Chapter Text
Chapter 1
Por algum motivo Michael Rabinovich ainda se surpreendia como o Pitt era capaz de atrair o pior e o melhor da humanidade todo dia, mas especificamente alguns plantões desafiavam o limite da razão.
Sabia que confrontar Dana não ia ser fácil, mas ele só queria salvar sua carreira, depois da prisão de Jesse ficou imaginando a enfermeira sendo levada pela polícia e entrou em pânico.
O dia já estava extremamente difícil e ele precisava apenas deixar tudo bem estruturado para poder partir em paz. Era pedir muito?
Não era fácil escutar suas acusações daquele jeito, sobre sua culpa sobre ter acobertado Langdon, sua raiva e o motivo da sua “viagem”.
Mas jamais esperava ouvir dela sobre o departamento que não precisava dele para continuar assim como não precisou do Dr Adamson.
Levado um tiro teria doído menos pensou
Sentiu seu corpo mais pesado de repente, seus olhos olhavam para o chão sem o enxergar propriamente. Não sabia quanto tempo havia ficado ali, até começar a andar a passos lentos para dentro.
Fazia uma força tremenda para continuar andando sem focar no ambiente ao redor, não escutou o barulho dos monitores, conversas entre pacientes e funcionários, telefone tocando, sineta demonstrando novo pedido de laboratório. Não viu o movimento ainda constante da equipe, o quadro que ainda não esvaziava ou funcionários do turno da noite chegando pra ajudar.
Definitivamente não viu certos olhos claros olhando com preocupação.
Apenas andava no corredor e deixou seu instinto o levar até a parte mais afastada do setor, algumas salas perto de onde Louie estava em seu repouso eterno.
Entrou e se encostou na parede batendo sua cabeça na mesma e deslizando até sentir o chão e deixar suas pernas largadas pelo mesmo sem forças para nada, a escuridão que ficava pausada enquanto trabalhava voltou mais forte. Agora era seu momento de tomar o controle total e acabar com tudo. Nada mais importava.
Ninguém precisa mais dele
Nunca precisaram
Eles tem uma nova chefe muito melhor e capaz do que ele
Teria que sair dali e terminar seu plano,
Vamos lá, estamos no final agora, pegue suas coisas e a moto pronto.
Não conseguia se mexer daquele lugar, se sentia tão derrotado, inútil, patético por estar ainda no hospital.
Sua mente ainda girava sem descanso, seus pensamentos cada vez mais depreciativos, era seu pior inimigo em qualquer dia com uma evolução progressiva ao longo do dia.
Se assustou ao sentir um par de mãos em seu rosto e encontrou os olhos azuis de Whitaker o olhar fixamente, piscando os olhos para saber se era verdade ou devaneio de sua cabeça ou um desejo tolo de seu coração.
Deus sabe que não seria a primeira vez que isso acontecia com ele e nem que precisava estar dormindo.
Um dos vários assuntos que tentava ignorar ultimamente.
Baixando seus olhos viu os lábios do seu residente se mexendo e foi quando voltou a escutar novamente.
Robby! O que aconteceu?
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Whitaker nunca imaginou quando começou sua rotação na emergência que ia amar tanto aquele lugar.
Sim era intenso, desgastante de formas físicas e emocionais mas também tão gratificante conseguir ajudar as pessoas nos seus piores momentos.
A equipe era unida e acolhedora, tirando Langdon com aquela merda com Trinity, era surpreendente o fato de se sentir melhor entre eles do que com sua família no qual foi criado a vida toda.
A troca constante de roupa por todos os tipos de fluidos corporais foi superada, assim como sua falta de confiança. Depois do seu primeiro dia e o batismo de fogo que sobreviveram sabia que poderia enfrentar qualquer coisa.
Principalmente após ser acolhido por sua nova melhor amiga e irmã em tudo menos sangue, não que disse isso a ela, por mais que suas ações a desmentem, Santos adora fingir que não é uma pessoa generosa, se escondendo em uma armadura de confiança e sarcasmo.
Quando conseguiu a vaga de residência no Pitt foi um dos dias mais felizes de sua vida depois de sua formatura na faculdade de Medicina.
As últimas duas rotações em outros hospitais foram lentas em comparação ao que tinha passado. Sabia que tinha recebido olhares de colegas e preceptores ao não se intimidar por casos mais complexos da cardiologia e da UTI.
Em compensação as enfermeiras o adoravam pelo seu respeito com eles e seu trabalho. Pacientes e acompanhantes adoravam seu tratamento acolhedor e educação.
Embora sabia que queria voltar onde pertencia tinha que ser realista e fez entrevista para outras vagas de residência.
Seu primeiro dia como residente estava sendo bom, por mais que Ogilvie testasse sua paciência com sua falta de empatia e tato com as pessoas. A perda de Louie doeu… o lembrou do senhor Milton novamente, mas a cerimônia feita para ele e ouvindo as lembranças da equipe sobre ele ajudou bastante.
Dar apoio a Trin com a situação com Garcia e Langdon foi essencial e descobrir que era não queria que ele se mudasse foi o segundo melhor ponto deste dia.
O melhor ponto foi parte da conversa com Dr Robby durante sua pausa.
Quando ele lhe deu seu novo crachá com o título de doutor foi maravilhoso e só ficou melhor com o elogio dele sobre merecer aquele título e o orgulho que sentia dele.
Só de lembrar do olhar dele carregado de afeto fazia seu estômago se revirar e suas mãos suarem.
A parte da Amy foi estranha no início, não tanto quanto a Yoga sem roupa do Dr Abbott, mas à medida que escutou as palavras de seu atendente entendeu onde ele queria chegar.
Tinha que conversar com a viúva e deixar ela se recuperar com o auxílio da família e amigos dela.
Problema a ser resolvido em outro momento.
Pois as palavras se eu não voltar lhe tiraram da realidade por algum tempo.
Realmente não saberia dizer quando se levantou e retomou os atendimentos aos pacientes.
Com o ataque hacker, modo analógico, nova atendente substituta, Emma sendo atacada, Jesse preso e atender o amigo do Dr Robby. O dia estava cheio.
Pacientes continuavam a chegar, novos pedidos de exames a serem feitos, o quadro não diminuía e apenas queria manter seu foco em ser útil.
Até que algo chamou sua atenção, não soube precisar o que, mas parou o que estava escrevendo no prontuário de seu paciente e se virou vendo o motivo de suas noites em claro passar… de modo estranho para dizer o mínimo, não parecia enxergar nada no meio da loucura e agitação do setor.
Ao ver sua postura derrotada, Dennis se lembrou de Pit Fest e após entregar seus pacientes para Mackay, a única que viu a mesma cena e também tinha uma preocupação clara em seu rosto.
Sentiu um aperto em seu peito e começou a procurá-lo desesperadamente e se desvencilhando de qualquer chamado por seu nome.
Rezava para não ser o telhado onde estava, mas se preparava para o fato e o que teria que enfrentar.
Finalmente, após várias salas achou ele jogado no chão tão qual naquele dia na pediatria.
Não pensou e se jogou no chão entre suas pernas abertas e pegou seu rosto delicadamente e o elevou olhando para seus olhos que estavam vazios e sem qualquer foco.
Seu peito doía ainda mais e se lembrando das péssimas piadas sem graça com a clara intenção mórbida retornavam ao seu pensamento, se maldizendo por não ter o questionado sobre isso.
Mesmo que fosse uma batalha difícil sabia que havia várias questões não resolvidas na vida de seu chefe, várias feridas abertas que sempre voltavam a sangrar nos piores momentos.
Começou a chamar por ele tentando chamar sua atenção e o fazer voltar a realidade. Sentia os pelos da barba dele entre seus dedos, estavam mal cuidados devido suas asperidade, mas era apenas outro sinal de alerta.
Focando nos olhos exaustos e sem brilho à sua frente, sabia que a frase dita anteriormente não foi apenas uma brincadeira de mal gosto, era um pedido de socorro.
Se recusava acreditar que foi apenas uma tentativa de pré despedida.
Questionava de forma aflita e tentava o despertar de sua dor.
“Robby! O que aconteceu?”
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N/A: Primeira tentativa de colaborar com o este fandom e o lado brasileiro dele. Nunca postei antes mas amo este casal e senti um vontade forte de escrever e aqui estou.
Espero que gostem.
Lembrando de que estes personagens e tudo ligado a The Pitt pertence a HBO. Essa é uma obra de ficção sem fins lucrativos.
