Work Text:
Danny esfregou o peito enquanto seu cerne começava a vibrar. Ele já tinha notado isso acontecendo antes, mas não fazia ideia do porquê. Não parecia haver um padrão claro de quando ou onde aquilo começava. Exceto pelo fato de que ele geralmente estava relaxado quando acontecia.
Ele estava relaxado agora?
Danny olhou para Clockwork. Descontando a vez em que foi encolhido (e seu cerne tinha ficado vibrando intermitentemente naquela época também), aquela era a primeira vez que ele estava apenas... meio que... curtindo um tempo com o fantasma mais velho sem ter mais nada acontecendo, mesmo que estivesse fazendo tarefas para ele há algum tempo. Mas, desta vez, Clockwork o tinha convidado para ficar e “assistir a uma ocorrência interessante em uma linha do tempo alternativa” com ele.
Deveria ser seguro fazer perguntas a ele, não deveria? Ele não consideraria isso uma exploração da boa vontade de Danny, consideraria?
— Daniel — disse Clockwork.
Danny deu um pulo, quase se jogando por cima do braço do sofá.
— Você pode me fazer perguntas. Eu o avisarei se for algo que eu não possa responder, mas não ficarei chateado com a sua curiosidade. É algo natural.
— Ah — disse Danny. — Hum, obrigado.
Ele esfregou o peito. As vibrações tinham parado quando ele se assustou, mas já estavam começando de novo, acompanhadas por uma vontade muito estranha de se aninhar ao lado de Clockwork, que, no momento, estava na forma de uma criança pequena.
Ele tinha sentido impulsos semelhantes quando foi encolhido, mas tinha praticamente ignorado aquilo como um efeito colateral de ter diminuído de tamanho. Aparentemente, aquele não era o caso.
— Bom — disse Danny, hesitando, porque estava prestes a fazer uma pergunta sobre seu corpo e suas mudanças, e desde o ensino fundamental, basicamente todas as respostas para perguntas como aquela tinham sido terrivelmente constrangedoras. — É normal para cernes fantasmas, hum... vibrar?
— Sim, o ronronar é algo bastante normal — disse Clockwork.
Ele estava certo, era constrangedor.
— Ronronar? — perguntou Danny.
— Ronronar — concordou Clockwork. — Pelo menos, esse é o termo usado na sua língua com mais frequência. Existem outros nomes para o fenômeno em várias línguas fantasmas.
Certo. Aquilo era ligeiramente menos embaraçoso.
— Embora, os fantasmas tendam a ronronar pelos mesmos motivos atribuídos aos gatos — continuou Clockwork.
Danny enterrou o rosto nas mãos, bastante certo de que estava ficando vermelho.
Ele nunca contaria aquilo para seus amigos.
(Eles descobriram de qualquer maneira.)
