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Quebrado

Summary:

Por que ele se sentia tão quebrado?

Notes:

Work Text:

​Para os fantasmas, a dor emocional e a dor física, muitas vezes, eram a mesma coisa.

​O coração de Danny estava quebrado. E, por isso, ele também estava…

​Quebrado…

​Quebrado…

​Quebrado…

​Ele estava quebrado.

​Cada batida do coração era pura dor. Cada uma delas. Cada pulsação era uma agonia.

​Ele se encolheu no escuro do próprio armário, com um cobertor grosso bem apertado em volta dos ombros. Ele se encolheu e chorou, torcendo com todas as forças para que aquilo parasse. Para que pudesse simplesmente esquecer e seguir em frente.

​Ele sabia o motivo. Sabia por que isso tinha acontecido. Por que isso precisava acontecer.

​Ele sabia. Ele sabia. Ele sabia.

​Tinha que acontecer. Tinha que ser assim. Ele sabia o porquê. Sam não podia deixá-lo continuar sob o controle da Ember. O feitiço precisava ser quebrado. Quebrado. Quebrado. Assim como o seu coração.

​A sensação era de que ele estava dividido em mil pedaços, cacos de vidro e de cerâmica pintada, todos rangendo e arranhando uns contra os outros. Mas... por quê?

​Desde o primeiro segundo, assim que a névoa do feitiço se dissipou de seus olhos, ele soube que o beijo era apenas um truque. Sam não gostava do Dash de verdade. Ninguém gostava do Dash. Na verdade, Sam odiava o Dash. Sentia nojo dele. Então por que, por que, por que ele estava tão…

​Quebrado…

​Quebrado…

​Quebrado?

​Ele engoliu um soluço. Doía. Não deveria doer. Ele não deveria se sentir daquele jeito em relação a uma amiga. Não deveria ser tão possessivo. Não era certo. Ele não era dono da Sam; não podia ser, não seria.

​Uma batida soou na porta do armário, e ele deu um sobressalto.

​— Danny? — chamou a voz dela. A voz da Sam. — A Jazz me disse que você estava aqui.

​— Não entra! — gritou Danny, tentando esconder o choro. Tentando esconder o quanto sua voz estava…

​Quebrada…

​Quebrada…

​Quebrada.

​Houve uma pausa. Danny prendeu a respiração.

​— Eu vou entrar — anunciou Sam.

​Ela abriu a porta e ficou parada, olhando-o de cima a baixo no chão escuro. Danny se encolheu ainda mais.

​— Caramba, cara, você está bem?

​— Eu... Ahn, acho que é só... o que sobrou da Ember, sabe? Do controle mental.

​— É, parecia que todo mundo na escola estava com dor de cabeça ou algo do tipo — ela comentou. — O Tucker também está péssimo, claro, mas no caso dele pode ser culpa da lavagem cerebral dos estudos.

​— Uhum. É... dói bastante.

​— Se você quiser — disse Sam, balançando o peso de um pé para o outro, fazendo o piso ranger levemente —, eu posso ficar aqui com você. Até você se sentir melhor, se quiser. A gente pode conversar. Ou não conversar. Tanto faz.

​— Isso seria bom — respondeu Danny, murmurando com o rosto escondido nos próprios joelhos.

​Sam se ajeitou no chão ao lado dele e passou um braço por cima de seus ombros.

​— Vai ficar tudo bem.

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