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Lá Fora

Summary:

Clockwork leva Danny para uma excursão fora da cidade... E fora deste mundo.

Notes:

Chapter Text

​Danny murmurava irritado consigo mesmo em latim enquanto enrolava a gaze ao redor do braço. Sam e Tucker estavam fora da cidade em viagens de família para o feriado prolongado, e os fantasmas não estavam dando trégua. Estúpido Skulker. Estúpido Technus. Estúpido pelicano fantasma gigante.

​A gaze escorregou por seus dedos. Ele fechou a cara para ela. Normalmente, Danny teria pedido ajuda para Jazz, mas seus pais estavam testando um novo sistema de segurança antifantasma. Ele conseguiria evitá-lo se estivesse na forma humana, já que sua ecto-assinatura como humano caía abaixo do limite de detecção, mas ele não queria se transformar antes de dar um jeito naquilo. Precisava de mais tempo para se curar.

​Além disso, seus pais definitivamente notariam o sangue jorrando se ele voltasse para casa sem estancá-lo. Eles eram distraídos, mas nem tanto.

​No momento, ele estava empoleirado em uma árvore a várias ruas de distância da FentonWorks, sua cauda fantasmagórica enrolada com firmeza ao redor do galho abaixo de si, tentando, e falhando, cuidar de seus ferimentos com uma mão só. Ele quase tinha conseguido cuidar do corte profundo no braço, mas continuava deixando a gaze cair.

​Danny ofegou, então exalou uma pluma de vapor. Ele ergueu o olhar, ansioso. Era uma ecto-assinatura que ele reconhecia. Um amigo.

​— Vovô?

​— Eu estou aqui — disse Clockwork.

​Danny deu um sobressalto e quase caiu do galho. Então ele se virou, abrindo um sorriso radiante, e abraçou o fantasma mais velho.

​— Por que você está aqui? — ele perguntou. — Como você está? O que está acontecendo?

​— Por vários motivos — respondeu Clockwork, calmamente. — Eu estou bem, obrigado. Posso ver o seu braço?

​— Ah! — disse Danny. — Hum, claro. Você não precisa...

​— Talvez não — disse Clockwork, consertando os curativos desleixados de Danny. — Mas eu quero.

​Ele amarrou as pontas da atadura com um nó caprichado e deu um tapinha no ombro de Danny. O velho fantasma então esperou pacientemente enquanto Danny vestia novamente a metade superior de seu traje, puxando o zíper até o topo da gola antes de pegar suas luvas de onde as havia enfiado no cinto.

​— Então... — começou Danny. — Qual é a novidade?

​— Há um paradoxo que preciso resolver pessoalmente — disse Clockwork. — Eu gostaria que você viesse comigo, mas você não é obrigado se não quiser.

​— Eu quero — disse Danny.

​Clockwork sorriu e mudou para a sua forma mais jovem.

​— Néftis também pediu para pegar você emprestado quando terminarmos.

​— Tudo bem — disse Danny. — Claro. — Ele não conhecia Néftis direito, mas não desgostava dela. — Para onde nós vamos?

​— É uma surpresa — disse Clockwork —, mas acho que você vai gostar. — Ele fez uma pausa. — Há uma coisa que preciso avisar — disse ele, com um tom de alerta na voz. — Você não deve voltar à forma humana enquanto estivermos lá. Você deve permanecer como fantasma. Entendeu?

​— Sim — disse Danny, após um momento processando a informação.

​Ele se perguntou para onde poderiam estar indo. Para debaixo d'água, talvez? Ou quem sabe para um assentamento de fantasmas que realmente não gostavam de híbridos ou humanos? Em qualquer dos casos, seria interessante. Ele só precisava tomar cuidado.

​— Você sabe para que a Lady Néftis me quer?

​— Ela não disse. Acredito que ela goste de ser misteriosa quase tanto quanto eu.

​Danny desenrolou a cauda do galho, reformando suas pernas para balançá-las no ar.

​— Eu não acho que alguém consiga gostar tanto de ser misterioso quanto você — ele disse. — Quando nós vamos?

​Clockwork sorriu, ondulações percorrendo seu corpo ao mudar para sua forma de meia-idade, com ombros largos.

​— Agora seria o ideal — disse ele, flutuando para cima, saindo do galho e da árvore.

​— Por mim, tudo bem — disse Danny, seguindo-o.

​Quando já estavam a uma boa distância acima de Amity Park, alto o suficiente para haver um leve calafrio no ar, Clockwork parou, com Danny ao seu lado. Clockwork se posicionou atrás de Danny, envolvendo seu manto parcialmente ao redor dele. Danny deu uma risadinha.

​— Pronto? — perguntou Clockwork, em um tom brincalhão.

​— Pronto — respondeu Danny, inclinando a cabeça para trás para sorrir para Clockwork.

​Com um movimento de seu cajado, Clockwork abriu um de seus portais azuis, e os dois passaram por ele.

​


 

​Levou vários minutos para Danny processar o que estava vendo e sentindo.

​Ele não estava respirando. Sendo mais exato, ele não conseguia respirar. Seu fôlego havia escapado com um baque surdo no momento em que atravessaram o portal. Ainda assim, Danny já havia passado longos períodos sem respirar quando era Phantom. Não respirar enquanto estava na forma fantasma era normal.

​Um pouco mais estranha era a sensação peculiar e efervescente na superfície de sua pele. Parecia um pouco como se houvesse bolhas por toda parte, como se ele tivesse sido carbonatado, ou como se tivesse mergulhado em uma piscina do jeito perfeito. Ou como quando ele tinha ido para o espaço para lutar contra Technus.

​Ah.

​Isso fazia o que ele estava vendo ter muito mais sentido.

​Uma extensão cinza-escura, irregular e esburacada se esticava sob um céu de breu. Dezenas de estrelas o encaravam de volta, sem piscar. Sobre o horizonte pairava uma lasca fina como uma unha — não, fina como uma navalha —, uma fita azul e branca, uma curva delicada. Aquela era a Terra. Se ele já não estivesse sem fôlego...

​Ele ergueu o olhar para Clockwork, com os olhos arregalados. Clockwork retribuiu com um sorriso indulgente e bagunçou seu cabelo.

​Um sorriso lento surgiu no rosto de Danny em resposta. Aquela era a Lua. Ele estava na Lua.

​Clockwork deslizou para longe, e Danny se lembrou de que ele os havia trazido até ali para que pudesse trabalhar em um paradoxo. Danny se manteve perto dele. Por mais que quisesse explorar, por mais que quisesse saltar de um lugar para outro e enfiar rochas lunares (rochas lunares!) nos bolsos, ele estava um pouco nervoso.

​Eles chegaram a um ponto no centro de uma pequena cratera onde havia... alguma coisa. Fosse o que fosse, aquilo brincava nos limites dos sentidos de Danny, e ele hesitou, ficando para trás, mesmo quando Clockwork voou para mais perto. Clockwork lançou um olhar por cima do ombro e fez um gesto que Danny interpretou como um “divirta-se”.

​Danny piscou, então sorriu e assentiu com a cabeça. Se Clockwork não achava que ele se meteria em problemas, provavelmente ficaria tudo bem, e ele realmente, realmente queria dar uma olhada ao redor.

​Ele queria pegar umas rochas lunares.