Chapter Text
Nove meses, dia cinco de maio, às 3h:45, acordo com uma dor forte. Uma dor profunda e difusa que parecia cortar meu osso do quadril com uma faquinha de serra ainda estava lá, aumentando de intensidade aos poucos até achar que não poderia mais aguentar para depois ir sumindo com os segundos, a princípio pensei que seria outra das contratações falsas, mas ao voltar doer novamente depois de uma hora entendi que dessa vez era real, meus meninos iriam vir ao mundo
– Traffy... acorda vamos – balançando ele ate acordá-lo
– Luffy-ya... o que foi? –
– Os bebês, eles que... – não pude completar a frase, pois ouvi um barulho de estouro e senti molhar minhas pernas – Uma das bolas rompeu
Law deve ter ligado tudo em sua cabeça porque ele se levantou correndo, trocou de roupa e separou uma pra mim. Ele me ajudou a mudar de roupa, pegou as bolsas da maternidade, que já estava separada e levou para o carro, desceu comigo no colo as escadas e entramos no carro falando com a doutora Kureha e a doutora Tritan, que elas iriam ligar para os médicos que também me acompanham desde a descoberta dos gêmeos.
O trânsito estava favorável então chegamos rápido na maternidade, onde as médias nos esperava com uma cadeira de rodas.
– Boa Madrugada, Law e Luffy, animados para o grande momento? – doutora Tritan sempre tão calma – As contratações? Como elas estão vindo? –
– De cinquenta e cinco minutos com trinta e sete segundos de duração – Traffy explica
– Ótimo, vamos fazer uns exames e decidir qual plano de parto é o mais viável no momento –
Somos encaminhados para o quarto que tínhamos reservado e onde as outras pessoas envolvidas já estão presentes. Estava no último ultrassom para ver a posição dos bebês e para nossa sorte ambos estão de cabeça para baixo, a dilatação também está boa cerca de 5cm, então depois do exames Traffy e eu trocamos de roupa e entramos dentro da piscina de água quente que as enfermeiras tinha enchido, eu coloquei somente a parte de cima de um biquíni preto e Traffy um short.
– Quanto tempo mais até dez centímetros?
Tritan suspirou e deu um sorriso quase como se pedindo desculpas pelo o que falaria.
– Geralmente, a dilatação ocorre devagar, um centímetro por hora. – Eu senti minha expressão cair, a ideia de mais cinco horas de dor destruindo minha determinação. – Alguns partos chegam a 14 ou mais horas, isso depende muito de mulher à mulher –
-Mas! – Tritan disse, pegando o prontuário e anotando as informações que tinha colhido. Ela olhou para mim e deu um aceno determinado. – Você já tem cinco centímetros e algumas mulheres dilatam mais rapidamente. Tudo depende do quanto você dilata por hora e a água quente da piscina ajuda na irrigação sanguínea, o que pode apressar as coisas.
Eu dei um aceno pequeno na cabeça, tentando digerir a informação que estava sendo dada.
– E Luffy... – E então eu olhei no fundo dos olhos castanhos da mulher, que pegou uma das minhas mãos e a apertou com seriedade. – Você é forte e determinada e está fazendo um dos maiores milagres que pode acontecer. Nesse momento, você é mais forte e mais corajosa que todo mundo nesse quarto e, pelo que eu ouço minhas outras pacientes dizer, a espera é recompensada.
– Bem! Eu vou deixar esse botãozinho aqui e você toquem se houver qualquer mudança ou problema. Eu volto daqui a uma hora e preciso que você, Trafalgar, conte os segundos que as contrações duram e o tempo entre cada uma. – Traffy assentiu. – De resto, é só esperarmos os mocinhos aí dentro resolver sair!
São 4h:40 da manhã e um longo caminho a ser percorrido até o nascimento dos meninos
Três horas mais tardes as doutoras vem fazer outro exame de toque e disse que já estava com 7,5cm de dilatação, as dores viam de 30mim em 30min com duração de 45 segundos. Nisso nossos telefones tocam, é a nossa mães, Traffy atende um deles e vejo que é o dele.
– Onde vocês estão? Eu e Lucy estamos batendo na porta da sua casa há horas – Mesmo o telefone longe da minha orelha posso ouvir minha sogra gritando
– Bom dia pra você também mãe –
– Bom dia é o cacete, cadê vocês? –
– A gente tá na maternidade – ela iria falar algo mais ele interrompeu – De madrugada uma das bolsas estouro e a gente veio pra cá, Okay –
Ele desligou e voltou a me dar atenção já que eu estava no meio de outra contração
– Elas estão vindo para cá e é bem provável que todos também –
– Mais ainda vai demorar um pouco ate eles nascerem e tô com muita fome –
E como se fosse a deixa, uma enfermeira veio trazer uma cesta com frutas, iogurte e água, nos deixando sozinhos novamente segundos depois.
Logo nossas mães chegam na maternidade e com os telefones na orelha dando ordem provavelmente para seus maridos, mamãe é a primeira a se aproximar
– Então como estamos? – Ela faz um carinho no meus rosto suado – Logo acaba querida e você vai ver que cada segundo de dor vai valer a pena –
– Bem na última checagem ela estava com quase oito centímetros –
– Querida, você está dilatando mais rápido do que eu, quando eu foi ter seu marido parecia que ele não queria sair de dentro de mim – Amélia fica ao lado de Traffy – Quase dois dias inteiro para ele sair –
E ficamos assim contando histórias sobre os partos e recém-nascido até a próxima vista das médicas
Às oito horas da manhã, Kureha e Tritan entrou no quarto no meio de uma contração e acompanhou a contagem que Traffy fazia em voz alta até 60 segundos.
– Vamos checar com quantos centímetros e veremos como está o passo das coisas –
Nem precisou que ela pedisse, eu abrir as pernas automaticamente para que ela checasse a dilatação.
-Hmm... – Kureha retirou a mão e mediu os dedos – 8,5 centímetros, Luffy
– Parece que no final está se dilatando mais rápido – Tritan disse e anotou algo na prancheta – Na próxima hora pode ser decisiva, bem, ela esta com 8,5 cm de dilatação o que é bom, então Luffy se nessa uma hora você sentir algumas pressão ou instinto para empurrar nos alerte imediatamente okay?! –
Eu concordei e já me preparava para outra contração, elas saíram do quarto depois de confirmar e minha mãe foi ligar para o resto da família. Nem tinha se passado quarenta minutos eu senti uma pequena vontade de empurrar e logo contei para todos que estavam comigo no quarto, então alguns minutos depois todos os médicos envolvidos estavam na sala, eu fui colocada no soro com glicose para me ajudar em alguma coisa que não tinha entendido
– Está na hora? - Eu perguntei , sobrancelhas franzidas e olhos confusos.
-Vamos dar mais uma checada, mas eu acho que sim! – Tritan respondeu animada, colocando as luvas e indo checar a dilatação. Ela sorriu ainda mais largo quando retirou os dedos. - Dez centímetros, Luffy! Parabéns, você foi ótima! Vamos trazer esses garotinhos ao mundo, hm? -
Dizer que eu me lembro de tudo o que aconteceu no parto, seria mentira, porque me lembro da dor e do som que fez todas coisas que passei valer a pena, quando ouvir o choro de um dos meninos foi uma grande realização e tudo o que eu queria era poder pegá-lo em meus braços.
– Meu bebê... eu quero segurá-lo – eu estiquei os braços em direção a Tritan
– Hey Luffy eu sei que você quer pegá-lo mais o trabalho ainda não acabou falta seu outro bebê e pelo que estou vendo ele já vai... – nem pude dar ouvidos o Dra.Kureha tinha dito, logo outra onda de dor e outra vontade de empurrar veio com tudo.
Como do primeiro eu pedir a noção do tempo ate ouvir outro choro e quase me desfalecer de cansaço, fechei as perna e me apoiei no corpo forte do meu marido e novamente pedi meus filhos, vendo as enfermeiras me trazerem eles e com um cuidado excepcional pude ajeitar os dois nos meus braços e senti os braços do Traffy nos puxando para mais perto.
– Vocês já sabem quem vai ficar com qual nome ? – Tritan pergunta
– Hum... deixa eu ver... esse aqui é o Cora – digo fazendo um carinho na cabeça do bebê que está no meu braço direito – E esse é o Sora –
– Muito bem agora vamos pegá-los rapidinho para acabar os exames e você também tem que ir se limpar e mais alguns exames pós-parto – Kureha pega os meninos e os entrega as pediatras – E deixa a sua família entrar, eles estão deixando todos do hospital loucos –
Nossas mães que ainda estavam dentro do quarto saíram dizendo que iriam dar um jeito em tudo
Depois de todos os procedimentos pós-parto feitos e um bom banho tomado fui encaminhada para outro quarto, Traffy e eu estávamos conversando quando a porta é aberta e duas enfermeiras empurrando dois berçários entra com os meninos. Em ambos berçários tinha o nome deles escritos. Veio uma enfermeira me ajudar e explicar como é a amamentação e logo depois saiu, no quarto esta tudo em silêncio Traffy não parava de olhar os meninos encantado.
– Eles são tão lindos – ele me passa o Sora e fica com o Cora no colo
Sora é muito parecido com o Traffy, só a cor do cabelo que veio igual a do meu. Cora já é mais parecido comigo e também a diferença são as cores do cabelo, os olhos ainda são um mistério eles ainda não deram a graça de abri-los.
Todo o silêncio é interrompido por uma batida na porta e nossa família entrando no quarto, todos estão aqui, meus pais, meus sogros, avós, amigos e todo o resto.
– ELES SÃO TÃO LINDOS, QUE NEM PARECEM QUE SÃO FILHOS DO TRAFALGAR – Foi a primeira coisa que Ace diz assim que vê os meninos, e por seus gritos acabou de acordando eles
– Incrível... eles não choram – Dadan disse dando um cascudo na cabeça do Ace – Eles devem ter puxado a calma do pai... Graças à Enel –
– Então quem é quem? – Nami pergunta eja estava segurando um dos bebês
– Bem esse que você está segurando é o Sora, ele é mais parecido com o Traffy e o que o tio Shanks está segurando é o Cora que é mais comigo – eu explico
– Sabe eles quando crescer serão o terror dos romance, porque olha esses olhos são castanhos com dourados – Tio Roger disse levantando Sora
– Sim querido, fico mais parecido com cor de mel – Tia Rouge disse ao lado do tio
– Podem se orgulhar nossa genética é foda – Vovô disse estufando o peito
– Não se esqueça que a genética de olhos claros são nossa Garp – Sengoku disse se colocando em uma pose superior
O restante da vista foi super tranquila com risadas e um pouco de brigas mesquinhas
