Work Text:
“Falando de gatos,” disse Charles, embora não tenham, de fato, falado de gatos por vinte e cinco minutos e discutido milhares de outros tópicos não relacionados, “Você deve estar ciente que se você trouxer um animal para casa, eu pedirei um divórcio”. Ele parou por um momento, como se o convidasse a retrucá-lo, e então: “Você terá a custódia total e eu ficarei com a casa.”
Erik funga. Em vez de apontar que eles teriam que se casar primeiro (o que só levaria a outra iteração de 'você não vai nem pelo menos me deixar ver meu anel?'); ou que eles colocaram a ideia de animais de estimação para descansar para sempre há quase meia hora, tornando esta a abordagem mais óbvia para saber sobre o anel que já ouviu, ele diz: “Você nem viu a casa ainda.”
“Ah, eu posso vê-la? Devo dizer que isso é um avanço.”
Erik ri, apesar de si mesmo.
“Dirija mais rápido.” Charles insiste, porém, quando Erik realmente faz isso, não passam nem três minutos antes que ele diga: “Desacelera.”
A viagem leva mais quinze minutos por aí. A casa fica afastada da estrada e há várias árvores na propriedade. Mesmo depois que Erik sai da estrada, há vários minutos de entrada antes que ela se torne visível depois da curva final.
Como Erik contou a Charles naquela manhã, não é uma casa grande. É bem pequena, na verdade, e isso sem compará-la ao castelo ridículo de Charles, o que por alguma razão Erik nunca havia refletido sobre antes. Agora que ele fez, tudo que consegue pensar é que eles passaram férias em cabanas maiores.
“Compartilhei um castelo com centenas de adolescentes. Eu dificilmente estava vivendo por lá sozinho,” disse Charles. Não poderia ser mais óbvio o quão deliberadamente está escolhendo suas palavras; deveria ser mais irritante do que reconfortante, contudo, de alguma forma consegue ser ambos em medidas iguais. “É pequena, mas certamente há espaço suficiente para dois. É lindo, Erik. É perfeito.”
“Você ainda mal a viu,” disse Erik, dando-o um olhar apático. Charles sempre teve o mau hábito de dar uma olhada a qualquer coisa, decidir que deve ser maravilhoso e depois se recusar a revisar sua opinião, não importa quais evidências contra pudessem surgir.
Onde o Charles que ele conheceu quarenta ou cinquenta anos atrás teria passado a próxima hora informando a Erik que há muito mais nele do que violência e terrorismo, e assim por diante, o Charles de agora revira os olhos e diz: “Bem, então, você deve estar morrendo de vontade de me dar um tour.”
Erik está, na verdade. Ele comprou essa propriedade a cera de cinco anos atrás, dizendo a si mesmo que a usaria como outro esconderijo seguro para a Irmandade de Mutantes. Eles precisavam de um novo no Nordeste e ainda assim, Erik usou seus próprios fundos para a compra e nunca chegou a dizer a nenhum deles que existia. Alguma parte dele deve ter sabido o que ele realmente queria antes mesmo de considerar a aposentadoria.
Naqueles cinco anos, nunca mencionou a Charles que ele tinha uma casa perto da escola; nas seis semanas que passou reformando-a para primeiro torná-la habitável e depois acessível, ele nunca ligou para mencionar a Charles que estava a poucas horas de distância de carro. Sabendo ou não que queria que fosse uma surpresa esse tempo todo. Agora que Erik o tem aqui, está surpreso com o quão ansioso ele está para que Charles aprove o lar que fez para eles.
Já faz muitos anos desde que ele realmente se preocupou com a aprovação de Charles sobre qualquer coisa que tenha feito, porém, isso é diferente. Isso é outra coisa. Há uma razão para ele ainda não ter dado o anel para Charles ainda, embora tivesse planejado ser a primeira coisa que faria essa manhã. Parece um pouco improvável que Charles deixe tudo para trás apenas para ficar com Erik. Parece ainda mais improvável que ele consiga suportar Erik por muito tempo. Melhor ter certeza, primeiro.
Charles dá um leve tapinha em seu joelho. “Erik”, ele diz, em um tom tão sério que ele realmente poderia ser o Charles de cinquenta anos atrás, aquele que tanto investiu em salvar Erik de si mesmo, “Eu sei quem você é. Eu sei o que é isso. Eu estive pronto há anos.” Ele aperta um pequeno o joelho de Erik e então continua: “Dito isso, você precisa me pedir em casamento ou me mostrar a casa. Estou ficando impaciente.”
“Somente agora você está ficando impaciente, é?” diz Erik secamente. Quanto mais velho Charles fica, mais impaciente, mandão e insistente ele se torna. Combina com ele, quando não deixa Erik louco; ele se pergunta o que vencerá, agora que eles estarão juntos o tempo todo. “Sim, sim, tudo bem. Vamos entrar.”
Quanto ao anel: ele irá guardar.
