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Noites Como Esta

Summary:

Em que ele pensa, lá em cima, sozinho? Uma fic para o dia da angústia.

Tradução autorizada da obra original "Nights Like This" de Marsalias. Todos os créditos pertencem à autora original.

Notes:

Work Text:

​Às vezes, quando Danny voava alto e solitário pelo ar noturno sobre Amity Park, ele se pegava refletindo.

​Quando as estrelas apareciam, ele pensava nelas. Sobre quais segredos guardavam. Sobre o que já haviam visto. Pensava em suas vidas longas e nos planetas que as orbitavam. Perguntava-se se algum planeta com vida girava ao redor delas, se havia outras inteligências lá fora olhando de volta e se perguntando exatamente a mesma coisa.

​Quando a lua brilhava, ele pensava nela. Sobre quando a humanidade voltaria a pisar em sua superfície e se ele poderia ser um dos sortudos a fazer isso.

​Quando conseguia avistar Marte, ou Júpiter, ou algum dos outros planetas, ele refletia sobre praticamente as mesmas coisas.

​Mas quando o céu estava nublado e ele havia sido atormentado por mais fantasmas do que seria possível espremer numa maratona de Um Conto de Natal, bem... Ele pensava em coisas diferentes.

​Aquela era uma noite nublada, e sangue pingava de um corte superficial em sua costela. Só que não era sangue. Era ectoplasma.

​Em noites como aquela, Danny se perguntava o que ele era.

​


 

​O corte não era grave. Danny já tinha sofrido piores. Muito piores. Muito, muito piores. Mal doía. Certamente não se comparava a morrer.

​Mas.

​Danny realmente deveria limpá-lo e fazer um curativo. Deveria ir para casa e pegar o kit de primeiros socorros. Essa fora a sua intenção quando se afastou voando da cena da luta. Mas acabou parando, com os olhos fixos no machucado.

​Ele estava sangrando verde. Sempre acontecia isso quando estava na forma fantasma. Não devia ser uma surpresa. Não devia parecer um soco no estômago.

​Mas.

​O fantasma que ele enfrentara naquela noite tinha sido a Spectra.

​


 

​Como alguém poderia se importar com você? Ninguém te conhece. Nem você se conhece. Você nem sabe o que você é. Fingindo ser meio-humano... Você é uma aberração, e ainda por cima, iludida. Você já viu as pesquisas dos seus pais. Você já ouviu o que eles dizem. É impossível que um humano tenha poderes fantasmas.

​E é impossível que um fantasma seja bom.

​


 

​Como sempre, havia um pingo de verdade suficiente no que ela dizia para que o restante continuasse cavando um caminho sinistro até o seu cérebro. Ou seja lá qual fosse o equivalente fantasmagórico disso. Exatamente como seus dedos estavam cavando o corte na sua costela. Doía. Aquilo o mantinha ancorado à realidade. Seus pais também diziam que fantasmas não sentiam dor.

​Então, toma essa.

​Ele estremeceu e continuou seu voo para casa.

​Era em noites como aquela que Danny se perguntava se ele estava mesmo meio-vivo...

​...ou se era apenas um fantasma que achava que estava.

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