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Ainda nós

Summary:

Depois de semanas consumidas pelo trabalho, Neji retorna para casa esperando apenas mais uma noite comum. O que encontra, porém, é um jantar preparado com cuidado, velas acesas e um lembrete silencioso de algo que jamais mudou entre eles.
Mesmo depois de tantos anos, eles ainda eram nós.

ItaNeji | Dia dos namorados

Notes:

Boa tarde meus amores ❤️

Brotando com a quarta fic para a coletânea dos namorados ;33 hoje com meus supremos Itachi e Neji em um jantar a luz de velas 🥰
Revisado por mim, mas deve ter uns erros perdidos kkk
Espero que gostem.
Boa leitura e até mais

Work Text:

Neji percebeu que algo estava errado no instante em que abriu a porta de casa. As luzes principais estavam apagadas, substituídas pelo brilho suave de pequenos abajures espalhados pela sala. Uma música instrumental preenchia o ambiente em volume baixo, discreta o suficiente para não permitir que o silêncio fosse uma terceira presença.

E também havia o cheiro delicioso de comida recém saída do fogo. 

Sua barriga respondeu com um breve resmungou, fazendo Neji rapidamente retirar os sapatos próximo à entrada e fechar a porta. O casaco foi deixado estendido ao lado do porta-chave, embora estivesse curioso para saber o motivo de toda aquela organização, primeiro, precisava saber se o marido estava em casa.

Ao deixar a bolsa em cima do sofá, chamou:

— Ita?

Um som de passos atraiu sua atenção, seguido de uma resposta alta:

— Na cozinha!

Junto da voz veio o tilintar de talheres sendo postos à mesa. 

— Estou indo — disse, sorrindo suavemente.

Seus passos não eram apressados quando atravessou o corredor. Pelo contrário, tentava ser silencioso o bastante para que pudesse encontrar o marido ainda organizando a mesa. O coração aquecido pelo momento agradável de um jantar silencioso entre os dois, ainda que não incomum ações assim no dia a dia, já era um motivo para se sentir feliz e apreciado.

Ao alcançar a entrada da cozinha, seu sorriso aumentou mais ao ver Itachi. O mesmo estava com uma roupa simples de calça preta e blusa de mangas e gola alta, o tempo também estava esfriando. Seu olhar estava focado em terminar de alinhar os talheres sob a toalha escura. Os pratos também estavam alinhados junto às taças de vinho — que desconfiava ser seu favorito.

Havia também velas pequenas lançando reflexos dourados sobre a madeira, completando o ambiente com uma sofisticação discreta; exatamente como Itachi.

Enquanto terminava de observar, sentiu o olhar do outro sobre si. 

— Você chegou cedo — comentou, encostando-se ao lado da porta.

— Você também, Neji. — Itachi sorriu de canto, pegando os guardanapos para colocar ao lado dos talheres.

Neji riu levemente, com os braços cruzados enquanto esperava, seu olhar porém estava concentrado nos detalhes do jantar. 

— Eu esqueci alguma data? — perguntou, por fim, um suspiro segurado no fundo da garganta.

Um sorriso discreto surgiu nos lábios do Uchiha, as íris escuras brilhando junto às velas.

— Feliz dia dos namorados, querido.

Neji piscou duas vezes, sentindo o coração pesar ligeiramente com a gafe, depois desviou o olhar constrangido.

— Certo… — murmurou.

Ele havia esquecido completamente.

As últimas semanas haviam sido consumidas por provas, reuniões escolares e uma quantidade absurda de relatórios. Entre uma responsabilidade e outra, a data simplesmente desaparecera de sua memória.

Quando voltou a encarar o marido, encontrou-o servindo vinho nas duas taças sem qualquer sinal de decepção, cobranças ou drama. Embora o último fosse um pouco mais comum quando o mesmo estava inspirado em irritá-lo. Naquele momento, por outro lado Itachi continuava tranquilo, com aquele sorriso pequeno e olhar suave que sempre o faziam sentir-se acolhido.

— Eu esqueci — admitiu baixinho, as bochechas coradas. 

— Eu imaginei. — Itachi riu.

Neji revirou os olhos, caminhando até a mesa.

— E você não me lembrou — acusou, falsamente irritado.  

O sorriso de Itachi aumentou mais um pouco. A travessura visível em seu olhar. 

— Ah e qual seria a graça? — perguntou, dando uma piscadela. — Não seria uma oportunidade perdida de te impressionar? 

Neji soltou uma risada baixa pelo nariz, não acreditando na falta de vergonha do marido.

— Você conseguiu me impressionar, feliz? — Devolveu a malícia, sentando-se à mesa enquanto Itachi colocava os últimos pratos.

— Ainda não.

— Ainda…? — sussurrou Neji apoiando o rosto na palma da mão, admirando a comida que parecia saída de um restaurante sofisticado.

Mas o detalhe que mais chamou sua atenção não foi a apresentação — foi o cuidado. Porque conhecia Itachi muito bem. Sabia quanto esforço ele colocava em tudo que envolvia pessoas importantes para ele, principalmente quando essa pessoa era Neji. Um detalhe que para muitos era simples, até dito como o mínimo de uma relação, mas vinte anos juntos explicavam que o “mínimo” não existia de fato.

Tudo tinha um valor inestimável. 

— Você fez tudo sozinho? — perguntou assim que o Uchiha sentou ao lado. 

— Sim.

Outra surpresa.

— Inclusive a sobremesa? — A curiosidade brilhou nas íris peroladas.

Itachi acenou, pegando a outra mão do marido, beijando os dedos esguios enquanto respondia baixo:

— Inclusive.

O olhar cheio de devoção sempre tirava um pouco da compostura de Neji, as pontas de suas orelhas se aqueceram instantaneamente. O coração novamente acelerando. 

— I-Isso explica por que não atendeu minhas mensagens durante a tarde — respondeu, tímido.

Itachi deixou outro beijo nas costas da mão antes de trazê-la até seu rosto, sentindo a palma macia contra sua pele em total satisfação.

— Eu estava ocupado tentando impedir que o molho queimasse — confessou, ainda encarando o marido.

— Oh. — A imagem mental de Itachi brigando com uma panela arrancou dele outra risada um pouco mais alta que as anteriores.

Itachi sabia que o marido iria rir e por isso o puniu com uma mordida próximo ao polegar. Nada muito forte, nem muito leve. Apenas o suficiente para vê-lo puxando a mão de volta com um olhar pouco arrependido. 

— Vamos jantar? — A voz do Uchiha carregava um tom alegre quanto sedutor, pouco difícil de recusar. 

Neji, conhecendo os encantos do Uchiha, apenas pegou o guardanapo e a estendeu em seu colo. Encarando o outro com uma sobrancelha ligeiramente erguida enquanto esperava para começar a se servir. 

A ação não passou despercebida e Itachi balançou a cabeça em uma risada fraca, pegando os talheres maiores para começar a distribuir cada porção sob o olhar atento — e provocativo — do marido. Quando cada prato estava pronto, o silêncio entre eles continuou, somente quebrado pelo som do garfo e faca ao tocar na porcelana. 

As conversas vieram depois que a comida terminou, restando apenas o vinho em suas taças. 

Falavam sobre a escola em que lecionam, sobre o casamento de Hinata, a faculdade de Hanabi, a notícia chocante de Sasuke namorando com Gaara. Sobre os alunos que insistiam em transformar cada semana em uma aventura diferente. As coisas que pretendiam fazer durante o recesso.

Suas vozes não se elevavam, suas risadas alegres ecoavam na mesma tonicidade, mantendo a música ainda perceptível ao fundo. As velas tremeluziam, acentuando os contornos do rosto de Neji, o calor do olhar de Itachi ao admirá-lo.

E, aos poucos, o cansaço acumulado dos últimos dias começou a desaparecer dos ombros de Neji. Como se aquela noite tivesse sido construída especificamente para isso.

Para fazê-lo respirar.

Para lembrá-lo de que existia algo além das responsabilidades, dos horários difíceis, das preocupações diárias. Sim. Existia aquele apartamento para voltar, existia o silêncio para relaxar e existia aquele homem.

Itachi.

O nome ecoou em sua mente com uma certeza única, preciosa. Um sorriso doce desabrochou no rosto do Hyuuga, o coração aquecido de uma forma delicada. Sua mão deixou a taça para encontrar os dedos dele, entrelaçando-os com a mesma naturalidade de anos atrás.

— Obrigado pelo jantar.

Itachi via o brilho genuíno no par exótico, o mesmo que refletia nos dele.

— Eu queria fazer algo especial para você.

— E você fez.

A resposta veio de imediato, porque era verdade. Não era só um dia dos namorados, não por causa do vinho favorito, nem da comida ou das velas. Mas porque cada detalhe daquela noite dizia a mesma coisa:

Eu pensei em você.

Eu reservei tempo para você.

Você importa para mim.

E, para Neji, não existia declaração mais bonita do que essa.

A música continuava tocando baixinho quando Itachi levou a mão dele aos lábios e depositou outro beijo sobre seus dedos, carregado de afeto. Dessa vez, Neji retribuiu, inclinando-se para beijá-lo de verdade.

Apenas um toque. 

Da mesma forma que acontecia todas as vezes, mesmo depois de tantos anos, de tantas rotinas compartilhadas, de tantas noites juntos. Eles ainda eram eles, vivendo o amor em suas infinitas formas. 

E contra os lábios do marido, sussurrou: — Feliz dia dos namorados, Ita.

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