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Neil, you are my liberty.

Summary:

Toda ação tem consequências, e toda consequências partem de ações. Essa é uma regra que vale para todos.
Quando não é mais capaz de correr o que resta é lutar.

Ou

O rei quer a cabeça do seu próprio filho, e Nathaniel não tem escolha a não ser correr.

Notes:

Tenho muitas ideias para essa história, confesso que me sinto bem ansioso para escreva-la por completa. Estou dedicando bastante do meu tempo e realmente espero que sai pelo menos um pouco como planejei.

Título inspirado em "Bernadete".

Sinceramente não sei se conseguirei terminar a história, mas espero muito que sim! Adoraria escreva-la até final.

(See the end of the work for more notes.)

Chapter Text

A escuridão devorava o cômodo em questão de segundos conforme a velha porta era fechada com um rangido ruidoso capaz de perturbar até mesmo a mais serena das pessoas, por mais acostumado que esteja o ruído o fazia ter uma vontade louca de se jogar no guarda e golpeá-lo repetidamente. A pretidão do ambiente dominava toda a sala, não era um problema. Ele sabia exatamente onde estava; a última cela das masmorras do castelo: ausente de qualquer móvel e com um cheiro nauseante de mofo, era reserva apenas pra ele. O que não parecia certo, talvez você pense que não é assim que se trate um príncipe. Mas no reino de seu pai as coisas funcionam apenas como o rei queria, e Nathan era o rei.

Ele deu algumas voltas pela a sala tateando-a, apesar da familiaridade não conseguia não verificar. Em um segundo tudo poderia mudar, sua mãe lhe ensinou que não existe hora de descansar. Nada de diferente na sala, ela continua vazia. Sem condições de tomar qualquer atitude, Nathaniel wesninski finalmente sentou-se no chão sabendo que levaria horas ou dias até que fosse liberado pra voltar a rotina bizarra ou os "ensinamentos avançados" de seu pai, a sala parecia até reconfortante se formos ver assim.

Fechou os olhos e se encostou na parede gelada, não conseguia dormir mesmo se realmente quisesse. Seu corpo ainda tremia de adrenalina dês de quando seu pai o chamará depois de fracassar em estrangular a empregada Novata "tradição" ele disse, desde que Mary se fora qualquer mera interação com Nathan fazia seus ossos gelarem, sua mãe sentiria vergonha de sua covardia, Nathaniel sabia disso porque também sentia.

Tudo deu errado, dês daquela época e era sua culpa, tudo desmoronará em suas mãos porque o medo o fez largar os últimos resquícios esperança que sua mãe acenderá, a verdade era dura e cruel, ele se submeteu ao pai depois de tudo. Morrer parecia um desperdício de vida mas viver com Nathan não parecia viver.

Em algum momento os passos lá fora, de algum guarda, provavelmente. atraiu toda sua atenção pra eles. A porta se abriu com o mesmo estrupo irritante.

 

Ele mal levantou a cabeça quando a pequena brecha trouxe um pouco de luz para a cela antes escura. O guarda Romero era robusto e alto, típico dos idiotas sem cérebro que Nathan gostava de manter por perto, Romero o olhava com o mesmo olhar de sempre, como se o repugnante ali fosse ele. A voz grave de Romero causava um arrepio que era mais raiva do que o medo que Nathaniel sentia —saia, é uma ordem do rei.— Nathaniel não se apressou pra levantar, na verdade teve o prazer de fazer isso lentamente se deleitando da expressão irritada de Romero. Retribuiu o olhar de nojo antes de passar por ele sem dizer uma única palavra. Sabia que era melhor não.

Suas pernas coçavam enquanto caminhava pelo o corredor das masmorras com um ritmo leve, queria correr mas resistiu a vontade repentina não queria ser mal interpretado. Os passos atrás dele deixava-o um pouco tenso, olhou pra trás com um olhar fulminante apenas pra encontrar um dos novos guardas, ele era jovem e estava quase mijando na roupa. — vossa alteza!— o guarda tremeu sob o olhar do príncipe, a compaixão em seus olhos lhe causavam náuseas — vossa majestade gostaria de falar com você.— o estômago de Nathaniel se afundou. Ele deu um aceno rápido e voltou a caminhar tendo uma desculpa pra ir um pouco mais rápido dessa vez.

Valia a pena? Viver assim. Não era conhecido pelos plebeus, no reino seu rosto nunca foi visto, mas no castelo seu nome nunca era pronunciado, ele deixou de ser o príncipe para ser um nada. Não era ninguém. Ele desacelerou o passo, quanto mais perto chegava dos aposentos do rei mais silenciosos seus passos ficavam e mais alto seu coração batia. O corredor parecia vazio demais, algo parecia errado. Era anormal a ausência de guardas rondando aos arredores dos corredores. A única ocasião onde os guardas não podiam ficar eram reuniões privadas.

Ah.

Seu coração errou a batida. Engoliu qualquer barulho que pudesse sair da sua boca naquele momento. Uma reunião privada? Seu corpo tremia violentamente, entretanto ele sabia como tomar cuidado o suficiente pra que o tremor não o atrapalhasse, com a cabeça encostada levemente na porta ele tentou se concentrar em qualquer coisa que não fosse sangue pulsando no seu ouvido.

As vozes estavam abafadas e algumas baixas demais pra serem entendidas, se concentrando mais conseguiu reconhecer uma voz em específico que não conseguiria confundir em um milhão de anos "é isso que estou dizendo, o garoto é o problema, meu senhor." A voz docemente forçada de Lola lhe causava uma ânsia de vômito insuportável. "É melhor se livrar dele, antes que ele se livre de você." Aquilo era um absurdo, como se Nathaniel sozinho conseguisse lutar contra todos esses maníacos sozinho, só a ideia patética disso quase o fez rir. Os murmúrios abafados de concordância encheram os aposentos. A voz de Lola finalmente preencheu a sala depois de um tempo "oh meu senhor, o que faremos com o Júnior?".

A voz de Nathan parecia espalhar veneno pelo cômodo. O silêncio era absoluto antes mesmo de ele falar. A calmaria em sua voz era gelada e não carregava remorso algum quando disse com simplicidade:

"Mate-o."

proferiu como alguém diria ""cancelem o jantar"". Isso despertou em Nathaniel um instinto adormecido a anos, era a mesma sensação meio dormente que vem sentido esses dias, a necessidade de correr veio à tona. Dessa vez ele correu de verdade, como se sua vida dependesse disso porque dependia.

O mundo não existia enquanto ele corria, tudo ao seu redor era neblina densa que não importava. era como da última vez tendo como única diferença que Mary não estava aqui pra guiá-lo. Falhou uma vez e provavelmente falharia de novo, mas não poderia deixar de tentar pelo menos! Não sabe porquê a vida é tão importante, mas se ele e sua mãe lutaram para viver por tantos anos, algo devia valer, nem que seja pra não entregar a Nathan o gostinho de matá-lo.

Suas coxas ardiam quando parou, não sabia quanto tempo havia se passado, só sabia que agora estava longe. Tentava recuperar a respiração aos poucos enquanto dava uma vasta olhada ao redor, havia acabado de amanhecer, mas a cidade parecia desperta. As roupas normais de Nathaniel eram simples o bastante pra não chamar atenção de nenhum cidadão, as roupas eram uma regra de Mary, não achou que realmente fugiria mas sua paranoia o fazia vestir assim.

Ele não tinha planos, mas em breve pensaria em um, tudo que tinha que fazer por enquanto era continuar andando e ficar o mais invisível possível. Pelo menos ainda lembrava no básico, ele continuou andando de cabeça baixa e costas levemente curvadas. Ele congela.

Uma mão, no seu ombro, uma mão no seu ombro o faz congelar.

Era isso? Ele deveria saber, mesmo Mary só durará 3 meses. Que direito ele tinha de achar que conseguiria? De qualquer forma foi frustante. nem mesmo um dia havia se passado, apenas algumas malditas horas. Que patético. Ele jura que quase conseguia escutar Mary lhe dizendo. Depois de tudo Abram, você conseguiu acabar com tudo. Ele quase via sua cara de desgosto. Ele deveria saber, Nathan era a armadilha mais cruel, nunca se fingiu de doce, sua mãe sabia e ele também, ele estava condenado antes mesmo de nascer, pra que insistir em viver? Qualquer tentativa seria falha. Era inútil.

— ei, tudo bem?— a voz desconhecida o fez olhar por cima dos ombros.

 

Não é como se ele conhecesse cada pessoa que trabalhasse para o seu pai, mas a presença do garoto não lhe dava nenhuma sensação de alerta. Ainda assim, ele sabia que deveria, não importava o quão normal o jovem parecesse. Nathaniel tentou analisá-lo o máximo que pôde sem encarar por um tempo suspeito. Ele aparentava ter vinte anos ou até menos, difícil de dizer. Seus olhos estavam arregalados com um brilho incomum, talvez fosse o sol. Era só um cidadão comum que achava que sua bondade lhe daria alguma recompensa no futuro.

Tudo que tinha que fazer era dar meia-volta ou simplesmente passar reto sem dizer uma única palavra para o jovem, mas o rapaz não parecia feliz com a ignorância, entrando na sua frente antes que ele pudesse dar um passo.

— Pra que a pressa?

Quando viu que seria ignorado de novo, quase entrou em desespero.

— Espere! O senhor pode me dizer em que direção fica o Palmetto?

A voz do jovem estava carregada de súplica, e sua feição demonstrava um pouco de constrangimento.

Nathaniel pensou um pouco, sua garganta estava seca. Ele encarou a bolsa do rapaz com interesse até que o jovem entendesse a indireta. Ele fez uma careta, mas abriu a bolsa mesmo assim.

— O quê? — disse o jovem, mostrando os pertences, mas Nathaniel só tinha olhos para o cantil de couro. Ele apontou, e o outro pegou sem reclamações.

— Estou indo para o Palmetto fazer o treinamento de cavaleiros, vou participar da nova tropa. — explicou o jovem orgulhoso.

Não era nem uma conquista. Todos sabiam que as tropas do Palmetto eram os piores cavaleiros de todo o reino. Mas Nathaniel apenas acenou com a cabeça despreocupado enquanto dava um longo gole no cantil.

— Fica na Carolina do Sul, bem no começo dela, depois de atravessar a fronteira. É só dizer que é um recruta e eles te deixam passar pelo portão.

Era verdade, a segurança de lá era uma merda. Era uma informação simples, mas o jovem o olhava como se ele falasse outra língua. Nathaniel tinha certeza de que falou em inglês.

— Boa sorte.

Não havia informação para complementar ali. Quando tentou seguir reto, apesar de sem rumo, percebeu que o jovem estava prestes a segui-lo. Isso o colocou em estado de alerta.

— Palmetto fica para o outro lado. — disse, ríspido.

O jovem apenas retribuiu o olhar irritado com uma careta confusa.

— Então para onde estamos indo? Achei que todos os jovens de Baltimore tivessem sido convocados. — duvidou o jovem.

Oh.

— É, sim, você tem razão... — concordou Nathaniel, atordoado e cansado demais para inventar algo.

Sem escolha nenhuma, acompanhou o jovem lado a lado. Tentando quebrar o silêncio, o jovem apresentou-se.

— Meu nome é Neil, a propósito.

A resposta de Nathaniel foi um silêncio, que foi surpreendentemente bem aceito por Neil. O jovem vasculhou a bolsa um pouco antes de mostrar um pedaço de papel solto. Ele o ergueu perto do rosto de Nathaniel.

— Esse é o meu convite.

A apatia de Nathaniel em relação ao convite não chateou Neil.

— É uma honra para mim servir o reino, mas tô um pouco assustado com o que pode acontecer. Ouvi dizer que o pessoal do Palmetto sempre leva a pior. — admitiu Neil de repente.

O resto da caminhada foi silêncio.

O silêncio fez Nathaniel ter um tempo para pensar melhor. O recrutamento de novatos era tentador e relativamente simples. Não é como se fosse o primeiro lugar onde procurariam um príncipe, mas por outro lado, não sabia se seria fácil falsificar uma carta do exército dos cavaleiros do rei, mesmo sendo do exército do Palmetto.

Mas, com sorte, talvez com uma boa olhada no convite de Neil, ele poderia fazer uma réplica. Se fosse levar em consideração o desespero em que o exército se encontrava com essa nova guerra entre reinos, talvez eles não se importassem e nem verificassem quem de fato tinham chamado.

Quem iria para o Palmetto por vontade própria?

Bem, ele ia.

— Ei, cara, quanto tempo até chegarmos na Carolina do Sul?

Apesar de conseguir acompanhar seus passos, Neil parecia exausto, porém ainda firme.

— Três dias. — aproximadamente.

Neil soltou um resmungo de desaprovação, mas Nathaniel estava mais concentrado em criar algo convincente. O cansaço às vezes fazia ele ser estúpido, mas talvez não fosse uma desculpa tão ruim. Ele hesitou por um instante antes de falar.

— Neil.

Neil olhou para ele quase instantaneamente, dando-lhe toda a sua atenção.

— Pode me chamar de Chris.

Ele testou o nome na boca.

Neil só acenou com a cabeça calmamente e deixou o silêncio se prolongar. Nathaniel, ou Chris na verdade, fez um falso olhar constrangido.

— Posso dar uma olhadinha no seu convite depois...? Eu perdi o meu.

Neil arregalou os olhos escuros.

E riu alto.

O som estridente e abrupto da risada de Neil pulsou nos ouvidos de Chris, fazendo-o ficar tenso.

— Sem problemas. — disse Neil entre risadas. — Podemos fazer isso na próxima parada. Comprei papel e te ajudarei a fazer outro convite.

Neil lhe deu um sorrisinho cúmplice, sem se abalar com o "probleminha" de Chris.

Neil seria um cavaleiro excepcional, com todas as qualidades que um precisa e tudo mais, mas Chris sabia que esse não seria o tipo de cavaleiro que o reinado do seu pai apreciava, Neil era calmo, e sabia lidar com situações complicadas sem alarde com Chris considera uma das melhores qualidades que alguém pode ter. Mas o reino do seu pai exigia brutalidade, hostilidade e violência bruta e crua.

Chris tinha certeza que muitas coisas boas aguardavam Neil no futuro. Então, engoliu a inveja encarando fixamente o rosto jovem de Neil que fingia não estar cansado. —tem dinheiro ai? Ótimo. Precisaremos de mais coisas para esses 3 dias.— Chris poderia fingir estar culpado por exigir tantas coisas de Neil em tão pouco tempo, mas estava cansado demais pra isso. E não retribuiria nem se quisesse já que ele mesmo não tinha nada.

Neil sacudiu um saquinho magro com algumas moedas e Chris pegou para fazer melhor uso. Neil parecia querer protestar mas acabou por não dizer nada. — você é esperto, Chris. como sabe tanto de geografia? — Neil tentou puxar assunto de novo, mas Chris não estava com vontade de conversar —todos sabem onde fica o palmetto, isso é o básico.— Neil o olhou com duvida genuína —ah fala sério, você é de alguma família nobre, né?— uma onda de frio percorreu seu corpo lhe causando calafrios — meus pais me educaram.— a resposta foi tão rude que até Chris se surpreendeu. Era a coisa errada a se dizer, a expressão no rosto de Neil provou isso. Depois disso, Neil se calou por algumas horas, a lentidão dos passos de Neil irritavam Chris, mas ele sabia que seria melhor não dizer nada.

Algumas horas se passaram até que Neil ousasse falar de novo —vamos parar um pouco.— a voz de Neil era de pura exaustão, Chris deu uma olhada rápida no jovem, apesar de terem feito nem metade do caminho do caminho o jovem pareceu que ia desmaiar.

—ta.— Chris concordou sem objeções. Neil suspirou aliviado à sua esquerda.

Pararam perto da estrada. os pensamentos de Chris logo foram puxados para sua mãe, uma parte de si sabia que não era o ideal parar tão de repente em uma estrada não deserta sem uma emergência aparente, mas também sabia que Neil não seria capaz de dar mais nenhum passo. Neil prontamente se jogou no chão deitando na grama úmida. Chris se sentou encostado na árvore. O silêncio prolongou zumbindo apenas o som do vento em seus ouvidos, estava escurecendo.

ele nunca acampou como uma atividade de lazer, mas já fez algo parecido com sua mãe quando ela o levará embora naquele dia. Ele se pega pensando nisso com muita frequência, o que teria acontecido se tivesse dado certo. Fazia anos, mas seus pensamentos sempre voltavam pra ela. Mary era uma ferida aberta que ele sempre insistia em cutucar. Ele se remexeu inquieto na árvore, não queria ficar parado por tanto tempo. Será que Neil planejava passar a noite? Falando no jovem ele se levantou de repente, se sentando. —ei Chris. — chamou Neil sem jeito. — eu não sabia que a viagem ia ser tão longa, se importa de dormir no chão?— não, Chris não se importava. Na verdade, era melhor que nem dormissem aquela noite. Passar um tempo descansando no meio do nada era uma coisa, mas dormir até a madrugada era simplesmente perigoso.

Neil já havia se deitado de volta pra dormir, o que importa? Chris só estava esperando sua morte, então se deitou meio escondido entre as árvores e para sua surpresa conseguiu adormecer.

 

Ele dormia no seu quarto. Seu ombro estava dolorido após praticar estripar coelhos com Lola. Naquele dia, achou que não conseguiria dormir. Os pobres coelhos desmancharam em suas mãos, com um vermelho vibrante e um cheiro repugnante sendo tudo que restava. Apesar de se lavar bem, ainda conseguia sentir o cheiro metálico. No começo, ele tinha pesadelos com isso, mas, conforme se aperfeiçoava na técnica, menos assustado ficava.

Ele viu o olhar que sua mãe lhe lançou mais cedo. Era óbvio que ela odiava aquilo. Mas, mesmo assim, naquele dia ela foi até seu quarto. Ela já havia feito suas bolsas. Nathaniel nem mesmo questionou sua mãe, apenas fez o que ela mandou e correu. Também não queria estar lá, sabia que, mesmo que às vezes doesse, fugir com sua mãe era melhor do que viver com seu pai.

Então ela segurou seu pulso com força, e eles foram para longe. Tudo parecia bem, e Mary era até estranhamente gentil.

Então ela olhou para ele com um sorriso doce.

— Não estrague tudo, Abram.

E seu corpo se desfez em fogo.

Ele gritou.

Fogo.

Ele sentiu cheiro de fumaça.

Era fogo, com certeza era fogo!

Seus olhos se abriram rápido demais, mas ele não se sentiu zonzo. A adrenalina já corria pelo seu corpo quando ele se levantou no meio das árvores.

Algo estava pegando fogo.

Antes que pudesse raciocinar algo, seus olhos percorreram para o centro onde havia um grupo pequeno. Aparentavam ser cinco pessoas, eles tinham dois cavalos e facas performática demais. Logo descartou a ideia deles serem homens do seu pai, nem ao menos seguravam a faca direito, se fossem ele já estaria sem pele em algum lugar. Os olhos de Neil estavam arregalados mas não tentou lutar, ele estava meio sentado como se tivesse caído de bunda. Ele estendeu aos mãos trêmulas pra mostrar paz — não temos nada! Eu juro!— Nathaniel se levantou devagar sem tirar os olhos dos salteadores. O fogo começará a se espalhar pela a flora da estrada, mas tanto Neil quanto os bandidos estavam alheios a proporção que o fogo tomava, se espelhando de maneira veloz e implacável. O sangue pulsava em seus ouvidos alto o suficiente para ser o único som que ele pudesse se concentrar, um dos bandidos se aproximou de Neil para gritar em sua cara, ele aproveitou a distração. A incompetência dos malfeitores era quase vergonhosa, estavam tão desesperados assim? Os itens espalhados pelo chão pareciam até uma armadilha, pegou a primeira arma que achou. Tava claramente cega mas seria o suficiente para assustar um bando de idiotas.

Segurar uma faca era uma movimentação rápida e ensaiada, já se tornou quase uma ação mecânica que Nathaniel passará mais da metade de sua vida aprendendo. Algo que ele aperfeiçoou, que pra sua infelicidade já era natural.

Ele deu olhar pra verificar como Neil estava.

Morto.

O sangue jorrava pela a sua garganta fina e fragilizada, seus olhos estavam arregalados e sua boca aberta, seu rosto estava tão pálido que ele já parecia um fantasma, o sangue escorria como uma cascata, o vermelho escorrendo e manchando todas as suas vestes, não estava morto, ainda. Mas em breve estaria. Era impossível salva-lo, o jovem já engasgava com o próprio sangue. Sofrendo. Nathaniel não planejava olhar para os olhos dele. Aprendeu dês de cedo que não devia olhar, seu pai Nathan sempre lhe dirá ser a melhor parte, mas Nathaniel só sentia terror ao ver o puro e cru desespero nos olhos de alguém que está morrendo e depois um vazio.

Mas o brilho estranho chamou atenção de Nathaniel. Eram lágrimas, Neil estava chorando. Era normal, muitas pessoas choravam quando percebiam que iriam morrer.

Mas as finas lágrimas de Neil chamaram sua atenção, ele olhou para os olhos escuros. Mas foi só para ver o que esperava: o medo, e o desespero. irmãos que andam lado a lado.

Mas também havia ali um toque de algum sentimento que Nathaniel não conhecia.

Então em questões de segundos os olhos de Neil se apagaram, nada restando além do grande vazio deixado pela morte. Parecia que horas haviam passado nesses meios segundos. Como se por algum motivo o tempo tivesse parado. Ele ficou parado por tempo demais e não demorou muito para os bandidos o avistarem também. Nathaniel não hesitou, nenhum segundo.

Foi tudo no automático.

O Cansaço vencia seu corpo aos poucos, não sabe quanto tempo se passou, quando ele voltou a si já estava caminhando pela estrada. Abraçado na bolsa desgastada, o corpo do jovem morto havia protegido a bolsa das chamas. Ele abriu para conferir todos os itens restantes, não era muita coisa.

O papel chamou sua atenção, era o convite.
"Neil Josten de millport, você foi convocado para.." ele pegou o convite lendo-o melhor, seria uma ideia estúpida mas pra onde mais ele iria? Então, ele seria Neil Josten a partir de agora.

Seu nome é Neil Josten.

Céus.

Que ideia terrível.