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Danny voou perto de Clockwork, quase se agarrando à cauda do outro fantasma. Não conseguia evitar. Estava nervoso. Não era todo dia que Clockwork olhava para Danny, suspirava e declarava que ele precisava de um tutor.
Era verdade que Danny não era o melhor dos alunos, mas ele se esforçava, e a declaração o havia magoado um pouco. Por isso, ele decidiu dar o seu absoluto melhor com quem quer que Clockwork o estivesse levando para conhecer. Ele ia melhorar suas notas. Embora, muito provavelmente, notas não fossem o que Clockwork tinha em mente com aquilo. A conversa que provocou o suspiro do fantasma mais velho havia sido sobre cultura fantasma. Bom. Danny aprenderia sobre isso, então. Faria o seu melhor, e aí Clockwork ficaria feliz.
Às vezes, quando Danny estava sozinho e introspectivo, ficava um pouco perturbado com o quanto queria agradar Clockwork, mas o fantasma ancião o fazia se sentir seguro. Segurança não era mais algo que ele dava como garantido. Não era tão ruim assim querer fazer Clockwork feliz em troca, era? Era apenas natural, certo?
Danny não estava pensando nisso agora, no entanto. Ele estava tentando adivinhar quem seria o seu professor. Clockwork dissera que era alguém que ele já conhecia. Isso gerava uma lista bem longa, mas Danny podia começar a eliminar os suspeitos. Tinha que ser alguém inteligente, que também tivesse tempo livre, e de quem ele já não estivesse aprendendo alguma coisa.
Na verdade, isso cortava a maioria dos fantasmas que ele conhecia bem. Mordegelo, Pandora e Dora estavam todos muito ocupados com seus respectivos Reinos. A maioria dos yetis de quem Danny era próximo já o estava ajudando com seus poderes de gelo. Muitas das pessoas com quem Danny andava no Reino de Pandora treinavam com ele e lhe contavam histórias regularmente. Dora havia decidido que, como Danny era um de seus cavaleiros, ele tinha que saber interpretar o papel. E também tinha o Wulf. Wulf provavelmente sabia de muita coisa, mas não tinha o perfil de professor.
Isso levou Danny para o terreno dos conhecidos, aliados, rivais amigáveis e quase-amigos. Ele inicialmente suspeitou que seria um yeti, um grego ou um habitante de Maddingly que ele não conhecia muito bem, mas então Clockwork o guiou para longe de todos esses três Reinos. Depois, Danny se perguntou se não seria o Poindexter. Poindexter era inteligente, ou pelo menos nerd, mesmo que Danny não tivesse a menor ideia do que ele poderia lhe ensinar. Mas então eles passaram direto pelo esconderijo dele.
Isso encurtou consideravelmente a lista de Danny. Grande parte dos fantasmas com quem ele interagia regularmente estava lhe ensinando alguma coisa. Ou tentando. Danny colocava a culpa nas bizarrices dos fantasmas, ou na insanidade a que as Obsessões às vezes levavam as pessoas. O próprio Danny sabia que já tinha feito umas coisas bem esquisitas em nome das suas Obsessões.
Até a Ember tinha começado a sequestrá-lo de vez em quando, e por motivos que iam além de só cobrir a vaga do tecladista dela. Ela vivia tentando lhe dar aulas de canto. Credo, que arrepio.
Além disso, havia aqueles fantasmas que, honestamente, não eram espertos o suficiente para dar aulas a Danny. Danny não era exatamente a lâmpada mais brilhante da caixa, mas muitos dos fantasmas que ele enfrentava eram verdadeiras portas.
Por fim, restavam os inimigos declarados de Danny. Mas ele não conseguia imaginar por que diabos eles o ajudariam com aulas.
Então, Danny estava confuso. Profundamente confuso. Ele não conhecia ninguém por ali, naquela parte da Zona Fantasma. Exceto pelo...
Escritor Fantasma.
— Clockwork?
— Sim, Daniel?
— Nós não estamos indo ver o Escritor Fantasma, estamos?
Clockwork olhou por cima do ombro, sorrindo, com uma sobrancelha erguida.
— Você deduziu isso rápido — comentou.
— E isso é uma boa ideia? — perguntou Danny. — Ele não gosta muito de mim. Porque eu, hã, sabe, acidentalmente destruí o poema dele e, hum, não pedi desculpas.
— Mas você pediu desculpas, sim — ponderou Clockwork —, quando o tirou da prisão do Walker.
— É, mas isso foi bem depois, e quando eu disse que sentia muito, ele gritou “Eu não aceito!” e saiu correndo. — Danny fez uma pausa. — Quer dizer, estávamos sob fogo cruzado na hora, mas ainda assim.
— Ele teve bastante tempo para pensar sobre o assunto desde então.
— Isso não quer dizer que ele me perdoou.
— E não quer dizer que não tenha perdoado.
— Pode ser.
— E eu sei ser muito persuasivo.
Danny piscou para o fantasma mais velho. Aquilo não significava o que parecia, significava? Porque soou meio que como uma ameaça.
Eles pousaram nos degraus da biblioteca do Escritor Fantasma. Danny examinou nervosamente os leões de pedra ao pé da escadaria (aquilo era a Zona Fantasma, afinal, e às vezes estátuas não eram só estátuas) enquanto Clockwork voava até as altas portas duplas e batia.
O Escritor Fantasma, que já estava claramente de mau humor, escancarou a porta e congelou. Parecia um cervo pego pelos faróis de um carro.
— Você — sussurrou ele, encarando Clockwork. Então, ele avistou Danny. — Você — repetiu, desta vez com menos choque e mais raiva.
— Sim — confirmou Clockwork, secamente. — Nós.
Os olhos do Escritor Fantasma dispararam entre Clockwork e Danny, e depois se estreitaram.
— O que vocês querem?
— Bem, eu acredito que você já conheça o meu neto — começou Clockwork.
O Escritor Fantasma empalideceu. Danny assistia à interação com certo fascínio.
— É lamentável, mas meus deveres significam que, por mais irônico que soe, eu nem sempre tenho o tempo necessário para ensiná-lo quando ele está disponível para aprender. É do meu entendimento, no entanto, que você dispõe de bastante tempo livre.
— Quem te disse isso?
— Ninguém — respondeu Clockwork. — Não foi preciso. Eu sei de tudo, afinal. — Ele abriu um sorriso mostrando todos os dentes.
— Então você quer que eu...
— Seja o tutor dele.
— Mas de jeito nenhum! — exclamou o Escritor Fantasma. — A última vez que ele esteve aqui, destruiu centenas de livros! E o meu teclado!
— Depois que você escolheu atacá-lo durante o Natal. — Clockwork cantarolou de forma contemplativa. — Eu entendo que você está tendo problemas com um indivíduo de inclinações estritamente legais. Eu poderia fazer isso desaparecer. Ou eu poderia... Fazer outra coisa. A escolha é sua. Em todo caso, eu acredito que Daniel já se desculpou. — Clockwork fez uma pausa. — Foi mais ou menos na mesma época em que ele libertou você da prisão.
— A culpa de eu estar na prisão, para começo de conversa, foi dele!
Danny se encolheu, culpado.
— Se você tivesse apenas esperado até a trégua de Natal acabar, então você não teria chamado a atenção de Walker. Daniel, embora tenha cometido uma gafe social, não infringiu a lei. Nem forçou você a fazê-lo. — Lá estava aquele sorriso de novo. — Eu diria, portanto, que a culpa de você estar na prisão é sua. Cabe a você continuar fora da prisão. Eu estou lhe oferecendo uma oportunidade para garantir isso.
O Escritor Fantasma olhou para Clockwork. Depois olhou para Danny. Depois para Clockwork. Danny. Clockwork.
— Tá bom — esbravejou ele, por fim.
