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Rating:
Archive Warning:
Fandom:
Additional Tags:
Language:
Português brasileiro
Series:
Part 1 of Serra da Diadema
Stats:
Published:
2026-06-11
Words:
1,523
Chapters:
1/1
Comments:
2
Kudos:
2
Hits:
21

(Noites frias, cheiros doces) Por favor, volte para mim.

Summary:

Após uma tragédia em uma missão falha, um dia estressante e frio intenso, Konan tem uma ideia de como poderia melhorar, pelo menos um pouco, a noite de sua parceira de trabalho, Catherine.

Notes:

Primeira vez escrevendo aqui :D essa "one shot" é um prólogo para a linha principal da história da Serra da Diadema, uma pequena introdução, mas ainda não exatamente .

Recomendação de música pra ouvir ao terminar a cena: Come back to me — RM

Boa leitura S2

Work Text:

 

04 : 05 A.M.

 

A cidade parecia vazia ao longo da madrugada, as poucas pessoas que transitavam pelas ruas, mal iluminadas pelos postes de lâmpadas fracas e amareladas, eram abraçadas por uma ventania desconfortável.

 

Catherine vestia uma jaqueta de couro, uma blusa justa, um pouco mais curta por baixo, e uma calça jeans mais larga, tudo em tons mais escuros, seus cabelos loiros estavam soltos, na altura de seu queixo, e uma raiz castanha já se mostrava presente, usava luvas e alguns cintos, junto de uma gargantilha com pingente de cruz. Konan, por outro lado, usava um casaco revestido por pelos, uma blusa preta de gola alta, luvas azuis e uma ushanka cobrindo parte de seus cabelos roxo-escuro um pouco manchados, amarrados em um rabo de cavalo baixo.

 

A dupla caminhava lado à lado, mantendo um silêncio mútuo que se estendia por todo o caminho. Estavam voltando após mais uma de suas missões rotineiras, porém essa, graças à uma simples distração, resultou em uma grande perda.

 

O caso da noite envolvia um grupo de três crianças, de entre onze a doze anos, as quais começaram a se envolver com o oculto e chamaram a atenção de um parasita cruel que as atraiu para uma emboscada. Duas delas foram salvas, entretanto, a última delas foi sequestrada pelo ser, e seu paradeiro se tornou desconhecido.

 

O Chefe das mulheres acionou uma busca através de outros exorcistas, e ambas foram aconselhadas a ir para casa e descansar.

 

A dupla adentrou o pequeno prédio rústico, subiram as escadas e, em frente à entrada do apartamento em que moravam, Catherine parou de andar, tocando a fria maçaneta de metal com as pontas de seus dedos. Sua respiração falha.

 

— Você não tem culpa. — Konan quebrou o silêncio, com seu tom de voz sempre firme. Quase como se pudesse ler a mente da colega de quarto, conhecia Catherine como ninguém. 

 

— … Aquela garota já deve estar morta. — Catherine sussurrou em resposta, franzindo a testa. 

 

— Eles estão mais preparados do que a gente estava, vão achar ela. — Konan se aproximou, ainda atrás de Catherine, levando a mão esquerda até seu ombro, enquanto a direita pousou sobre a mão de Catherine, a ajudando a abrir a porta. 

— Não se preocupa.

 

Dentro do apartamento, ambas finalmente puderam se livrar dos casacos pesados. Deixaram os sapatos na entrada e removeram bolsas e equipamentos, todo o cansaço da noite parecia cair de uma só vez sobre seus ombros, estavam exaustas. Catherine se escorou na mesa de jantar, passando as mãos pela franja e afundando os dedos no próprio cabelo, um suspiro escapou de seus lábios.

 

— … Oh Konan, eu já volto… — Comentou, se afastando de onde estava. — Preciso de- um banho… — e então, Catherine desapareceu no corredor.

 

— Certo. — Konan concordou, acenando com a cabeça e apoiando suas costas em uma parede, se perdendo em pensamentos por um momento, até ter uma ideia que poderia distrair Catherine, pelo menos um pouco, do estresse dessa noite.

 

. . .

 

Após alguns minutos, Catherine saiu do banheiro. Vestia um pijama verde-claro de mangas curtas, repleto por estampas de ursinhos, seu cabelo estava molhado e penteado, enquanto seus olhos estavam um pouco vermelhos. Começou a andar pela casa em busca de Konan, até que um cheiro agradável e familiar desnorteou os seus sentidos.

 

— … Konan? — Ela a chamou, entrando na cozinha e a encontrando, ela que por sua vez, falhava em tentar fazer um desenho de espuma em cima de uma caneca com o chocolate quente favorito de Catherine. Konan cozinhava muito bem de maneira geral, mas não se dava muito com bebidas estéticas. Agora com os cabelos soltos caindo pelos ombros, foi surpreendida pela presença de Catherine, deixando um riso nervoso escapar.

 

— Pensei que você ia demorar mais. — Pegou as duas canecas em mãos, se aproximando e estendendo uma delas. — é o seu favorito, né? — Questionou retoricamente, já sabendo a resposta.

 

Konan não era considerada uma pessoa muito sentimental nem nada do gênero. Antigamente, costumava ser mais falante, bastante popular entre os adolescentes da época, apesar do temperamento intenso. Mas com o tempo, Konan foi se tornando cada vez mais fechada ao mundo e às pessoas ao seu redor, com exceção, óbvio, de Catherine que, após descobrir que Konan era uma exorcista, a quase dez anos atrás, insistiu em adentrar essa jornada como sua dupla.

 

Passaram por maus bocados juntas durante esses anos, ainda assim, gestos assim não eram tão rotineiros vindo de Konan.

 

Catherine segurou a caneca, a observando por um momento, e então abrindo um pequeno sorriso, junto de uma risada irônica.

 

— Eu to tão acabada assim?? — Catherine parecia, no mínimo, miserável. — Sim. — Konan respondeu, rindo junto dela.

 

— … — Dando alguns passos à frente e deixando a bebida no balcão, Catherine puxou Konan para um abraço. Seus ombros relaxaram, e ela retribuiu o gesto, sentindo mais de perto o cheiro do creme de cabelo de Catherine. Sempre doce. 

 

— Obrigada. 

 

Pegando as canecas novamente, as mulheres se dirigiram até a sala de estar, se acomodando no sofá e ligando a TV, discutindo tópicos bobos enquanto um filme de terror qualquer, já assistido muitas vezes, era reproduzido. Catherine e Konan eram, em particular, muito fãs de filmes Slasher. Para elas, não havia ocasião ruim para um desses. Depois de algum tempo, um silêncio confortável se instaurou, até que Catherine, pensando consigo mesma, iniciou:

 

— Você acha mesmo? Que vão encontrar a menina viva? — Ela questionou, e Konan concordou com a cabeça. — Sim, acho.

 

Não estava sendo muito sincera, e talvez Catherine soubesse disso, mas a última coisa que queria no momento era afastar qualquer esperança que ela ainda pudesse ter. Os chamados “Parasitas”, criaturas com que elas, como exorcistas, combatiam, eram violentos e imprevisíveis, qualquer pequeno deslize era suficiente para que você acabasse morto sem nem perceber. Uma criança como aquelas resgatadas jamais teria chances contra um desses seres. Konan era pessimista por natureza, mas ainda tentava apoiar Catherine da forma que lhe era possível.

 

— Não fica pensando nisso. — Konan se ajeitou no lugar, fixando o olhar na televisão. Catherine estreitou os lábios, juntando as próprias mãos e mexendo nas unhas em um gesto ansioso. — É complicado porquê eu sei que poderia ter evitado.

 

— Não poderia, para com isso. Ele induziu aquela visão justamente pra te manipular com ela e não tinha nada que você pudesse fazer pra evitar isso. — Sua fala se tornou mais séria, soando até um pouco estressada de repente, mesmo que não fosse essa a sua intenção. — … Desculpa. — Acrescentou após alguns segundos, notando o próprio tom de voz.

 

— … Tá tudo bem, só é difícil e meio estranho pensar sobre ela agora, tipo- nem o nome dela a gente sabe. — Catherine juntou as pernas mais perto do corpo, sem se importar muito com o tom mais sério. — uuugh . . Eu sei que já mandaram outras equipes de busca e tudo, mas eu queria mesmo procurar ela.

 

— … Eu não sei se seria a melhor coisa a se fazer agora, Cath.

 

— É, eu sei.

 

— Mas se realmente for o que você quer … — Ao escutar essa frase, Catherine se virou para Konan. — Me ajudaria??

 

— Óbvio. — Dessa vez, Konan falava com sinceridade. — Vou estar sempre junto contigo.

 

— Me promete?

 

— Prometo.

 

— … Tabom. — O olhar de Catherine se moveu para a televisão, agora um pouco mais tranquila.

 

Nesse momento, enquanto Konan a observava, a TV começou a emitir um ruído baixo, que aos poucos começou a aumentar para algo mais inconveniente. Sequer havia notado quando a tela em sua frente se tornou apenas uma estática barulhenta e brilhante demais para os seus olhos. As luzes do apartamento estavam bem mais baixas, piscando em um ritmo incompreensível. Konan olhou de um lado para o outro, estava suando como em um dia de verão, apesar daquela sala nunca ter estado tão fria quanto hoje. O ruído ficava cada vez mais alto, se espalhando por todo o ambiente. Ela sentia sua cabeça girar, um barulho alto semelhante a marteladas em um prego, o último prego no fundo de sua mente. 

 

Era como se o cenário estivesse se desmontando em sua frente, com peças e elementos fora de seus lugares. O banheiro não era naquela porta, a mesa deveria estar do outro lado da sala, nunca tiveram canecas de cor preta.

 

E então, nesse momento, ela se dá conta.

 

— … CATHERINE??? CATHERINE !!!!

 

. . .

 

O barulho alto do metrô chegando na plataforma tira Konan de seu “transe”, perdida em seus próprios pensamentos e memórias corrompidas.

 

Estava em uma cafeteria dentro da estação, sentada sozinha em uma mesa ao lado da janela, com um chocolate quente intocado em sua frente. Do lado de fora, a chuva caía agressiva, todos os que passavam por ali estavam bem agasalhados, se protegendo do frio. 

 

Havia perdido a noção do tempo.

 

Ela se levanta, deixando uma quantia de dinheiro na mesa e sequer se importando em olhar para o doce, pegando suas bolsas e caminhando em direção ao trem.

 

Tinha um longo caminho pela frente, a intensa pesquisa que a meses tirava suas noites de sono e intensificava os tremores rotineiros de suas mãos. A esse ponto, olheiras se formavam abaixo de seus olhos.

 

Não podia perder o foco, precisava cumprir seu objetivo.

 

Precisava encontrar Catherine.

 

E então, ela adentra seu vagão.

 

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