Chapter Text
02/Julho/2015 - Mansão Bela
"André, onde você deixou minha mala?" - Juliana grita com seu marido, eles estão tentando arrumar seus quartos com suas roupas, mas ela não consegue achar nada que ela trouxe
"Querida, acho que está na cozinha!" - ele responde num grito explosivo vindo do outro lado da casa - "Valeu amor!" - a resposta veio de imediato
"Clara, você já arrumou seu quarto? Já ajudou sua irmã com suas coisas?" - Rodrigo questiona enquanto passa pano pelo casa - "Se quiser, depois eu passo pano aí no quarto. Nunca vi uma casa tão bagunçada"
"Pai, então vai reclamar com o tio José, ele que indicou esse lugar aqui" - a menina afirma - "Eu e Belinha já estamos quase acabando, só estou passando protetor solar no rosto dela, não esperava que iria fazer tanto sol aqui"
"Depois você me empresta o produto, Clacla?" - Alexandre questiona, "Eu acho que deixei o meu em casa"
"Okay. Já te dou" - a menina responde - "também peça para a Lorena passar, não quero ver ninguém com o rosto vermelho de sol!"
"Tá bom, ó mãe do grupo!" - ele zoa - "Mas afinal cadê a louca da Lorena? Você viu ela pai?"
Caetano está arrumando as compras na geladeira - "Não, filhão. Mas acho que ela estava ajudando sua mãe"
"Eu estou aqui!" - diz a garota entrando na casa, seu cabelo todo bagunçado - "Eu estava ajudando mamãe lá fora" - ela senta no sofá - "Nunca vi uma casa tão desarrumada, parece que ninguém vem aqui há anos!"
"Eu tinha certeza que essa casa era boa" - diz José entrando com mais malas - "Maria viu ela num site na internet, disse que as avaliações eram ótimas!"
"Só se quem avaliou foi um fantasma, aí eu entenderia" - Lorena deixa seu coração falar por ela - "Sem ofensas tio, mas o que tem para fazer numa cidade no meio do nada. E quando digo NADA, é nada mesmo!"
"Eu ouvi que aqui tem lindos percurso de caminhada" - comenta Jane tentando animar o espírito de sua filha - "Tem um lago e mais pro centro um pedaço comercial. Eu ouvi que o povo aqui também tem umas festas animadas"
"Vai se a gente faz um novos amigos" - diz Heitor descendo as escadas e indo de encontro ao sofá - "Acredito que aqui é do tipo de cidade que todos conhecem todos." - ele se esparrama no tronco do sofá - "Vai se tem alguma coisa legal para descobrir, vilinhas sempre tem seus mistérios, Lo.
"Não desanime tão cedo, amiga" - Clara vai de encontro aos dois adolescentes - "Eu e Bela já arrumamos nosso quarto, quando vocês terminarem suas coisas podemos explorar o contorno da casa"
"Eu ouvi falar que o dono dessa hospedagem está vindo nos dar um oi" - José comenta, seus olhos ainda brilham de esperança de fazer essas férias épicas - "Ele pode nos dar melhor informações, vai se ele até tem filho na idade de vocês"
"Pelo menos nós temos nós" - Maya chega à cena junto de sua irmã pequena, Alice - "É legal poder viajar em grupo, tenho certeza que a viagem vai ser épica! Podemos fazer churrascos e nos aventurar nas matas"
"Será que aqui tem animais selvagens entre as árvores?" - se preocupa a pequena - "Eu não quero vê-los"
Rodrigo começa a varrer a sala, aja pó nesse lugar - "De acordo com a internet, aqui não costuma ter nada perigoso não. Mas eu li que habitam umas aves tão bonitas" - ele se imagina vendo-as - "Um dia desses bora fazer uma trilha ecológica"
"Pai, se bobear todo o nosso ao redor é ecológico. Estamos cercados de verde, para sair daqui só pelo verde também" - ela argumenta, digamos que ela não é muito fã de natureza - "Podíamos estar num lugar mais concretado"
"Não diga isso, Clara" - Alex se irrita - "Você vai poder finalmente apreciar a natureza como algo belo nessas férias. Não seja pessimista"
"Eu não sou," ela retruca - "só sou realista."
"Vocês todos já arrumaram suas coisas" - algumas cabeças discordam - "Então vão logo, quero poder dar um role por aí com vocês"
"Você todos pegaram suas águas?" - Heitor com seu espírito de líder questiona seus amigos - "Não podemos enrolar tanto, temos que voltar antes do entardecer"
"Não seria melhor fazer isso só amanhã?" - Maya pergunta - "Tipo, primeiro pegamos informação com o caseiro e depois exploramos?"
"Pra mim esse caseiro aí deve ser fraude. Como pode ele ter deixado essa casa nessa condição" - Lorena lacra - "Caímos numa baita fake da internet. Eu aposto que ele nem aparece hoje"
"Que tal pararmos de discutir sobre o futuro e já irmos pedalando, eu não coloquei meu capacete atoa" - Alex reclama - "Vamos nessa seus molengas, o último a sair é a mulher do padre!" - e ele começa a pedalar tão veloz quanto a luz, seus cabelos balançam sobre o vento e seu coração recebe aquela dose de adrenalina de uma aventura que está para começar. Ele não faz a menor ideia do porque suas férias seriam ali, ele preferia estar num parque aquático ou algo do tipo, mas como o bom descobridor que ele é, nada será capaz de dar tédio em sua vida. Onde não tem o que fazer, ele criará, nem mesmo que seja invocando o capiroto.
"Ei! Eu não quero ser a mulher, nem me casar com um padre" - disse Heitor enquanto percebia que era o último a sair com sua bicicleta do lugar - "Eu quero uma revanche, babaca!" - seu grito ecoa pelas árvores
As cinco bicicletas seguiam pela trilha em fila irregular, os pneus esmagando folhas secas e pequenas pedras que estalavam sob o peso das rodas. O caminho serpenteava por entre árvores altas, tão densas que a luz do sol chegava ao chão em manchas douradas, espalhadas como pedaços de vidro colorido. O ar tem um cheiro fresco de terra úmida e vegetação, diferente de tudo o que eles conheciam da cidade. Nenhum dos adolescentes pareciam ainda apreensivo, afinal a aventura agora estava apenas começando, eles estão de férias e devem aproveitá-las.
Mais à frente, entre os vais e vem das rodas, a floresta se abria por alguns metros, revelando uma pequena descida. As bicicletas ganharam velocidade e, por um instante, o som do vento substituiu qualquer conversa boba que havia. Alguns deles ergueram os pés dos pedais por pura diversão, deixando a gravidade fazer o trabalho. Quando chegaram à parte plana novamente, os gritos e gargalhadas ecoaram entre as árvores.
Eles continuaram avançando, cada curva revelando algo novo. Um pequeno riacho de água cristalina cruzava a trilha em determinado ponto; em outro, raízes enormes surgiam do chão como se fossem as costas de uma criatura adormecida. Havia flores desconhecidas espalhadas pelas margens do caminho e pássaros de plumagem vibrante desapareciam entre os galhos antes que alguém pudesse apontá-los direito.
"Seu pai vai adorar essa trilha, Clara!" - diz Maya - "Bem que ele disse que a vista aqui era divina"
"Com certeza!" - a menina responde, ainda em êxtase pelas cores que em seus olhos refletiam - "Ele vai amar!"
Os seis agora pedalavam mais lento, não estavam acostumados a longos percursos de bike. Só que quando a trilha fez mais uma curva, todos diminuíram a velocidade a zero quase ao mesmo tempo. À frente, além das árvores, algo brilhava sob a luz do sol.
"Vocês estão vendo isso?" - Heitor questiona sua habilidade de enxergar - "Ou eu estou alucinando?"
"Não, você não está louco não" - diz Lorena - "Aquilo ali é um cara andando sozinho no meio do nada! Nem um pouco suspeito"
Todos se entreolham sem saber o que fazer, até que Clara toma a frente - "Vamos dar um oi, ele deve morar por aqui perto!"
Todos os seis se aproximam do homem que aparentava estar nos seus 40, ele caminhava com uma confiança e alegria em seu olhar, suas roupas pareciam de um jardineiro, estavam cheias de terra e sujeira - "Olá jovens!" - disse o cara misterioso quando viu os jovens vindo em sua direção - "O que posso ser de ajuda a vocês? Ah, já sei!" - ele começa a pular de alegria - "Vocês devem ser os visitantes da mansão Bela, prazer. Eu sou o cara responsável por cuidar dela, me chamo Giovane. Eu estava indo para lá agora mesmo"
Maya encara Lorena a lembrando de sua conversa anterior, era como se ela indiretamente falasse 'viu, ele existe' para a amiga - "Prazer, nós somos os visitantes sim. Eu me chamo Maya" - a menina decide continuar a conversa - "Nós já estávamos voltando para casa, não queremos esperar a noite cair" - ela olha para os amigos ciclistas e eles acenam para ela de volta - "Podemos lhe dar uma carona, mas só se quiser. Não deve ser confortável andar na parte de trás de uma dessas belezuras.
"Acredito que a minha seja o melhor para isso" - Clara diz - "Minha irmã nunca reclamou de ir aqui atrás, a menos que ela minta para mim" - ela dá uma risada descontraida.
O moço se empolga com a bondade dos meninos - "Isso seria de tanta ajuda, vocês nem imaginam" - ele começa a se apoiar na bicicleta de Clacla - "Eu posso ditar o caminho mais rápido para a mansão" - ele se ajeita na bike - "Assim seus pais não reclamam pelo seu atraso"
Heitor se sente aliviado, não queria levar bronca por chegar tarde, broncas só são legais a partir do 5° dia nesse lugar - "Isso seria muito legal da sua parte!" Desse modo, todos arrumam suas marchas e partem para sua casa temporária, o dia foi proveitoso, eles conseguiram arrumar suas coisas na casa, dar um role por aí e ainda por cima encontrar com o rapaz que lhe dariam mais informações sobre esse lugar até que bonitinho. As férias não poderiam melhorar!
"Segue reto até aquela curva e depois vira à direita, okay?" - o senhor avisava
"Chegamos gente!!!" - Heitor grita usando de todo ar de seu pulmão para avisar sua chegado - "E nós trouxemos o cara da casa junto, ele tava vindo pra cá"
Mal deu tempo dos jovens estacionarem suas bicicletas Caetano abre a porta - "Bem a tempo, não queria ter que lidar com o atraso de vocês. Entrem, entrem, agora a casa está bem mais bonita. Graças à nossa limpeza" - dava para ouvir um 'graças à mim mesmo só' no fundo da casa vindo de Rodrigo - "Ignorem ele..."
"Prazer, eu sou Giovane e vim conferir se as coisas estão certas aqui na casa. Acomodados, pessoal?" - o moço foi se acomodando na sala de estar - "Vocês têm alguma dúvida sobre a região ou algo do tipo?"
"O que tem para fazer por aqui? Eu quero opções boas" - André questiona o convidado que por sinal estava sujando a sala recém limpa com terra. Isso o deixava louco, demorou tanto para organizar tudo.
"Meu amigão, o que mais aqui tem é coisa para se fazer" - ele começa a explicar a região - "Aqui em nossa amada vila temos um grande lago para o oeste, a água lá é calma, você podem pescar ou até nadar se quiserem, nem sempre a água vai ser quente no entanto. Vocês já devem saber das trilhas maravilhosas que temos, eu recomendo fazê-las na manhã, o nascer do sol deixa tudo mais bonito, mas se quiserem fazer mais a noite também é uma opção. Vocês podem andar por aqui a vontade, não temos praticamente taxa de criminalidade, se quiserem de madrugada se aventurar pelos bosques fiquem tranquilos, aqui não há nenhum bixo selvagem ou algo do tipo" - ele pensa se não esqueceu de nada - A é, temos um centrinho comercial que vende algumas coisas e lembrancinhas caso precisem. Grande parte das atividades aqui envolvem ou esse centro com a galera animada de lá ou mais para esse canto arborizado.
Giovane começa a olhar para as crianças - "E para os mais novos temos atividades também: tem uma galera da idade de vocês por aqui, mesmo que muitos não sejam tão sociáveis assim, o povo pode ser meio fechado com visitantes, já que quase não temos. E para os que gostam de comida, acho que terá um festival com carne daqui uns dias lá para o norte da vila, perto da cabana da anciã"
Ele revira seus olhos - "Tem um galera mais velha aqui que tem umas tradições estranhas, eles vão te falar cada bobagem, mas os mais fanáticos são assim..." - ele repensa o que iria falar - "Só não deixa nada entrar em sua cabeça, se não você ficará um lelé tonto como eles; pelo menos a comida deles são boas. Então, comam o que quiserem"
"Você tem alguma dica para nós visitantes?" - Maria pergunta com toda a educação - "Não quero ser grossa com algum costume daqui"
"Uma dica..." - o moço pensa bem, o que mais ele não tinha falado ainda que lhe prestaria - "Só não encha o saco do prefeito, ele pode ser bem babaca" - Gio não gosta nem um pouco dele, mó cara sem classe e sem ânimos, ele não sabe como que é viver e aproveitar das belezas da vida
"Crianças, que tal vocês irem já se arrumando para dormir. Sabe, tomar banho, arrumar a cama e comer algo leve" - Jane aborda os menores - "Vocês precisam ter energia para se divertirem amanhã!" - ela sorri toda felizinha com seus planos de nadar e tirar a cabeça do trabalho - "Beijinhos, e Lorena não se esqueça de pentear o cabelo. Nós adultos só vamos conversar sobre burocracias com o caseiro e já vamos dormir também"
"Tá bom, mãe" - ela responde irritada, enquanto seus amigos sobem para o andar de cima onde ficam os quartos para se preparar para o que o futuro os esperam - "Noite!"
