia sair do lugar, deixando-o em alerta constante.
Cada vez que ele vacila, Richard o observa de forma estranha.
Seria muito mais fácil se ele simplesmente perguntasse logo.
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Quando a patrulha finalmente termina, Damian está exausto.
A Batcaverna está vazia quando chegam. Os outros já devem ter subido, ou ainda estão patrulhando.
Ele entra direto no chuveiro, tentando ignorar o sentimento de angústia que cresce dentro dele.
Ele não é frágil.
Foi criado para não demonstrar fraqueza, para não ceder a sentimentos inúteis.
Mas ele não esperava que algo tão natural trouxesse tanta angústia.
A parte prática do processo ele lidava sem problemas.
Normalmente sua disforia não era tão intensa. Seus peitos eram pequenos, e os treinos frequentes de musculação haviam reduzido ainda mais. Além disso, ele mal tinha entrado na puberdade.
Talvez se tornassem um incômodo no futuro.
Mas não agora.
No geral, Damian se sentia confortável com seu corpo. Ele era um menino, e aquele corpo — com todas as suas peculiaridades — ainda era o corpo de um menino.
Não importava se era diferente.
Mas algo tão profundamente associado ao feminino conseguiu abatê-lo de uma forma inesperada.
Ele não sabia como suas irmãs lidavam com aquilo.
Seu humor estava péssimo.
Ele se sentia… derrotado.
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Tim desce até a caverna para buscar alguns documentos que esqueceu.
Ele não está com sono e pretende adiantar algumas coisas durante a noite.
Dick está sentado no computador, terminando o relatório da patrulha.
Então Damian ainda deve estar no vestiário.
Dick percebe sua presença.
— Tim! Pensei que você já tinha ido dormir.
— Não estou tão cansado hoje. Vim pegar alguns documentos.
— Você não pode continuar virando noites assim. Isso não faz bem.
— Estou bem. Só não estou com sono.
Enquanto conversam, Damian sai do vestiário.
Tim olha automaticamente em sua direção.
Algo está errado.
Os ombros estão caídos.
Os olhos parecem sem brilho.
Quando percebe que Tim está olhando, Damian muda imediatamente a postura. Quando Dick vira para ver o que Tim estava observando, não percebe nada de estranho.
— Indo dormir, morceguinho? — pergunta Dick com seu tom animado de sempre.
Mas há preocupação por trás da pergunta.
— Tsc. Estou subindo. Boa noite.
O estalar de língua tentando parecer indiferente não engana Tim.
Ele pega os documentos, se despede de Dick e corre para o elevador.
Não percebe o olhar curioso que Dick lança em sua direção.
Ele está preocupado demais com Damian.
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Quando o elevador chega ao andar de cima, Tim decide não deixar o garoto simplesmente ir embora.
— Que tal um chocolate quente antes de dormir?
Ele tenta não soar ansioso.
Damian o observa.
A postura continua altiva, o rosto aparentemente indiferente.
Mas os olhos de Damian são incrivelmente expressivos.
Depois de anos observando-o, Tim aprendeu a decifrá-lo como ninguém.
E aqueles olhos dizem que ele realmente precisa de um chocolate quente.
— Sim… por que não.
Os dois caminham até a cozinha.
Bruce está passando pelo corredor e lhes deseja boa noite, com a expressão de quem acabou de resolver um quebra-cabeça e decidiu ignorar a resposta.
Bruce é uma boa pessoa.
Mas é péssimo com sentimentos.
Tim vai até o fogão e prepara duas canecas de chocolate quente.
Também coloca uma chaleira para esquentar.
— Quer outra bolsa quente?
Ele percebe Damian relaxar um pouco na banqueta da ilha.
— Sim, obrigado.
De repente, Damian parece menor.
Minutos atrás ele parecia altivo e intocável.
Agora parece apenas cansado.
Quase frágil.
Tim sabe que Damian está longe de ser indefeso, mas quando ele fica assim, Tim sente uma vontade absurda de protegê-lo.
De mimá-lo.
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Ele prepara a bolsa quente, coloca marshmallows no chocolate e organiza tudo em uma bandeja com alguns biscoitos e um ibuprofeno.
— Vamos. Vai ser mais confortável no sofá.
Damian o segue até a sala.
Tim coloca a bandeja na mesa de centro e indica para Damian se sentar.
Depois vai até o armário pegar uma coberta e a coloca sobre os ombros do mais novo.
Entrega a bolsa quente.
Depois a caneca.
— Quer o remédio agora ou depois?
— Agora, por favor.
O “por favor” faz Tim quase se emocionar.
Damian raramente usa essas palavras.
Eles são amigos há algum tempo, mas nunca foram tão próximos.
Normalmente são provocações, debates sobre casos, discussões e lanches da madrugada.
Esse lado vulnerável é novo.
E Tim sente que precisa merecer aquela confiança.
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Damian está confortável no sofá, tomando seu chocolate quente com Tim ao lado.
Por um momento ele quase esquece o que o estava incomodando.
Ele pensa em como Tim está agindo e sente um carinho inesperado.
Se alguém tivesse dito um ano atrás que ele sentiria algo assim por Drake, ele teria assassinado o infeliz.
Agora… ele apenas acha bom tê-lo por perto.
Ele sabia que eventualmente descobririam. Não era ingênuo o suficiente para achar que passaria pela puberdade sem que ninguém percebesse.
Mas não esperava ser cuidado.
Aquilo o deixa curioso.
— Desde quando?
Tim levanta os olhos.
— O quê?
— Desde quando você sabe… sobre mim?
Tim pensa por um instante.
— Desde umas duas semanas depois que você chegou.
Damian franze a testa.
— Como?
Tim cora um pouco antes de responder.
— Vestiário.
Damian o encara.
Tim continua.
— Você estava treinando antes de eu e Bruce sairmos para patrulhar. Eu estava no vestiário quando você entrou e foi direto para o chuveiro… e deixou a porta aberta.
Ele esfrega a nuca.
— Eu ia sair sem que você me visse… mas acabei vendo.
Damian pensa por um momento.
Quando tinha acabado de voltar da Liga, aquilo realmente não parecia algo importante. Lá, meninos e meninas treinavam juntos, usavam os mesmos chuveiros.
Talvez ele realmente tenha sido descuidado.
Mas aquilo foi há quatro anos.
E Tim nunca o tratou de forma diferente.
Isso diz muito.
Damian apenas acena e toma mais um gole do chocolate, relaxando no sofá.
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Depois de alguns minutos, Tim pergunta suavemente:
— Ainda está com cólica?
Damian abre os olhos, percebendo que havia fechado sem notar.
Ele avalia o próprio corpo.
— Um pouco. Bem menos que antes… mas minhas costas ainda doem.
— Quer uma massagem? Cassie dizia que ajudava.
Damian considera a oferta.
Ele realmente aprecia o gesto, mas não quer se mover.
— Não, obrigado. Eu realmente agradeço, mas quero ficar assim.
— Tudo bem. Mas se mudar de ideia…
O silêncio que se instala é confortável.
E Damian não consegue evitar pensar que talvez tenha afastado Tim por tempo demais.
Tim é esperto, sarcástico, irritante às vezes…
Mas também é empático.
Ele demonstra afeto através de ações.
E Damian decide silenciosamente que não cometerá o erro de afastá-lo novamente.
Timothy Drake merece ser valorizado.
E Damian pretende fazer exatamente isso.
—
Tim percebe quando Damian fecha os olhos.
A xícara ainda está firme em suas mãos, quase vazia.
Ele observa o silêncio se estender. O garoto parece mais relaxado agora, apesar do cansaço. Tim não sabe exatamente o que causou tanta angústia no mais novo, mas fica satisfeito por ter conseguido ajudá-lo a relaxar um pouco.
A respiração de Damian começa a ficar mais longa e profunda.
Seus músculos relaxam.
A cabeça encosta no encosto do sofá.
Ele dormiu.
Tim não quer acordá-lo.
Damian parece um anjo dormindo.
Com cuidado, ele estende a mão, pega a xícara e a coloca sobre a mesa. Depois passa um braço por baixo dos joelhos de Damian e o outro pelas costas.
Ele o levanta com cuidado.
Damian é mais leve do que parece, mas ainda assim não exatamente leve. O garoto tem uma boa quantidade de músculos.
Tim caminha em direção às escadas.
É então que percebe Dick parado perto da porta da sala.
O mais velho está com uma expressão pensativa — aquela mesma que surge quando ele finalmente encontra a última peça de um quebra-cabeça.
Tim não se demora.
Passa por Dick sem dizer nada.
Dick acompanha o movimento com os olhos enquanto Tim sobe as escadas carregando Damian.
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No quarto de Damian, Alfred, o gato, está deitado na poltrona, e Titus dorme no tapete.
Tim coloca o adolescente com cuidado na cama e o cobre.
Depois ajusta a bolsa de água quente para que fique sobre o abdômen.
Ele observa Damian por alguns segundos.
O rosto relaxado.
A expressão tranquila.
Tim sente uma satisfação silenciosa ao vê-lo dormindo tão calmamente.
Então sai do quarto, pensando que, no fim das contas, aquele dia terminou bem.
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Dick estava indo em direção às escadas quando ouviu vozes vindas da sala.
Seus dois irmãozinhos estavam tendo um momento de aconchego.
Ele se aproximou um pouco mais, curioso.
Quando estava prestes a entrar, ouviu a pergunta de Damian:
— Desde quando você sabe sobre mim?
Isso imediatamente despertou seu interesse.
Ele continuou ouvindo.
Tim disse que o tinha visto.
Dick franziu a testa.
Visto? Visto o quê?
Então veio outra frase.
— Ainda está com cólica?
Dick piscou.
Cólica podia significar muitas coisas.
Dick podia ser meio distraído às vezes, mas ele também era um investigador — tanto como Asa Noturna quanto em seu trabalho na polícia.
E considerando as ações de Tim ao longo do dia… a conversa que tinha ouvido… e o comportamento estranho de Damian…
Só podia ser uma coisa.
Ele ficou parado ali por um momento, surpreso consigo mesmo por nunca ter percebido antes.
Tim sabia havia quatro anos.
Mas Tim sempre foi o mais observador deles.
Dick não sabe exatamente quanto tempo ficou ali pensando, até ver Tim se aproximar carregando Damian no colo.
E tudo que consegue pensar é:
Meu irmãozinho é trans.
Ele observa enquanto Tim sobe as escadas com Damian, e sente uma mistura de surpresa, carinho e uma leve culpa por não ter percebido antes.
Mas decide ali mesmo que vai compensar isso.
Vai estar presente para Damian.
Assim como Tim esteve.
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Dick finalmente se sente aliviado por entender o que o estava incomodando o dia inteiro.
O que ele não sabe é que foi o último a descobrir.
Jason percebeu assim que viu Damian interagir com Tim pela manhã.
Bruce descobriu depois de algumas investigações — e uma ligação particularmente desconfortável.
E Alfred…
Bem.
Alfred sabe tudo o que acontece na mansão.
Tudo.
