Actions

Work Header

Rating:
Archive Warning:
Category:
Fandom:
Relationship:
Characters:
Additional Tags:
Language:
Português brasileiro
Series:
Part 2 of Desafio Loquinha
Stats:
Published:
2026-08-21
Words:
3,058
Chapters:
1/1
Comments:
26
Kudos:
138
Bookmarks:
11
Hits:
1,207

O Acaso

Summary:

— Você é um anjo? — A garota perguntou sem ter assimilado nada que a médica disse, os olhos castanhos desfocados e entreabertos.

Os paramédicos, que haviam estabilizado seus sinais vitais, deram uma pequena risada que Lorena ignorou, rezando mentalmente para que o leve constrangimento não fosse denunciado pelas suas bochechas.

— Você tá machucada. Fica quietinha, tá?

— Tá bom.

ou

Lorena é médica na Chacrinha e acaba tendo que socorrer uma certa ruiva policial

Notes:

Eu não sei nada de medicina, por favor, abracem o lúdico

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Lorena entrou no carro e jogou a bolsa e o jaleco no banco do passageiro.

O plantão no posto de saúde da chacrinha havia sido estranhamente calmo, nenhum acidente grave, nenhuma emergência que necessitasse transferência imediata para um hospital, apenas consultas de rotina e encaminhamento para exames, mas Lorena deveria ter adivinhado que um dia tão atípico estava reservando todo seu caos para um único momento específico.

Os tiros foram a primeira coisa que ela notou. Aprendeu a reconhecê-los com Zé Maria, o amigo que conhecera desde do terceiro semestre de medicina e que se tornou quase que um irmão para ela. Ele lhe havia explicado que o som de foguetes ressoam de forma grave e expansiva, enquanto os disparos de arma de fogo são secos e agudos e para trabalhar naquela área, esse tipo de informação era essencial.

Por isso a morena esperou, não ligou o carro, não se mexeu, apenas aguardou, ouviu mais disparos e em seguida as sirenes. Antes mesmo que ela pudesse pensar em voltar para o posto de saúde, duas motos dobraram com velocidade pela rua estreita, seguidas de perto por uma viatura da polícia civil. Ao passarem pelo carro estacionado de Lorena, aconteceu tudo quase que em câmera lenta.

Um dos homens das motos disparou contra o veículo, acertando a roda dianteira. O carro perdeu o controle e acertou um poste em cheio.

Os bandidos, provavelmente traficantes da área, continuaram fugindo enquanto mais veículos, entre carros e motos da polícia, continuavam a persegui-los sem considerar, por um segundo, que havia provavelmente um colega deles ferido dentro da viatura.

Assim que o barulho da confusão cessou, Lorena saiu do carro imediatamente, esticando a mão direita para alcançar o jaleco enquanto a outra abria a porta do motorista. Ao se aproximar do veículo acidentado ouviu uma correria vindo de dentro do posto.

— Lorena! — Era Zé Maria que vinha ao seu encontro com mais dois enfermeiros e uma maca. — Eu ouvi o barulho. Você tá bem?

A morena fez que sim com a cabeça. Dos seus 28 anos de idade, 3 deles haviam sido destinados àquele lugar. Os acidentes e os tiros já não lhe surpreendiam mais, sabia que cada segundo que passava estando assustada, era um segundo a menos pensando em como salvar uma vida. E apesar de sua família nunca ter entendido exatamente o porquê dela fazer questão de trabalhar na chacrinha, Lorena se esforçou muito para ganhar o respeito e a admiração das pessoas daquele lugar.

Ela abriu a porta do passageiro da viatura e havia apenas uma pessoa dentro do carro. Uma garota ruiva, provavelmente da sua idade, não era quem Lorena esperava encontrar ali, apesar da roupa tática e distintivo indicarem exatamente quem ela aparentava ser.

— Levem ela pra dentro. — Lorena disse aos enfermeiros, que com a ajuda de Zé Maria, retiraram a garota desacordada de dentro do carro.

Os olhares curiosos das pessoas de dentro das suas casas e do posto de saúde já era de se esperar, mas Lorena não teve tempo de acalmar os ânimos de ninguém, a garota na maca estava com um corte profundo na cabeça, a mão esquerda cheia de pequenos fragmentos de vidro e pálida o suficiente para deixar a médica preocupada. Sem contar no fato de que ela ainda continuava inconsciente mesmo depois de quase 7 minutos da batida, mesmo com todos checando seus sinais vitais.

— A pressão tá baixa e o pulso fraco. — Zé Maria anunciou. — É melhor chamar ambulância.

Lorena concordou sem questionar enquanto procurava qualquer coisa que pudesse identificar a policial.

— Eu vou com ela. Você toma conta de tudo? — Ela perguntou para o amigo e ele apenas disse que sim com a cabeça, já sabendo que teria que dar explicações tanto para a polícia quanto para Bagdá.

Não demorou muito para o SAMU chegar e Lorena entrou na parte de trás da ambulância já explicando a situação ao paramédico e eles seguiram para o hospital mais próximo. Ela havia recuperado o celular de dentro da viatura acidentada, mas o aparelho precisava de uma senha para destravar e tudo que Lorena havia encontrado nos bolsos da policial era sua carteira. Sabia o nome, a idade e a filiação da garota, sua profissão e em qual banco ela tinha conta, mas nenhuma outra informação que pudesse ajudar a entrar em contato com um parente.

Ela mandou uma mensagem para o Zé Maria dando o endereço do hospital, dizendo que se alguém procurasse por alguma Eduarda Fragoso, era para se dirigir até àquele local.

Durante a viagem, a garota acordou e Lorena não pensou duas vezes em tentar explicar que ela sofreu um acidente e que estava a caminho do hospital, mas ela parecia um tanto quanto fora de si.

— Você é um anjo? — A garota perguntou sem ter assimilado nada que a médica disse, os olhos castanhos desfocados e entreabertos.

Os paramédicos, que haviam estabilizado seus sinais vitais, deram uma pequena risada que Lorena ignorou, rezando mentalmente para que o leve constrangimento não fosse denunciado pelas suas bochechas.

— Você tá machucada. Fica quietinha, tá?

— Tá bom.

Eduarda fechou os olhos novamente, mas agora Lorena sabia que já era o soro fazendo efeito.

A médica ficou na sala de espera segurando os pertences da garota, aguardando que algum conhecido ligasse para o celular dela e ela pudesse explicar o que havia acontecido, enquanto mandava mensagens para Zé Maria pedindo atualizações sobre a situação na chacrinha. Infelizmente, tudo havia piorado.

O que era uma perseguição policial se tornou um confronto intenso. Os homens de Bagdá haviam descido o morro logo depois que Lorena saiu e encontraram os policiais militares que agora subiam as ruas e vielas para prender os traficantes que fugiram. Muitas balas perdidas e pessoas apavoradas, outros tantos feridos entre policiais e moradores e agora as ruas estavam tomadas por carros de polícia e ninguém saía de casa. Os próprios funcionários do posto estavam presos lá sem saber até quando.

Lorena apenas reforçou para que o amigo tomasse cuidado e só saísse quando estivesse seguro.

Cerca de duas horas depois, a médica foi chamada para o quarto onde a policial estava. A médica responsável pelo atendimento explicou que Eduarda havia sofrido uma leve concussão, mas também havia fraturado o punho e precisaria ficar pelo menos duas semanas em casa. Lorena ouviu tudo atentamente, pronta para repassar as informações a qualquer conhecido que aparecesse ou à própria policial quando ela acordasse, o problema é que ninguém havia procurado a garota e ela ainda continuava dormindo e a morena não tinha coragem de simplesmente ir embora e deixar uma pessoa sozinha, sem ter noção  do que havia acontecido, mesmo sendo alguém que ela nunca havia visto antes.

Mais uma hora se passou até que a garota começou a acordar e se sentou na cama. Ela parecia mais consciente e fora de seu colete e distintivo, parecia ainda mais frágil do que quando Lorena a viu desmaiada numa maca, os cabelos ruivos não estavam mais manchados de sangue e os olhos castanhos não pareciam tão perdidos quanto antes.

A médica se levantou da poltrona que estava e foi até ela com passos cautelosos.

— Se sente melhor? — Ela perguntou com a voz firme, mas suave e assistiu a policial tomar um pequeno susto, provavelmente imaginando que estivesse sozinha.

— Parece que um trator passou por cima de mim. — A ruiva disse levando a mão enfaixada até o curativo na cabeça.

— Na verdade, foi um poste de luz. Um trator teria sido bem mais grave.

Eduarda riu sem humor algum, ainda avaliando os ferimentos. Lorena pôde perceber que havia um certo desconforto ao respirar, provavelmente hematomas por todo o torso devido ao solavanco do cinto de segurança.

— O que aconteceu?

— Você bateu com o carro durante uma perseguição.

A ruiva apenas assentiu.

— E eu ainda vou demorar pra sair daqui? 

— Isso eu não sei dizer. Vai ter que perguntar para sua médica. — Lorena respondeu e imediatamente notou o olhar confuso da policial, o jaleco branco que estava sobre seu ombro possivelmente sendo o motivo da confusão. Então, tratou logo de explicar. — Me chamo Lorena, eu sou médica da chacrinha, não trabalho aqui. Só vim com você na ambulância.

Eduarda então arregalou um pouco os olhos surpresa, mas continuou quieta e pensativa. Até que…

— Eduarda. — Ela disse se apresentando e levantando a mão como se fosse uma chamada escolar, mas Lorena já sabia seu nome. — Eu não lembro de nada do acidente. É normal?

Lorena sorriu em simpatia, se aproximando mais ainda e colocando o celular e a carteira da policial sobre os lençóis da cama.

— É sim, mas não se preocupe com isso agora, é melhor você descansar.

A ruiva concordou sem questionar e voltou a se acomodar para deitar enquanto Lorena se encaminhava para a porta do quarto.

— Você vai me deixar aqui sozinha? — A voz de repente delicada demais fez Lorena parar. Eduarda estava sentada de novo, aparentando ter bem menos a idade que tinha. Foi impossível não prender a respiração, mesmo que a médica não soubesse o porquê.

— Não, eu só vou avisar que você acordou. Eu fico com você até algum parente seu chegar.

Lorena teve a impressão de ter visto um suspiro de alívio.

Quando voltou para o quarto com uma porção de pão de queijo e um café que comprou na lanchonete, Eduarda já havia recebido todas as orientações da médica e falava no celular, mas a conversa terminou antes mesmo de Lorena conseguir identificar quem era.

— Conseguiu falar com seus pais? — Ela perguntou já se acomodando novamente na poltrona.

Eduarda explicou que sua mãe estava fora do país, o pai estava em Brasília e não  tinha nenhum outro parente na cidade, mas seu parceiro da delegacia já sabia do acontecido e estava a caminho. Lorena questionou se o tal parceiro era confiável e a policial riu, garantindo que poderia apostar a própria vida nas mãos do amigo, que era seguro. 

— Obrigada por ter me ajudado e resgatado as minhas coisas também. — Eduarda agradeceu sincera e foi a vez de Lorena sorrir.

— É o meu trabalho. — Tentou tirar por menos, apontando para o jaleco branco.

— Também faz parte das suas atribuições acompanhar os pacientes pessoalmente durante horas? — A policial perguntou com os olhos semicerrados e uma expressão que lembrou Lorena das crianças da chacrinha.

Foi impossível não sorrir mais ainda.

— Não. Mas isso é regra do código das garotas.

— Código das garotas?

— É. Aquele que diz que a gente não deixa uma garota sozinha pra trás, mesmo ela sendo uma policial.

A ruiva riu e Lorena só conseguiu acompanhar o som com a própria risada.

— Então deixa eu te agradecer pelo menos. Um café, quem sabe?

Lorena olhou desconfiada e percebeu um fio de segundas intenções naquele convite, talvez devido a interação durante o transporte na ambulância ou o fato de Eduarda ter feito a pergunta enquanto olhava a médica dos pés à cabeça. De qualquer maneira, Lorena já conhecia muito bem aquele tipo, rosto bonito, sorriso fácil e uma autoconfiança que beirava a cara de pau, mas não podia negar que a garota  era extremamente bonita.

Estava ponderando a oferta mesmo que fosse só uma coisa casual com circunstâncias inusitadas, quando a porta do quarto abriu e um homem entrou claramente nervoso.

— Juquinha?! Meu Deus, Juquinha, como você tá? Tá tudo bem? Tá Muito machucada?

Lorena teve que se segurar para não rir com o homem, Paulinho, sem saber o que fazer, enquanto Eduarda tentava acalmar o amigo, explicando que não havia acontecido nada grave.

 A médica pegou suas coisas discretamente e já estava quase saindo do quarto quando ouviu a ruiva chamar seu nome e o outro policial iniciar uma ligação de vídeo com alguém, ainda bastante nervoso.

— Lorena, espera! E o café?

A médica sorriu apenas de canto, segurando a maçaneta. 

— Eu aceito, mas só quando você estiver melhor.

Eduarda abriu um sorriso. Os olhos brilhando tanto quanto a luz branca do ambiente.

— E como eu vou te encontrar?

— Você não é policial? — A médica disse abrindo a porta e dando um passo para fora. — Descobre rapidinho.

Ela não ficou para esperar uma reação, saiu do quarto e fechou a porta sem dar a chance para resposta, mas tendo certeza que se aquela proposta fosse apenas fogo de palha, a policial não se daria o trabalho de procurá-la. Mas se ela procurasse… se ela procurasse então, quem sabe arriscar conhecer aquela garota talvez valesse a pena.

Passando pela recepção e imaginando que voltaria para casa usando carro de aplicativo, já que provavelmente só veria seu carro no dia seguinte, Lorena teve outra surpresa ao ver Maggye, com o namorado Junior e Gerluce, os três sentados próximos à saída.

— Amiga? O que você tá fazendo aqui? — A filha de Kasper e João Rubens perguntou quando viu a médica se aproximar.

As duas se conheciam há anos, inclusive foi ela que apresentou Junior para amiga quando ela teve problemas com os computadores da galeria de artes. Lorena conhecia ele e Gerluce desde que começou a trabalhar no posto da chacrinha. Junior quase sempre acompanhava o pai na consulta e Gerluce também aparecia lá de vez em quando com a mãe ou a filha.

— O acidente que aconteceu na frente do posto de saúde. Eu trouxe a policial ferida até aqui.

— Espera. — Gerluce interferiu. — Foi você quem socorreu a Juquinha?

Lorena pareceu meio perdida. Mas foi assim que o policial havia chamado a outra garota, não? 

— Vocês conhecem a Eduarda?

Eles conheciam. Eduarda era investigadora, além de amiga e parceira de Paulinho, o cara com quem Gerluce estava saindo havia algumas semanas. Eles eram da delegacia da Aclimação, porém, Eduarda havia sido designada para ajudar com uma investigação na chacrinha, mas acabou dando tudo errado e aconteceu o que aconteceu. Segundo Gerluce, o Delegado responsável e superior dos dois estava furioso e cabeças iriam rolar, tudo porque colocaram uma policial da delegacia dele em perigo e ninguém sabia onde ela estava até uma hora atrás.

— Era ela quem a gente ia te apresentar nesse final de semana, lembra? 

Maggye explicou, o que deixou Lorena ainda mais surpresa. A amiga e Junior haviam falado de uma amiga de um amigo de Gerluce, que ela insistia que a médica ia adorar conhecer. Lorena só aceitou sair com eles e encontrar a tal garota para fazer Maggye parar de tentar arrumar encontros pra ela, mas parece que o acaso quis que elas se encontrassem, não importava como. Ele pareceu saber que, no último minuto, Lorena ia inventar uma desculpa qualquer e ficar em casa e tratou de colocar a policial no seu caminho de uma maneira nem um pouco sutil.

Lorena se despediu dos três e ao entrar em casa e dar oi para a mãe e tranquilizá-la depois de confirmar que não estava na chacrinha durante a confusão, foi tomar um banho para se preparar para o jantar. Ao sair do banheiro, notou o celular apitando com algumas notificações de mensagens.

Era Zé Maria, avisando que estavam todos bem e já estava em casa e que no dia seguinte Lorena poderia ir buscar seu carro, mas que o posto de saúde não iria funcionar porque haveria uma perícia no local. Mas antes que pudesse deixar o aparelho de lado e ir comer, recebeu outra mensagem, agora de um número desconhecido.

Lorena? É a Eduarda, do hospital.

A Maggye me deu seu número. Ela também disse que era pra gente supostamente se encontrar no próximo sábado…

Mas já que você aceitou tomar um café comigo, isso significa que a gente tem dois encontros, né? :) 

A médica sacudiu a cabeça desacreditada mas ainda assim bem humorada com o típico papinho e a ousadia da policial. Mas que mal poderia ter em se deixar levar um pouco só dessa vez?

✩₊˚.⋆☾⋆⁺₊✧✩₊˚.⋆☾⋆⁺₊✧✩₊˚.⋆☾⋆⁺₊✧✩₊˚.⋆☾⋆⁺₊✧✩₊˚.⋆☾⋆⁺₊✧

O problema é que não foi só uma vez. Nem duas, nem três. 

Eduarda era encantadora e carinhosa, atenciosa e fazia Lorena sentir como se fosse a única mulher interessante naquela cidade inteira e por mais que a médica tentasse resistir por quase um mês com desculpas de plantões e emergências repentinas, foi impossível não acabar na cama com a ruiva que olhava para ela sem parecer enxergar ninguém mais.

Maggye garantiu que Eduarda, apesar de experiente, era confiável e se Lorena fosse sincera, a ruiva nunca havia dado nenhum sinal de dúvida de seu interesse exclusivo nela. Os cafés entregues no posto de saúde sem que ela sequer pedisse, era um indício; já as flores e chocolates eram quase uma confirmação, que só se concretizou quando a policial começou a se deslocar de um bairro para outro só para que as duas pudessem almoçar juntas.

Por essa razão, Lorena aceitou jantar na casa de Eduarda, aceitou tomar vinho, e quando foi levada para o quarto, se sentou no colo da policial, com os joelhos apoiados no colchão, enquanto sentia a palma das mãos macias subirem por suas coxas. Lorena começou a desabotoar a camisa, parando o beijo somente para deixar a peça de roupa cair pelo seu tronco e ser esquecida em algum lugar do chão.

— Você é um anjo. — Eduarda disse olhando toda a pele exposta que a médica mostrava, mas tudo que Lorena conseguiu foi começar a rir. — O que foi? Falei alguma besteira? 

— Não — a médica respondeu ainda sorrindo, antes de assegurar aos olhos castanhos que não havia nada de errado com um beijinho, seus polegares acariciando cada canto da boca da policial com um carinho íntimo. — É só que você disse a mesma coisa quando me viu pela primeira vez.

Eduarda se afastou só o suficiente para olhar para Lorena. 

— Eu não lembro disso. — A ruiva protestou.

— Você tinha acabado de acordar na ambulância. Ainda tava com os parafusos fora do lugar. — Lorena observou a outra garota olhar para ela desconfiada, sem saber ao certo se a médica estava brincando com ela ou não e deu mais um beijo, dessa vez no canto esquerdo da sua boca, já aproveitando a oportunidade para deixar outro na curva da mandíbula e sussurrar no seu ouvido. — Pelo menos agora eu sei que você foi sincera.

A médica então sentiu as mãos de Eduarda segurarem firme sua cintura e deslocá-la de modo que agora ela estava de costas na cama, a policial em cima dela, se livrando da própria blusa e prometendo mostrar para Lorena o quanto aquele elogio era a mais pura verdade. 

Notes:

Obrigado por ter lido!
Comentários são sempre bem vindos!

Series this work belongs to: