Work Text:
— Aii — resmungou Danny, acomodando-se no sofá entre Sam e Tucker, com a garrafa térmica presa entre as mãos.
— Você está machucado? — perguntou Sam, com a mão a meio caminho da pipoca que havia abandonado quando o Sentido Fantasma de Danny disparou.
— Eu estou bem. Ele só me pegou de raspão com aquela espada nova no final, foi só isso.
— Cara, isso não é estar bem — disse Tucker. — Onde? Eu não estou vendo nada. Talvez você possa diminuir um pouco o seu borrão.
— Não, não, não tem nada que vocês possam fazer sobre isso. Ele só cortou um pedaço da minha aura, só isso. — Danny se encolheu de volta no sofá, ainda na forma fantasma. — Vai crescer de novo.
— Espera — disse Sam, ainda paralisada. — Como assim, cortou um pedaço da sua aura? A sua aura é feita de luz. Como ele pode cortar um pedaço dela?
— Ah — disse Danny, piscando os olhos. — Quer dizer que vocês não tinham percebido? — Ele certamente havia mencionado aquilo em algum momento, caso eles não tivessem notado.
— Percebido o quê? — perguntou Tucker. Diferente de Sam, ele havia decidido que Danny não devia estar tão machucado assim e agora mastigava o pacote de salgadinhos que tinha largado mais cedo.
— Do que as auras são feitas. Vejam bem, vocês já repararam que eu fico embaçado quando a minha aura está muito brilhante, não é? — Ele estendeu o braço. — Um segundo, deixem-me ver se consigo tornar isso mais tangível. — Ele franziu a testa, concentrado. — Pronto! Estão vendo?
Os amigos se inclinaram para a frente, apertando os olhos para observar a mão dele.
— Aquilo são linhas fininhas? — perguntou Sam. — Pequenos... pelos?
— Aham! É disso que a aura de um fantasma é feita. São como, sei lá, cordinhas. Geralmente elas são difíceis de ver, porque são quase sempre intangíveis e invisíveis. Quero dizer, nós brilhamos também, mas não tanto assim. Mas coisas à prova de intangibilidade conseguem cortá-las. É meio desconfortável, mas elas crescem de novo bem rápido.
Sam passou a mão suavemente pela aura de Danny. Ele deu uma risadinha. Dava cócegas, com a aura dele daquele jeito.
— Mas por quê? — ela perguntou.
— É assim que os fantasmas absorvem ectoplasma do ar — disse Danny. — É como um filtro. É por isso que os fantasmas inflam as auras antes de uma luta. Não é apenas para fazer pose. Nós deixamos as nossas auras maiores para conseguirmos absorver mais energia.
— Eu sempre me perguntei sobre isso — disse Tucker. — Mas ainda parece coisa de quem quer fazer pose.
— Parece uma água felpuda — disse Sam. — Ou como o ar daqueles secadores de mão em banheiros públicos. — Ela tentou beliscar um fio entre dois dedos. — Elas me lembram, hum, o que era mesmo, na aula de biologia?
— Cílios? — sugeriu Danny.
— É, isso. Elas doem quando são cortadas?
— Doem. É meio que como uma queimadura de sol, ou ralar o joelho no carpete? Não é super doloroso, só irritante. — Ele deixou a aura diminuir e desaparecer na intangibilidade antes de voltar a ser humano com um clarão de luz. — Na maior parte do tempo eu não uso muito ectoplasma, de qualquer modo. O que eu consigo absorver pela pele, respirando e comendo já é o suficiente.
Tucker fez uma careta.
— Não leve a mal, mas todo esse lance de respirar ectoplasma... Isso é meio nojento.
Um sorriso travesso surgiu no rosto de Danny.
— Ah, ectoplasma é, de longe, uma das coisas menos nojentas que você respira todos os dias.
— Nananinanão! — disse Tucker. — Eu não quero ouvir!
Ele alcançou o controle remoto e colocou o filme para rodar novamente, enquanto Sam e Danny riam baixinho.
