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Diferentes Caminhos, Mesmo Destino?

Summary:

O que aconteceria se um encontro não acontecesse? Se tudo fosse colocado de outra forma?

O jovem Giorno tem um sonho - ser um gang-star. Ele está procurando uma forma de realizar esse sonho, buscando um meio de entrar na poderosa Passione, mas suas primeiras impressões sobre um proeminente mafioso da cidade de Nápoles não são muito boas...

Mas nem sempre são as primeiras impressões são as que ficam, mesmo que ainda aqueles olhos azuis continuem em sua mente por qualquer motivo...

Encontros destinados, fim já escrito? O encontro entre Giorno Giovanna e Bruno Buccellati pode mudar as correntes do destino por diversas maneiras. Ainda mais quando certos sentimentos florescem e crescem sem ter o tempo como inimigo.

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Atualização nas quintas-sextas!

Notes:

O anime de VA está oficialmente terminado... Mas BruGio continua vivo em nossos corações!
A história nasceu da necessidade de eu querer escrever BruGio toda hora - não sei que magia é essa do casal, mas gerou literalmente um desassossego, haha.
Estou inspirada na ideia de mundos paralelos e JoJo permite isso - é praticamente canon, *cofcof*
É minha primeira WIP em anos. Prefiro histórias fechadas porque eu me conheço - me empaco e fico sem saber como seguir. Mas como tenho umas ideias de como seguir com a trama e tenho adiantado bastante coisa [tá quase do tamanho da minha monografia, hahaha], vou postar. Imagino que a frequência vai ser semanal, mas ainda preciso arrumar um dia certo [aceito sugestões!]. A faculdade começa amanhã *snif*, mas acho que vou continuar no mesmo ritmo de escrita.
Essa fic é dedicada para todos os fãs de BruGio. Nosso cantinho no fandom é pequeno, mas é lindo, <3

PS: A cronologia dessa história começa em meados dos anos 2001, assim como VA.

Chapter Text

Um dia como outro qualquer. Giorno sorria com amabilidade enquanto sorrateiramente oferecia propina aos guardas. Indo em direção a entrada do aeroporto, ele oferecia seus serviços as pessoas mais apressadas, que não queriam encarar a fila oficial de táxis.

Era assim a rotina de sempre – alguns dias, matar aula e começar bem cedo seu negócio, ou assistir as aulas e partir para o aeroporto logo em seguida. Essa era um desses dias e Giorno bocejava, olhando um dos relógios perto da entrada. Já eram nove e meia e ele tinha o fim de semana livre – talvez ele fizesse hora extra.

Um homem saiu das portas do aeroporto e Giorno percebeu sua frustração com a fila que mesmo no horário não tinha deixado de estar bem grande. Giorno se espreguiçou, andando ao homem.

- Táxi, senhor? - o loiro disse educadamente e o homem o encarou com certa cautela. - Faço pela metade do preço que estes aí. - ele indicou a fila, sorrindo.

- Preciso que seja alguém discreto. - o homem disse lentamente, o encarando de cima a baixo. - Não sei se você seria a pessoa certa…

Giorno ampliou seu sorriso. - Sou um dos mais discretos daqui, senhor. Aqueles senhores podem atestar. - Giorno indicou com a mão para os guardas daquele turno, que sorriram, tirando seus capes e acenando em sua direção. O loiro voltou a atenção ao homem, que sorria estranhamente. Giorno não ligou – esse não seria nem seu primeiro nem seu último cliente problemático.

-Você conhece bem a cidade? - o homem disse, depois que Giorno colocou sua mala no carro, com Giorno a adentrar o veículo. - Preciso ir a esse endereço. - o homem mostrou um papel ao loiro, que o fitou silenciosamente. Giorno tinha percebido que o sotaque do homem era diferente, e, pelo endereço, sua dedução pelo homem era correta.

- Não se preocupe, conheço Nápoles como a palma da minha mão. - Giorno disse, já ligando o motor do carro.

Outro dia normal pela cidade submergida entre dois mundos – o da normalidade e do crime. E Giorno estava interessado, mesmo que só de vislumbre por agora, daquele lado sombrio.

A viagem fora silenciosa por todo caminho.


- É esse o local, senhor. - Giorno disse, olhando para o homem no banco traseiro. Giorno manteve seu semblante de sempre, mesmo que sem deixar de notar que o homem remexia naquela maleta nervosamente. - Isso é tudo?

- Você pode esperar aí, preciso fazer algo bem rápido. - o homem disse e Giorno o fitou cuidadosamente. - Eu pago pelo tempo que você ficar aqui, se esse é o problema.

- Claro que não, senhor. Eu espero. - Giorno disse, vendo o homem abrir a porta do carro e andar apressadamente em direção ao local pretendido.

Giorno olhou pela janela aberta do carro o local – parecia um bar noturno qualquer e Giorno estava acostumado a levar pessoas em locais como esse. Mas como sabia, esse endereço pertencia a um certo grupo de pessoas, e Giorno encarou o letreiro luminoso com atenção.

Passione. Ele tinha averiguado o mais sutilmente possível, em meio a conversas com comerciantes locais, de clientes do seu negócio de táxi. A área parecia ser tomada por esse grupo e pelo que Giorno averiguava, essa organização tinha ramificações por toda a Itália. Giorno se apoiou na janela do carro, encarando o local. Ele não tinha conseguido muitas informações sobre quem liderava a área, todos pareciam muito discretos sobre o negócio, mas ele tinha ouvido rumores que um dos homens que controlava Nápoles tinha um certo local de ponto fixo.

Giorno suspirou, passando os dedos pelo vidro rebaixado do carro. Ele sabia que ir entrando e perguntando as pessoas não seria uma boa ideia – todos reconheciam o poder da máfia nas entranhas da cidade, mas ninguém queria se meter nisso. Bem, Giorno pensou, sorrindo um pouco, A não ser eu.

Giorno tinha um sonho, um desejo. Ele vislumbrava em sua mente aquele gangster, que tinha mudado sua trajetória, sua forma de pensar. Ele queria se meter na máfia. Mais do que isso, ele sonhava, ansiava algo. Um dia, Giorno pensou, olhando o céu noturno encoberto por nuvens, Eu estarei no topo. Ele queria ser como aquele homem, que silenciosamente comandava a todos, os fazendo ceder aos seus desejos. Ele queria essa habilidade, esse alcance, esse poder.

E Giorno tinha certeza que conseguiria tudo aquilo.

O barulho do entre e saí do bar noturno se tornou mais intenso e Giorno levantou a manga de sua roupa, olhando o relógio. Os minutos tinham passado e já daria uma hora que o homem estava lá dentro.

Talvez ele tenha algo de valor na mala. Giorno pensou, ativando a habilidade que estava a se acostumar nos últimos meses. Se ele não me pagar o que eu vou pedir, talvez… Giorno tirou sua atenção de seus pensamentos, ouvindo a voz do homem. Giorno colocou sua cabeça para fora do carro, vendo o homem conversar com um outro. O seu passageiro parecia muito feliz, rindo altamente enquanto o outro homem parecia controlado, mas lançando um leve sorriso. Giorno observava a cena com atenção.

Moreno, com roupa branca com pintas distintamente pretas… A rua estava um tanto escura, sendo iluminada por poucas lâmpadas, mas a descrição batia com os poucos detalhes que ele tinha conseguido sobre um dos mais proeminentes homens do capo dessa região. Giorno o encarou, tentando ver o rosto do outro. Parecia jovem. Seria o mesmo homem?

O loiro não teve muito tempo para ponderações. Os homens se despediram e Giorno colocou a cabeça para dentro do veículo, olhar a frente como se nada tivesse acontecido. Em poucos segundos, ele ouviu o bater da porta e o suspiro do homem que ele tinha trazido até ali. Giorno se virou a ele, sorrindo. - Tudo certo?

- Sim, sim. - o homem parecia mais aberto, sorrindo alegremente a Giorno. - Não se preocupe pelo tempo que eu fiz você esperar, te pagarei o dobro!

- Obrigado, senhor. - Giorno disse, sorrindo. Ele voltou-se a frente, olhar ao homem que o outro estava a conversar antes. - Para onde, agora? - o loiro murmurou, sem tirar os olhos da figura a distância.

Num movimento – um flash de instantes – olhos azuis foram capturados pelo loiro. Giorno franziu, vendo que o outro que ele fitava parava por alguns instantes.

- Você me ouviu? Me leve pro hotel mais próximo daqui.

- Sim, senhor. - Giorno disse, sorrindo pelo retrovisor.

Os olhos azuis daquele misterioso homem ficaram na mente de Giorno por toda viagem.


Giorno acenava para a senhora da venda, mordendo uma das rosquinhas que ele tinha comprado. Era uma manhã ensolarada e Giorno passeava pela cidade como qualquer adolescente que tinha matado uma aula por qualquer motivo que fosse. Ele caminhava pela vizinhança, sorrindo as senhoritas e acenando para alguns garotos.

O loiro, por um momento, deixou o semblante de sempre, vendo de longe aquela rua de semanas atrás. Ele tinha tentado tirar alguma informação do homem daquele dia e como sempre, gentileza e polidez foram caminhos fáceis para um homem satisfeito com negócios.

- Você sabe como é, aqui na Itália… - o homem disse, fumando um cigarro a Giorno que era só amabilidades. - Temos que agradar certas pessoas se queremos ver nossos negócios indo bem.

- Eu entendo perfeitamente. - Giorno disse, atenção ao retrovisor. - Faço minhas coisas para o bem do meu negócio também.

- Vejo que é um jovem inteligente. - o homem disse, oferecendo um cigarro a Giorno que negou, expressão cortês de sempre. - Também tem seus negócios com Buccellati?

Buccellati… Giorno se sentava em um dos bancos próximos a uma fonte, olhar acima. Era bom ter um nome associado a uma pessoa. Com alguma dificuldade por parte dos comerciantes da área para verificar a situação antes, o nome simplesmente abria portas. Sempre uma expressão de alegria e satisfação.

Para um homem da máfia, ele parece ser bem mais apreciado que o normal. Giorno pensou, mordiscando a comida distraidamente. Até para os mais fechados e ranzinzas o nome trazia aberturas que ele não tinha encontrado antes, Giorno pensava. Não que isso me deixe próximo do meu objetivo…

Giorno calculava um jeito de entrar na máfia sem alardes – um jeito de subir de postos e conseguir cada vez mais poder. Ele era paciente – ele sabia que isso levaria tempo e dedicação, mesmo que a organização que controlasse sua área tivesse eclodido soberana em poucos anos, pelo que Giorno tinha se informado. Entrar em contato com um dos subordinados do chefe da região era um jeito, mas Giorno sabia que não era só adentrar um lugar e jurar confiança a qualquer homem ligado a máfia. Ele também não gostava da ideia – qual seria sua afirmação que o homem era próximo o bastante do capo para ele ir ganhando terreno dentro da organização? Dos boatos e informações sussurradas que ele tinha ouvido, esse tal de Buccellati parecia ser um dos mais próximos do capo da região…

Buccellati. Giorno apoiou os ombros no banco, mirando distraidamente uma nuvem que passava. Ele sabia que o homem tinha ido aquele bar, mas Giorno desconfiava que aquela não era sua base de operações. Ele tinha ido outras vezes naquelas semanas lá, identidade falsificada e dinheiro sempre abriam portas. Mas nada do homem de olhos azuis.

Giorno abaixou a cabeça, fitando o relógio em seu pulso. Era um dos horários de rush do aeroporto. Ele sorriu, levantando-se e jogando o saco de papel na lixeira próxima e pegando a outra rosquinha, a mordendo. Seu negócio o levava a tantos distintos lugares. Talvez hoje seria um dia de sorte?

Giorno caminhara com certa energia no andar.


Giorno se recostava em seu banco, piscando os olhos lentamente. Era domingo a tarde e o movimento era mais lento que o normal. Ele olhava pelo vidro do carro os guardas de sempre, acenando a eles. Ele tinha ouvido rumores dos guardas que um dos homens que chefiavam o negócio de táxis no aeroporto estava desconfiando que alguém estava fazendo negócios sem a permissão dele. Giorno agradecera a informação, tentando baixar a poeira por alguns dias, ficando a fazer seu negócio em horários de menos pico por alguns dias para não atrair a atenção de alguém. Giorno não queria ser notado – o homem que controlava os taxistas do aeroporto parecia ser um elo fraco da organização e ele não queria perder tempo com aquilo.

Uma leve batida na porta do carro atraíra a atenção de Giorno. Ele voltou a sua expressão de sempre, abrindo a porta.

- Precisa de uma corrida? - ele disse enquanto vislumbrava o casal a sua frente. A mulher estava a abraçar o braço do homem, enquanto o homem parecia ignorar a expressão de afeto da mulher.

- Pode nos levar nesse hotel? - o homem disse, dando um cartão bastante luxuoso a Giorno. Giorno conhecia o hotel de vista e, ao fitar sutilmente o casal, estranhou um tanto a simplicidade do traje da mulher. O hotel era um dos mais caros da região.

- É claro senhores. - Giorno disse, abrindo a porta traseira do carro. - Malas?

- O importante está aqui. - a mulher disse com um tom um tanto inebriado, indicando para sua bolsa de mão, sorrindo bobamente. Giorno observava a troca de olhares dos dois com cuidado. Ele se prontificou a ajudar a mulher a entrar e sem ser percebido, colocou uma das mãos no braço coberto pelo xale vermelho da mulher.

Marcas de injeções. Giorno sorriu, abrindo mais a porta para que o homem entrasse. Giorno passou o olhar pelo traje do homem, sentindo o cheiro de colônia irritar seu nariz.

Giorno entrou no carro e sorriu ao retrovisor. - Vamos, então?


 

Giorno fez questão de abrir a porta aos seus passageiros. O homem o deu um leve aceno e a mulher, com um semblante aéreo, tropeçou ao sair, caindo nos braços de Giorno. O loiro a levantou, e a mulher o encarou sorridente. Giorno percebeu o olhar um tanto perdido e os passos que ainda não tinham se firmado.

Uma mula? Giorno sabia que essa era uma das facetas da máfia – as drogas. Educadamente, ele serviu de apoio para a mulher, segurando sua bolsa de mão. Ela era um tanto grande quando Giorno tinha a visto antes, mas como eles não tinham mais bagagem, era até normal. Mas em suas mãos ela parecia um tanto pesada para só ter acessórios femininos. A mulher se apoiou em Giorno e, quando o loiro lançou um olhar ao homem, viu que ele parecia pouco se importar com aquilo, partindo em direção a porta do hotel. Giorno ajudou a mulher nos degraus silenciosamente, e, quando se virou a frente novamente, controlou seu semblante.

Aqueles olhos azuis novamente.

- Vamos terminar nossos negócios rapidamente, senhor Lombardo. - o moreno tinha murmurado, atenção mais voltada a mulher nos braços de Giorno do que o homem que o cumprimentava. Giorno manteve sua expressão neutra, vendo o moreno caminhar até ele. Ele pegou a mulher nos braços do outro, atenção total a mulher em toda a ação. O homem pegou algumas notas no bolso, dando a Giorno, que agradeceu baixamente, vendo o trio entrar no hotel sem mais delongas.

Giorno voltou ao seu carro, dando uma olhadela ao hotel. Se ele não soubesse como eram os homens na máfia, até acharia que o sentimento que ele vira nos olhos daquele homem – Buccellati – eram de pena. Mas era a máfia, ele sabia que eles pouco se importavam com vidas inocentes, se aquilo os fizesse lucrar.

Giorno ligou o motor do carro, estranhamente mais desinteressado no moreno de olhos azuis do que antes.