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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2026-06-08
Words:
436
Chapters:
1/1
Hits:
5

super-heróis

Summary:

"Sabia que super-heróis não existiam e que não viriam salvá-lo. Até porque, onde estavam quando seu pai foi embora? Onde estavam quando a vida foi tirada dos pulmões daqueles que ele amava? Onde estavam quando sua vida passou a significar unicamente sua sobrevivência?"

 

Continuação do conto 'Maria' por Conceição Evaristo

Notes:

Escrevi para uma atividade na aula de português. Achei ele legalzinho então decidi postar, já que consegui a pontuação da atividade e não gastei minhas habilidades criativas atoa ‼️

Não esperem uma obra de arte aqui não, escrevi isso em 40 minutos com pouca revisão. Estou postando apenas porque não queria "gastar a história".

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Os desenhos animados mostram super-heróis que salvam crianças indefesas de super-vilões. Mas como eles salvariam 3 crianças de um vilão que aparentemente "nem existe"? O que fazer quando o vilão é a própria sociedade?

A polícia contatou os garotos para falar sobre a morte da mãe, e aí mais nada. Disseram que iam ajudá-los, mas não se deram ao trabalho de buscar outro lar para 3 crianças pobres. Os pequenos continuavam doentes, e, a cada dia, tinha menos comida na geladeira.

Mesmo assim, não havia tempo para ficar triste. Não quando seu principal objetivo se torna unicamente sobreviver. Às vezes, o garoto mais velho se perguntava se sequer havia entendido a situação. Se, talvez, sua mãe não tivesse apenas se cansado dele, deixando-o para trás da mesma maneira como seu pai fez, jogando os 11 anos de convivência com o garoto no lixo.

Às vezes, ele se pegava esperando, encarando a porta na esperança de que alguém fosse chegar. Qualquer pessoa.

Rezava silenciosamente que sua mãe entrasse e lhe desse um abraço apertado, com um pote de feijão prestes a azedar e algumas camisas rasgadas que iriam pro lixo na casa da patroa.

Às vezes, esperava que seu pai aparecesse. Não lembrava seu rosto, mas acreditava que sentiria que era ele. Afinal, todo pai tem algum tipo de ligação com o filho, né? Pelo menos deveria ter.

O garoto o reconheceria sentiria, e pediria para que ele salvasse a ele e seus irmãos, os levasse para uma casa grande com camas confortáveis e muita comida na mesa.

Mas ninguém apareceu. Nem mesmo os policiais grandões que prometeram que voltariam e levariam-os a um lugar seguro e confortável. O garoto sabia que ninguém viria.

Sabia que super-heróis não existiam e que não viriam salvá-lo. Até porque, onde estavam quando seu pai foi embora? Onde estavam quando a vida foi tirada dos pulmões daqueles que ele amava? Onde estavam quando sua vida passou a significar unicamente sua sobrevivência?

Talvez eles existissem, mas não fossem como todos dizem. Talvez não fossem salvá-lo por conta da sua pele — não era rosada como a de todos os garotos que eram vistos sendo resgatados de incêndios e super-vilões.

Ou talvez ele não merecesse: lembrava de sua mãe chamando sua atenção por não se comportar no mercado há alguns meses. Se soubesse que ia ser assim, seria o garoto mais comportado do mundo, e todo mundo lhe daria presentes e elogios e sorrisos.

Mas ele não era. Talvez seja por isso que foi levado — não pelo salvador que tanto desejava, mas aquela de capuz preto que aparece quando esses não cumprem seu dever.

 

Notes:

Foi só isso mesmo. Obrigada pela leitura!!

Mesmo sendo bem curtinho, se vocês tiverem qualquer feedback — positivo ou negativo —, se sintam livres para comentar! Críticas construtivas (feitas de maneira respeitosa!!) são muito bem vindas 💞