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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2026-05-18
Updated:
2026-05-19
Words:
10,217
Chapters:
8/15
Kudos:
4
Bookmarks:
1
Hits:
156

Slow Death - Hyunin

Summary:

História baseada no livro Drácula, de Bram Stoker.

Yang Jeongin, um jovem advogado brilhante, viaja até um castelo misterioso nos limites entre a Transilvânia, a Moldávia e a Bucóvina, convidado pelo enigmático Conde Hyunjin para tratar de negócios. Na véspera do Dia de São Jorge — data temida pelos habitantes locais como noite de maldição —, os aldeões suplicam que ele não parta, mas Jeongin, homem de razão e lógica, ignora os avisos e segue seu caminho.
Ao chegar ao castelo, ele encontra Hyunjin: uma figura de beleza sobrenatural e modos sedutores, que esconde sob a máscara da cortesia uma natureza monstruosa e uma solidão que atravessa séculos. O que deveria ser uma estadia de dias transforma-se em uma armadilha meticulosamente construída. Pouco a pouco, Jeongin descobre que o Conde é um vampiro imortal, e que sua presença ali não foi mero acaso: ele foi escolhido.
O jovem advogado, que chegara com toda a sua racionalidade intacta, vê sua identidade se desintegrar lentamente — suas memórias se confundem com as visões de séculos do Conde, sua vontade se curva à obsessão de Hyunjin, e sua alma vai sendo consumida gota a gota.

Chapter 1: Véspera de cinco de maio.

Chapter Text

Diante da escuridão inerte contida pela vegetação local, a véspera do dia de São Jorge, provocava calafrios nos habitantes daquela região. O badalar dos relógios ecoavam nos vilarejos da redondeza,marcavam meia-noite em ponto. Em poucos segundos, os segredos que, apenas os troncos das árvores daquela misteriosa floresta contavam, revelar-se-iam. Era uma noite de transição, onde o véu entre o mundo conhecido e o desconhecido se tornava perigosamente tênue, e a superstição se enraizou profundamente na alma de cada morador.

No distrito entre os três estados: Transilvânia, Moldávia e Bucóvina, na noite fria e tenebrosa de quatro de maio, a tão temida véspera do dia de São Jorge, chegava um jovem convidado do Conde, seu nome era Yang Jeongin. Jeongin era um advogado promissor, responsável por cuidar de terras e bens que o Conde possuía em Londres, acostumado aos salões iluminados da capital inglesa, onde a lógica e a razão governavam. Sua presença ali, em meio a uma paisagem tão selvagem e antiga, era um contraste gritante. O misterioso Conde o convidara para tratar da venda de seus bens e propriedades em Londres, pois, em sua profunda melancolia, havia decidido se deixar definhar até a morte de fome. No entanto, havia algo na urgência do convite, na distância e no isolamento do castelo, que despertava uma pontada de apreensão em seu peito, um pressentimento que ele, um homem de ciência e leis, tentava a todo custo ignorar. Fez uma pequena parada na vila mais próxima da última estação de trem, para alimentar-se e esperar a carruagem que o Conde mandara. A vila, com suas casas de madeira escura e telhados pontiagudos, parecia suspensa no tempo, alheia ao progresso industrial da época.

Tomou um bom vinho e saboreou uma deliciosa comida local, em uma pousada ali mesmo, uma senhora dona do estabelecimento puxou assunto com ele. Seus olhos escuros e profundos se fixaram em Jeongin com uma intensidade que o fez sentir-se exposto. A voz dela, rouca e baixa, carregava uma curiosidade sutil em relação à figura do garoto. 

— Aonde o senhor irá depois de sua refeição? 

 

— Irei ver o Conde, ele convidou-me a negócios, estou apenas aguardando a carruagem chegar. — Ele sorriu para a gentil senhora, um sorriso polido e confiante, típico de sua educação londrina. Ela, no entanto, o retribuiu com um olhar espantado, quase de pavor, que fez o sorriso de Jeongin vacilar. 

 

— Peço perdão por me intrometer, mas, por favor, não vá. Estamos em plena véspera de São Jorge, já escutou algo sobre esta data? — Indagou a senhora, com um semblante um tanto preocupado e assustado. Seus dedos enrugados apertavam um pequeno crucifixo pendurado em seu pescoço, um gesto que não passou despercebido por Jeongin. A atmosfera na pousada, antes acolhedora, tornou-se densa, carregada de um medo palpável que emanava dos outros aldeões, que agora observavam a conversa com olhares apreensivos 

 

— Sequer uma mísera palavra! — Afirmou o jovem, sua confiança misturada com uma crescente curiosidade. Ele havia lido sobre as superstições locais, mas as considerava meros folclores, resquícios de uma era menos esclarecida. No entanto, a seriedade da senhora e o silêncio dos outros o fizeram questionar sua própria certeza.

 

— Eu lhe peço então, que espere mais dois dias para a sua partida, conhecemos esta data como algo ruim. Você nem ao certo sabe o que lhe aguarda no castelo do Conde, sabe? — A voz da senhora era um lamento, um aviso desesperado que Jeongin, em sua racionalidade, não conseguia compreender totalmente. Ela parecia ver um destino sombrio que ele, em sua inocência, era incapaz de discernir. 

 

— Ah, claro que sei! Iremos tratar de negócios e, pelo visto, o tal Conde é bem caloroso com recepções, pois até mandou-me uma carruagem, um tanto gentil de sua parte. — Pôs a mão na cintura, tentando manter a compostura e afastar a crescente sensação de desconforto. 

 

— Quando o relógio bater meia-noite, todas as maldades do mundo estarão à solta. Espere pelo menos um dia, ou dois, para partir. — A senhora implorou, seus olhos fixos nos dele, como se tentasse transferir a ele a urgência de sua advertência. A cada palavra, a sombra da meia-noite parecia se aprofundar, e o vento lá fora uivava como um presságio. 

 

— Agradeço a preocupação, porém, terei de realizar sérios negócios e meu pai não permitiria que coisa alguma atrapalhasse. Novamente agradeço pela preocupação. — Jeongin estava cada vez mais curioso, mas também preocupado com o desempenhar de sua viagem. A responsabilidade para com seu trabalho pesava sobre seus ombros, e ele não podia se dar ao luxo de ceder a superstições. 

 

A senhora levantou-se em seguida, retirou um fino cordão de seu pescoço, havia um pequeno crucifixo como pingente. Com um gesto solene, ela o ofereceu a Jeongin. O garoto aceitou-o em forma de agradecimento, sentindo o metal frio em sua palma, um objeto de fé em um mundo que ele estava prestes a descobrir ser muito mais complexo do que imaginava 

— Obrigado, partirei antes do badalar da meia-noite. Pretendo voltar e dar notícias. Cuide se, senhora! — Ele pôs o cordão no pescoço e ajeitou seu paletó, um último esforço para manter a imagem de um homem inabalável. No fundo, porém, uma semente de dúvida havia sido plantada. 

 Era possível ouvir o barulho das rodas da carruagem aproximando-se dali, um som que, para Jeongin, representava a chegada de sua oportunidade, mas para os aldeões, o som do infortúnio. Yang despediu-se da gentil senhora, cumprimentou o cocheiro, assim, entrando rapidamente na carruagem enquanto arrumavam sua bagagem. Pôde-se observar uma pequena multidão envolta da locomotiva, todos com os olhos fixos sob o rapaz, todos estavam com semblantes de pena e compaixão. Aquilo estava cada vez mais peculiar e estranho. A notícia que faria uma breve visita ao Conde espalhara-se rápido, e a reação dos moradores era um coro silencioso de desespero. A situação só piorava à luz da lua, aquele ambiente sombrio só piorava tudo, e Jeongin, apesar de sua racionalidade, não podia mais ignorar os calafrios que sentia diante daquela cena. Não eram calafrios vindos do ar gélido da Transilvânia, mas de um pressentimento sombrio e inegável.