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Ciência/Preso/Médico

Summary:

Uma discussão com Danny e Jazz inspira os pais Fenton a adotarem uma abordagem diferente para lidar com o Phantom. Não que vá ser mais agradável para o Danny lidar com isso.

Tradução autorizada da obra original "Science/Stuck/Doctor" de Marsalias. Todos os créditos pertencem à autora original.

Notes:

Chapter Text

​— Mas como vocês sabem que os fantasmas são maus? — perguntou Danny, encarando a mãe do outro lado da mesa de jantar. O peso da cabeça estava apoiado na mão, com a base da palma afundando no próprio olho e fazendo-o ver pontinhos brilhantes. Ele desviou seu olhar caolho para o pai. — Como vocês sabem que eles não são, tipo... — ele se encolheu internamente com a sugestão que estava prestes a fazer —, sabem, como aqueles animais que entram perdidos nas cidades? Você não os quer ali, e eles podem causar problemas, mas você não os chamaria de maus, chamaria?

​Comparar a si mesmo e aos outros fantasmas a animais selvagens era... desconfortável, mas àquela altura ele aceitaria qualquer coisa que ajudasse a suavizar a visão que os seus pais tinham dos fantasmas.

​— Documentários sobre a natureza — disse Jazz, entrando na conversa. — Pesquisadores da vida selvagem. Zoólogos. Eles estudam suas cobaias em seus habitats naturais, sem matá-las. Os animais não têm moral humana, mas não são maus.

​Seus pais os encararam com expressões vazias, e Danny conformou-se em apenas cutucar a comida. Tinha valido a tentativa.

​— Falando sério — continuou Jazz. — As únicas interações que vocês têm com fantasmas são com aqueles que passam pelo portal. Vocês não podem realmente achar que isso é tudo, podem? Isso não distorce um pouquinho os dados de vocês?

​— Jazz — disse Maddie —, nós já sabíamos que os fantasmas eram maus antes mesmo de abrirmos o portal.

​— Então por que é que vocês o construíram? — resmungou Danny.

​— Em outras palavras, antes mesmo de vocês verem um fantasma. Vocês percebem o quão perigoso é formar uma opinião como essa antes de coletar qualquer dado? O viés de confirmação é algo real, sabiam? Especialmente na pesquisa psicológica.

​— Mas isso não é psicologia, Jazz-sabichona — disse Jack. — A sua mãe e eu sabemos que pode ser tentador olhar para tudo sob a ótica da sua própria especialidade, mas isso aqui é ectologia.

​— Mas é psicologia — argumentou Jazz. — Vocês estão criando argumentos sobre as mentes deles.

​— Mais pessoas poderiam acreditar em vocês sobre os fantasmas se vocês tivessem dados fáceis de entender — disse Danny. Ei, se a Jazz ia lutar aquela batalha, ele não a deixaria fazer isso sozinha. — Tipo, a Jazz e eu crescemos com tudo isso, e nós mesmos não entendemos todas as fórmulas. As outras pessoas também não vão.

​— As pessoas veem fantasmas fazendo maldades o tempo todo — disse Maddie, levemente corada de frustração. — Você vê os fantasmas fazendo o mal o tempo todo! Eles atacam a escola. Eles atacaram você.

​— O Phantom não fez isso — protestou Danny.

​— Ele arrancou o seu rosto!

​— Mãe! Eu já falei, não era eu! Foi aquele fantasma metamorfo que me sequestrou! — Ele soltou um gemido frustrado. — Vocês não vão me ouvir. Eu tenho lição de casa para fazer.

​Ninguém o impediu quando ele se afastou da mesa e subiu as escadas arrastando os pés.

​


 

​— Talvez as crianças tenham razão — disse Maddie.

​— Sobre os fantasmas não serem maus? — perguntou Jack, com um tom de descrença.

​— Não, sobre as pessoas não perceberem que o Phantom é mau até que tenhamos uma prova que elas consigam entender. — Ela balançou a cabeça. — Até mesmo aqueles que foram sensatos depois da invasão, quando ele fez o prefeito de refém, foram enganados e agora acham que ele mudou de atitude. Nós precisamos mostrar a eles que isso não é verdade.

​Jack pensou naquilo por um minuto, e então assentiu.

​— Documentários sobre a vida selvagem — ele disse. — Você se lembra daquele em que eles colocavam câmeras nos animais?

​— Ah, sim — disse Maddie. — E se nós combinarmos isso com o boomerangue... No entanto, teremos que tomar cuidado e garantir que o Danny não seja atingido. O boomerangue realmente parece gostar dele.

​


 

​Danny voava alto sobre as ruas de Amity Park, mantendo os olhos abertos para qualquer problema. Aquilo era, na maior parte, um voo de lazer, apenas para relaxar da tensão esquisita que vinha se acumulando em casa desde aquela discussão no jantar, alguns dias atrás, mas ele concluiu que também poderia servir como uma patrulha. A atividade fantasma estava diminuindo à medida que a época de Natal se aproximava, mas a maioria não começava a Trégua tão cedo assim.

​Ele voou sobre o parque e virou de costas no ar, espreguiçando-se. Havia nuvens demais no céu para conseguir observar bem as estrelas, mas o halo ao redor da lua estava interessante, e o que ele conseguia ver era bem bonito.

​Algo brilhou pelo canto do olho, e ele despencou no ar, esquivando-se instintivamente. Fosse o que fosse, a coisa passou voando vários metros acima dele e desapareceu na escuridão. Danny girou o corpo para ver quem havia atirado nele.

​Foi então que algo o atingiu na nuca. Sem peso do jeito que estava, o impacto o fez capotar no ar. Ele agarrou a coisa que caía passando por ele.

​O boomerangue, é claro. Seus pais estavam caçando. Ele se deixou cair pelo resto do caminho até o parque. Seria mais fácil se esconder deles entre as árvores.

​Seu pescoço coçava. O boomerangue havia deixado alguma coisa ali. Um rastreador secundário? Ele cutucou o objeto com a mão que não estava ocupada com o boomerangue. Fosse o que fosse, aquilo havia se enrolado ao redor da gola de seu traje. Seria uma coleira? Algum tipo de dispositivo de estrangulamento, apenas esperando para ser ativado? Não, seus pais não fariam isso, eles não achavam que fantasmas precisavam respirar.

​Para ser justo, eles não precisavam mesmo. Nem o Danny. A maioria dos fantasmas conseguia viver muito bem sem ter uma cabeça.

​Danny nunca havia testado essa teoria, entretanto, e não estava nem um pouco ansioso para descobrir.

​Então, o que era aquilo?

​Embora estivesse enrolada principalmente no seu pescoço, parte da coisa ficava na área superior do seu peito, uns dois centímetros abaixo da clavícula. Ele abaixou o queixo o máximo que pôde para encarar o objeto no escuro.

​Aquilo era uma câmera?

​Ah, não.