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Agulha, linha & alianças

Summary:

É o casamento da sua mãe, Joui não poderia estar mais feliz. Ser padrinho é uma honra muito grande para alguém como ele, mas provavelmente ele vai dar um jeito de estragar tudo, porque o maldito botão do terno caiu, o broche do paletó sumiu e o sapato esquerdo está machucando seu pé.

Ah, e ele provavelmente perdeu as alianças.

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| Dia 9: Seamstress AU | Prompt Challenge |

Notes:

Esse é bem curtinho e mais bobo, por que a ideia original era definitivamente muito mais complicada e envolvia um universo alternativo de fantasia sombria e eu tô tão cansado que não consegui desenvolver perdão a todos 😭

Não tem nenhum gatilho, estou desconsiderando os eventos do final de O segredo na floresta para escrever com o futuro dos Lizago que eles nunca viveram (💔)

aproveitem okei!

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

No fundo, Joui conseguia ouvir Arthur reclamando baixinho sobre as flores da decoração do salão que aparentemente faziam o nariz dele coçar muito. Verissimo, que de algum jeito tinha conseguido tempo para comparecer ao casamento, o ouvia com a expressão neutra de sempre.

 

A cerimônia começaria em alguns minutos, o que significava que Dante já estava lá fora, absurdamente pontual como sua função de cerimonialista exigia. E quase todo mundo estava esperando fora do camarim dos padrinhos, com exceção dele mesmo e de Ivete que estava saindo agora depois disso últimos ajustes no vestido.

 

Do lado de fora, ele conseguia ouvir também Erin conversando alto demais, sobre como os vestidos azuis ficaram lindos e como estava animada para experimentar os docinhos da festa.

 

A cerimônia não estava sendo feita em uma igreja, porque nenhum dos noivos realmente fizeram questão. No lugar, alugaram uma antiga casa da época barroca — tinha muitos quartos grandes no andar superior, um salão principal reservado para cerimônia e um jardim belíssimo onde seria a festa depois.

 

O japonês, no entanto, não estava nada feliz.

 

Ele se encontrava engatinhando pelo chão no terno caro, resmungando de nervosismo enquanto procurava o broche prateado que ia no paletó de todos os padrinhos que definitivamente não era pequeno mas ele já estava assim a dez minutos e não tinha encontrado.

 

— Jou? Cê tá por aqui? — chamou Kaiser entrando de fininho na sala, o que fez o japonês se afobar e bater a cabeça debaixo da penteadeira quando tentou se levantar — Eu te procurei em todo canto!

 

— Ai, ai, merda, tô aqui…

 

Joui se sentou no chão, as mãos protegendo o topo da cabeça onde ele tomou a pancada e certamente nasceria um galo em algumas horas.

 

— No chão? Joui, por que cê tá no chão? Já é quase hora de formar posição nas laterais pra entrar…

 

O homem mais velho entrou, fechando a porta atrás de si. Se aproximou do japonês com uma expressão confusa e se abaixou apenas para ajudar ele a se levantar.

 

— Eu sei! Esse é o problema! Eu perdi meu broche de florzinhas azuis de prata, não acho em lugar nenhum, vai ser um desastre… Kai, eu não posso estragar tudo!

 

— Ei. — Kaiser interrompeu, sorrindo devagar — Relaxa. Você não vai estragar nada, é só um broche. 

 

Joui queria reclamar, gritar, mas não adiantaria nada gritar com o namorado, por que não ia resolver o problema e ele ia se sentir mal depois. Mas ser o único padrinho diferente? Liz ia odiá-lo por isso, e Thiago ia olhar feio, e o padre ia ficar irritado e imagina a organizadora da festa? Carina tinha dado tudo de si, isso com certeza ia a deixar furiosa e-

 

— …Joui! Ainda tá entre nós?

 

— Hã, sim, desculpa é que.. Eu não quero decepcionar eles, Kai, você não entende…

 

Ele esfregou o rosto com força antes de se virar na direção do outro, que estava mexendo nas gavetas da penteadeira um pouco indiferente ao surto interno dele.

 

— Entendo sim, mas olha só… — ele se virou com um sorriso, segurando um pequeno porta jóias — O pessoal da organização pensou em tudo. Tem uns broches extras aqui.

 

Joui piscou, se aproximando. Ele quase chorou de emoção quando o namorado finalmente colocou o broche no lugar.

 

— Eu já te disse que você é o melhor namorado do mundo?

 

Kaiser riu, dando um beijo suave e carinhoso na cicatriz da bochecha do asiático.

 

— Você é um bobo. — ele revirou os olhos, ajeitando o paletó e batendo a poeira das roupas do amado, que a conseguiu depois de ficar andando de joelhos pelo chao pra lá e pra cá antes — Mas vamos antes que- Ah.

 

— O que? O que foi?

 

Joui olhou para baixo, seguindo o olhar sério de Kaiser até a gola do paletó. Os dedos do programador se moveram cuidadosamente pela costura, parando para cutucar um espaço vazio onde deveria haver um botão. O resto da linha ainda estava lá, meio mastigada, como se o botão tivesse ficado preso em algum lugar antes de ser arrancado.

 

Felizmente, o tecido não tinha rasgado, só a linha, mas era algo definitivamente mais chamativo do que a simples falta de um broche.

 

— Kaiser… Eu sou um péssimo padrinho. — ele murmurou, uma gotinha de suor escorrendo pelo rosto — É oficial, eu não consigo nem manter os botões da roupa no lugar… 

 

Nervoso demais para ficar em pé, ele se sentou no banquinho da penteadeira. O barulho dos convidados se acomodando lá fora multiplicou a ansiedade no seu peito.

 

— Isso acontece com todo mundo Jou, para de se cobrar por algo tão- 

 

O programador se interrompeu. A verdade era que fazer pouco das preocupações do namorado não ia ajudar ninguém. Só porque para ele aquilo era uma grande bobagem, para Joui era importante. E isso era o suficiente para que ele soubesse que devia se importar e levar a sério.

 

— Fica aí. — ele pediu, apontando o dedo para o asiático trêmulo na frente do espelho — Eu já volto, não sai daí.

 

Joui se sentiu uma criança deixada na fila do mercado enquanto a mãe ia buscar alguma coisa que esqueceu. Mas pelo bem da sua sanidade frágil, Kaiser não demorou a voltar — em pouco menos de cinco minutos ele voltou, com uma caixinha pequena em mãos.

 

Em silêncio, ele ligou a lanterna do celular e perambulou perto do banheiro do quarto que estava sendo usado de camarim, com calma. Em pouco tempo ele voltou com o botão perdido e se sentou na cama.

 

— …Isso não é justo. Você é muito bom procurando as coisas… 

 

— Deixa de bobagem. Vem cá. Senta aqui. — o programador pediu, dando tapinhas no lado vazio do colchão — Você perde a calma quando tá procurando coisas, só isso.

 

Joui deu de ombros, mas decidiu não questionar. Quando se acomodou ali, curiosamente espiou a caixinha que Kaiser trouxe — ele abriu, revelando pequenas bobinas de linha, meia dúzia de alfinetes, uma agulha fina e uma pequena tesoura prateada.

 

— Onde você conseguiu isso?

 

— Com a Beatrice. Lá no camarim feminino. — ele murmurou devagar, muito concentrado em passar a linha pela agulha — Elas precisaram ajustar de última hora alguns dos vestidos.

 

Sem muito esforço, o mais velho cortou a linha e deu um nó em uma das pontas antes de posicionar o botão de volta no lugar. Joui inclinou a cabeça, curioso.

 

— Eu não sabia que você sabia costurar.

 

— Hum, eu sei um pouco. — ele respondeu, sem tirar os olhos do que estava fazendo — Minha mãe era muito boa costurando.

 

— Sua mãezinha? Você não tinha me dito nada sobre isso…

 

— Não era importante. — ele deu de ombros, evitando o assunto enquanto terminava o último ponto no botão e cortava a linha com o dente.

 

— Você até corta a linha como se fosse natural, não é só um pouco! 

 

— Sorte a sua então, ne? — o rapaz deu um risinho convencido antes de guardar a agulha no pequeno conjunto de costura — Caso contrário, você estaria entrando lá com o paleto meio aberto igual um idoota.

 

Joui sorriu, encostando o nariz no dele enquanto ria, um sentimento bom flprescendo no peito. Seus labios se aproximaram quase o suficiente para tocar, quando Arthur os interrompeu e abriu um pouco a porta.

— Venham, seus dois idiotas. Já vamos começar! 

 

Com vergonha de ter sido interrompido, o programador se levantou abuptamnete, deixando joui alguns passos atras, sentado na cama com um biquinho idiota igual o de um peixe.

 

— Vamos. Não esquece as alianças, Jojo. — Arthur brincou rindo dos dois, e então fechou a porta — Ou a Liz vai matar você.

 

Kiaser riu, mas não foi longe. Um aperto dolorosamente firme o impediu de sair do quarto.

 

Joui estava pálido, com os olhos arregalados e a outra mão revirando o bolso da calça até puxar o forro de cetim para fora.

 

— A Liz vai me matar! Eu perdi as alianças — ele surtou, meio rindo meio chorando de nervosismo enquanto buscava as alianças no outro bolso — Kaiser eu vou surtar, eu-

 

— Joui. — Kaiser murmurou, com calma ao segurar ambas as mãos do namorado — Respira fundo.

 

— Não! Não me manda respirar fundo quando eu só tinha UM trabalho.

 

— E foi muito bom nele.

 

A expressão de Joui mudou de em pânico, para confusa e depois para ofendida, mas o outro sorriu e levou uma das mãos do japonês até as costelas, sobre o bolso interno do paletó. Quando sentiu a caixinha das alianças ali, riu de si mesmo e deixou os ombros caírem ao finalmente conseguir relaxar.

 

— Me perdoa por surtar?

 

O de cabelos compridos o puxou pela mão, o trazendo apressadamente para fora.

 

— Depois da cerimônia eu penso nisso e te falo, tá?

 

— Você é mau. 

 

Joui riu, apressando o passo atrás dele. 

 

— Eu não, você é que já está quase chorando. — Kaiser sussurrou, observando o primeiro par de padrinhos subir. Balu, todo educado, segurava a mão de Ivete sem esconder o sorriso alegre enquanto eles subiam.

 

— Eu sempre fico emotivo em casamentos, Kai. Principalmente quando é das pessoas que eu mais amo nesse mundo. Minha familia. — ele sussurrou de volta e Kaiser sorriu, dando um rápido beijo na bochecha dele.

 

Os dois ficaram lado a lado, logo atrás da Erin e da Beatrice que estavam de mãos dadas, exibindo suas lindas alianças. Não fazia muito tempo que as duas tinham se casado e ele não poderia estar mais feliz pelas duas amigas.

 

Talvez algum dia fosse a vez deles, mas por enquanto, isso não importava.

 

Porque Thiago estava se segurando para não chorar, e agora a música de entrada tocava enquanto a Liz sorria ao entrar sozinha e confiante, simplesmente radiante, para o seu primeiro dia feliz de muitos outros que certamente viriam.

 

As testemunhas, Verissimo e Arthur, eram um o completo oposto do outro. Durante a troca dos votos, Arthur chorou sem parar, enquanto Verissimo enxugou uma única lágrima perdida, relembrando de uma pessoa querida que infelizmente nunca poderia ver aquilo.

 

Joui não conseguiu evitar de derramar algumas lágrimas contidas ao assistir a troca de alianças.

 

Seus pais sorriam para ele e mais lágrimas cairam, sua felicidade incapaz de ser contida.

 

Discretamente, seu amado segurou sua mão um pouco mais forte.

Notes:

quem não gostou morra /jk

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