Work Text:
Danny desceu as escadas carregando um sanduíche. Sua intenção era comê-lo no laboratório, assim poderia absorver um pouco da radiação ectoplasmática do portal enquanto mastigava. Era o plano perfeito para alimentar suas duas metades ao mesmo tempo e garantir uma refeição boa e balanceada. Ele não conseguia fazer isso com a frequência que gostaria, já que seus pais viviam enfurnados ali embaixo, mas, naquele dia, eles haviam saído para investigar uma casa mal-assombrada em Elmerton (que, para variar, não era assombrada de verdade). A casa inteira, e o laboratório, eram só dele.
Ele se jogou em uma das cadeiras de escritório com rodinhas que seus pais usavam no subsolo e começou a olhar ao redor enquanto comia. Os dois andaram bastante ocupados por ali nos últimos dias e haviam mudado várias coisas de lugar. E, claro, a organização passava longe. Havia poças de ectoplasma verde espalhadas por toda parte.
Quem é que vai sobrar para limpar tudo isso? Ele se perguntou, embora já soubesse a resposta. O histórico familiar não mentia. Danny revirou os olhos. Bom, desde que nenhum daqueles respingos fosse, na verdade, uma gosma corrosiva projetada para derreter fantasmas, ele lidaria bem com a situação. Mas, falando sério, estava começando a entender por que Jazz vivia chamando a mãe e o pai de irresponsáveis e imaturos.
Foi então que ele viu uma das pequenas poças se mover.
Danny abaixou o sanduíche, colocando-o de volta no prato, e o empurrou para o lado. Não era exatamente impossível que o ectoplasma se movesse por conta própria, mas aquele movimento em particular pareceu proposital demais. E lá foi de novo! A gosma deslizou pela bancada para cobrir um pedaço menor e mais espesso de ectoplasma. O mais curioso é que ela não deixava nenhum rastro manchado para trás, nem se esticava ou deformava como ele esperaria que fizesse.
Ele se levantou e deu a volta na mesa para conseguir enxergar o outro lado da criatura. Seus olhos se arregalaram ao perceber que a bolha de gosma também tinha olhos. Olhos escuros, brilhantes e expressivos. A gosma era um fantasma. Um pequeno fantasma gosmento. Ele deu um passo à frente e, só então, com um atraso cômico, seu Sentido Fantasma disparou.
Ele riu, o que fez o fantasminha dar um sobressalto assustado. Danny segurou outra risada e, em vez disso, fez pequenos ruídos suaves para tranquilizá-lo. Olhando ao redor com mais atenção, percebeu que várias das poças maiores de ectoplasma eram, na verdade, pequenos fantasmas gosmentos, e eles estavam caçando as poças verdadeiras para devorá-las. Danny ficou encantado. Ele se perguntou qual seria a textura deles e se ficariam muito chateados caso ele tentasse tocá-los.
Após refletir por um momento, o garoto se aproximou devagar do primeiro fantasma. Ele chegou mais perto, e mais perto, e mais perto... até estar a uma distância perfeita para o toque. Como o monstrinho não parecia nem um pouco incomodado, ele estendeu a mão e começou a fazer carinho na criatura. A bolha, em vez de se encolher com medo, começou a ronronar.
Danny deu uma risadinha. O pequeno fantasma tinha uma textura muito parecida com a parte mais sólida de sua própria cauda fantasma: era frio, macio e aveludado. Apenas um pouquinho mais gelatinoso. Observando mais de perto, notou que a criatura também era ligeiramente transparente. Olhando através da gosma, Danny achou que podia enxergar o pequeno cerne dela.
Era fofo. Muito fofo. Especialmente o jeito como comia o ectoplasma. Lembrando-se de sua própria refeição, e não querendo abusar da boa vontade do seu novo amiguinho, Danny voltou para o seu sanduíche. Enquanto mastigava, ele ficou observando os fantasmas comerem. Além de serem adoráveis, eles ainda estavam fazendo a faxina do laboratório no lugar dele.
Mas não havia uma quantidade infinita de ectoplasma espalhada pelo chão e pelas mesas. Assim que os fantasminhas terminaram de limpar tudo, eles flutuaram para longe das bancadas e voaram na direção de Danny, esmagando-se de forma carinhosa contra o peito dele. Eles eram muito diferentes dos Fogo-Fátuos que Danny já conhecia, mas passavam a mesma sensação amigável. Ele riu mais uma vez.
— Tudo bem, tudo bem — ele disse, com a voz cheia de afeto. — Eu consigo mais um pouco para vocês.
