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Tronco estava, na melhor das hipóteses, incomodado.
Acontece que, dado que Berguens não são uma ameaça agora, Viva e sua comunidade se juntaram na cidade - claro que algum percentual preferiu ficar lá, mas a aliança política foi praticamente demarcada. JD era um ambulante, Floyd precisava se recuperar, e o melhor local era, provavelmente, na cidade. O único que tinha um lugar para voltar era Bruce, que ainda tinha alguns dias antes de ser taxado como péssimo pai, portanto não tinha intenção nenhuma de largar dos irmãos, dado o vínculo traumático.
Isso significa que, para todos os efeitos, seus irmãos estavam, provavelmente permanentemente, em seu ciclo social ativo.
- Ok, eu sinto que devo esclarecer isso. - Tronco levanta a voz, logo antes de entrarem na cidade. - Não estou menos bravo com vocês, não tenho intenção de considerá-los meus irmãos. Isso é uma trégua temporária porque não quero que Floyd morra.
John pareceu surpreso. Quase irritado ou confuso - Tronco daria o crédito. Seu surto durante a viagem foi incoveniente. Provavelmente tê-los de volta era sua intenção quando até, no máximo, os doze anos. Não mais.
Tronco passou por todas as fases do luto e aceitou que teria de se virar sozinho. Não causava tanta revolta o fato deles terem-no abandonado para lidar com suas merdas sozinho, e que tivesse que se despistar de Berguens, ajudar a avó, e, posteriormente lidar com o luto, sequestro para cidade Berguen e posterior libertação. Não o irritava que não tivessem enviado um mísero cartão postal - Sinceramente, ele tinha um ano e meio quando se foram, suas memórias da época são floreadas e agradáveis, mas, poucas.
Ele não vai reabrir a maldita lata de minhocas apenas para considerá-los família novamente. Apenas, o fato de estarem fingindo que não o tinham abandonado à própria sorte, e que o infantil era ele por não ter esquecido. Isso o irritou. Então, ele explodiu. John entrando na cidade e abraçando-o como se não tivesse marchado pra longe, como se ele fosse um bebê que não poderia raciocinar para salvar sua vida - Isso, o irritou.
Floyd não era inocente, mas pelo menos se despediu. O que dava uma carta neutra enquanto estivesse ferido.
- Irmãozinho, pensei que era isso que você queria? - Clay disse, ao invés disso. Poppy o olhava com alguma angústia de onde trançava o cabelo de Viva.
- Eu queria, e quero, que parem de me tratar como bebê. - Tronco diz, suspirando com os braços cruzados. - Eu cresci por causa de vocês, não sou um pirralho privilegiado sem dificuldades na vida, que de repente quer ser tratado como adulto porque ficou maior de idade. Meu nome é Tronco, e eu cresci sozinho, sobrevivi sozinho e amadureci sozinho. Não preciso de vocês, nem quero vocês por perto.
John pareceu ferido fisicamente. Principalmente pelo mais novo não gaguejar, piscar ou desviar o olhar dos irmãos.
- Tronco, sinto muito. - Bruce interrompeu o próprio silêncio estupefato. - Não me arrependi de ter te deixado até ter meu primeiro filho. - Ele suspirou, cruzando os braços e olhando-o nos olhos. - Meu junior era pequeno, como você era. Eu percebi que nunca queria deixá-lo desamparado, que queria protegê-lo de todos os perigos do mundo e que mataria um Berguen para mantê-lo salvo. Antes, não dei a mesma cortesia a você. Me desculpe.
O troll mais novo piscou, então balançou a cabeça. Alguns anos atrás, teria perguntado porque ele não voltou, ou enviou cartões. Mas sabia que a cidade Troll só voltou ao mapa um ano e meio atrás. Se o filho mais velho dele tem treze, foram sete anos sem pensar na família.
Isso não mudava o fato que Tronco já superou. As vezes doía e seu coração se lamentava, e ocasionalmente ele sentia que estava derretendo. E quando via os CD’s antigos da avó, tentava evocar boas memórias daquela época. Era tudo muito embaçado, ao ponto que tivesse que se perguntar se foi um sonho realista ou vida real.
- Tronco, tem certeza? - Poppy interrompeu a interação, engatinhando para seu lado e colocando a mão sobre a sua. Tronco assentiu, sem vontade de falar. - Certo, pessoal. Novas moradias trolls vão ser feitas para hospedar a população do minigolfe. Floyd, pode ficar comigo e meu pai na árvore maior. Meus amigos vão acolher vocês para que não tenham que dormir no trailer, e temos mapas para os novos residentes para que saibam onde ir e como. - Ela sorriu, balançando as mãos em seu planejamento, apertando a mão do namorado e acariciando com o polegar. - Podem ficar até Floyd se recuperar, mas quero que decidam se vão ficar ou ir embora. Brozone, vou adicionar uma coisa. - Ela respirou fundo, sorrindo amavelmente. - Se decidirem sumir novamente, por favor, não voltem mais.
Os irmãos pareceram tensos. John olhou diretamente para Tronco, esperando para ver se ele iria intervir, se sentir incomodado ou similar. Ao contrário, seus ombros baixaram consideravelmente em alívio.
Bruce e Clay trocaram um olhar cúmplice. Floyd ainda dormia no sofá, recuperando as cores aos poucos e respirando superficialmente.
Tico, de seu lugar na direção, assobiou.
Viva decidiu que era demais para intervir, e voltou às colagens que estava organizando com Poppy de sua luta.
